• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

1.2 Alevilik ve Bektaşilik İle İlgili Temel Kavramlar

1.2.3 Cem-Cemevi

Alguns estudos que versam sobre o tema família e professores têm utilizado, enquanto instrumento para coleta de dados, entrevistas semi-estruturadas (CHECHIA E ANDRADE, 2002; GAMA ET AL, 2002; MADUREIRA ET AL, 2003; CARRARO E ANDRADE, 2002), desenho da família com estória, desenho da família, teste do desenho colorido da família (AMAZONAS ET AL, 2003; FLECK E WAGNER, 2003; PEÇANHA E FERNANDES, 2003), dentre outros instrumentos.

Neste caso, foram elaboradas quatro situações rotineiras utilizadas para coletar os dados e as mesmas foram selecionadas a partir da análise da prática pedagógica da própria pesquisadora além de discussões e reflexões entre orientadora e pesquisadora. Ressalta-se que, além das discussões, as situações foram utilizadas pelo fato de abordarem linguagens

51

diferenciadas, tendo um conteúdo em comum, que é o tema família, permitindo a identificação das representações sociais a partir de cada uma delas. Os instrumentos da coleta de dados foram algumas situações denominadas de Situações Rotineiras do Cotidiano Escolar, apresentadas às professoras, para que elas pudessem esboçar suas crenças e percepções sobre as mesmas.

O primeiro instrumento foi uma Situação Cotidiana Escolar envolvendo o tema família e foi criada em função de ser uma temática que, por diversas vezes, apareceu durante as aulas de Psicologia Educacional e de Formação Docente, nas falas das alunas, quando as mesmas relatavam suas experiências ou pediam esclarecimentos a respeito de como agir com determinada criança, visto que não encontravam apoio familiar. A situação apresentada primeiramente às professoras, foi denominada de situação cotidiana/escolar, e fazia menção a uma criança retraída e pouco participativa às atividades propostas pela professora. A intenção de se mostrar essa situação à professora residiu no fato de que ela teria que se colocar no lugar do outro, vivenciando uma troca de papéis, na tentativa de entender a importância que tem o conhecimento da história de vida da criança que está na escola; e em seguida, ela deveria se posicionar como professora, atividade que elas já realizam, mas que, vista dessa forma, as colocam frente a frente com o repensar de sua própria prática cotidiana.

A partir da apresentação de uma situação devidamente contextualizada, as professoras deveriam descrever qual seria sua postura frente à mesma. O texto contém a seguinte estória:

Carolina é uma criança retraída; faz as tarefas somente quando a professora pede e não gosta de participar das festividades promovidas na escola. A professora, depois de seis meses, resolveu contatar a família de Carolina. Enviou três bilhetes, dos quais apenas o último continha uma resposta:

52

Professora, não tenho tempo para acudir os chiliques da Carolina. Se ela não quer participar de nada, nada, também, posso fazer. Vai ver que ela puxou a moleza do pai, o qual, aliás, tem dois dias que não o vejo .

Qual seria sua reação, se estivesse no lugar de Carolina?

Como professora, qual seria sua reação ao receber um bilhete como este?

Neste caso, a professora deveria se reportar ao lugar de Carolina, na tentativa de imaginar quais sentimentos seriam despertados a partir da situação apresentada. Verifica-se que fala-se da empatia, definida como compreensão intelectual de uma pessoa por outra pessoa, associada à capacidade de sentir como se fosse essa outra pessoa (CABRAL & NICK, 1992, p.106). Num segundo momento, a professora retornaria à sua função de profissional, esboçando quais seriam seus prováveis comportamentos frente à situação vivida pela criança da estória. Qualquer interação humana, seja ela entre duas pessoas ou entre grupos, pressupõe representação. Moscovici (2003) situa esta questão, explicando que sempre e em todo lugar, quando as pessoas ou coisas são encontradas e há familiarização, as representações estão presentes. Ao se receber uma informação e tentar dar um significado a ela, a informação passa a ter o sentido que atribuímos a ela. Ele afirma, ainda, que a importância está no fato da natureza da mudança, através da qual, as representações sociais se tornam capazes de influenciar o modo com as pessoas se comportam dentro de uma coletividade. Dessa forma, as representações sociais são criadas interna e mentalmente, sendo dessa maneira que o próprio processo coletivo penetra como fator determinante, dentro do pensamento individual. Assim, as representações aparecem, para nós, quase como objetos materiais, pois são produtos de nossas ações e comunicações (MOSCOVICI, 2003).

O segundo instrumento foi denominado de Situação Notícia e continha uma situação cotidiana social que foi de grande divulgação nos meios de comunicação tanto televisivo

53

quanto impresso, o que facilitou a interlocução dos fatos cotidianos com a dinâmica de sala de aula, para saber qual o impacto da mesma no processo de construção da representação de família. A situação notícia foi utilizada porque se percebe que a família e a educação, por serem construções históricas em transformação, recebem influência de aspectos econômicos, sociais e culturais. Desta forma, priorizou-se a relação família/escola e a maneira como a professora percebe essas influências em sua prática pedagógica. A situação apresentada é descrita da seguinte maneira:

No mês de abril de 2004, foram veiculadas imagens retratando a violência no Rio de Janeiro, especificamente na favela da rocinha. Em menos de duas semanas, doze pessoas foram mortas em tiroteios. Morreram traficantes, policiais e inocentes alvejados por engano. Alguns pesquisadores e sociólogos alegam que toda essa violência acontece, porque não há políticas para acabar com a pobreza. Outros alegam que é necessário acabar com a desigualdade. Não é a pobreza que causa violência. É a ruptura do tecido social, a falta de estrutura das famílias, a desigualdade e os conflitos (Folha de São

Paulo, 18/04/04 - Cotidiano, p C 4).

Em sua opinião, o que é a falta de estrutura familiar que a notícia está retratando?

As Representações Sociais poderão ser observadas no segundo instrumento pelo fato de que elas não são criadas por indivíduos, isoladamente, mas adquirem uma vida a partir do contato deste indivíduo com os demais, e com os fatos e acontecimentos que são pertencentes ao seu contexto social. Desta maneira, elas servem de parâmetro comportamental no qual as pessoas pautam suas condutas, atribuindo significado aos acontecimentos do cotidiano. Ao criar representações, as pessoas se sentem seguras ante todos os fatos que ocorrem no âmbito social, pois eles passam a ter e dar significado para suas existências (MOSCOVICI, 2003).

54

Como terceiro instrumento, foi apresentado às professoras, por escrito e em forma de música, através da utilização do gravador, a Letra "Família" do grupo musical Titãs, para que elas pudessem proceder à interpretação, analisando como a família é percebida na letra da música. A letra da música foi utilizada porque apresenta um outro tipo de linguagem, que é a musical e, além disso, aborda a temática que é o objetivo da pesquisa e por trazer à tona parte da cultura brasileira. A letra foi escrita em 1986 e contêm o seguinte texto:

Família, família, papai, mamãe, titia

Família, família, almoça junto todo dia, nunca perde essa mania. Mas quando a filha quer fugir de casa, precisa descolar o ganha-pão.

Filha de família se não casa, papai, mamãe não dão nenhum tostão. Família ê, família á, família...

Família, família, vovô, vovó, sobrinha.

Família, família, janta junto todo dia, nunca perde essa mania. Mas quando o nenê fica doente, procura uma farmácia de plantão.

O choro do nenê é estridente, assim não dá pra ver televisão. Família ê, família á, família...

Família, família, cachorro, gato, galinha.

Família, família, vive junto todo dia, nunca perde essa mania. A mãe morre de medo de barata, o pai vive com medo de ladrão.

Jogaram inseticida pela casa, botaram cadeado no portão. Família ê, família á, família...

55

Ao se questionar às professoras em relação à família retratada na letra da música, percebeu-se que as representações sociais devem ser vistas como uma maneira específica de compreensão e comunicação do que já se sabe, ocupando, com efeito, uma posição diferenciada, em algum ponto entre conceitos. Isso têm, como objetivo, abstrair o sentido do mundo, introduzindo nele, ordem e percepções, que reproduzam o mundo de maneira significativa (MOSCOVICI, 2003). E, essa maneira significativa de compreender o mundo e os acontecimentos pode ser observada em textos musicais, como o que foi escolhido para instrumento dessa pesquisa.

O quarto instrumento, denominado de Álbum das Famílias foi criado a partir da montagem de doze fotos que contemplavam grupos familiares diferenciados, seguido de questionamentos para que as professoras esboçassem comentários a respeito do que as imagens representavam para elas, enquanto contexto de família. O álbum foi montado a partir de fotos recortadas de jornais, revistas, livros didáticos e foi utilizado porque representa uma linguagem visual capaz de facilitar a captação da representação que o professor tem a respeito de família, que é o tema em estudo. Além desse fator, as fotos remetem a várias interpretações, o que permitirá, num trabalho posterior, a elaboração de um projeto de intervenção. As fotos foram xerocadas em tamanho ampliado e coloridas para que não perdessem o efeito e refletissem a imagem tal qual ela foi retirada de seu material original. Juntamente com a apresentação do álbum, eram apresentados os seguintes pontos a serem respondidos, para que facilitassem o conhecimento das representações sociais: a) O professor deverá escolher duas fotos que mais lhe chamam a atenção e responder a seguinte questão: o que essas imagens representam sobre família, para você?; b) escolher uma foto da qual não gostou, explicando quais as representações que a foto lhe traz, que faz com que ela não seja a escolhida; e c) dar um nome às imagens.

56

Foto 01

Essa foto foi escolhida em função de representar o movimento da transformação, considerando que, para se tornar a borboleta apresentada na foto, o inseto passa pela metamorfose, deixando de ser larva para se tornar borboleta. Durante esse período, a larva se fecha em seu casulo à espera do tempo de seu amadurecimento até a saída para seu vôo radiante .

57

Foto 02

A segunda foto foi selecionada de uma propaganda veiculada no Jornal Folha de São Paulo (2004). Ela contém um cuidador e uma criança. Trata-se de um cuidador pelo fato de que, com freqüência, ambos os pais saem para trabalhar fora, necessitando de uma terceira pessoa para cuidar de seu bebê.

58

Foto 03

Essa foto também foi retirada de uma propaganda veiculada no Jornal Folha de São Paulo (2004). Ela foi escolhida pelo fato de conter um casal com uma criança que tanto pode representar uma família nos moldes atuais, ou seja, família com apenas um filho, como também pode ser representativa de um casal com uma criança adotiva.

59

Foto 04

A quarta foto foi selecionada por se relacionar com o fato de estar presente a mãe e um bebê, o que pode ser representativo da maternidade independente.

60

Foto 05

Essa foto foi retirada do livro didático da 1ª série, História e Geografia 1 (VESENTINI, 2001), do capítulo referente ao estudo das famílias. A figura foi incluída no álbum porque representa um modelo familiar denominado família tradicional extensa, composta pelo pai, mãe, filhos e demais parentes que moravam com o casal.

This document was created with Win2PDF available at http://www.daneprairie.com. The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only.