II. Altın Orda ile Litvanya Büyük Dukalığı Arasındaki İlişkiler
5. Celalleddin Han’ın Jalgiris Muharebesi ve Litvanya Tarihine
Muito embora a questão 'o que é uma boa fotografia?' tenha revelado respostas ambíguas, há dois aspetos, nomeados pelos entrevistados, vistos como os primordiais em todo o desenrolar do processo de produção de uma fotografia jornalística: a
46 Entrevista pessoal a Ana Jesus Ribeiro - 2 de março de 2015 47 Entrevista pessoal a Rui Miguel Pedrosa - 5 de março de 2015 48 Entrevista pessoal a João Carlos Santos - 30 de março de 2015 49 Entrevista pessoal a Miguel Madeira - 23 de junho de 2015
93 informação e a estética (onde se inclui a técnica) da fotografia, já que importa que a fotografia de imprensa se deva definir em ambas as componentes (Schimtt, 1998).
Para Ana Jesus Ribeiro e Rui Miguel Pedrosa, o primeiro critério de seleção dos entrevistados é comum e tem a ver com questões técnicas: a fotografia tem de estar focada. Só depois, referem os entrevistados, a fotografia tem de informar. "O critério de
prioridade, para mim, é o que está bem congelado, bem feito. É o critério número um. O número dois assenta em função do que aconteceu. (…) Nós, fotojornalistas, temos de dizer, através da imagem, minimamente o que está no texto. O fotojornalismo é informar, não tem nada a ver com estética da fotografia."50 Concordantemente, "o
essencial para mim é as fotografias estarem sempre focadas. Isso tem de ser. É obrigatório. No spot news diário. Não quer dizer, porque o momento também importa, que não haja exceções. (…). A segunda prioridade é ter a informação toda necessária. (…) Para mim, o que é foto é mostrar ao leitor aquilo que aconteceu."51
Ao invés, Paulo Cunha conta-nos que os critérios de seleção assentam sobretudo na problemática da informação, não descurando, ainda assim, a importância da estética: "os
critérios são critérios jornalísticos, ou seja, quando estou a fotografar procuro saber onde é que está a notícia. Pode estar num gesto, pode estar numa expressão, pode estar numa ação. Estar atento ao desenrolar de uma situação. Outro critério é o critério técnico da fotografia, a estética da imagem. Todas essas técnicas serão para potenciar sempre o critério do jornalismo, que vem em primeiro lugar. Na edição, os critérios continuam a ser os mesmos: potenciar sempre o facto jornalístico, potenciar uma boa imagem que fale, que diga ao leitor o que é que está a acontecer."52
O contexto fotojornalístico assume a responsabilidade de dar a conhecer o que se passa no mundo, contar realidades através da fotografia, posição que José Caria defende: "a escolha também tem muito a ver com a história que tu queres contar,
porque às vezes até podes ter uma grande foto desse assunto, mas depois não encaixa ali, não faz sentido. E é essa percepção que é difícil. Eu falo por mim, tenho sempre um medo... será que estou a contar bem as coisas?"53
Ao encontro desta ideia, Hugo Amaral fala da necessidade dessa congruência entre a fotografia e a história a contar, considerando que são essas as boas fotografias que
50 Entrevista pessoal a Ana Jesus Ribeiro - 2 de março de 2015 51 Entrevista pessoal a Rui Miguel Pedrosa - 5 de março de 2015 52 Entrevista pessoal a Paulo Cunha - 1 de abril de 2015
94 contam para lá do texto, que se entrelaçam na história. Exemplo disso é uma das suas fotografias tirada durante as comissões do BES.
"Começámos a perceber, mais ou menos, que o Banco de Portugal poderia ser
culpado pela situação. E eu tenho uma foto do Carlos Costa que está assim [Hugo
Amaral faz o gesto do protagonista da imagem]. E eu não tenho dúvidas: é esta. É
quase como se fosse uma mensagem subliminar. Ao saber que o Banco de Portugal poderia ser culpado, de alguma forma, de aquilo que aconteceu e está a acontecer com o BES... e tenho uma foto assim, do género 'se calhar fizemos merda'."54
À partida, sendo o objetivo do jornalismo informar o público, fotografias jornalísticas devem primar sobretudo por tal – especialmente em situações que não despendam de muito tempo de preparação, como o trabalho diário:
"Compor uma imagem no calor de determinadas situações também não é fácil. Os fotojornalistas trabalham com base numa linguagem de instantes, numa linguagem do instante, procurando condensar num ou em vários instantes, 'congelados' nas imagens fotográficas, toda a essência de um acontecimento e o seu significado."
54 Entrevista pessoal a Hugo Amaral - 23 de junho de 2015
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(Sousa, 2002a:10)
A opinião de Francisco Paraíso vai ao encontro do que Sousa defende: "Há é
muitos instantâneos, que às vezes são notícia, e não dá tempo para serem pensados; mas isso também é a vida do repórter fotográfico: é fazer bons instantâneos."55 Érik
Neveu (2003/2005) assume que o trabalho jornalístico funciona à base de hábitos e rotinas, para que possam precisamente prever o, aparentemente, imprevisível. Ainda assim, defende que o jornalismo também se define pelo seu caráter de urgência: os jornalistas terem de se adaptar a situações totalmente imprevisíveis.
No entanto, Sousa não descura a importância da parte estética, assumindo que o trabalho do fotojornalista é esse mesmo: ainda que inseridos na rapidez da rotina diária, o fotojornalista deve captar o que importa e excluir o que distrai; captar o que é notícia, sendo que funciona melhor quando a fotografia é clara – quando transmite uma única ideia ou sensação. Para que tal aconteça, tem de haver um cuidado estético, o uso de uma linguagem 'linguístico-expressiva' (Sousa, 2002a).
Portanto, o desafio diário do fotojornalista passa por conseguir conciliar a informação com a estética numa única fotografia: "Como editor, para o jornal, tem de
ser algo que informe, de imediato, que seja esteticamente apelativo, e que cumpra o seu objetivo, que é, num relance, surpreender e informar ao mesmo tempo."56
Ao encontro desta ideia, Francisco Paraíso, diretor do departamento central de imagem dos Correio da Manhã e Jornal Record, define a necessidade de as imagens serem pensadas, muito embora nem sempre haja tempo para o fazer: "Se essa imagem
tiver uma boa notícia e for tecnicamente bem construída – com a linha do horizonte
bem nivelada, com iluminação bem feita, com as linhas dos três terços bem distribuídas
–, isso é excelente. Por isso é que eu digo que as imagens continuam a ter de ser bem
pensadas."57
Neste ponto, o livro de estilo do Público refere que:
"Nas situações mais ritualizadas e de encenação mais previsível, os repórteres fotográficos do PÚBLICO devem procurar sempre surpreender um ângulo inesperado ou um pormenor significativo, em vez de se limitarem a reproduzir esses sinais exteriores
55 Entrevista pessoal a Francisco Paraíso - 18 de maio de 2015 56 Entrevista pessoal a João Carlos Santos - 30 de março de 2015 57 Entrevista pessoal a Francisco Paraíso - 18 de maio de 2015
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mais padronizados e oficiais-institucionais (por exemplo: uma conferência de imprensa, uma chegada ao aeroporto de um chefe de Estado). A recusa das convenções oficiais e a procura de um olhar novo não significa, porém, o recurso à deformação caricatural das situações ou personagens. Em todas as circunstâncias deve ser ponderada a diferença estética e ética entre uma imagem original e insólita e a facilidade da caricatura."
Em concordância, e como referido anteriormente, vários foram os fotojornalistas entrevistados que nomearam o Público como o jornal português de referência do fotojornalismo, como Ana Jesus Ribeiro, que defende que "o Público informa e
preocupa-se com a parte estética e com a parte artística. É possível conciliar as duas coisas."58 Ao invés, há outros jornais que são nomeados pelo oposto: não terem em
conta a parte estética da imagem, como o Correio da Manhã: "é um órgão de
comunicação que não valoriza a imagem. Não valoriza o fotojornalista"59, já que "O
CM é uma máquina de marketing. (…) Eles se puderem mostrar o mais possível, mostram."60