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BÖLÜM 2: KREDİ TÜREVLERİ VE KREDİ TEMERRÜT SWAPLARI

2.3. Kredi Temerrüt Swapları

2.3.6. CDS Sözleşmelerinin Sınıflandırılması

Desde o início deste estudo tivemos a impressão de que a seleção de partici- pantes para uma pesquisa que envolve os saberes docentes não seria uma tarefa fácil por vá- rios motivos.

Em primeiro lugar, nossa experiência como professores em cursos de licencia- tura, ministrando disciplinas que envolvem a prática de ensino, e nosso contato constante com professores e escolas, nos trouxe à percepção algumas características do dia-a-dia destes pro- fissionais, como a jornada intensa de trabalho, por exemplo. Mesmo entre os professores de matemática que atuam em apenas um sistema de ensino (municipal ou estadual), é muito co- mum que a carga horária de trabalho supere 30 horas/aula e seja cumprida em mais de uma escola, o que impossibilita muitas vezes que o professor participe de reuniões pedagógicas e

usufrua de um espaço de interação instituído nas escolas e conhecido como AC40. Pensamos que o fator “tempo disponível” poderia desestimular a participação.

Some-se a isso o fato de ser muito comum, como relata Charlot (2002), o pro- fessor que atua na educação básica ver a pesquisa feita pela universidade como uma intromis- são no seu meio, numa via de mão única que apenas extrai informações da escola, mas que raramente contribui para auxiliar o trabalho lá realizado. De fato, nas ocasiões em que pude- mos conversar com equipes de professores para apresentar propostas ligadas às disciplinas Estágio Supervisionado em Matemática I e II, essa era uma queixa bastante presente.

Cientes desses dificultadores, fizemos os primeiros contatos com um grupo de professores, potenciais participantes da pesquisa, no início de novembro de 2005. Na ocasião, procuramos os professores das escolas que conhecíamos e dissemos a eles apenas que o con- tato era para saber da possibilidade de participação numa pesquisa que envolveria seus sabe- res e suas necessidades profissionais.

Anotamos os telefones de 6 candidatos e indicamos a eles que faríamos contato para combinar um horário para apresentar a proposta mais detalhadamente, o que é para nós, antes de tudo, uma exigência ética da pesquisa pela qual o participante deve saber do que está efetivamente participando. Mas não é apenas isso. Trata-se também de um imperativo meto- dológico, cuja finalidade prática é muito simples: obter a participação efetiva do sujeito. Su- pomos que um participante bem informado que consente em contribuir com a pesquisa, co- nhecendo o tema, sua finalidade científica e sabendo que sua identidade será preservada pode sentir-se mais à vontade e fornecer depoimentos mais espontâneos.

Durante os meses de novembro e dezembro de 2005, fizemos outros contatos por telefone e alguns pessoalmente nas escolas nas quais estes professores trabalhavam, mas todas as tentativas de agendar um tempo resultaram infrutíferas, mesmo porque a maioria de- les nos pareceu realmente não ter tempo disponível por vários motivos. Um deles é a carga horária completa que todos possuíam, atuando em mais de uma escola e, em alguns casos em mais de uma cidade; outro é que, sobretudo nos sistemas municipais, o sábado é contado regu- larmente como um dia letivo, na maioria das cidades da região; um terceiro é que aqueles que atuam no sistema estadual estavam envolvidos em cursos de capacitação e estavam dispensa- dos das ACs e reuniões pedagógicas – um dos momentos da rotina docente que poderíamos aproveitar estrategicamente. Para completar esse quadro pouco animador, o final de ano em

40 A sigla representa a expressão “Atividades Complementares”. Trata-se de um horário reservado para discussão de questões pedagógicas, no qual os professores se reúnem por área de conhecimento.

qualquer escola envolve o encerramento das disciplinas e todas aquelas tarefas que até quem não está de algum modo ligado a área educacional é capaz de imaginar como se acumulam.

Nesta primeira batalha perdemos contato com 2 dos 6 professores, e só tivemos notícias deles muito depois de ter iniciado a coleta dos dados. Contudo, o saldo positivo que tiramos desta trincheira foi a sugestão, dada pelos professores que contatamos, de marcar es- sas reuniões para o final de janeiro de 2006, quando eles estariam próximo ao final de suas férias - sugestão que aceitamos de imediato.

No período sugerido, voltamos a tentar marcar reuniões individuais com nossos potenciais participantes, mas não foi tão simples localizá-los por telefone, alguns porque mu- daram de número de celular (o que é comum hoje em dia), outros porque estavam viajando. Em meio aos contratempos, conseguimos até o final de fevereiro, marcar e realizar reuniões breves de cerca de 10 a 20 minutos com 3 professores.

Na ocasião todos mostraram disposição em colaborar e nos forneceram algu- mas informações sobre seu tempo de magistério, sobre seu ingresso na carreia e sua passagem pela universidade e sobre o tempo que tinha disponível para a realização de entrevistas.

Com a realização destas reuniões preliminares, ficamos sabendo que os três professores tinham as idades muito próximas, entre 29 e 30 anos. Dois deles tiveram sua ini- ciação na carreira enquanto cursavam o 6º semestre do curso de licenciatura (pertenceram á mesma turma de graduação e mantêm amizade desde a época), sendo que ambos atuam no magistério, lecionando matemática há cinco anos. Já o terceiro professor exibiu uma trajetória na qual o curso de nível superior se apresentou como possibilidade após três anos de sua atua- ção no magistério – atuação que já perfaz quase 10 anos. Também pudemos perceber que to- dos aparentavam possuir uma auto-imagem positiva em relação a estudar e ensinar matemáti- ca, embora os professores com menos tempo de magistério reclamassem das condições de trabalho e especificamente de alguns dos professores que tiveram na universidade.

Até este momento, todos reuniam as características que julgávamos interessan- tes para o estudo. Contudo, não pudemos deixar de notar que, dentre estes possíveis partici- pantes, um nos parecia oferecer mais possibilidades em relação ao nosso objeto de estudo.

A conversa preliminar na qual buscamos submeter a ele nossa proposta de pes- quisa e conhecer um pouco de sua trajetória durou cerca de 10 minutos. Apesar do tempo cur- to percebemos que ele falava com certa desenvoltura sobre seu trabalho, superando sua decla- rada (e visível timidez) e mostrando possuir uma auto-imagem positiva em relação a estudar matemática. Sua figura nos pareceu reunir características bastante comuns entre nossos alunos ao mesmo tempo em parecia revelar uma singularidade que acenava para nós como algo que

merecia ser investigado: em seus relatos espontâneos, algumas das principais questões para as quais ele parecia buscar ativamente por respostas nos pareceram ter uma origem anterior à sua passagem pela universidade, mais precisamente pareciam estar muito intrinsecamente ligadas ao seu fazer em sala de aula.

Essa percepção bastou para nos motivar a selecioná-lo e a insistir em marcar entrevistas, mesmo sabendo que a jornada de trabalho desse professor na ocasião ultrapassava 40 horas semanais. Em meio a negociações, tivemos que aguardar até o final do semestre leti- vo para que ele pudesse encontrar um tempo para marcarmos a 1ª sessão de entrevista.

Superada esta etapa inicial, conseguimos a adesão do participante que se cons- tituiu o caso em estudo.