• Sonuç bulunamadı

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EATRO ALIADO À

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DUCAÇÃO

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MBIENTAL

Certamente, as respostas apresentadas pelos indivíduos investigados demonstraram o reconhecimento, pelos praticantes, do teatro como um instrumento facilitador da aprendizagem, importante na formação de sentidos e significados e na construção de conhecimentos acerca da temática ambiental, como fizeram outros autores já apontados por nós. Alguns aspectos devem ser considerados, neste sentido.

Por exemplo, destacam aos nossos olhos a indicação de que o teatro é um meio facilitador da assimilação e aprendizagem de conteúdos. Certamente que sim. Contudo, interessa-nos saber qual os moldes que o processo ensino-aprendizagem é entendido. Assim, aparecem diversas indicações do teatro entendido como instrumento de conscientização. Ainda, também, é marcante a idéia de o teatro ser um bom veículo para a transmissão de informações, como podemos perceber nitidamente, por exemplo, em respostas em que o educador compara o teatro a palestras, textos e cartazes nas atividades de Educação Ambiental, como:

Porque o teatro é uma atividade prática com linguagem direta e simples, sem blá blá blá, retroprojetor, conferência digital, etc.(...) O teatro, diferente de uma palestra, atrai, enquanto a palestra faz adormecer. (41)

Neste sentido, o teatro é explicitamente reconhecido por diversos sujeitos, como um bom canal de comunicação. A idéia de comunicação, muitas vezes, não só se mostra apenas arraigada à assimilação e construção de conhecimentos no plano racional, mas também, muitas vezes, envolvendo a questão da sensibilização (marcante nas respostas da maioria dos indivíduos), a transmissão de mensagens, e uma expectativa de que ele possa, a partir do apresentado, provocar uma mudança de valores e atitudes em relação ao meio ambiente. A idéia de que o teatro possa contribuir para informar e tocar as pessoas para que essas modifiquem suas atitudes é bastante presente e, certamente, reflete também os entendimentos que esses sujeitos constroem acerca da Educação Ambiental.

É preciso, então, atentarmos para que a capacidade comunicadora do teatro não seja transformada numa perspectiva catequizante, “bancária”, despolitizadora, como já apontaram alguns sujeitos desta pesquisa:

Há a necessidade de compreensão, por parte do arte-educador, da complexidade do campo ambiental, para evitar o cerceamento artístico e criativo que propostas mais "catequizadoras” e conservadoras de EA poderiam exercer com o teatro. (4)

Muitas, imensas contribuições. Mas atenção ao teatro panfletário, da moda, deve-se ter toda preocupação com o teatro-educação, atentando para o enredo específico para cada faixa etária. O teatro é vivo, gostoso de ver; transporta o público para o mundo da fantasia e quando profundo, desperta a consciência crítica. (48)

Conforme já discutimos, é necessária uma reflexão cautelosa neste sentido, uma vez que a ênfase dada apenas a aspectos de conhecimentos ou a aspectos valorativos e comportamentais, pode ainda mais reforçar uma educação redentora, de cunho individualista, e até mesmo moralizante, ainda mais se desligada da questão política, perdendo o teatro suas características enquanto ação cultural. Ilustrando essa perspectiva, podemos destacar indicações nas quais o teatro é entendido como forma de demonstração de “certo e errado”, tais como:

É uma forma de trazer uma informação de uma maneira mais deleitável, onde a criança leva um "puxão de orelhas” sem sentir a dor e ainda aprende brincando. (8)

Empreguei esta ferramenta (...) tendo em vista que a mesma possibilitou orientar, "corrigir" e auxiliar de forma polida a proposta de mudança de hábitos errôneos por parte dos funcionários do edifício. (1)

Ainda nesta perspectiva, interessante, também, é que alguns sujeitos, explicitamente, apontam uma dicotomização entre razão e emoção, enfatizando essa última como mais importante no processo educativo voltado a questões ambientais e como uma contribuição importante do teatro neste sentido, como podemos exemplificar pelas afirmações de um dos sujeitos desta pesquisa:

Porque não temos mais tempo de sermos mentais. Somente através da arte podemos pegar "na veia" e falar no íntimo de cada um. (23)

Contudo essas idéias dicotômicas, presentes deste a Antiguidade no universo de produção do conhecimento e que não encontram sentido nas proposições de uma Educação Ambiental de caráter transformador (entendendo o processo educativo arraigado às três dimensões complementares), parecem ser superadas nas colocações de Duarte Jr. (1994) acerca dos próprios fundamentos estéticos da educação. Conforme já discutimos anteriormente, em outro trabalho, deve-se superar a dicotomia sentimento-razão, sensível- racional, tão arraigada em nosso modelo educacional até hoje. Para Duarte Jr. (1994), a arte estaria contribuindo para o verdadeiro sentido da educação, que se afasta de uma educação que separa ainda mais a intelecção dos sentimentos, baseando-se na idéia de que:

a razão humana, a reflexão, só se dá a partir de um fundo indiferenciado de sensações e emoções; o pensamento “significador” procura, desta forma, tornar intelegível ao homem este alicerce dinâmico nascido de seu encontro com o mundo, despertados pela experiência (p.123).

Assim, novos conhecimentos e ações seriam construídos baseados nestas significações e simbolizações armazenadas de experiências anteriores, continuando-se o ciclo. Emoção e razão se misturam e se complementam.

Contudo, nos entendimentos dos sujeitos desta pesquisa, a compreensão do teatro enquanto construtor e formador de sentidos, quando acontece, parece estar distribuída - explicita ou implicitamente -, em boa parte das respostas, referindo-se à construção de significados em variadas dimensões (racionais, valorativas, políticas, etc).

A própria idéia de valorização do teatro enquanto representação ou simulação da realidade, e enquanto promotor de experiências e vivências importantes, - que também já havia feita por outros autores na literatura -, o qualifica como contribuinte na formação de sentidos.

Ainda, alguns sujeitos fizeram apontamentos mais explícitos nesta perspectiva, do teatro na construção de sentidos e significados:

O teatro é apenas um dos recursos. No meu ponto de opinião, acho que quando uso o teatro, estou mais próximo de lugares afetivos e sentimentais dos seres humanos. Um dos resultados, são processos pré-raciocinativos e não conceituais no desenvolvimento da inteligência humana.(...)A arte (teatro) é uma ponte onde se pode conectar significados, inclusive, sobre a "vida" através dos sentimentos de cada um. Criam significados imagéticos antes de criarem conceitos específicos. Pois então não seria um desperdício deixar de conectá-la com a EA? (11)

O teatro utiliza-se simbolicamente de experiências diretas que aliadas aos materiais de EA facilitam a assimilação do conteúdo abordado, sensibilizando cada indivíduo envolvido na oficina, levando-os a uma "reflexão na ação" durante o fazer teatral, onde cada participante compreende que cuidar do meio ambiente é responsabilidade, individual e coletiva, características similares à produção teatral que é coletiva e que depende de cada indivíduo. (6)

Prosseguindo na idéia do teatro como construtor de significados e sua compreensão como meio eficaz de comunicação, podemos destacar que ele é, também, entendido por muitos como espaço propício a discussões, problematizações e desenvolvimento de reflexões. Destacamos, em nossa interpretação, que os significados depositados no teatro, neste sentido, caminham para um processo educativo de perspectiva mais crítica e participativa. Para muitos, além da construção de novos conhecimentos cognitivos, envolve também a construção de novas visões, sensibilidades, valores e atitudes.

Dentro deste cenário, destacamos, então, aquelas indicações que atribuem ao teatro o significado de formação política e social. Assim, os sentidos criados pelo teatro são entendidos como estimuladores de participação e exercício da cidadania; de atuações para transformação da realidade; do desenvolvimento de trabalho, espírito e ações coletivas; da politização e da formação de consciência crítica.

Sendo assim, podemos interpretar uma tendência, nestes casos, de compreensão do teatro em sua função política, como arte engajada, como já apontaram outros autores, como, por exemplo, Duarte (1983). Abre-se, então, uma perspectiva do teatro, em sua importância para a Educação Ambiental, enquanto ação cultural (COELHO, 1989). Tange-se a ela as contribuições estéticas que o teatro pode proporcionar como o desenvolvimento de sensibilidades e percepções, a capacidade imaginativa e criadora, a capacidade de distinção e interpretação, impulsionadoras da ação – segundo diversos sujeitos e autores apontados nesta

pesquisa. Remete-nos, assim, a um significado de formação crítica, autônoma e participante dos indivíduos.

Para uma formação neste sentido, diversos sujeitos destacam a importância da experiência com as práticas e espetáculos teatrais e a vivência dos participantes, tanto de personagens, papéis e situações, quanto de práticas e técnicas teatrais.

Interessante, também, é que nesta perspectiva, diversos sujeitos apontaram mais especificamente contribuições de experiências relacionadas com as abordagens teatrais que trabalham.

Ainda, caminhando ainda dentro da idéia de ação cultural em nossa interpretação, dois sujeitos explicitamente indicaram valorizar o processo criativo e de envolvimento dos educandos com técnicas teatrais, como o aspecto mais importante no trabalho educativo que desenvolvem, em comparação com o produto artístico final.

Neste sentido, também, diferentes sujeitos reconhecem no teatro uma força importante para o desenvolvimento pessoal dos indivíduos e na sua formação, destacando a criatividade, o autoconhecimento, a capacidade perceptiva e imaginativa. Ainda, alguns indivíduos explicitamente indicaram entender o teatro enquanto um veículo que possibilita a expressão.

A nosso ver, essas perspectivas caminham, também, no sentido da formação do sujeito autônomo, crítico, inclusive em relação às questões ambientais. Bem como, acreditamos, também, que sejam importantes num processo de transformação social, as contribuições relacionadas ao desenvolvimento de relações interpessoais, trabalho e construção coletivos, apontadas por alguns sujeitos.

Por fim, podemos destacar, ainda, o significado do teatro enquanto linguagem lúdica. A valorização do lúdico, por muitos sujeitos, além de retratada numa perspectiva criativa, prazerosa, envolvente e estimulante, é apresentada como contribuinte à sensibilização, à conscientização, a uma melhor assimilação de conteúdos, à discussão e à reflexão, ao rever de valores, atitudes e relações, ao estímulo à ação e à transformação, e à formação do cidadão.

Assim, apesar das contribuições em diferentes dimensões, arraigadas a diferentes significados atribuídos ao teatro - o que nos sugere que devemos atentar sempre a variedade de perspectivas, não podemos deixar de destacar a questão das dificuldades e limitações elencadas.

Apesar das dificuldades e limitações relacionadas a questões financeiras serem marcantes, chama-nos a atenção algumas questões importantes. A primeira dela diz respeito à

dificuldade apontada por muitos indivíduos acerca da resistência de algumas escolas e até mesmo de educadores em relação ao teatro e à Educação Ambiental, oferecendo pouca abertura para um trabalho nesta linha. Sugere-nos, assim, uma credibilidade que ainda precisa ser conquistada.

Um outro fator, que certamente ganha destaque nesta pesquisa é a falta e, principalmente, o despreparo de profissionais tanto no âmbito teatral, quanto no da Educação Ambiental. Claramente esse é um ponto essencial a ser refletido, uma vez que afeta de maneira direta a qualidade das práticas que estão sendo desenvolvidas e o resultado que estas podem gerar, especialmente, conforme já viemos discutindo, numa perspectiva de educação de cunho nada transformador.

Finalmente, as dificuldades apontadas acerca dos conteúdos e elaboração de roteiros na perspectiva da temática ambiental também merecem ser salientadas.

A qualidade dos textos – no caso de espetáculos -, em relação ao tipo de conteúdos e à forma de como são abordados, apresentam uma importância muito grande na construção de significados e sentidos naqueles com quem eles dialogam. Textos de cunho apelativo, didatizante ou moralizante tendem, em nossa opinião, a criar uma resistência no espectador e, ainda, afastá-lo de uma compreensão mais ampla e uma interpretação mais crítica acerca das questões sócio-ambientais. Contribui-se desta forma, mais uma vez, à não-educação, ou a uma educação conservadora. Uma compreensão ingênua ou reduzida da temática ambiental e uma sensação desconfortante do acontecimento teatral, distanciado da ação cultural.

Benzer Belgeler