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4. BULGULAR

4.2. SRB Canlılık Testi Bulguları

Apenas no ano de 2001 temos a chamada Lei Paulo Delgado sancionada, Lei Federal nº 10.216, tornando-se determinante para a consolidação da RPB. A referida lei dispõe, dentre outros aspectos, sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais, regulamentando a assistência psiquiátrica no Brasil, deixando explícita a intervenção em hospitais psiquiátricos como último recurso a ser utilizado (BRASIL, 2001a; SCHECHTMAN & ALVES, 2014).

No mesmo ano a Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu 2001 como o ano da Saúde Mental, lançando a campanha “Cuidar sim, excluir não”, contribuindo para este ser o tema da III Conferência Nacional de Saúde Mental (BRASIL, 2001b), ocorrida em Brasília sob a égide da Lei Paulo Delgado (SCHECHTMAN & ALVES, 2014). Essa Conferência elaborou propostas e estratégias para efetivação de um modelo de Atenção em Saúde Mental humanizado, de qualidade, com participação e controle social, buscando transformar as formas de lidar com a loucura, podendo produzir novas possibilidades de vida e de relações sociais (BRASIL, 2001b, 2002c).

Tanto a Lei nº 10.216 (BRASIL, 2001a) quanto a III Conferência Nacional de Saúde Mental (BRASIL, 2002c) consolida a adesão do Governo Federal aos princípios da Reforma Psiquiátrica, fazendo da mesma política pública brasileira. Dessa

forma, em 2002, o Ministério da Saúde publica duas portarias que até hoje norteiam a atenção psicossocial, são estas: Portaria GM/MS nº 336/2000 e a Portaria GM/MS nº 251/2002. A primeira trata da ampliação e regulamentação do funcionamento dos CAPS com foco no caráter territorial, enquanto a segunda trata da regulamentação do funcionamento e remuneração dos hospitais psiquiátricos (SCHECHTMAN & ALVES, 2014).

No ano de 2003, temos a Lei nº 10.708 regulamentando o artigo 5º da Lei Paulo Delgado que determina o cuidado especial no processo de desospitalização às pessoas com internação prolongada (SCHECHTMAN & ALVES, 2014). A Lei nº 10.708 surge instituindo o auxílio reabilitação psicossocial para pacientes acometidos de transtornos mentais egressos de internações, implantando e integrando o programa "De Volta Para Casa", coordenado pelo MS (BRASIL, 2003; SCHECHTMAN & ALVES, 2014).

Outro aspecto de importante relevância é a Portaria GM/MS nº 52 de 20 de janeiro de 2004 que institui o Programa Anual de Reestruturação da Assistência Psiquiátrica Hospitalar no SUS – 2004, enfatizando a mudança no modelo assistencial em Saúde Mental com a redução dos leitos hospitalares e fortalecimento do modelo comunitário (BRASIL, 2004a, 2004b, 2005d).

Conforme acima exposto, a década de 2000 marca a concentração de esforços para ampliação e consolidação da rede de serviços comunitários, na realização de encontros e seminários dos diversos serviços, como em 2004 o I Encontro Nacional de CAPS e em 2005 o I Encontro Nacional de Serviços Residenciais Terapêuticos; na ampliação dos programas de capacitação e no fomento a pesquisas e estudos de avaliação da nova rede de cuidados (SCHECHTMAN & ALVES, 2014).

No ano de 2011 temos o Decreto Presidencial nº 7.508/2011 e a Portaria do Ministério da Saúde nº 3088 de 23 de dezembro de 2011, regulamentando a RAPS como porta de entrada às ações e aos serviços do SUS (BRASIL, 2011a), sendo esta constituída não apenas pela atenção psicossocial especializada, mas também pela atenção básica, atenção de urgência e emergência, atenção hospitalar, estratégias de desinstitucionalização e reabilitação psicossocial (BRASIL, 2011b).

Com os dispositivos citados temos que as políticas de Saúde Mental e a atenção psicossocial devem ser organizadas em “rede”, permitindo a formação de pontos de encontro, de trajetórias de cooperação, de simultaneidade de iniciativas e de atores sociais envolvidos (AMARANTE, 2007). Percebemos a implementação e a

qualificação da RAPS pautada na RPB na qual encontramos a reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, mostrando o comprometimento com a luta antimanicomial que retira o foco do tratamento do modelo hospitalocêntrico da Psiquiatria e passa a incentivar serviços comunitários e abertos.

Na concepção do MS sobre a Rede de Atenção à Saúde Mental, os serviços devem incentivar a reinserção social e familiar das pessoas com sofrimento mental e/ou transtornos decorrentes do crack, álcool e outras drogas, possibilitando ações que retiram o foco da hospitalização nas intervenções. Consideramos essa concepção como um avanço na atenção psicossocial, tendo em vista a necessidade de superar a exclusão dessas pessoas dentro da sociedade, passando a desenvolver ações territoriais com foco na inclusão.

No lugar dos hospitais psiquiátricos, a RAPS ganha espaços intersetoriais, incluindo o campo da saúde mental, da saúde em geral, das políticas públicas e da sociedade civil como um todo (AMARANTE, 2007). De acordo com Amarante (2007, p.88), que essa rede “pode ser bem mais ampla e complexa, de acordo com as possibilidades locais e a criatividade de cada serviço ou equipe”, demonstrando a importância do conhecimento dos dispositivos disponíveis nos territórios de atuação profissional.

Destacamos as ações na Atenção Básica, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), as Residências Terapêuticas, os Ambulatórios, os leitos em Hospitais Gerais e os Centros de Convivência. Quantos à estratégia psicossocial, temos o quantitativo em 2014 de 2209 CAPS habilitados no Brasil comparado ao ano de 1998 que possuía 148 centros, segundo a Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (BRASIL, 2015).

A seguir apresentamos a referida concepção do MS, ressaltando a constituição dessa rede através de “recursos afetivos (relações pessoais, familiares, amigos etc.), sanitários (serviços de saúde), sociais (moradia, trabalho, escola, esporte etc.), econômicos (dinheiro, previdência etc.), culturais, religiosos e de lazer” (BRASIL, 2004e, p.11), como mecanismos capazes de potencializar as equipes de saúde para o cuidado e reabilitação psicossocial.

Figura 1. Rede de Atenção à Saúde Mental na concepção do Ministério da Saúde

Fonte: BRASIL (2004e).

Desse modo, mostramos a continuidade da luta antimanicomial, pois a mesma não cessou com as conquistas até então alcançadas. Temos a defesa da desinstitucionalização, da implantação e melhoria dos serviços psicossociais de base comunitária e da transformação da percepção da loucura como exemplos de pautas recorrentes nas discussões e ações realizadas para o fortalecimento da atenção psicossocial no Brasil. Isso mostra que os profissionais de saúde inseridos nesse cenário necessitam focar no trabalho interprofissional e intersetorial, permitindo o diálogo e o comprometimento com os princípios da Reforma Sanitária e da Reforma Psiquiátrica.