Dağlık Karabağ Göçmenlerinin Sosyo-Ekonomik Sorunları Osman Özkul *
5. Mülteci ve Mecburi Göçmenlerin Sorunları
5.6. Can Güvenliği Sorunları
No desenvolvimento deste projeto identificamos a existência de uma relação ancestral do homem com a imagem, o que nos permite reconhecer seu caráter universal. Pinturas, esquemas e grafismos foram os elementos utilizados na articulação de mensagens visuais, estabele- cendo uma relação dialógica entre o homem e seu entorno. No entanto, para Aumont, a imagem é universal, mas sempre particularizada:
Mas as mensagens visuais não acontecem de forma isolada, inserem-se em um contexto comunicacional mais amplo, no qual o designer, para tornar possível sua concretude, tem à sua disposição um amplo repertório de signos verbais e icônicos cuja articulação, segundo recursos e técnicas visuais, lhe permitem definir a linguagem visual ade- quada a cada problema de comunicação.
Nesse sentido, os elementos utilizados em cada tipo de projeto, além de denotarem um estilo estético em particular, sinalizam o contexto sociocultural no qual irão interagir, incluindo a possibilidade de reutilização de elementos vinculados a outros contextos socioculturais contemporâ- neos ou de épocas anteriores. Segundo Nojima:
Isso posto, torna necessário ao cidadão, mesmo ao analfabeto, um mínimo de prática de leitura visual, para que possa interpretar as men- sagens intertextuais que o atingem de forma dinâmica e sincrética. O reconhecimento de motivos nas mensagens visuais e sua interpretação
A imagem é sempre modelada por estruturas profundas, ligadas ao exercício de uma linguagem, assim como à vinculação a uma organi- zação simbólica (a uma cultura, a uma sociedade); mas a imagem é também um meio de comunicação e de representação do mundo, que tem seu lugar em todas as sociedades humanas.
(Aumont, 2005, p.131).
Se, teoricamente o contingente de mensagens produzidas e veicu- ladas por meios e processos da comunicação possibilita a todas as camadas da sociedade receber um mesmo produto cultural, na práti- ca, exige um desenvolvimento apurado das habilidades de per- cepção, de crítica, de criatividade, de cada cidadão.
são considerados operações mentais complementares, que demandam um aprendizado. Em nossa cultura, isso ocorre de forma natural, uma vez que desde crianças somos treinados a ler imagens no processo de alfa- betização, pois este serve-se, muitas vezes, de sua utilização como suporte para o aprendizado da linguagem.
Mas esse aprendizado não é um processo verdadeiramente uni- versal, considerando-se que em alguns grupos isolados, nos quais a tradição cultural não utiliza imagens figurativas, estas não passam de uma combinação de formas e cores desvinculadas dos elementos da reali- dade, o que sinaliza uma questão antropológica.
A leitura de imagens ganhou expressividade na áreas da comuni- cação e das artes no final dos anos 70, quando foram iniciadas várias experiências pedagógicas de orientação formalista, fundamentadas nas teorias da Gestalt e da semiótica. Para a leitura das obras de arte era necessário conhecer e compreender seus códigos e o corpo teórico pro- posto por Arnheim, inspirou pesquisadores e professores em vários paí- ses, destacando-se nos Estados Unidos o trabalho de Donis A. Dondis. No âmbito das escolas, o ensino e prática de leitura de imagens era atribuído aos professores de arte, que basearam sua didática no sis- tema proposto por Dondis. Para a autora, o alfabetismo visual é algo além do simples enxergar, da simples criação de mensagens visuais, que impli- ca na compreensão e meios de ver e compartilhar o significado a um certo nível de universalidade, sendo tarefa dos educadores capacitar o aluno para que possa compor e compreender mensagens em diversos níveis de utilidade, desde o puramente funcional até o domínio artístico.
Novos sistemas para a leitura de imagens de obras de arte foram propostos por outros pesquisadores, entre os quais, destaca-se a pro- posta de M. H. Rossi (apud Sardelich, 2006, p.456), que incorporou ao seu trabalho, as imagens da publicidade e considera que o enfoque dado à leitura no ensino da arte tornou-a uma simples atividade reduzida a um roteiro básico de questões que desconsideram a construção do leitor.
Embora a temática da leitura de imagens tenha recebido con- tribuições teórico-metodológicas da antropologia, da história, da sociolo- gia, a abordagem pedagógica situada nos estudos culturais e os estudos semióticos da publicidade, colocaram em pauta aspectos importantes para a leitura e análise do desempenho da imagem.
Na vertente interacionista e significativa da leitura da imagem, encontramos uma proposição baseada no processo da leitura:
Na publicidade, os estudos semióticos desenvolvidos por Roland Barthes (1915-1980) a partir dos anos 60, definiram um modelo de análise estrutural da imagem publicitária baseado nos conceitos da lingüística de Ferdinand Saussure (1857-1913), incluindo o conceito de signo. O objeto da semiologia é o signo verbal, aquele que é dotado da capacidade de se referir a signos de outra natureza num processo a que damos o nome de significação. O signo lingüístico é a palavra que, por natureza, possui dois códigos diferentes: oral e escrito. A palavra é um signo que articula duas esferas independentes: o significante e o signifi- cado.
Esse trabalho inicial resultou em desenvolvimentos teóricos pos- teriores, pelo próprio Barthes, e por outros pesquisadores, entre os quais podemos citar: Jacques Durand (1926-), Georges Péninou (1926-2001), Umberto Eco (1932- ), cuja proposta é uma crítica aos fundamentos do estruturalismo francês, Jean-Marie Floch (1942-2001), trazendo uma nova abordagem teórica para as questões relacionadas à publicidade e ao marketing, baseada na semiótica greimasiana, e Martine Joly.
O trabalho de leitura e análise da mensagem publicitária propos- to por Joly, a partir da década de 90, é baseado no modelo de Barthes, mas incorpora a distinção teórica entre os signos plásticos e icônicos, conceito que foi desenvolvido pelo Grupo µ, nos anos 80. Em sua pro- posta, a análise inicia-se pelos signos plásticos, que considera como determinantes de uma parte da significação da mensagem visual, “[...] quer se refira à ‘imagem’, quer ao texto verbal. De fato, acredita-se com frequência que se ‘está compreendendo uma imagem quando se reco- nhece certo número de seus motivos e quando se compreende a men- sagem lingüística”. (Joly, 2005, p.114).
Os estudos semióticos da publicidade sinalizam uma aplicabili- dade de modelos de análise de imagens fixas, particularmente de anún- cios e cartazes. O modelo desenvolvido por Joly aplica-se perfeitamente ao design gráfico pela sua conduta analítica e pela similaridade entre os signos plásticos e os elementos da sintaxe visual.
Os bens simbólicos produzidos pela humanidade são codificados de formas diversas, mas que mantêm uma estreita relação entre si e se expressam no que se convencionou chamar de “semiose cultural”, essa ampla rede de significações. A recepção desses bens simbóli- cos pode ser compreendida como leitura,na medida em que todo recorte na rede de significações é considerado um texto. Assim é possível ler o traçado de uma cidade, um filme, uma coreografia. Ima gem e escrita são códigos em constante interação.
Entre as correntes da semiótica francesa destaca-se, em sua segunda fase, conhecida como Escola de Paris, a semiótica discursiva, desenvolvida por Algirdas Julien Greimas (1917-1992), como teoria da significação a partir do estudo da dinâmica da geração de sentido em planos de expressão e de conteúdo, da relação opositiva elementar entre termos semânticos e das relações lógicas de complementaridade e con- trariedade (quadrado semiótico).
Fora do âmbito da semiótica francesa, destaca-se nos Estados Unidos, o corpo teórico desenvolvido por Charles Sanders Peirce (1839- 1914), que propôs uma teoria geral dos signos, na qual “signo é toda coisa que substitui outra, representando-a para alguém, sob certos aspectos e em certa medida”. O signo é um primeiro que se relaciona com um segundo – seu objeto – e que gera um terceiro, o interpretante. Semiose seria, assim, esta ação do signo no processo de geração de interpretantes. Segundo sua doutrina, existe no signo uma relação triádi- ca: signo, objeto e interpretante e o signo pode classificar-se como signo, índice, símbolo (tricotomias). Os princípios de sua doutrina têm sido bas- tante utilizados para o entendimento da semiose em questões rela- cionadas com o marketing, sendo aplicado em análises de marcas, embalagens e produtos, entre outros.
No Leste Europeu, a semiótica de vertente cultural, foi desenvolvi- da por Mikhail Bakhtin (1895-1975), lingüista e teórico dos gêneros literários, Roman Jakobson (1896-1982), teórico da língua como fenô- meno de comunicação e Iúri Lotman (1922-1993), professor de literatura, entre outros. Essa vertente era, no início, voltada para linguagem verbal, com ênfase na análise do texto poético, mas a possibilidade de estender os princípios da estruturação da linguagem para outras áreas, abriu cami- nho para o estudo dos códigos das artes e da ciência.
Entre esses semioticistas, Lótman foi responsável pela proposta metodológica mais abrangente no que se refere à aplicação dos con- ceitos no estudo dos processos semióticos, que resultaram na semiótica sistêmica.
Neste estudo, aplicaremos os princípios da semiótica da cultura, em cujo corpo teórico encontramos aspectos de interesse para nosso trabalho de análise das mensagens visuais que serão estudadas neste capítulo.