• Sonuç bulunamadı

“O batismo eclesializa o pagão, tornando-o membro da comunidade cristã. É um ato público, de certa solenidade, que se verifica com a presença e a participação ativa de testemunhas chamadas padrinhos”. (Thales de Azevedo, 1987: 24).

O sacramento do batismo, por ser um rito iniciático, é, essencialmente, um rito de inclusão, embora muitos antropólogos prefiram tratá-lo apenas como rito de passagem ou rito de iniciação, sem dar a devida atenção à dimensão sacramental e sua função correspondente. Não obstante essas classificações, queremos aqui destacá-lo como sacramento e, sobretudo, como um rito de inclusão eclesial e social. Esse caráter inclusivo se dá por meio de uma cerimônia de afiliação religiosa que, por um lado, legitima a pertença à Igreja e, por outro, evidencia o poder simbólico da Religião Católica no que concerne ao controle social dos fiéis.

De origem judaica, a referência ao batismo cristão, figurada na ação desenvolvida por João Batista (Mt 3, 5) preparando a vinda do Messias, se encontra na Bíblia, na passagem simbólica do Antigo para o Novo Testamento. Já se constata, nessa antiga referência, o caráter inclusivo do batismo, embora o mesmo ainda não tivesse, segundo alguns estudiosos, a qualidade de sacramento. Para ser incluído neste novo grupo, o dos discípulos de Cristo, era necessário, antes, passar por um ritual de imersão que consistia num compromisso de

mudança de vida, isto é, de conversão, deixando-se, nas águas purificatórias e consecratórias do batismo, antigos costumes ou vícios, adequando-se, assim, às novas regras, que, mais tarde, foram, em parte, herdadas pela Igreja Católica, resultando no que consiste hoje o sacramento do batismo. Assim sendo, por volta do século XV, a Igreja Católica assumiu e adaptou esse gesto, transformando-o em sacramento, cuja finalidade é confirmar a alma do batizando em Cristo, incluindo-o no “Corpo místico de Cristo” (Azevedo, 1987: 25), isto é, a Igreja. Esse rito, além da função de lavar, purificar das culpas e do pecado, tem, sobretudo, ainda hoje, a finalidade de incluir na esfera sagrada da religião. Desse modo, a consecratoriedade do ritual do sacramento do batismo, significa a inclusão no espaço sagrado. Portanto, o batismo, antes de ser sacramento, era “uma das muitas derivações sectárias de um rito de iniciação religiosa” (Schlesinger, 1995: 343). Em muitas religiões, o batismo mantém o sentido etimológico da palavra oriunda do grego (λουτρό βύθισης) que significa “banho de imersão” (Santidrián, 1996: 65). Esse banho de imersão tem “o significado de regeneração, de iniciação ou purificação ritual” (Santidrián, 1996: 65). Fundamentado no Novo Testamento12, o batismo católico preservou o significado de “banho de regeneração” ou “banho com água que une à Palavra a vida” (Ritual, 1999: 14), ou seja, um ritual cuja ação com água tem significado teológico de “participação do cristão na morte e ressurreição de Cristo: o catecúmeno submerge-se na morte de Cristo e com ele é sepultado a fim de ressuscitar para uma nova vida” (Santidrián, 1996: 65). Transpondo esse conceito para a apreciação sociológica, o mesmo poderá ser interpretado como um ritual de inclusão, como o faremos mais adiante. O Código de Direito Canônico (1987: 387) define o batismo da seguinte maneira:

“O batismo, porta dos sacramentos, em realidade ou ao menos em desejo necessário para a salvação, pelo qual os homens se libertam dos pecados, são de novo gerados como filhos de Deus e se incorporam à Igreja, configurados com Cristo por caráter indelével, só se administra validamente pela ablução com água verdadeira, juntamente com a devida forma verbal” (CIC, cân. 849).

Ao passo que o CIC considera o batismo, primeiramente, como “porta dos sacramentos”, o Ritual Romano do Batismo, enquanto se refere à dignidade do mesmo, o conceitua como

12 Cf. Mt 28,19; Jo 3,5; At 1,5; At 16,30-33; Tt 3,5; Rm 6,4; Gl 3,27, 1Cor 12,13; 2Pd, 1,4, entre outros textos bíblicos que remetem ao batismo.

“porta da vida e do Reino” (Ritual, 1999: 14) e, ao fundamentar nas Sagradas Escrituras, o compara, entre outras representações, como “porta que dá para o norte” (Ez 47,2), ou seja, a porta que acessa uma outra dimensão além da situação ou condição atual do indivíduo. Ou ainda, a “porta para alcançar a vida eterna” (cf. Jo 3,5. In; Ritual Romano, 1999: 14), que representa não apenas a incorporação na religião e na igreja, mas também inclusão na dimensão do transcendente, na esfera do sagrado ultramundano. Enfim, passar por essa porta que é o batismo, é estar configurado com Cristo. O sacramento do batismo, a partir da perspectiva de “porta”, também aponta para sua dimensão inclusiva. Ainda que num sentido figurado, o conceito de porta sempre oferece a idéia de transição de algo ou de alguém do exterior para o interior ou o seu contrário, seja num determinado espaço, tempo ou situação. Porta, em todos os sentidos, figura passagem, abertura, brecha, caminho que dá acesso a uma outra condição, ontológica, real ou simbólica. É à vista disso que o sacramento do batismo comparado a uma porta, é, primeiramente, caracterizado como rito de passagem.

Rito de Passagem.

No sentido dado por Arnold Van Gennep (1978), o sacramento do batismo é um rito de passagem porque coloca a pessoa no limiar da Igreja, ou seja, é o momento de agregação à Religião Católica. Se para Van Gennep um rito de passagem se caracteriza por três fases, isto é, “separação, margem e agregação”, o batismo se enquadra, portanto, nessa categoria, porque, de certa forma, possui essas três fases. A separação, da qual fala Van Gennep, corresponde, no contexto do batismo católico, à fase entre o nascimento e o momento que antecede o rito batismal. Essa fase em que, comumente surgem as preocupações dos pais em batizarem as crianças para saírem da suposta condição de ‘pagão’, é resultante desse sentimento de separação da criança dos demais batizados. Desse modo, de acordo com o imaginário católico, a criança está, presumidamente, separada do mundo cristão. Ao ser levada às águas do batismo, que corresponde à segunda fase, ela fica numa situação, classificada por Victor Turner (1974: 116), de “liminaridade”, isto é, está no limiar da Religião Católica, no sentido de processo de entrada, de estar às portas de uma nova condição que é a de cristão católico. Para Victor Turner, o estado limiar ou de liminaridade não é, simplesmente, um momento crepuscular nas transformações rituais, mas é também um período de poder simbólico especial em que, de certa forma, o ato é canalizado para proteger a ordem social. Aquele que é batizado está, ao mesmo tempo, protegido e protegendo a família de supostas tentações diabólicas, sejam elas espirituais ou sociais, como veremos mais

adiante, nos relatos recolhidos dos informantes. E, por fim, ao término do ritual, ela está agregada ou incluída, oficialmente, entre os católicos, ou seja, passa para a fase de agregação que aqui classificamos como inclusão. Desse modo, devido à sua incrível possibilidade de aplicação, a noção de rito de passagem pode muito bem ser aplicada ao rito do batismo. Além de Van Gennep, que deu o nome de ‘ritos de passagem’ a toda situação humana que indica a transformação ou mudança de um estado social a outro, outros autores, como Edmund Leach (1974: 59), Mary Douglas (1976: 118) e o já citado, Victor Turner, ampliaram essa noção, aplicando à mesma, outras significações complementares, das quais não trataremos diretamente nesse trabalho, embora auxiliem na aplicação do mesmo em situações como as do sacramento do batismo. Ficamos, porém, com a noção de rito de passagem dada por Van Gennep e complementada por Victor Turner porque as mesmas correspondem ao que pretendemos com o sacramento do batismo e seu ritual. Nesse sentido, as cerimônias do batismo têm mais a ver com a necessidade social de inclusão do neófito na igreja e na sociedade que com fé, devoção, crença ou compreensão teológica.

Desse modo, é considerado rito de passagem, uma cerimônia praticada para evidenciar e patentear a mudança de uma situação social para outra. Segundo Mircea Eliade, “há ritos de passagem no nascimento, no casamento e na morte, e pode-se dizer que, em cada um desses casos, se trata sempre de uma iniciação, pois envolve sempre uma mudança radical de regime ontológico e estatuto social” (Eliade, 1996: 150). Desse modo, o rito do batismo, além do sentido teológico, implica mudanças ontológicas que envolvem o ser e seu entorno, a comunidade e, à vista disso, o mesmo desempenha funções sociológicas e antropológicas porque trata de acolher um membro num grupo social, numa comunidade propondo uma mudança no seu modo de existir perante a sociedade. Eliade afirma que, pelo fato de que, “quando acaba de nascer, a criança só dispõe de uma existência física; não é ainda reconhecida pela família nem recebida pela comunidade. São os ritos realizados imediatamente após o parto que conferem ao recém-nascido o estatuto de ‘vivo’ propriamente dito” (Eliade, 1996: 150). Entre estes ritos após o parto, a que se refere Eliade inclui o rito do batismo. Ele afilia, inicia e incorpora a criança na comunidade e na religião, consistindo, portanto, também como um rito iniciático.

Com a cerimônia do batismo é que se dá a admissão de uma pessoa, criança ou adulta, ao

status de católico. Ela passa, com isso, a pertencer oficialmente à Igreja, estando, portanto,

membro nos livros de registros eclesiásticos que, posteriormente, serão consultados por ocasião dos demais sacramentos que a pessoa for receber, como, por exemplo, a primeira Eucaristia, Crisma, Matrimônio e Ordem. Tal iniciação está, portanto, fundamentada na afiliação, pertença e, conseqüentemente, no controle religioso e social do fiel, tendo em vista que o batismo autoriza e legitima essa relação de vínculo, com privilégios e obrigações como qualquer acordo, pacto ou contrato de associação. Esse tipo de relação entre o fiel, a Igreja e a divindade, outorgada pelo sacramento do batismo, transparece nas orientações gerais do Ritual Romano, que diz: “todos os que são batizados, enxertados nele por morte semelhante à de Cristo, juntamente com ele sepultados na morte, são convivificados e conressuscitados com ele” (Ritual, 1999: 15). À vista disso, o rito do batismo autoriza o vínculo eclesial e numinoso, devendo, portanto, ser levado a sério por aqueles que o recebem e pelos que compactuam com ele (pais, padrinhos e a comunidade) na preservação desse vínculo, não devendo com isso, conferi-lo mais de uma vez à mesma pessoa, como vemos numa outra passagem desse mesmo documento: “o rito do batismo deve ser tido em alta estima por todos os cristãos e não pode ser novamente conferido a quem já o tenha recebido validamente das mãos de irmãos separados” (Ritual, 1999: 14).

No imaginário católico ou de matriz católica, o batismo ainda tem, entre outros, um significado de afiliação, elemento que faz parte do ethos religioso. Portanto, o batismo funciona como sintetizador desse ethos, contribuindo para normatizar a visão de mundo a respeito da afiliação, da pertença e da inclusão no espaço sagrado e numa sociedade em que a Igreja Católica ainda tem um papel religioso relativamente hegemônico. Outrossim, o batismo está envolto na crença e na prática religiosa que se entende como proteção que a criança recebe contra os males físicos e espirituais, a um tipo de vida ideal, sem perigos, em que prevalece o sentimento de segurança por parte dos pais, padrinhos e da comunidade católica, além daqueles que, quando batizados conscientes, também passam a sentir tal proteção. Em harmonia com Geertz, da mesma forma se manifesta o ethos religioso católico.

“Na crença e na prática religiosa, o ethos de um grupo torna-se intelectualmente razoável porque demonstra representar um tipo de vida idealmente adaptado ao estado de coisas atual que a visão de mundo descreve, enquanto essa visão de mundo torna-se emocionalmente convincente por ser apresentada como uma imagem de um estado de coisas verdadeiro, especialmente bem arrumado para acomodar tal tipo de vida” (Geertz, 1989: 67).

Após o recebimento do batismo, as coisas parecem mais ordenadas e enquadradas na visão de mundo que, além da doutrina, a tradição religiosa estabeleceu no imaginário católico. É inconcebível na consciência católica que uma criança cresça sem receber o batismo. O batismo tem que ser ao estilo tradicional, de acordo com o que aprenderam de seus ancestrais, com todos os símbolos tradicionais, inclusive a veste branca, à maneira como a tradição os ensinou a fazerem as coisas. Isso eles gostam de reproduzir no dia do batismo e também em outros sacramentos. Nisto consiste, segundo Geertz, o ethos religioso. “Seu estilo geral de vida, à maneira como fazem as coisas e gostam que elas sejam feitas, chamamos de ethos” (Geertz, 2004a: 105). Conclui, Geertz, afirmando que “é função dos símbolos religiosos, então, ligar essas coisas de tal maneira que elas se confirmem mutuamente” (Geertz, 2004a: 105).

Nesta perspectiva, o batismo, com todos os seus símbolos, é a condição fundamental para a inclusão na religião que se espera da criança. Tanto é que o sentido específico deste sacramento é tornar a pessoa membro oficial da igreja. Sem o batismo, não é admissível receber os demais sacramentos. Desse modo, o Código de Direito Canônico legitima o caráter de inclusão ou exclusão. Afirma o documento: “quem não recebeu o batismo não pode ser admitido validamente aos outros sacramentos” (CIC, 1983: 383, Cân. 842 - § 1). Os demais sacramentos servem também para confirmar o batismo, dando-lhe um sentido específico de rito de iniciação num processo de inclusão e de pertencimento, como confirma o Ritual Romano: “o batismo é o sacramento pelo qual as pessoas passam a pertencer ao corpo da Igreja” (Ritual Romano, 1999: 14, § 4). Nesse caso, pertencer tem o sentido de afiliar-se. Mais adiante, esse mesmo ritual, ao classificá-lo como “banho de regeneração” (Ritual Romano, 1999: 15, § 5), reforça a função social do batismo como meio de inclusão. O termo regenerar ganha aqui o sentido de corrigir, emendar, recuperar, ou seja, incluir aqueles que estão, supostamente, degenerados, corrompidos, desestruturados, enfim, excluídos.

O nome de Batismo.

As recomendações para o batismo já circunscrevem elementos que visam à aceitação da criança não só no espaço da comunidade religiosa paroquial, mas também nos espaços sociais onde ela conviverá com os seus semelhantes, como, por exemplo, o nome que receberá. O nome que lhe for atribuído vai fazer parte da sua identidade e significa também pertencimento a um grupo. Na tradição católica, pais que escolhem nomes de santos para seus filhos

demonstram sua religiosidade, sua devoção e seu pertencimento à referida denominação religiosa e, ao mesmo tempo, revelam o desejo de que os seus descendentes continuem circunscritos a essa mesma Igreja. Em comunidades católicas do setor Santo Antônio, em Osasco, principalmente nas constituídas pelas capelas de São Pedro e Nossa Senhora dos Pobres, encontramos muitos nomes como Cícero, José e Francisco. Por serem comunidades formadas por uma população de maioria oriunda do Nordeste, região onde a devoção ao Padre Cícero Romão Batista, São José e São Francisco das Chagas do Canindé são muito intensas, justifica-se a propensão em batizar a criança com esses nomes que denotam, além da proteção do santo, um sentido de identidade regional com a situação de origem, como é também o caso dos inúmeros “Severinos” e “Severinas”, que são representações onomásticas da severidade, austeridade e implacabilidade da vida a que estão sujeitos os que nascem em regiões tão castigadas pela seca quanto as do sertão nordestino e adjacências, tão bem retratadas na obra “Morte e vida severina”, de João Cabral de Melo Neto.

Sobre as orientações da Igreja, a respeito dos nomes, recolhemos uma dessas que vêm impressas em certificados de batismo, na qual transparece a preocupação da mesma quanto a isso.

“No batismo dá-se à criança o nome de um santo, que seja seu modelo, seu protetor e intercessor perante Deus. Dar às crianças nomes ridículos e sem nenhuma significação, como de ‘estrelas de cinema’ e até de deuses pagãos ou personagens ateus, é sumamente condenável; e o sacerdote, que administra o sacramento do batismo, deve advertir esses pais sem convicção religiosa; e, no caso de eles não desistirem de seu intento, acrescentar no ato do Batismo a tal nome indigno, o nome de um Santo”.13

Portanto, ao atribuir, no ato do batismo, o nome de um santo à criança, objetiva-se finalidades diversificadas, seja por parte da Igreja ou da parte dos pais. Uma delas está explícita na recomendação acima: o santo escolhido deverá ser modelo de virtude para a criança e, se depois de adulta ela buscar seguir as características atribuídas ao santo correspondente ao seu nome, terá grande probabilidade de se constituir em uma pessoa virtuosa, e, dessa maneira, ser bem aceita no seu grupo social. Nesse caso, o santo tem funções arquetípicas na vida da pessoa batizada. Além dessa, há uma outra finalidade implícita: a de propriedade ou

13 Texto impresso no verso de Certidões de Batismos que eram emitidas nas Paróquias da Arquidiocese de São Paulo há algumas décadas. Imprimatur de D. Paulo Rolim Loureiro, Bispo auxiliar e Vigário Geral na Arquidiocese de São Paulo, 25 de abril de 1958.

pertencimento, ou seja, espera-se da criança que tem o nome de um santo, que ela não migre, depois de adulta, para outra denominação religiosa. Acreditava-se que o nome do santo poderia garantir-lhe o sentimento de pertença à religião católica e, à vista disso, constumava- se, também, dar o nome do santo do dia do nascimento. Essa relação de pertencimento ocorre também em outras religiões cristãs, como, por exemplo, os protestantes pentecostais. Comumente, os adeptos do protestantismo, principalmente os de linha pentecostal, colocam nos filhos nomes bíblicos oriundos do Antigo Testamento, como, por exemplo, Samuel, Ezequiel, Elias, Josué, Gideão, etc, enquanto que, entre os católicos, predominam, atualmente, os nomes do Novo Testamento, como, Mateus, Marcos, Lucas, Tiago, Felipe, João, Pedro, etc. Nas religiões de origem afro, embora, diretamente, não seja dado, por ocasião do batismo, um nome de santo, costuma-se atribuir ao adepto uma filiação de santo, como, por exemplo, quando se diz, “fulano é filho de Xangô”. Desse modo, em qualquer religião, o nome significa afiliação a determinado grupo. Portanto, quanto ao catolicismo, a recomendação do nome visa à certificação de que a pessoa é de matriz católica, ou seja, uma espécie de marca que confirma essa linhagem religiosa.

A Cerimônia do Batismo.

Segundo Arnoldo Van Gennep, “chama-se cerimônia a um conjunto de atos executados obedecendo a uma determinada ordem por uma categoria delimitada de pessoas, e destinado a modificar as relações de certos indivíduos entre si, ou a deles com o mundo profano” (Van Gennep, 1950: 129). Desse modo, a cerimônia do batismo, desempenhada pelo sacerdote ou ministro do batismo, segue uma ordem estabelecida pelo seu ritual, colocando, assim, a família (pais, padrinhos, parentes e a criança), em comunhão com Deus e com a comunidade. A cerimônia do batismo é subdividida em cinco partes, denominadas de ritos que, entre outros elementos, denotam seu sentido inclusivo. O ritual do batismo começa bem antes da cerimônia propriamente dita. Depois de uma preparação prévia dos pais e padrinhos (CIC, cânn. 872-878) a criança é inscrita na sua paróquia de origem, ou em outra que a família tenha escolhido para batizar, mas não sem antes tomar as medidas necessárias que a igreja estabelece para a administração do sacramento do batismo. Somente após essa preparação prévia é que a criança é levada à igreja para receber o batismo, que segue os rituais de acordo com o quadro abaixo.

Quadro 2

Quadrante dos ritos que comportam a cerimônia do sacramento do batismo e suas funções e significados correspondentes

Ritos e gestos Função Correspondente Significado

Rito da acolhida.

(que poderá ser feito na porta da igreja ou quando os pais e padrinhos já estiverem nos seus respectivos lugares no interior da igreja)

Apresentar, receber, acolher, incluir, dar a conhecer a comunidade: os pais apresentam a criança à comunidade, dizendo o nome. Quem preside convida pais e mães a dizer com suas palavras o que estão pedindo à Igreja. Pede aos pais e às mães que manifestem sua disposição de educar na fé seus filhos ou filhas. O sinal da cruz feito nesse momento na fronte da criança tem a função de marcá-la com o sinal de Cristo.

O rito da acolhida corresponde à primeira parte da cerimônia, quando o batizando, chamado de catecúmeno, é apresentado à comunidade como o mais novo membro. Quem preside inicia um diálogo espontâneo com os pais, padrinho e a comunidade sobre o nome que escolheram para a criança, o desejo de batizá-la e suas disposições de educá-la na fé. O sinal-da-cruz na