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3. AMİD’İN SOSYAL YAPISI

3.1. Dini ve Sosyal Yapılar

3.1.1. Camiler

A empresa Alfa conta com uma estratégia de distribuição direta aos lojistas em regiões de fácil acesso e com o uso de transportadoras locais em regiões de acesso mais difícil – devido à dificuldade de se consolidar cargas – sendo o estoque de produto acabado totalmente centralizado, sem o uso de Centros de Distribuição (CD’s). Particularmente, no caso do transporte, a empresa Alfa optou por criar uma empresa especializada nesse tipo de atividade. Dessa forma, 40% da produção é transportada por frota própria e 60% por terceiros, perfazendo um total de 48 caminhões próprios e 74 agregados.

O argumentado central utilizado pelo entrevistado E4 para justificar a escolha do transporte próprio é a prestação de serviço, uma vez que terceiros não se comprometem em agregar valor no serviço.

“A empresa de transportes, hoje, traz uma sinergia para a empresa em termos de qualidade de serviço. Mesmo porque, não existem empresas especializadas no país para transportar móveis. Existe uma grande dificuldade. Nós estamos tendo que montar parceiros. Nossa frota hoje é pequena, ela representa 40% e 60% são de agregados. É uma questão de estratégia. Nós estamos chegando nos nossos clientes com a pressão de serviço de qualidade. As experiências que nós tivemos de terceirização – empresas, não pessoas físicas – foram péssimas. Tivemos grandes empresas que não tiveram uma boa qualidade, por não ser o know-how deles. Eles não têm especialização para entregar móveis” (E4).

Parte desse hiato entre a percepção da prestação de serviço esperada pela empresa Alfa e o que fora oferecido nas terceirizações é justificado pela falta de know-how das transportadoras, gerando baixa qualidade no serviço. Neste caso, a opção se daria em função de se ter a qualidade de serviços como estratégia. Todavia, outros pontos colocam em questão esta perspectiva de análise. O primeiro deles seria contrário ao argumento da falta de especialização em entregar móveis, haja vista que a terceirização é recorrente para produtos que apresentam maiores especificidades e uma distribuição mais fragmentada que o setor moveleiro, como é o caso de produtos perecíveis.

O cenário se torna ainda mais interessante quando se observa que a opção pelo serviço de terceiros é permeada pelo que os entrevistados denominam agregados – proprietários de um ou dois caminhões residentes na cidade de Ubá-MG. Assim, a opção por pequenos transportadores funciona sob uma tríade de elementos já encontrados em outras funções logísticas, particularmente a redução de custo, a manutenção do poder de negociação e a falta de políticas de relacionamentos duradouros. Já a manutenção de uma parcela de transporte próprio não é permeada pela redução de custos, mas sim, pelos outros dois elementos – manutenção do poder de negociação e a falta de políticas de relacionamentos duradouros.

Diversos fatores fortalecem a ilação supracitada. O primeiro deles seria o fato de a empresa Alfa utilizar terceiros apenas para destinos mais distantes. Essa designação ocorre porque a empresa Alfa não precisa arcar com o frete de retorno – que gera receita, dilui os custos fixos e cobre os custos variáveis – uma vez que caberia ao prestador de serviços a busca de alternativas de para este frete. Considerando que existe uma probabilidade incutida no “encontrar um frete de retorno” e uma certeza na existência de custos fixos e variáveis, portanto, um risco de arcar com estes custos ou gerenciar este retorno, a empresa Alfa desloca esta responsabilidade e/ou custo para os prestadores de serviço.

“Nós trabalhamos com os terceiros, porque nós pagamos só o frete de ida. O frete de volta é o que cobre o custo deles. Nós pagamos o frete de ida, eles vão até determinadas regiões e eles trazem o frete de retorno por conta deles. A própria empresa já faz isso e é uma forma de você diluir o custo, porque ir cheio e voltar vazio, você acaba arcando com o custo de volta. Porque o frete acaba ficando alto, e precisa ter um retorno sobre isso” (E4).

“O custo do transporte de terceiros é muito mais interessante. Hoje, para você ter uma idéia, o nosso custo por quilômetro dá R$ 1,80, da nossa frota. Aí meu carro vai e volta. Tem que pagar ele até o destino final, que é aqui. Já o terceiro, eu pago a ele R$ 1,90 e ele vai para Salvador. Eu pago a ele até lá, de lá acabou meu compromisso com ele, eu só pago ida. Então, enquanto o meu eu pago a ida e a volta, eu pago a ele só a ida, e de lá ele pega retorno por conta própria. E não tem investimento de frota. Nós só temos a (frota) estratégica para não ficarmos 100% na mão deles (terceiros)” (E3).

Neste último argumento, além da presença de elementos explícitos que fortalecem a escolha pelo serviço de terceiros devido ao menor custo, percebe-se também uma argumentação que exime a empresa Alfa de qualquer tipo de comprometimento com o prestador de serviço, de forma que as atribuições de cada um na transação estejam demarcadas, caracterizando então, a inexistência de políticas de relacionamento. Da mesma forma, fica implícito que “não ficar 100% na mão deles”, remete a uma falta de confiança frente aos prestadores de serviço, sendo necessárias, portanto, alternativas a este tipo de serviço.

Ademais, a verbalização apresenta um argumento que traz outra carga implícita para a manutenção do poder nas negociações, ao passo em que ter frota própria significa uma alternativa a transações que fujam ao que é definido pela empresa Alfa. Por fim, a opção por pequenos transportadores em função do custo e a falta de comprometimento, pode ser analisada a partir de elementos silenciados, no caso, se este tipo de parceria seria aceito por uma transportadora que, legitimamente, apresenta maior poder de negociação.

Benzer Belgeler