Finalmente, e não menos importante, cumpre breve comentário no tocante a questão relativa aos emolumentos devidos ao Oficial Registrador pelos atos praticados de forma eletrônica.
De regra, como já analisado no item 4.2.7 do presente trabalho, por princípio, as despesas da execução correm por conta do executado. Nesse sentido, ainda, o artigo 789-A da CLT.
A Lei 6.015/1973 (Lei dos Registros Públicos) determina no artigo 14 que “Pelos atos que praticarem, em decorrência desta Lei, os Oficiais do Registro terão direito, a título de remuneração, aos emolumentos fixados nos Regimentos de Custas do Distrito Federal, dos Estados e dos Territórios, os quais serão pagos, pelo interessado que os requerer, no ato de requerimento ou no da apresentação do
Os artigos 5º, inciso LXXVI da CF e 30 da Lei 6.015/1973, estabelecem a gratuidade do registro civil de nascimento e óbito, não incluído no dispositivo, o registro de imóveis.
Nos termos do artigo 239 da Lei 6.015/1973 “As penhoras, arrestos e seqüestros de imóveis serão registrados depois de pagas as custas do registro pela parte interessada, em cumprimento de mandado ou à vista de certidão do escrivão, de que constem, além dos requisitos exigidos para o registro, os nomes do juiz, do depositário, das partes e a natureza do processo”.
Por fim, o artigo LXXIV da CF, determina que “O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”. A Lei 1.060/50 esclarece no seu artigo 3º, inciso II, que a assistência judiciária compreende a isenção “dos emolumentos e custas devidos aos Juízes, órgãos do Ministério Público e serventuários da justiça”. A Lei 5.584/80 que rege o processo do trabalho, dispõe aplicável na Justiça do Trabalho a assistência judiciária a que se refere a Lei nº 1.060/50. O artigo 790, § 3º da CLT prevê que é facultada aos Juízes do Trabalho a concessão do benefício da justiça gratuita.
Indiscutível, sob uma primeira análise dos dispositivos legais aplicáveis à espécie, que a pratica de atos processuais pelo sistema eletrônico não retira do Oficial Registrador o direito em perceber os emolumentos referentes aos atos determinados, ressalva feita, obviamente, aos casos em que o litigante responsável por tal pagamento usufrua o benefício da gratuidade judiciária.
Nesse sentido, registramos que o eventual sistema ou medida legislativa que vier a ser adotado para a prática dos atos processuais por meio eletrônico direcionados aos Registradores de Imóveis deverá antever a sistemática e o momento do pagamento dos emolumentos devidos, sob pena de se tornar inócuo o sistema ao fim colimado de atender a necessidade de implementação da celeridade processual.
Não menos importante observar, como já referido ao início, que as serventias de registro estão sob a responsabilidade e fiscalização dos Judiciários Estaduais nos termos do artigo 37 da Lei 8.935/94. Nesse sentido, a diversidade de regulamentações, muitas vezes conflitantes, inclusive no que se refere ao regime de emolumentos, o momento e a forma da sua satisfação, não possui unicidade no território nacional.
Em tais termos, a Consolidação Normativa Notarial e Registral da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, instituída pelo Provimento CGJ 32/2006, já devidamente adequada à nova realidade da indisponibilidade de bens imóveis por ordem judicial, estabelece:
Art. 11 – Os Notários e Registradores têm direito à percepção dos emolumentos fixados no Regimento de Emolumentos do Estado, pelos atos praticados, e que serão pagos pelo interessado na forma da lei, exceto quando constar expressamente a dispensa em mandado ou certidão judicial, em razão do deferimento da Assistência Judiciária Gratuita.
[...]
Art. 12 – Não serão requisitadas informações ou certidões de atos notariais ou de registros quando a prova deva ser produzida pela parte interessada, salvo se houver obstáculo criado pelo próprio Serviço ou interesse relevante na obtenção da prova em juízo, circunstâncias em que os emolumentos devidos serão cotados para pagamento posterior.
[...]
Art. 395 – As penhoras, arrestos e seqüestros de imóveis serão registrados depois de pagos os emolumentos pelo interessado, em cumprimento de ordem judicial ou à vista de certidão do Escrivão, exceto se o interessado estiver ao abrigo da Assistência Judiciária Gratuita e na ordem ou certidão constar expressamente a determinação de dispensa do pagamento, além dos requisitos exigidos para o registro, os nomes do Juiz, das partes e a natureza do processo.
[...]
Art. 398 – Ficam os senhores Oficiais do Registro de Imóveis cientificados da não-exigibilidade de antecipação dos emolumentos quando do registro de penhoras, arrestos e seqüestros, decorrentes de executivos fiscais ou de reclamatórias trabalhistas, bem como de indisponibilidade judicial.
§ 1º – Na hipótese prevista neste artigo, o Registrador deverá remeter cópia da conta de emolumentos discriminados em valor expresso, a fim de ser anexada ao processo fiscal, trabalhista ou judicial de outra natureza, de modo a possibilitar o pagamento a final, ou, se entender conveniente, poderá exigir o pagamento quando do cancelamento do registro, pela prática dos dois atos.
§ 2º - Quando a parte for beneficiária da assistência judiciária gratuita, não se aplica o disposto no parágrafo anterior, procedendo-se à remessa da conta apenas para os fins do artigo 12, da Lei 1.060/50.
§ 3º - O benefício da assistência judiciária gratuita para a averbação da penhora abrange também o cancelamento desta, sendo inexigíveis emolumentos do arrematante por este ato.
A determinação, vigente no Estado do Rio Grande do Sul, da não exigência de prévio recolhimento de emolumentos para as averbações de indisponibilidade e registro das demais constrições determinadas em execução trabalhista ou fiscal, por sua vez, se demonstra compatível e até mesmo exigida para a viabilização do registro por ato processual eletrônico.
De outra banda, como já restou apreciado no presente estudo, não obstante a diversidade de regulamentos emanados das Corregedorias Judiciais dos Estados Membros, não compete ao Oficial, ainda que fundamentado em orientação ou
decisão do MM. Juiz Corregedor Permanente da Serventia ou do órgão administrativo hierarquicamente superior, negar o registro determinado por ordem do juiz competente para a causa, eis que, nessa hipótese, a ordem emanada do juiz no exercício da função jurisdicional se sobrepõe àquela emanada do próprio Juiz- Corregedor ao qual está vinculado o Oficial Registros, posto que, esta última, detém cunho meramente administrativo e não jurisdicional.
Desta feita, se o juiz competente, no exercício da sua função jurisdicional, determinar o processamento da ordem de registro de indisponibilidade ou penhora, segundo as circunstâncias dos autos, independentemente do prévio recolhimento de emolumentos, seja pela dispensa em decorrência da gratuidade judiciária, ou ainda, para pagamento ao final no processo e sob responsabilidade do executado, deverá o Oficial Registrador dar o imediato cumprimento, sob pena de descumprimento de ordem judicial.
Nesse sentido se inclina a jurisprudência:
MANDADO DE SEGURANÇA – PROCESSUAL CIVIL – REGISTRO DE IMÓVEIS – EXECUÇÃO FISCAL – REGISTRO DE PENHORA – CUSTAS – EMOLUMENTOS – DESPESAS – ANTECIPAÇÃO DISPENSADA – CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGOS 5º, LXXXVI, 28 E 236 – LEI 6.830/80 (ARTS – 7º, IV, E 39) – LEI 8.935/94 (ART – 28) – CPC, ART – 27 – LEI ESTADUAL 8.121/85 – 1. Custas e emolumentos, quanto à natureza jurídica, não se confundem com despesas para o custeio de atos fora da atividade cartorial. 2. A dispensa de prévio preparo ou depósito de custas e emolumentos não significa ordem isencional. Significa adiamento para que as serventias não oficializadas façam o recolhimento ou cobrança a final. Demais, no caso, o ato restringe-se ao registro de penhora no sítio da execução fiscal. 3. A interpretação substanciada no aresto procurou o sentido equitativo, lógico e acorde com específica realidade processual. O direito não pode ser, injusto ou desajustado às realidades ("natureza das coisas"). 4. Não merecendo o ato malsinado o labéu de ilegal e abusivo e órfão de hábil demonstração o alegado direito líquido e certo, a segurança pedida não merece entoar o sucesso. Recurso sem provimento.161
161 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. ROMS 10349, RS, 1. Turma. Rel. Min. Milton Luiz Pereira,
PENHORA – REGISTRO – PAGAMENTO PRÉVIO DE CUSTAS E EMOLUMENTOS – A Lei de Execução Fiscal – n.º 6.830/80, de aplicação subsidiária à execução trabalhista, estabelece expressamente que independe de pagamento de custa ou outras despesas o registro de penhora. Logo, o Oficial de Registro deve proceder ao registro da penhora determinada pelo juízo da execução, sem exigir tais encargos e recalcitrar.162
DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO – Oficial do registro de imóveis. Registro de penhora em execução fiscal movida pelo INSS. Determinação judicial para a efetivação do ato, sem o prévio pagamento de emolumentos, com a ressalva da percepção ao final. Permissivo da LEF (Lei F-6830/80), que não se encontra derrogada, não encontrando óbice na situação regrada pela Constituição Federal (art. 236), sobre a natureza dos servidores notariais e de registro, e na lei regulamentadora posterior ( Lei nº 8.935/94). Hipótese não de isenção de pagamento dos emolumentos e despesas devidas, mas de mera postergação para o final da execução. Inexistência de ato abusivo ou ilegal, violador de direito líquido e certo. Segurança denegada.(08fl).163
Nesse sentido, apregoamos que assim deverá o Juiz do Trabalho proceder, considerando que se aplicam à execução trabalhista os preceitos que regem a execução fiscal (artigo 889 da CLT), e, portanto, os termos do artigo 7º, inciso IV da Lei 6.830/1980, o qual determina registro da penhora ou do arresto, independentemente do pagamento de custas ou outras despesas.