C. Yusuf Beg-Ahmed Beg Destanı Üzerine Yapılan ÇalıĢmalar
2.2. DüĢman Tipler
2.4.2. Cadı/Büyücü Tipi
Nossos aprendizes da Escola Municipal Carlos Alberto de Souza – onde aplicamos a primeira sequência didática – fazem parte de uma comunidade da periferia do município, que sofre bastante com a indiferença do poder público. Desse modo, questões como violência do bairro, falta de estrutura familiar e a ausência de projetos sociais que visem garantir uma melhor assistência a esse público específico deixam esses alunos – adolescentes na faixa de 11 a 14 anos – muito vulneráveis às influências destrutivas do meio em que vivem.
No que diz respeito ao comportamento social da maioria desses estudantes, apesar de estarem inseridos em um meio de muita violência, não é agressivo. São raros os casos de violência física praticada por eles na escola. Algumas brigas que acontecem são, geralmente, ocasionadas pela imaturidade de algumas meninas vivenciando a paixão adolescente. Nesses casos, o que ocorre na maioria das vezes é elas passarem a disputar o mesmo menino e, por isso, haver o desentendimento.
Quanto ao desempenho escolar, consideramos bastante prejudicado por inúmeros fatores, tais como: a ausência de acompanhamento dos pais na realização das atividades e no estudo para avaliações; a falta de momentos de lazer fora da escola, de modo que a instituição escolar torna-se o espaço no qual eles buscam o entretenimento e o convívio social com os colegas.
Por conseguinte, muitos não se concentram nas aulas e parecem também não estar voltados para objetivos maiores relacionados à formação escolar. Alguns
dizem que não vão estudar muito, que querem apenas concluir o Ensino Médio – na visão deles, “concluir os estudos”. Mesmo com essa intenção de concluir o Ensino Médio, eles acham que, para isso, não precisam estudar, pois o professor tem de aprová-los.
Acreditamos que esse comportamento se dá, também, em virtude das “facilidades” criadas pelo sistema educacional, a fim de garantir números positivos de desempenho dos alunos para cálculos estatísticos. Na rede municipal de Parnamirim, por exemplo, os alunos podem ficar em dependência em até duas disciplinas. No ano seguinte, eles avançam de nível e fazem avaliações bimestrais das disciplinas nas quais ficaram em dependência. No entanto, esse processo é quase uma aprovação automática, pois quase todos os professores aprovam os alunos, mesmo que eles não alcancem o desempenho necessário.
Nesse sentido, as reclamações dos docentes são de que esse processo prejudica os discentes, visto que, para realizar as provas de dependência, eles não cursam a disciplina novamente, apenas se submetem a avaliações bimestrais. Logo, na visão dos professores, se o aluno não é culpado pela forma como ocorrem essas avaliações, então, veem a aprovação como necessária.
Por sua vez, os alunos percebem, cada vez mais, que o diploma que eles irão receber não está vinculado ao conhecimento adquirido, representa apenas uma constatação de que eles frequentaram a escola. Nesse contexto, é difícil conseguir que cumpram com as atividades solicitadas pelo professor e, a esse respeito, também não se pode contar com o apoio da maioria dos pais para que esses educandos estudem.
Quanto aos sujeitos da turma na qual aplicamos a segunda sequência didática – os alunos do 9º ano da Escola Estadual Professor Eliah Maia do Rego – são residentes de vários bairros da cidade de Parnamirim. Isso ocorre devido a muitos pais que matriculam seus filhos nessa escola não considerarem a distância da escola em relação a suas casas, mas a referência que ela possui na cidade em questões de organização administrativa e de regularidade no cumprimento do calendário escolar. A média de idade desses educandos é de 14 a 16 anos.
No que diz respeito ao comportamento social deles, é tranquilo. A maioria é de alunos respeitosos com toda a comunidade escolar. No entanto, em relação ao desempenho cognitivo, percebemos uma ausência de sintonia entre eles e a proposta de ensino da escola. No período em que estivemos com esses discentes,
na aplicação da sequência didática, pudemos perceber que o fato de a escola não encontrar alternativas para resolver a situação de salas superlotadas e de alunos desinteressados em estudar faz com que eles tenham sempre de manter a rigorosidade da lei do silêncio.
Além disso, a disposição da sala é sempre com cadeiras enfileiradas uma atrás da outra, evitando que os alunos saiam de seus lugares e formem grupos de conversa, porque quando isso ocorre, foge-se do limite estabelecido. Nesse caso, o barulho é muito intenso e, muitas vezes, torna-se impossível ministrar aula. No entanto, pensamos que esse barulho não é literalmente proposital. Para nós, isso ocorre em virtude de nossa estrutura de ensino, que mantém um modelo de escola inadequado para as novas gerações, uma vez que as novas estruturas sociais demandam novas formas de produção do conhecimento.
Em relação ao conhecimento do gênero rap – que constitui nosso objeto de pesquisa e de proposição – é perceptível, nessas duas turmas, – 6º e 9º ano – uma familiaridade com o gênero. Alguns, principalmente os alunos do 9º ano, ouvem bastante o rap, mas não conhecem o gênero como parte de um movimento de protesto.
Por essa razão, escolhemos o rap para mediarmos a leitura crítica desses movimentos de protesto, porque a história desse gênero nos respalda nessa perspectiva, uma vez que ele surgiu com essa finalidade. Na escola, entendemos que a mediação de uma leitura crítica poderá contribuir com a formação cidadã do aluno, para que ele tenha uma percepção do contexto que o cerca, dos interesses políticos que subjazem a omissão do poder público em prestar atendimento às necessidades básicas no Brasil, no atual momento histórico social e, principalmente, para que ele seja capaz de se reconhecer como sujeito da própria história
No capítulo seguinte, para uma melhor compreensão deste trabalho, discutiremos o percurso e a análise realizada na aplicação da sequência didática.
5 RELATO ANALÍTICO DE EXPERIÊNCIA