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C YARGITAY 22. HUKUK DAİRESİ

As idéias que estão forçando as mudanças nas concepções das diferentes formações propostas, exigindo novas formas de abordar os conhecimentos, e passando a considerar o sujeito em formação um participante ativo na sua formação, consistem, hoje, em um paradigma que Alarcão (1996) aponta como pós-moderno e que traz como características:

- a epistemologia do aprendiz e do investigador como sujeitos construtores do conhecimento;

- menos certeza, mais questionamento;

- menos ensino formalizado, mais aprendizagem; - ligação entre formação e investigação.

Analisando a formação que fez parte de nossa pesquisa podemos apontar que não somente em sua concepção, mas também durante o seu desenvolvimento, algumas das características apontadas por Alarcão (1996) para uma formação com uma abordagem reflexiva estiveram presentes.

Durante nossas observações percebemos que as perguntas pedagógicas nortearam todos os encontros, estando presente o questionamento dos formadores junto aos professores sobre suas resistências em mudar suas práticas, o porquê de ensinar os temas abordados, assim como os porquês das estratégias escolhidas.

Também esteve presente a narrativa, identificada na solicitação dos formadores aos professores que reproduzissem situações de suas salas de aula para que juntamente dos colegas procurassem compreendê-las, buscando estratégias para uma prática mais eficaz.

Uma outra estratégia utilizada durante a formação foi o estudo de caso, que pode ser observado pela solicitação do formador a alguns dos professores para que trouxessem casos da sala de aula para serem analisados. Esses casos eram, geralmente, dúvidas de alunos, dificuldade de aprendizagem, entre outros. A partir dos relatos dos professores sobre esses casos, instigava- se uma reflexão a fim de buscar impressões positivas e negativas das situações.

Durante a formação também aconteceram momentos de observação de

aulas, que também é referenciada por Alarcão (1996) como uma importante

estratégia de formação, pois muitas vezes as explicações dos acontecimentos de sala de aula precisam ser procuradas fora dela. Apesar de essas aulas serem fictícias, pois os professores deram a aula a seus próprios colegas, aconteceram muitos momentos semelhantes à sala de aula.

É nesse sentido que podemos apontar que a formação analisada por nós apresentou muitas das características de uma formação reflexiva, pois, segundo Alarcão (1996), a formação continuada com uma proposta de abordagem reflexiva deve ser perspectivada em torno de situações educativas retiradas do contexto específico da sala de aula, que, apesar de serem de caráter prático, permitem, no entanto, suscitar a necessidade de reflexão e aprofundamento teórico para compreender e melhorar essa mesma prática, pois “um professor reflexivo vive permanentemente em ciclo, da prática e da teoria à reflexão, para voltar de novo à teoria e à prática” (Ponte, 1994, p. 108).

IV

ATRÁS DE POSSÍVEIS IMPACTOS DA

FORMAÇÃO OFERECIDA

4.1 Introdução

Neste capítulo apresentamos os resultados do segundo momento de nossa coleta de dados, realizado em salas de aula dos professores – P1 e P2 – que haviam participado do grupo de formação.

Os professores observados, e que fizeram parte de nosso estudo, são identificados como P1 e P2. Descrevemos, abaixo, suas características, bem como um breve comentário de suas posturas durante os encontros.

P1 é licenciada em Ciências, além de licenciada e bacharel em Matemática, e trabalha na Educação Básica há quinze anos. Ela nunca havia participado de um programa de formação continuada, e tinha como objetivo principal, ao entrar no curso de especialização, “aumentar” o seu conhecimento matemático.

P1 demonstrou desde o início uma grande disponibilidade para participar de todos os encontros propostos, além de uma clara vontade em colaborar com a proposta apresentada pelos formadores.

Já no primeiro encontro P1 apresentou uma certa liderança dentro do grupo, mesmo quando demonstrava um certo incômodo em revelar suas dificuldades no conteúdo matemático.

Sua participação fez-se sentir de um modo muito particular pela forma como colocou suas perspectivas e dúvidas, e de como se envolveu muito à vontade na análise dos textos e nas atividades propostas pelos formadores.

Geralmente, suas intervenções evidenciavam opiniões próprias, mas muito concordantes com as abordagens sugeridas nos textos.

Essas opiniões fundamentavam-se apenas em exemplos dos seus alunos e de sua prática em sala de aula, sem qualquer referência a pressupostos teóricos, apesar de expressar uma certa preocupação em recorrer a referências teóricas para justificar as suas perspectivas de análise.

O seu envolvimento nos encontros mostrava uma preocupação em experimentar na sala de aula as atividades/estratégias que eram debatidas e que se revelavam adequadas às características de sua turma naquele ano letivo. Essa interiorização das propostas de atividades apresentadas nos encontros e sua transferência para sala de aula foram um claro sinal da sua motivação pessoal e profissional.

P2 é licenciado em Matemática e atua na Educação Básica há dez anos. Também nunca havia participado de um programa de formação continuada, e assim como P1 buscava aperfeiçoar seu conhecimento matemático.

Durante os encontros percebemos um aluno-professor seguro e de discurso fluente, revelando um certo entusiasmo nas suas declarações. Apesar de demonstrar uma preocupação em propor atividades em sala de aula que relacionem a Matemática com situações reais do quotidiano dos alunos, notamos em vários momentos que, quando ele pensa em suas aulas, tem em mente um conjunto de conhecimentos que pretende que os alunos adquiram e, sobretudo, compreendam, de forma que possam aplicá-los em diversas situações, demonstrando uma visão de que o papel do professor é comunicar conhecimento, dizendo e mostrando o que os alunos precisam saber.

Esses professores manifestaram disposição para (re)construírem suas práticas de sala de aula a partir de reflexões sobre o processo ensino- aprendizagem.

As aulas gravadas foram realizadas numa turma do primeiro ano do Ensino Médio com trinta e cinco alunos, de uma escola particular, situada no município de Guarulhos, e em uma turma de vinte alunos da oitava série do Ensino Fundamental da mesma escola. O objetivo das aulas foi desenvolver o conceito de “função afim”.

Benzer Belgeler