6. GARDROP TĐPĐ BUZDOLABI AKUSTĐK MODELĐ
6.2. Buzdolabı Panelinde Hız Haritalarının Karşılaştırılması
Adentrando ao tema específico da dissertação, falaremos sobre o Livro dos Sinais ou Bloco dos Sinais. Como opção metodológica, em vez de utilizar o termo “Fonte dos Sinais” escolhemos “Livro dos Sinais”. Isso porque entendemos que a expressão que Bultmann uti- liza, “Quelle Semeia”,49 é uma expressão inapropriada para este bloco literário, pois não existem outros paralelos para uma comparação para a constatação desta fonte (metodologia aplicável à Fonte Q). Entendemos que não existe uma fonte dos sinais, há, em vez disso, um Bloco dos Sinais que vincula discursos, narrativas e sinais50.
O Evangelho de João carrega, dentre outros, o paradoxo na expressão “Sinal” [shmei/on]. O paradoxo se dá na peculiaridade joanina em contraste aos demais Evange- lhos. Alguns “sinais”51 são específicos do Quarto Evangelho, “sinais” estes que não se en- contram nos Evangelhos Sinóticos – sem fazer alusão que os autores joaninos tenham conhe- cido os textos mateano, marcano ou lucano –, existem, apenas, dois “sinais” ou (na perspecti- va sinótica) “milagres” que são semelhantes em ambos os Evangelhos:
Multiplicação dos pães; Andar sobre as águas.
49 Cf. BULTMANN, Rudolf. The Gospel of John a commentary. Oxford: Brasil Blackwell, 1971. Nesta obra, o
autor se dedica a explicar sua teoria sobre a Quelle Semeion.
50 Ao que se refere a Semeia Quelle indicamos: RUCKSTUHL, Eugen. Johannine Language and Slyle: the ques-
tion of their unity. In.: JONGE, M. de. L’Évangile de Jean: Sources, redaction, théologie. Leuven: Leuven University Press, 1987, p. 125-147.
51 Cf. BULTMANN, Rudolf. BULTMANN, Rudolf. Milagre: Princípios de Interpretação do Novo Testamento.
São Paulo: Editora Cristã Novo Século, 2003. 42p. Neste pequeno livreto, há um interessante indício da dis- tinção do que é miraculoso, milagreiro e sinal.
O Quarto Evangelho descreve apenas 7 “sinais”. A ênfase está no silêncio do autor joanino no que tange aos elementos corriqueiros nos Evangelhos sinóticos. O autor joanino, como já foi dito anteriormente, não menciona nenhuma expulsão demoníaca, ou multidões que são curadas, ou textos emblemáticos do aspecto taumaturgo de Jesus – repetidos nos de- mais Evangelhos – não são mencionados no Quarto Evangelho.
Para o autor joanino, os judeus por mais que vejam os sinais, não compreendem o que são os sinais, por isso, pedem novos sinais. Nessa perspectiva Bultmann afirma:
Por que pedir por um sinal [shmeion] é característico dos judeus? Porque essa ati- tude revela a própria essência natural da impiedade deles, a saber, o esforço na busca de “sua própria justificação”. Eles avaliavam a si mesmos por aquilo que eles foram, e estimavam os outros pelo que estes realizavam. E como eles desejavam justificar a si mesmos diante de Deus através de suas obras, assim, Deus deveria se justificar a si mesmo diante deles através de suas obras. 52
Destacamos que o autor joanino não está preocupado com a aceitação do público ju- deu. Seus sinais acontecem sem a dependência de aceitação deste grupo. Esse dado aflora já no primeiro “sinal” de Jesus, que é bastante atípico – bodas de Caná –, sinal próprio do autor joanino. A ressurreição de Lázaro, também exclusivo de João, intriga e questiona a cultura judaica. Por mais que algumas curas joaninas tenham similaridades com curas dos Evangelhos Sinóticos (cura de um oficial do rei, cura de paralítico e cura de um cego – circulam em um mesmo campo semântico), o topos das narrativas joaninas são próprias, de modo que, se por um lado há encontros textuais, por outro lado, há distanciamentos textuais.
Percebemos que o autor joanino utiliza de técnicas redacionais para iniciar e para en- cerrar o Bloco dos Sinais. No início da vida pública de Jesus ele afirma “ainda não chegou a
hora minha” [ou;pw h[kei h` w[ra mou] (2.4); para encerrar o Livro dos Sinais Jesus
afirma que “chegou a hora para que seja glorificado o Filho do homem” [evlh,luqen h` w[ra i[na doxasqh/| o` ui`o.j tou/ avnqrw,pou] (12.23). Com essa deli- mitação os autores joaninos apresentam que a vida pública de Jesus acontecera para sinalizar e convergir no real motivo de sua vinda. O sinal em João é milagre, todavia não se restringe apenas ao âmbito milagreiro.
52 BULTMANN, Rudolf. BULTMANN, Rudolf. Milagre: Princípios de Interpretação do Novo Testamento. São
Quando o autor joanino escolhe “sinal” em vez de ‘milagre’, provoca o leitor com essa substituição semântica. Em João o “sinal” não tem uma função puramente pedagógica como os “milagres” exercem nos Evangelhos sinóticos, qual seria, pois, a tarefa do termo “sinal” no Quarto Evangelho? Função de formação de identidade? Intenção pedagógica?
Compreendemos que sinal é a ação extraordinária que rompe com o ordinário. É o incomum, o improvável que assume a cena. O sinal exerce seu papel articulador, instrumental, de modo que conduz os olhos, a vida em sua plenitude para o que é transcendente. Nesta dire- ção, como já foi mencionado, até o capítulo onze os autores do Quarto Evangelho citam sete sinais, sendo eles:
I – Sinal da boda de Caná (2.1-12);
II – Sinal da cura do filho do funcionário do rei (4.46-54); III – Sinal do paralítico do tanque de Betesda (5.1-18); IV – Sinal da multiplicação dos pães e peixes (6.1-15); V – Sinal do andar sobre o mar (6.16-21);
VI – Sinal do cego de nascença (9.1-41);
VII – Sinal da ressurreição de Lázaro (11.1-44).
Notamos nesses sinais o salto do evento ordinário para o extraordinário, do comum para o incomum. Os setes sinais quebram a lógica da rotina. Os sinais joaninos têm em co- mum o sujeito ativo que desenvolve a ação: Jesus. A ordem, as palavras, a ação arbitrária é de Jesus. Ele se torna protagonista nas cenas milagreiras. As cenas ganham novas camadas inter- pretativas. Com os sinais, Jesus proporciona novos desdobramentos textuais.
São estes os sinais que chamam a atenção das multidões (5.1). Aliás, os autores do Evangelho afirmam que Jesus realizou muitos outros sinais diante do povo, os quais não fo- ram relatados (Jo 21.25. Diante destes sinais surge uma questão: por que estes sete sinais fo- ram escolhidos pelo autor joanino? Qual é o papel que estes “sinais” desempenham no Quarto Evangelho? Será correto pensar que o “sinal” de João tem o mesmo significado dos “mila-
gres” dos Evangelhos sinóticos? Veremos isso adiante.