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A partir de quatro paradigmas sobre a natureza da ciência social e da sociedade, pode- se conduzir a pesquisa proporcionando visões e posicionamentos diferentes que servem de referências na construção de teorias sociais: humanista radical, estruturalista radical, funcionalista e interpretativo (BURRELL; MORGAN, 1979).

Esta pesquisa se posiciona no paradigma interpretativo, pois centralizará o ponto de vista dos participantes da amostra por meio de uma análise profunda e subjetiva da realidade particular das estratégias de inovação dos contextos criados pelos sujeitos envolvidos.

Nesse sentido, a perspectiva epistemológica da pesquisa tratará a realidade encontrada como relativista, na medida em que buscará explicações advindas dos participantes. Deste modo, a natureza ontológica se denomina como nominalista, a natureza humana como voluntarista e a metodologia como ideográfica (BURRELL; MORGAN, 1979).

Em conformidade com a abordagem subjetiva da pesquisa, é possível compreender que a condição subjetiva tem seu contexto no sentido de que não idealiza a possibilidade da consciência histórica, mas tenta desempenhá-la nos seus possíveis conteúdos (DEMO, 1995).

Devido à questão de pesquisa formulada e, levando em consideração a visão subjetiva do contexto estudado pressuposta pelo paradigma interpretativo, o presente estudo se caracteriza como de cunho qualitativo. A investigação qualitativa compreende que a fonte direta de dados é o ambiente e o pesquisador o instrumento principal. Requer envolvimento entre o pesquisador e os sujeitos e, por isso, não deve ser feita à distância. A análise dos dados é descritiva, tornando a pesquisa mais detalhada haja vista que os investigadores qualitativos enfatizam mais o processo do que os resultados ou produtos (BOGDAN; BIKLEN, 1994; DEMO, 1995; MERRIAM, 1998; PATTON; APPELBAUM, 2003; YIN, 2010).

Na pesquisa qualitativa, pressupõe-se que os investigadores tendem a analisar os dados de forma indutiva, ou seja, o processo da análise dos dados é escolhido na medida em que a pesquisa se estrutura e não se parte de premissas previamente estabelecidas à investigação. Por sua vez, o significado desempenha papel importante nessa pesquisa e, com isso, o investigador certifica-se de apreender as diferentes perspectivas e suas relações corretamente. (BOGDAN; BIKLEN, 1994; DEMO, 1995; MERRIAM, 1998; PATTON; APPELBAUM, 2003; YIN, 2010).

pesquisa qualitativa tem como finalidade a compreensão do fenômeno a partir da perspectiva dos próprios participantes, ou seja, entrevistados ou pessoas relacionadas diretamente ou não com objeto da pesquisa. O pesquisador é apenas um observador, uma vez que se exime de argumentos críticos durante o processo de coleta de dados (MERRIAM, 1998).

Sendo esta pesquisa de âmbito qualitativo, a investigação preocupa-se em abranger aspectos da realidade estudada e não de uma teoria fundamentada. Isso pode ser feito por meio de uma pesquisa de campo. No tocante à pesquisa de campo, é preciso que o investigador registre de forma não intrusiva o que acontece de fato, recolhendo dados descritivos através do ambiente em que o sujeito se encontra (BOGDAN; BIKLEN, 1994).

Sampieri, Collado e Lúcio (1998) analisam os tipos de pesquisa apresentando taxonomias. Segundo os autores, a investigação descritiva procura especificar as características importantes dos elementos que fazem parte do contexto da pesquisa e interferem no fenômeno estudado.

Diante dos pressupostos supracitados, a pesquisa utilizou o método de argumentação indutivo e pode ser caracterizada também como uma pesquisa descritiva, visando compreender as estratégias de inovação de empresas de base tecnológica, sob a perspectiva da Resource-Based View. É descritiva, tendo em vista que, após identificação das estratégias de inovação existentes, a etapa seguinte está relacionada com a descrição das particularidades e como elas sucedem no que diz respeito aos recursos e capacidades.

Com relação ao método, foi adotado nesse trabalho o estudo de casos múltiplos. Esse tipo de pesquisa é entendido como aquele em que o pesquisador estuda dois ou mais assuntos, ambientes, bases de dados, admitindo várias formas (BOGDAN; BIKLEN, 1994). Assim, esta pesquisa utiliza o método estudo de casos múltiplos, uma vez que se discutem estratégias, inovações e RBV em contextos diferentes.

Entende-se que o estudo de caso é uma estratégia de investigação que combina várias técnicas de coleta de dados como documentos, entrevistas, questionários e observação. Pode ser usado com vários objetivos: desenvolver uma descrição, testar ou gerar uma teoria e oferecer insights que não são alcançados em outros métodos. Portanto, esse método pode envolver um ou múltiplos casos bem como uma série de níveis de análises (EISENHARDT, 1989; ROWLEY, 2002; YIN, 2010).

Em se tratando de um estudo de caso descritivo é possível obter certas vantagens, tais como: ilustrar a complexidade da situação e os fatores que contribuem para o fenômeno; incentivar retrospectivas e, ao mesmo tempo, ser relevante para o presente; demonstrar a

influência das personalidades pesquisadas; mostrar a influência do tempo para a situação atual; compreender as informações obtidas por meio de várias formas e pontos de vistas distintos, entre outras (MERRIAM, 1998).

Esse método é considerado uma investigação empírica e detalhada que analisa um fenômeno (contexto ou indivíduo) complexo e contemporâneo da vida real, sobretudo, quando não há clareza entre os limites do fenômeno e do contexto conforme uma única fonte de documentos ou de um determinado acontecimento. A escolha de características técnicas como a coleta de dados e as estratégias de análise dos dados obtidos fazem parte de uma lógica imprescindível para a coerência da pesquisa (MERRIAM, 1998; VRIES, 2004; YIN, 2010).

Observa-se que o uso de estudo de casos múltiplos deve seguir uma replicação e o pesquisador necessita ser minucioso na sua escolha. Os casos devem servir similarmente aos experimentos múltiplos, a partir de resultados semelhantes ou resultados contrastantes conforme os resultados previstos no início da pesquisa (ROWLEY, 2002; YIN, 2010).

O uso de estudos de casos múltiplos tem caráter estratégico ao permitir maior robustez à pesquisa, no sentido de contribuir para a validação ou generalização dos achados. Ademais, é um meio de investigar unidades sociais complexas atreladas a diversas variáveis de extrema importância para a compreensão do fenômeno, decodificando os significados no intuito de expandir as experiências dos leitores (MERRIAM, 1998).

Assim, faz-se necessário a descrição dos critérios utilizados para a seleção dos casos estudados, bem como compreender os sujeitos que participaram da presente pesquisa.