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Bulgulara İlişkin Sorulan Sorular ve Cevaplar

3. Bulgular

3.2 Bulgulara İlişkin Sorulan Sorular ve Cevaplar

De acordo com Lima (2006), o desenvolvimento do hip hop, no início, tinha como objetivo apenas o lazer, foi ao longo do tempo que a dimensão política foi se inserindo nas práticas culturais cotidianas. O interessante é que, mesmo sendo disseminada pela mídia de massas, o estilo cultural hip hop não foi recebido de maneira homogênea. De meados da década de 80 até o momento atual, os jovens praticantes do estilo cultural hip hop ganharam visibilidade, não apenas por causa da consolidação do estilo no mercado cultural de massas brasileiro, mas porque o estilo hip hop passou também a estar intimamente ligado às estratégias políticas locais de organização e luta por direitos sociais das populações jovens, moradoras dos bairros periféricos das grandes metrópoles brasileiras.

Aliado a uma prática dos elementos artísticos do hip hop, alguns jovens cada vez mais passaram a reivindicar uma “identidade” 40 de hip hopper que os colocava como verdadeiros porta-vozes dos anseios da população moradora das periferias urbanas. Além disso, houve no Brasil, nas principais capitais, a formação de organizações sociais que se utilizam da prática dos elementos artísticos do hip hop como forma de atuação comunitária entre os jovens pobres.

As trajetórias dos precursores do estilo mostram claramente, consoante Bezerra (1999), as interconexões entre a sociabilidade construída no “baile”, a troca

40 Sobre as discussões sobre identidade no seio do hip hop, remeto ao trabalho crítico de Lages e

Silva e Neves da Silva (2008). Neste artigo os autores argumentam que é preciso ter cuidado com as abordagens sobre o hip hop que priorizem a categoria de identidade em suas análises. A abordagem baseada numa “lógica identitária” poderia cair numa perspectiva pautada pelo entendimento “tácito”, não-refletido de que o estilo hip hop poderia proporcionar identificações “positivas” aos jovens pobres em situação de envolvimento com o crime ou as drogas. Sem deixar de lado a real pertinência destas abordagens, nestas, o jovem pobre pareceria ter apenas a opção de se tornar um hip hopper para se tornar “cidadão”, quando, na verdade, outras variáveis como estudo ou acesso ao trabalho teriam muito mais importância. Conforme os autores, essa “lógica identitária” seria a expressão acadêmica de um “paradigma preventivo” que veria a experiência no hip hop apenas como uma sublimação de uma suposta “potência violenta” manifestada na vivência dos jovens pobres.

de experiências nas ruas e o contato através dos mass media. Os espaços dos bailes e das ruas foram os cenários para o aparecimento do hip hop no contexto cultural da onda Black nos anos 70.

Além de enunciar um discurso crítico, a cultura hip hop, através de suas manifestações, também promove a organização comunitária e social como também a intervenção em espaços urbanos fora dos limites da periferia. Os integrantes do movimento hip hop, em sua maioria, jovens pobres, não se conformam com a realidade social e econômica da periferia e criam uma nova percepção sobre o que é pertencer à favela e também sobre o que é ser jovem. O hip hop estabelece então um meio de comunicação crítico destes jovens com o mundo em volta, possibilitando-os um sentido de pertença grupal e afirmação identitária. (LIMA, 2006)

Nesse sentido, a interpretação do hip hop como uma “novidade”, no que diz respeito aos outros movimentos culturais juvenis, estaria, de acordo com Bezerra (1999), ligado a sua vinculação com as experiências dos jovens das camadas populares. A trajetória dos primeiros hip hoppers mostra a sua vinculação com a periferia e a experiência da pobreza como base para o discurso crítico e político.

Ainda conforme Bezerra (1999), as elaborações que os rappers, por exemplo, dão às suas letras embasariam as interpretações do hip hop como um estilo e movimento da periferia, sendo os seus praticantes os “verdadeiros” porta-vozes desta parte da cidade 41. No entanto, a novidade também se mostraria não apenas do ponto de vista cultural, já que, no que concerne à arena política, essa vinculação do hip hop à periferia possibilitou uma re-significação do que seja um movimento político tradicional.

As reuniões das posses, o discurso dos rappers, os eventos promovidos nas periferias, envolvendo os quatro elementos do hip hop, etc. aglutinam um público juvenil, com o qual outros movimentos sociais e as políticas sociais dificilmente conseguem dialogar. Crianças, adolescentes e jovens adultos pobres se aproximam do hip hop através da dança, da pintura, da música como formas de lazer e diversão, mas que ao mesmo tempo falam de problemas e realidades que lhes são

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Não seria demais enfatizar que essa “novidade” é uma construção própria dos membros do movimento hip hop e também de certas interpretações acadêmicas. Sabe-se que existem múltiplas periferias e diversos segmentos sociais que vivem nela, muitos nem ao menos reconhecem esse papel do movimento hip hop. No entanto, essa reivindicação de ser “porta-voz” já pode ser indício de um processo do “retorno do lugar” como base para a ação política.

comuns, com uma linguagem acessível e, porque não dizer, moderna. Uma arena política que não necessariamente passa pelas formas tradicionais de se fazer política, através de partidos políticos e sindicatos. Apresenta-se também como um importante canal de comunicação que já é utilizado como veículo de políticas públicas voltadas à população juvenil. (LIMA, 2006, p.174).

Benzer Belgeler