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A Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada teve suas origens no extinto Instituto de Educação da Universidade de São Paulo, onde o Professor Roldão Lopes de Barros iniciou os estudos de Administração Escolar e o Professor Milton C. da Silva Rodrigues os de Educação Comparada, em 1935. Tais estudos foram extintos juntamente com o Instituto de Educação, em 1938, reaparecendo em 1940 como integrantes da também extinta Seção de Pedagogia da FFCL, formando uma única Cadeira (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1953).

O primeiro titular da Cadeira foi o Professor Milton C. da Silva Rodrigues, tendo como primeira assistente Ernestina Giordano e como assistente extra-numerário José Querino Ribeiro. Em 1945, Ernestina Giordano foi contratada para reger a Cadeira, ficando como primeira assistente Maria Dulce Nogueira Garcez. Em 1947, o Professor Roldão Lopes de Barros assumiu interinamente a regência da Cadeira, passando José Querino Ribeiro a primeiro assistente (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1953).

Em 1948, José Querino Ribeiro foi contratado para reger a Cadeira, passando a primeira assistente Maria José Garcia Werebe, tendo como auxiliar de ensino e auxiliar técnica, respectivamente, Maria de Lourdes Santos Machado e Vera Maria Fontana Beltrão, assim permanecendo até o término de 1949 (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1953).

Em 1950, Carlos Correa Mascaro assumiu como assistente extranumerário e, ainda no mesmo ano, como assistente substituto da Cadeira, no lugar de Maria José Garcia Werebe, passando, em 1952, a primeiro assistente da Cadeira (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1952).

No ano de 1953, José Querino Ribeiro foi aprovado no primeiro concurso para provimento da Cadeira26e Moysés Brejon assumiu a função de auxiliar de ensino e assistente 26O edital do concurso para a Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada foi aberto, inicialmente, para inscrições de transferência. Contudo, não havendo pedidos de transferência para a referida Cadeira, foi aberto concurso para seu provimento efetivo, em 9 de maio de 1952. No dia 2 de outubro do mesmo ano José Querino Ribeiro se inscreveu para o concurso e no dia 7 se inscreveu Maria José Garcia Werebe. Aos 11 de maio de 1953 teve início os trabalhos para o concurso, tendo como Comissão Julgadora os seguintes professores: Milton da Silva Rodrigues, Mário de Souza Lima, Antônio de Almeida Júnior, Oswaldo Aranha Bandeira de Melo e José Gomes de Campos. Nesse dia foi organizada a relação de pontos e realizado o sorteio para a prova escrita, a qual foi realizada no mesmo dia, sendo estabelecido um prazo de 4 horas para seu término. O ponto sorteado assim se enunciava: “a) O orientador educacional: sua formação técnico pedagógica e seu recrutamento;

extranumerário. Desta maneira, a partir do ano de 1953, a Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada passou a contar com José Querino Ribeiro como professor catedrático, tendo como assistentes Carlos Correa Mascaro e Moysés Brejon.

Sendo assim, José Querino Ribeiro, um dos pioneiros nos estudos de Administração Escolar no Brasil, tornou-se professor contratado da Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP em 1948, e catedrático da referida Cadeira em 09 de junho de 1953, quando foi nomeado por Decreto para exercer seu cargo em caráter efetivo, assumindo sua posse no dia 26 do mesmo mês, depois de ser aprovado no primeiro concurso para provimento da mesma, sendo professor catedrático de Administração Escolar e Educação Comparada da USP até 1968, quando foi promulgada a Lei nº 5.540 e o sistema de cátedras foi extinto27.

Com relação às atividades da Cadeira e a função de seus integrantes, assim está descrito no Anuário da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP:

A Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada [...] sempre se preocupou em completar suas atividades didáticas com trabalhos de pesquisa e investigação. A Cadeira não possui, propriamente, um laboratório, sendo as pesquisas antes um alargamento de funções docentes. O número de funcionários é, por isso, reduzido [...]. O professor e o assistente encarregam-se da parte docente, e o professor orienta e dirige o trabalho dos auxiliares de ensino, que se dedicam à pesquisa, à biblioteca e aos trabalhos de rotina. (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1952, p. 190-191).

Quanto aos trabalhos de pesquisa, é destacado no mesmo Anuário que estes eram “[...] orientados no sentido de procurar estudar e investigar alguns dos problemas mais interessantes da administração escolar e também oferecer aos alunos oportunidades de aprendizagem e da técnica de pesquisa.” (UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, 1952, p. 191).

José Querino Ribeiro, para submeter-se ao concurso para provimento da Cadeira, desenvolveu a tese “Ensaio de uma Teoria da Administração Escolar”, publicada em livro em b) O orientador educacional no Brasil e num país estrangeiro”. No dia 12 de maio ocorreu a defesa da tese de Querino Ribeiro, “Ensaio de uma teoria da Administração Escola”, e no dia 13 a defesa da tese de Maria José Garcia Werebe, intitulada “Da situação atual do ensino francês”. No dia 14 de maio foi elaborada a lista de pontos e realizado o sorteio para a prova didática, sendo sorteado o ponto intitulado “A educação física na escola”, com 24 horas de antecedência. No dia 15 foi realizada a prova didática e no dia 16 ocorreu a leitura da prova escrita e o julgamento final dos candidatos. Com os resultados das provas, os dois candidatos foram considerados habilitados, ficando José Querino Ribeiro em primeiro e Maria José Garcia Werebe em segundo lugar. O primeiro lugar foi indicado para regência efetiva da Cadeira em regime de tempo integral, e o segundo para a Livre-Docência da mesma Cadeira.

27No período entre 15 de outubro de 1965 e 12 de julho de 1966 Carlos Correa Mascaro assumiu a regência da Cadeira em substituição a Querino Ribeiro, que foi afastado para exercer a função de diretor da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília (atual Faculdade de Filosofia e Ciências).

reduzida edição, que logo passou a ser considerado “[...] uma das mais importantes contribuições brasileiras ao balizamento científico dos nossos estudos de administração aplicada ao setor educacional [...]” (MASCARO apud RIBEIRO, J. Q., 1978), sendo atualizado e ampliado, em 1978, por João Gualberto de Carvalho Meneses.

A afirmação feita por Mascaro, no prefácio da edição atualizada e ampliada do livro, demonstra a importância do trabalho de J. Q. Ribeiro numa época em que eram poucos os estudos sobre a Administração Escolar no Brasil, sendo a maioria dos estudos nessa área de conhecimento advindos de outros países, especialmente dos Estados Unidos.

Com relação ao livro de J. Q. Ribeiro (1952), pode-se afirmar que este é pioneiro no país, e de relevância, devido a duas preocupações centrais: produzir teoria e delimitar o campo de estudos da Administração Escolar. Outra preocupação era o campo de estudos que estava em processo de organização e constituição de suas bases, no Brasil, e que já possuía alguns estudos elaborados, mas havia necessidade de sistematização (RIBEIRO, D. S., 2001).

J. Q. Ribeiro (1952) compreende a Administração Escolar como uma das aplicações da Administração Geral e afirma que, por isso, deve considerar os estudos realizados em outros campos da Administração assim como para eles contribuir.

O autor considera como objetivos essenciais da Administração Escolar a unidade e a economia do processo de escolarização. Afirma que o processo de escolarização atingiu uma divisão de trabalho tão grande que ameaça o seu princípio de unidade. Segundo o autor, para garantir a unidade do processo de escolarização, a Administração Escolar deve procurar obtenção da harmonia interna dos diversos elementos e atividades da escola e harmonia externa através da integração da comunidade escolar na comunidade social em que está inserida (RIBEIRO, J. Q., 1952).

J. Q. Ribeiro (1952) afirma que no campo da Administração Escolar o problema da economia envolve um novo elemento além de seu conceito clássico de “melhor rendimento com o mínimo de dispêndio”: o da satisfação do professor na situação de trabalho. Sendo assim, além do aproveitamento integral de todos os recursos disponíveis, os professores precisam utilizar os melhores processos para que os alunos tenham maior aproveitamento e a Administração Escolar deve preparar os meios que garantam ao professor a satisfação pessoal na situação de trabalho.

No item em que trata sobre “A busca de uma solução racional”, J. Q. Ribeiro (1952) aponta para a sistematização como elemento utilizado na educação, em oposição a um

processo desenvolvido ao acaso. Esse fator seria utilizado para a realização educacional com unidade de objetivos e racionalização de seu funcionamento.

Unidade de objetivos porque todo o processo de escolarização não pode perder de vista, nem olvidar [...] os objetivos gerais da educação. Racionalização de funcionamento porque, trabalhando ‘matéria-prima’, tão volumosa quão heterogênea, por processos difíceis e caros, e dentro de limites de tempo que não poderão ser dilatados proporcionalmente às necessidades crescentes, não prescinde daquelas normas que permitem obter o melhor rendimento com o mínimo de dispêndios e esforços, isto é, economicamente. (RIBEIRO, J. Q., 1952, p. 77-78).

O autor divide os processos da Administração Escolar em três fases distintas, porém complementares, em relação à realização efetiva da escolarização: antes (planejamento, previsão e organização), durante (comando e assistência à execução) e depois (medição).

J. Q. Ribeiro (1952) considera que a Administração Escolar constitui um todo cujas partes, intimamente relacionadas e interdependentes, são distinguíveis, mas absolutamente inseparáveis e afirma a “[...] conveniência do aproveitamento do ‘taylorismo’ e do ‘fayolismo’ para a resolução de problemas escolares.” (RIBEIRO, J. Q., 1952, p. 113). Na análise de J. Q. Ribeiro (1952), esses pontos permitem inferir a adoção de um posicionamento baseado na obra de Fayol, desenvolvido a partir da administração dos serviços de base (industriais).

Cabe ressaltar que a proposição fayoliana, adotada e enriquecida pelo autor, já havia sido analisada anteriormente, em 1938, em sua obra “Fayolismo na Administração das Escolas Públicas”. Nesse trabalho, o autor discute os vários elementos e princípios de administração propostos por Fayol, procurando adequá-los à realidade escolar.

O livro é desenvolvido em duas partes. Na primeira, o autor faz uma análise do conceito de administração e das teorias de Taylor, Fayol e Ford, analisando os princípios de administração propostos por estes autores e suas contribuições para os estudos na áera, e faz a distinção entre administração e governo, estuda sua relação com a educação e contrapõe a administração empírica à racional.

Na segunda parte, o autor analisa o que intitula de “empresa escolar”, procurando demonstrar a necessidade de sua racionalização, especialmente no que se refere à formação de professores e de administradores escolares.

O autor faz um estudo crítico sobre o fayolismo, apontando erros de concepção, incoerências e falhas, indicando, também, alguns pontos fortes, considerando a teoria proposta como a mais adequada à Administração Escolar, por garantir flexibilidade e iniciativa.

3.3 O I Simpósio Brasileiro de Administração Escolar e a fundação da ANPAE: a

Benzer Belgeler