A avaliação de todo o processo de construção durante as suas diversas fases de intervenção é executada observando a aplicação dos critérios de sustentabilidade a projectos de edifícios e infra- estruturas. O objectivo da aplicação destes critérios durante a construção dos edifícios e infra- estruturas é contemplar, durante todo o ciclo de vida, um plano que pondere os aspectos ambientais, económicos e sociais em todas as fases de intervenção, iniciando-se na fase de projecto, passando pelas fases de construção, utilização/exploração, manutenção e finalizando com a fase de demolição (Figura 2.8).
Figura 2.8 – Ciclo de vida do processo de construção: Fases de intervenção
A construção de novos edifícios tem um enorme impacto no meio ambiente envolvente. A indústria da construção civil produz os produtos de maiores dimensões físicas do planeta e, consequentemente, a quantidade de recursos utilizados é muito elevado. Sendo alta a quantidade de recursos aplicados, também o será a quantidade de resíduos gerados, especialmente durante as etapas de construção e desactivação (Figura 2.9).
Construção Demolição Projecto
Uso/Exploração Manutenção
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Figura 2.9 – Ciclo das fases da construção – Impactes ambientais, adaptado de [25] 2.2.5.1 Fases de intervenção
Projecto
O projecto é a fase inicial do ciclo de vida de um edifício, na qual existe um planeamento e concepção que consiste no levantamento das condições que o permitem executar. Nesta etapa, podem incluir-se o estudo prévio e o projecto de execução, sendo realizados estudos relativos à viabilidade física, económica e financeira do projecto, além de estabelecer projectos, especificações e a programação do desenvolvimento das actividades construtivas.
Deste modo, é nesta fase que se adoptam as principais decisões dos impactos ambientais, tais como a adopção de soluções passivas para a conservação de energia e conforto ambiental, a elaboração de um sistema construtivo detalhado e exacta compatibilidade entre as especialidades do projecto de forma a proceder à sua aplicação nas outras etapas que se sucedem.
Algumas das actividades que são determinantes nesta fase são: a localização, implantação e orientação solar, escolha de materiais de baixo impacto, determinação do nível de eficiência térmica do edifício, ventilação natural, sistemas de recolha de águas pluviais e a reutilização de água [26]. Construção
A fase da construção é a etapa seguinte do projecto, abrangendo a construção do edificado e a elaboração física do projecto, sendo associada a um período de tempo médio de 50 anos sem exigências de manutenção elevadas, valor que se pretende ampliar no contexto da construção sustentável. Esta fase é a que tem mais impacto visível no local e na sua envolvente, pela utilização de recursos, ocupação do solo, escavações, transporte e edificação propriamente dita, associando a
27 estes processos os efeitos decorrentes da sua prática, tais como, consumo dos recursos (energia e água), utilização de materiais, produção de resíduos, ruído, emissões de poeiras e partículas poluentes, paisagem e afectação na população e ecossistemas.
É na fase da construção que são colocadas em prática o conjunto de medidas e estratégias definidas na etapa anterior (projecto), com o objectivo de dar continuação ao ciclo de sustentabilidade requerido.
As medidas implementadas segundo o processo operativo para a construção sustentável são as seguintes: controlo rigoroso da planificação e implementação da obra, controlo rigoroso no processo tecnológico e de execução, selecção de materiais disponíveis no local que possam ser utilizados na construção, uso de eco-materiais e eco-produtos, estudo de alternativas em obra para utilização e colocação de resíduos, redução de impactos no decorrer das operações, preocupação com o desempenho térmico, acústico e habitacional do edifício [26].
Utilização/Exploração
Esta fase é a mais duradoura do ciclo de vida de um edifício, sendo portanto a fase que apresenta maiores impactos a nível dos consumos de energia e água, das emissões poluentes e da acumulação de materiais.
Nesta fase de ocupação do edifício são postas em prática algumas das estratégias anteriormente referidas, tais como, uso eficiente da energia e da água, reciclagem dos resíduos domésticos, sistemas de aproveitamento da luz solar e conservação dos equipamentos disponíveis, podendo-se complementar estas estratégias com medidas complementares (elaboração de um manual de utilização do edifício, controlo do uso de espaços, listagem de materiais, produtos e fornecedores, regulação dos caudais de ventilação natural segundo a estação do ano e utilização dos sistemas de protecção solar) [26].
Manutenção
A fase de manutenção destina-se a garantir a eficiência das soluções anteriormente definidas e implementadas, verificando se o seu desempenho está dentro do previsto e se os objectivos foram alcançados, com o objectivo de avaliar a eficiência em termos funcionais, informando sobre a necessidade de proceder à sua melhoria. Nesta fase, são também aplicadas algumas das actividades referidas na etapa da utilização/exploração, tais como, a aplicação do manual de acções de manutenção do edifício e das várias acções de manutenção dos sistemas implementados [26]. Demolição
A fase de demolição é a última das etapas do processo de intervenção da construção no ciclo de vida de um edifício. Esta etapa tem elevados impactos ambientais, dependendo da forma como a intervenção é efectuada e da presença, ou não, de uma perspectiva de reutilização, ou reciclagem, dos resíduos produzidos, atenuando-se assim as necessidades de vazadouros e conduzindo a uma
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menor procura de novos materiais. No entanto, não deixam de existir consumos de energia e, pontualmente, emissões na reciclagem de produtos de demolição. Todo este processo deverá ser antevisto na fase inicial do projecto [26].
2.2.6 MODELOS DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL EM PORTUGAL