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3. BÖLÜM MAKROEKONOMİK VE BANKAYA ÖZGÜ FAKTÖRLERİN

3.4. BULGULAR VE YORUMLAR

Para além das respostas do gestores de colegiados territoriais, as respostas dos representantes do governo estadual disseram respeito a uma perspectiva mais abrangente sobre a atuação das quebradeiras de coco babaçu e sobre o futuro da atividade, que ultrapassa a representação no colegiado propriamente dito.

Um dos gestores definiu as quebradeiras de coco babaçu como sendo “as meninas dos

olhos” dos movimentos sociais no Bico do Papagaio e esta parece ser uma boa forma de

englobar o conjunto das declarações. A percepção geral é de que elas construíram uma organização atuante, articulada e reconhecida como tal, declarando um gestor: “elas têm muito

protagonismo! (...) tudo passa por estas pessoas dos movimentos extrativistas do Bico do Papagaio (...) para o lado bom e para o lado ruim...”. A referência ao “lado ruim” dizia

respeito à necessidade de se pactuar com as extrativistas qualquer iniciativa que se queira fazer na região, sob pena de não se conquistar adesão ao projeto.

Sobre o significado de algumas conquistas logradas com esta organização, há contrastes interessantes entre percepções sobre um mesmo fato. Há alguns poucos anos por interseção direta de D. Raimunda Gomes da Silva, liderança maior das quebradeiras de coco, junto ao Presidente Lula, os governos federal e estadual desenvolveram um programa habitacional sob medida para este público, tendo sido construídas mais de 600 habitações na região do Bico do Papagaio. Para um dos gestores a conquista confirma a influência do movimento social e o “reconhecimento da grande líder que é a D. Raimunda”. Para outro, no entanto a relevância incontestável da conquista parece encobrir outras lacunas, pois

“o espaço que elas conseguiram (...) não foi muito bom ainda não, elas são ainda

bastante discriminadas, elas estão na periferia das políticas públicas do governo (...) não foi discutido além das casas uma inserção, tipo assim, educação, qualificação produtiva, um melhor valor agregado dos produtos, para que elas se sustentem ...”.

Outro gestor, falando da inserção das quebradeiras de coco babaçu em espaços de gestão, afirma ser esta “muito incipiente (...) não fazendo ainda diferença quando se trata de

mudança de paradigma...”, estando elas ainda muito dependentes do governo. Opinião

contrária expressa outro gestor quando lembra que as quebradeiras de coco babaçu “foram

articuladas o suficiente para conseguir a proposição e a aprovação da Lei do Babaçu Livre pela Assembléia Legislativa do Estado do Tocantins”. Este mesmo gestor porém relativiza a

unidade do movimento declarando que

“com exceção de Sítio Novo (do Tocantins) e São Miguel (do Tocantins), onde aparece

uma identidade mais bem definida, nos demais locais as mulheres, apesar de serem bastante participativas, não apresentam um discurso uniforme, endógeno; o discurso parece estar sempre vinculado ao organismo (cooperação, ONG, etc), que fornece apoio no momento”.

Neste ponto a declaração deste gestor parece convergir com a dos dois anteriores por indicar uma relação de dependência, vinculada à falta de sustentação econômica da atividade.

Divergências à parte praticamente todos os gestores concordam sobre a relevância e a necessidade de se estruturar a atividade, alguns defendendo a necessidade de mudanças no modo de produção tradicional:

“... o coco é muito útil, tem que achar uma alternativa (...) é desumano (a mulher) ir pro

mato, passar o dia quebrando (...) e chegar no final do dia e ter 10, 12, 15 reais no bolso (...) não sou contra a prática do coco, sou contra o resultado, que ainda não foi estudado pra achar uma saída melhor. Quem encontrou foi a iniciativa privada que conseguiu uma máquina para extrair (a amêndoa) e o povo que sempre sobreviveu dele, está agora sendo catador de coco e vai continuar ganhado miséria ...”.

Outros gestores relacionam a atividade com a questão da proteção ambiental em declarações como:

“acho que a importância das quebradeiras de coco na preservação do meio ambiente e

na história do Bico do Papagaio é tão grande que precisa ser vista pelo tamanho que ela é: a luta das quebradeiras de coco é que garantiu muitas conquistas na preservação do meio ambiente”.

A regularização da Resex Extremo Norte, criada na região em 1992, é indicada por este gestor como necessária para “garantir o produto e para dar uma visão de preservação

ambiental para o mundo ...” e assim a questão ambiental seria ainda um modo de “agregar mais valor a estes produtos, garantindo melhor qualidade de vida para os extrativistas ...”.

Sobre o futuro da atividade pelo menos dois gestores apontaram o artesanato, especialmente a produção de bijouterias e biojóias, como sendo a solução para a valorização do produto e a melhor oportunidade para agregação de valor: “o coco seria aqui na região do

Bico do Papagaio o que o capim dourado é na região do Jalapão64 (...); teria que ter qualificação, com apropriação da tecnologia pelas famílias ...”; ou ainda: “os extrativistas dos seis municípios que estão no projeto Artenorte65 descobriram o grande tesouro que têm na mão (...) eles têm aquela visão de futuro de que aquilo é um tesouro pra eles...”. Outro

gestor aposta em aliar a conservação da cultura em torno do extrativismo do babaçu a uma visão de mercado propondo modificações na estrutura produtiva

“para algo que pudesse realmente dar uma guinada na vida daquelas pessoas (...) seria necessário desenvolver toda a cadeia produtiva, desde a extração, beneficiamento primário, armazenamento, transporte, beneficiamento secundário, divulgação, produção personalizada e em escala, vendas, entrega, pós-venda, etc.”.

Especificamente sobre os colegiados territoriais, seus gestores os vêem como espaços propícios para conquistar melhorias para a atividade, declarando o gestor do Fórum da Mesorregião: “... a participação das quebradeiras de coco babaçu podia ser melhor, maior,

mais efetiva, porque tudo aqui (na região) tá ligado com o babaçu, todas as cadeias tem ligação com o babaçu”. Neste colegiado o babaçu foi indicado como uma das cadeias

prioritárias porém como já visto anteriormente os extrativistas não ocupam de fato seu lugar nas reuniões do colegiado. Sobre isso declarou outro gestor:

“... ninguém defende o que é do outro (...) as quebradeiras de coco estão um pouco fora,

porque não participam, é o momento que deveriam estar aqui defendendo a integridade da proposta, investimentos, participação (...) a política pública tem que ser defendida todo dia ...”.

Sobre os outros dois colegiados um gestor declarou: “dentro do Território da

Cidadania (...) e principalmente dentro do Consad há total interesse em (...) políticas de desenvolvimento beneficiando esta classe de quebradeiras de coco...”. E especificamente

sobre o Território da Cidadania outro gestor indicou o interesse em criar uma cooperativa para unir as associações existentes na região, o que vai “tornar mais fácil a produção, a

capacitação, a comercialização e a profissionalização (...) tem a capacidade de geração de renda, que vai unir mais famílias em torno do projeto...”.

Em resumo, do ponto de vista dos gestores de colegiados territoriais, é inconteste a relevância dos movimentos sociais de quebradeiras de coco babaçu na região do Bico do

64 Região situada a leste do estado do Tocantins, onde a valorização do artesanato feito com capim dourado

provocou um choque de dinamismo nas relações econômicas e sociais do território. Fonte: Território do Jalapão, Agenda 2009, Ministério do Desenvolvimento Agrário.

65 Projeto desenvolvido pelo Sebrae/TO em seis municípios do norte do estado voltado para geração de renda por

meio do artesanato feito com coco babaçu. Fonte: http://conexaoto.com.br/noticia/projeto-artenorte-gera- educacao-e-renda-para-tocantinenses/5940. Acesso em 01/09/2009.

Papagaio. Quanto aos resultados alcançados as opiniões divergem e até mesmo se opõem, uns creditando às extrativistas conquistas como a Lei do Babaçu Livre e outros afirmando que suas vitórias são acessórias, não estando elencadas as questões para enfrentar os limites da atividade, cuja importância para a região também é ponto de concordância. A questão ambiental é valorizada e indicada como possibilidade de agregação de valor para a atividade, cuja prática contribui para a conservação do meio ambiente. Os gestores dos três colegiados territoriais federais pesquisados afirmam serem seus espaços propícios para encaminhar demandas e obter conquistas para superação das deficiências que apontaram.

Benzer Belgeler