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Na publicação de mapas na internet (web mapping) com uso de software livre, há uma imensa quantidade de opções de softwares, cada qual com características de arquitetura, desenvolvimento e customização particulares. Entre os mais populares, aparece o MapServer (MS), como servidor de mapas.
O estudo do MS apresenta-se concentrado nesta subseção, de acordo com a seguinte ordem: principais características, diferentes modos de funcionamento e pacote MS4W. Depois é apresentado o framework p.mapper.
4.2.1.1 Principais características
O MS foi originalmente concebido, em meados da década de 1990, pelo projeto ForNet da Universidade de Minnesota (UMN) em cooperação com o Departamento de Recursos Naturais de Minnesota (MNDNR) e a National Aeronautics and Space Administration (NASA) (MEDEIROS, 2011).
O projeto MS está integrado ao painel da OSGeo (Open Source Geospatial Foundation) e é mantido por dezenas de desenvolvedores no mundo todo. No Brasil, as aplicações MS já aparecem em quantidades consideráveis. Em 2003 foi criado o Grupo MapServer Brasil, que atualmente conta com uma comunidade de mais de 1200 usuários.
Várias aplicações web mapping construídas com o MapServer podem ser encontradas no âmbito do governo brasileiro. Exemplos de sucesso dessas aplicações são:
Atlas da saúde (http://svs.aids.gov.br/svs/atlas)
Fundação Nacional do Índio (http://mapas2.funai.gov.br/i3geo) GeoBahia (http://geobahia.ima.ba.gov.br/)
MINEROPAR – Minerais do Paraná (http://alturl.com/pnj4m) Ministério do Meio Ambiente (http://mapas.mma.gov.br/i3geo)
É importante compreender que o MS não é um software para SIG desktop, como o gvSIG, Quantum GIS, Spring. Trata-se de um software que visa à disponibilização de dados geográficos (na forma de mapas) na internet. Pode ser utilizado como ambiente de desenvolvimento para construção de soluções (neste caso, mapas interativos) e publicação dos mapas.
Por ser um software relevante e massificado é importante compreender suas características. Pode se caracterizar um software de acordo com a plataforma computacional
utilizada, tipos de propriedades gráficas, tipo de formatos de dados de entrada e saída e, por fim, funcionalidade (MENDONÇA, 2011).
Plataforma computacional utilizada: As plataformas computacionais para as quais o MS pode ser usado para o desenvolvimento de aplicações Web incluem Windows, Linux e Mac OS. Logo, fica clara sua compatibilidade com vários sistemas operacionais.
Tipos de propriedades gráficas: Quanto às descrições das propriedades gráficas de uma aplicação com MS, geralmente são inseridos nos chamados mapfiles, que são arquivos de texto, de extensão .map ou formato XML.
Tipo de formatos de dados de entrada: Esta característica remete ao MS uma vantagem: compatibilidade com os tipos de formatos de dados geográficos mais utilizados:
o Dados vetoriais: Shapefile, ArcSDE, Oracle Spatial, PostGIS, MySQL e formatos compatíveis com a biblioteca OGR.
o Dados matriciais: TIFF/GeoTIFF, JPEG, GIF, PNG, EPPL7 e formatos compatíveis com a biblioteca GDAL.
Tipo de formatos de dados de saída: Quanto aos formatos de saída de dados, são inúmeros os tipos que o MS pode gerar mapas, sendo os mais utilizados o JPEG, GIF, SWF, PDF, PNG, SVG, DXF.
Funcionalidade: De acordo com Medeiros (2011) são muitas as funcionalidades do MS: “Possibilitando indexação espacial para shapefiles, opções variadas para operação de seleção de objetos; suporte a fontes TrueType, construção de elementos cartográficos como legenda, barra de escala (os objetos são desenhados de acordo com a escala), mapa de referência, além de permitir a customização de controles de navegação, uso de rótulos, mapas temáticos a partir de diferentes métodos, reprojeção de dados em tempo de execução, e um fator fundamental: compatibilidade com os padrões do Open Geospatial Consortium (OGC) como o WMS e WFS.”
De acordo com Destro (2007):
WMS (Web Map Sevice): define quatro protocolos (GetCapabilities, GetMap, GetFeatureInfo e DescribeLayer) que permitem a leitura de múltiplas camadas de informações (temas), formadas por dados vetoriais e/ou matriciais. Este serviço permite somente consulta aos dados, sendo todo o processo da renderização do mapa executado no servidor. Com isso, o usuário recebe uma mensagem correspondente à visualização
do mapa, de acordo com os temas solicitados. Um fator importante deste serviço é que permite acesso aos dados originais, os quais são preservados e impossibilitados de serem utilizados para outro propósito.
WFS (Web Features Service): define a forma de acesso (inserção, atualização, exclusão e análise) às feições através do ambiente web. Isto permite aos usuários, efetuar a manutenção da base de dados remotamente. Estes acessos ocorrem entre clientes e servidores e são baseadas no formato GML (Geography Markup Language).
Modos de funcionamento: Existem três maneiras do MS funcionar: Common Gateway Interface (CGI), WebServices e MapScript. No modo CGI, o arquivo executável do MS é colocado em um diretório referente ao servidor web, e, recebe os parâmetros (formulário) para iniciar uma aplicação. Quanto ao modo WebServices, os dados são disponibilizados conforme os padrões OGC e podem ser acessados via SIG, como ArGIS, gvSIG, Quantum GIS, dentre outros.
Por fim, o modo MapScript. Ele é passível de criação de aplicações mais robustas e customizadas, além de integrar-se ao uso de linguagens de programação.
Um detalhe especial neste ponto é que embora o MapServer seja escrito de forma nativa na linguagem C, o MapScript está disponível para acesso por linguagens populares como o PHP, C#, Perl, Python, Ruby, Java e TCL (MEDEIROS, 2011).
4.2.1.2 Pacote MS4W
Para facilitar a instalação do MS em um servidor Windows, a Maptools (http://www.maptools.org/) criou o pacote MS4W. Com ele todos os níveis de usuários podem instalar rápido e fácil um ambiente de trabalho para o desenvolvimento de aplicações web mapping no Windows.
Como características positivas no seu uso, além de simples, instalam-se junto ao MS o PHP, Apache e bibliotecas Proj4, GDAL e OGR, e tudo, pré-configurado.
De acordo com Medeiros (2012), o MapServer não interpreta diretamente dados geográficos. Isto só é possível através da configuração do mapfile, que é um arquivo onde são definidas todas as características contidas num shapefile ou outro tipo de dado geoespacial (inclusive banco de dados) para que o servidor de mapas possa interpretar o conteúdo. Além do mapfile, existem outros arquivos executáveis (*.exe, no SO Windows) que possuem uma função própria.