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BULGULAR VE YORUMLAR

4.1. Bulgular ve Yorumlar

A mata Atlântica, formação florestal mais antiga do Brasil com mais de 70.000.000 anos (LEITÃO FILHO, 1987), se formava ao longo de grande parte da região

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litorânea, abrangendo do nordeste (Ceará) até o Estado de Santa Catarina. Com a colonização, a devastação foi inevitável, restando, agora, fragmentos disjuntos da floresta. Seu ecossistema foi muito alterado e apesar da vasta pesquisa sobre o assunto, ainda é pouco conhecida (LEITÃO FILHO, 1987).

Por abranger uma área muito grande, aproximadamente 1.110.000 km² (IBGE, 1992) e apresentar uma grande variação climática e geológica, sua florística também varia. O bioma Mata Atlântica tem várias subdivisões, sendo a Floresta Estacional Semidecidual umas delas (VELOSO et al., 1991), bem como o cerrado e suas transições são

encontradas na região de sudeste do país, em especial no Estado de São Paulo (WALTER,

2006).

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT (1981) subdivide o Estado de São Paulo em cinco províncias geomorfológicas: Província Costeira, Planalto Atlântico, Depressão Periférica, Cuestas Basálticas e Planalto Ocidental. A vegetação que se destaca na Depressão Periférica era composta por Floresta Estacional Semidecidual e trechos de Cerrado, mas hoje se encontra com cerca de 15 % de área original (KRONKA et al., 2002), incluindo

todas as formações florestais em seus diversos estádios sucessionais (LEITÃO FILHO, 1982,

1987;IVANAUSKAS et al., 1999). Ela é subdividida em três zonas: Zona do Mogi-Guaçu, do

Médio Tietê e do Paranapanema (IVANAUSKAS et al., 1999), sendo o Médio Tietê e

Paranapanema as zonas que englobam a região da pesquisa.

O conceito ecológico para o tipo de vegetação encontrado na Floresta Estacional está condicionado pela dupla estacionalidade climática: uma tropical, com época de intensas chuvas de verão seguidas por estiagens acentuadas; e outra subtropical, sem período seco, mas com seca fisiológica, provocada pelo intenso frio de inverno, com temperaturas médias inferiores a 15°C (MORELLATO et al.,1989;MORELLATO,1995;MORELLATO &LEITÃO

FILHO,1996).

Segundo RIZZINI (1979), a vegetação é constituída por fanerófitos com

gemas foliares protegidas da seca por escamas (catáfilos ou pêlos), tendo folhas adultas esclerófilas ou membranáceas deciduais. Em tal tipo de vegetação, a porcentagem das árvores caducifólias, no conjunto florestal e não das espécies que perdem as folhas individualmente, é de 20 e 50% (RIZZINI,1979;LEITÃO FILHO,1992).

A floresta estacional semidecidual é ainda subdividida em faixas altimétricas (IBGE, 1992) para se avaliar o mapeamento contínuo de suas áreas. Estas formações são consideradas, aluvial, terras baixas, submontana e montana.

Somente a Floresta Estacional Semidecidual Submontana é encontrada na região onde se localiza esta pesquisa e está situada na faixa altimétrica que varia de 100 a 600 m de acordo com a latitude de 4° N até 16° S; de 50 a 500 m entre os 16° até os 24° de latitude S; e de 30 a 400 m após os 24° de latitude Sul. Esta formação ocorre freqüentemente nas encostas interioranas das Serras da Mantiqueira e dos Órgãos e nos planaltos centrais capeados pelos arenitos Botucatu, Bauru e Caiuá (IVANAUSKAS et al., 1999). Esta floresta

possui a riqueza das famílias como Leguminosae, Meliaceae, Rutaceae, Euphorbiaceae, Myrtaceae, Lauraceae, Rubiaceae e Moraceae(LEITÃO FILHO, 1982) e dominância dos gêneros

amazônicos de distribuição brasileira, como por exemplo: Astronium, Cariniana, Parapitadenia, Peltophorum, Tabebuia, dentre outros (VELOSO et al., 1991).

Segundo VELOSO et al. (1991) e IBGE (1992), a Floresta Estacional

Semidecidual apresenta sua vegetação secundária, para o Estado de São Paulo, de quatro maneiras: estágio pioneiro, estádio inicial, estádio médio e estádio avançado. Estas características da vegetação foram consideras para as análises aerofotogramétricas preliminares desta pesquisa, sendo importante conhecer o seu processo de formação.

Estágio pioneiro: predomina neste estágio o estrato herbáceo, podendo existir associações arbustivas e arbóreas. Não há a ocorrência de epífitas e a serapilheira é descontinua e/ou incipiente, podendo ocorrer ou não trepadeiras herbáceas. Este estágio apresenta abundância de espécies vegetais heliófilas, incluindo forrageiras e invasoras de cultura. Existe baixa diversidade e poucas espécies dominantes. Algumas famílias encontradas neste estágio são: Apocynaceae, Asteraceae, Cecropiaceae, Compositae, Mimosaceae, Nyctaginaceae e Ulmaceae.

Estádio Inicial: predomina neste estádio o estrato herbáceo e o arbustivo-arbóreo, com associações herbáceas e presença de plantas heliófitas. Quase não se encontram epífitas e a serapilheira forma uma camada fina e pouco decomposta. As árvores têm crescimento rápido, porém são de vida curta e com baixa diversidade. As lianas, quando presentes, aparecem na forma herbácea e lenhosa. Algumas famílias encontradas neste estádio,

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além das citadas no estágio pioneiro, são: Caesalpiniaceae, Cecropiaceae, Euphorbiaceae, Flacourtiaceae, Myrsinaceae, Sterculiaceae e Ulmaceae.

Estádio médio: predomina neste estádio o estrato arbóreo apresentando árvores de vários tamanhos, com associações arbustivas (rubiáceas, mirtáceas, melastomatáceas e meliáceas) no sub-bosque. As epífitas já aparecem em maior número em forma de bromélias, cactáceas, liquens, musgos, orquídeas, etc. As lianas encontradas são geralmente lenhosas e a serapilheira apresenta variações de acordo com a estação do ano. Já existe neste estádio uma diversidade significante, mas pode ocorrer dominância de espécies de rápido crescimento e o aparecimento de palmeiras e samambaiuçus. Algumas famílias encontradas neste estádio, além das citadas anteriormente, são: Bombacaceae, Boraginaceae, Caesalpiniaceae, Combretaceae, Fabaceae, Meliaceae, Mimosaceae e Moraceae.

Estádio avançado: predomina neste estádio também o estrato arbóreo. No sub-bosque e em áreas mais úmidas observam-se associações herbáceo-arbustivas, sendo o estrato herbáceo composto por bromeliáceas, aráceas, marantáceas e heliconiáceas e os arbustos umbrófilos. Neste estádio a vegetação já se encontra com uma fisionomia fechada, apresentando três ou mais estratos, podendo ocorrer no dossel superior árvores emergentes. O sub-bosque possui lianas lenhosas e muitas epífitas e a serapilheira já se apresenta com diferentes camadas. Devido a sua complexidade estrutural este estádio apresenta uma diversidade muito grande. Algumas famílias encontradas neste estádio, além das citadas anteriormente, são: Apocynaceae, Caesalpiniaceae, Fabaceae, Lauraceae, Lecythidaceae, Moraceae e Rutaceae.

Segundo VELOSO et al. (1991), aparentemente, a baixa capacidade de

retenção de água no solo, a porosidade e a profundidade do solo seriam impedimentos ao desenvolvimento da Floresta Estacional em favor do Cerradão. A Floresta Estacional estaria restrita a solos com maior teor de argila, umidade e saturação fazendo com que o gradiente fisionômico (Floresta Estacional até Cerradão) ocorresse em um curto espaço de tempo (CORAL et al, 1991).

Benzer Belgeler