• Sonuç bulunamadı

Lev Semynovich Vigotski, Alexei Nocolaievich Leontiev e Alexander Romanovich Luria foram os fundadores da psicologia histórico-cultural, que tem como base o desenvolvimento da mente humana alicerçado nos princípios do materialismo histórico- dialético proposto por Marx.

Um dos enfoques da teoria marxista que deu suporte aos pensamentos dessa nova psicologia é a materialidade histórica, pois “existe um mundo material que antecede à existência do próprio homem; este mundo, porém, uma vez conhecido/transformado pela ação humana, deixa de ser natureza em si para se transformar em natureza significada e, portanto, cognoscível.” (ZANELLA, 2004, p. 129).

Vigotski teve uma vida breve, porém muito atuante à frente do grupo. Deixou um legado que após sua morte teve continuidade pelos seus discípulos, e de “uma maneira inconsciente, os continuadores da linha que criou trabalharam, cada um, aspecto distinto, em especialidades distintas, em aplicações distintas. Quem mais trabalhou na linha teórica e criou uma teoria própria foi Leontiev.” (GOLDER, 1995, p. 3).

Diante do contexto histórico no qual estava inserido e com a crise no final do século XIX da ciência psicológica nos Estados Unidos e na Europa, Vigotski estava preocupado em construir uma psicologia capaz de responder à problemática político-social da Rússia naquela época. (PALANGANA, 2001).

Esse ambiente propício que se apresentava era consequência de toda uma reviravolta na situação revolucionária e pós-revolucionária da época, instaurada na Rússia, que também

contribuiu para que Vigotski se dedicasse exclusivamente à psicologia, deixando de lado suas outras ocupações.

Assim, Vigotski “abre fronteiras na área da psicologia, colocando-se como pioneiro na descrição dos mecanismos pelos quais a cultura torna-se parte da natureza de cada pessoa, enfatizando as origens sociais da linguagem e do pensamento.” (PALANGANA, 2001, p. 90).

A cultura sendo um elemento histórico e social e, estes, importantes fatores na constituição do ser humano, foram abraçados na construção de uma nova psicologia diferenciada das demais existentes, pois

[...] a psicologia histórico-cultural vai abordar a história da evolução da sociedade, ela vai estudar como as distintas sociedades determinam condutas humanas e a evolução individual, desde que a criança nasce e como vai se formando e se desenvolvendo. É aí que entra o elemento de ligação da psicologia com a história. (GOLDER, 1995, p. 2).

Leontiev após a morte de Vigotski prosseguiu com seus estudos, pois desde o início se viu influenciado pelos seus textos sobre noção de “atividade objetal” (o psiquismo de um homem considerado isoladamente continua sendo social e está determinado socialmente).

Dentre os seus estudos estavam a psicologia geral, teoria da atividade, personalidade e sentido pessoal. Estes puderam ser estudados, pois à época, estava à frente do Grupo Karkhov e pôde desenvolver ciclos de pesquisa possibilitando, assim, o desenrolar de sua investigação.

Assim, defende a natureza sócio-histórica do psiquismo humano, estabelecendo relações entre este e a cultura. Essas relações se estabelecem entre as funções psíquicas e a assimilação individual da experiência histórica.

Apoiado nas reflexões de Marx sobre as diferenças existentes entre atividade animal e humana, sobre o trabalho alienado, a divisão social do trabalho, e as relações entre atividade consciente e atividade material, Leontiev se dedica a pesquisas e “mostra como as diferenças entre a estrutura da atividade animal e a estrutura da atividade humana produzem diferenças qualitativas entre a estrutura do psiquismo animal e a do psiquismo humano.” (DUARTE, 2003, p. 285).

Seguindo por esse caminho, Leontiev avança nas teorias iniciadas por Vigotski, com a tese de que o desenvolvimento psíquico não ocorre somente pela linguagem, mas fundamentalmente pela atividade humana.

Luria teve seu primeiro contato com Leontiev e Vigotski em 1922, durante o Primeiro Congresso Nacional de Psiconeurologia, mas foi em 1923, no Instituto de Psicologia sob a

direção de Kornilov que teve início uma relação concreta e duradoura com Leontiev, pois nessa época foram convidados a trabalharem no instituto.

No ano seguinte Vigotski passa a integrar a equipe do Instituto de Psicologia mantendo contato diretamente com Leontiev e Luria. Em consequência desse fato, houve uma aproximação de ideais que mais tarde se originaria em algo concreto, capaz de sustentar a força desses três personagens.

Em 1925, Vigotski juntamente com seu grupo de amigos, fundou a chamada “escola histórico-cultural”, havendo sua consolidação enquanto grupo anos mais tarde. Dentre eles estavam Leontiev, Luria, Galperin, Elkonin, Zaporozhets, Bojovich, Morozova. (GOLDER, 2004).

A partir dessa consolidação, os estudos de Luria se direcionaram para o campo da neuropsicologia, processos psicológicos superiores, cérebro e psiquismo, sendo que anos mais tarde se dedica a investigações sobre as funções dos lobos frontais no cérebro, afasia, memória e outros.

Devemos lembrar que naquela época houve, além da Revolução Russa de 1917 que objetivou a eliminação da autocracia russa, iniciando o processo de criação da União Soviética, as perseguições nazistas e a primeira grande guerra mundial.

Sob esse contexto histórico, político e ideológico no qual os integrantes do grupo viveram, há de se convir que desenvolver pesquisas no campo da psicologia não foi uma tarefa fácil. Entretanto, foram criando mecanismos e estratégias de sobrevivência.

Vigotski, Leontiev e Luria são considerados a tróica da psicologia histórico-cultural e, juntamente com seu grupo de colaboradores, à época, buscavam uma psicologia que tinha como objetivo “reconstruir a ciência psicológica sob a base do marxismo, o que levaria a que a ação fosse vista em seu significado social objetivo.” (GOLDER, 2004, p. 18).

Neste trabalho, especificamente, abordamos uma das categorias da psicologia histórico-cultural, significado e sentido, na visão de Vigotski e de Leontiev. Este, que deu prosseguimento ao desenvolvimento iniciado e não findado, tendo em vista o adoecimento e morte de Vigotski.

Benzer Belgeler