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Palavra tecnologia é de origem grega: téchne = arte + lógos = tratado. Significa estudo das técnicas; conjuntos dos termos próprios das ciências, artes e ofícios; conjuntos de processos industriais. Técnica é a sistematização de processos de uma arte, ofício ou ciência/conhecimento prático, prática. Conjunto dos métodos e pormenores práticos essenciais à execução perfeita de uma arte ou profissão. É o conhecimento prático que não envolve, necessariamente, teoria alguma. Tratado das artes em geral; conjunto de processos especiais relativos a uma determinada arte ou indústria. Aplicação dos conhecimentos científicos à produção em geral.

Tecnologia é o estudo ou tratado das aplicações de métodos, teorias, experiências e conclusões das ciências ao conhecimento dos materiais e processos utilizados pelas técnicas. A técnica é tão antiga quanto a humanidade; porém a tecnologia só veio a existir depois do estabelecimento da ciência moderna, no século XVII, quando se percebeu que tudo que o homem construía era regido por leis científicas (VARGAS, 1979, v. 1, p. 333).

É importante estabelecer essa diferença, como define Fisichella (1991, v. 2, p. 1234) Ao contrário do técnico – eis a diferença de fundo – o tecnocrata não é um especialista. [...] Mas, enquanto o técnico se qualifica como um

perito do particular, o tecnocrata é definido como um perito do geral. Se o primeiro é um especialista, o segundo é um perito em idéias gerais, caracterizado por uma polivalência de funções por um conhecimento global das variáveis da ação. [...] As condições estruturais que estão na base do fenômeno tecnocrático podem incluir: a crescente utilização dos conhecimentos científicos e técnicos nos processos industriais; a ação do homem sobre a natureza a fim de transformá-la em sua própria vantagem (fenômeno da indústria), dentro de um sistema de previsão e num conjunto de planos gerais e/ou de programas empresariais voltados para a racionalidade do desenvolvimento econômico, evitando crises e recessões; a tendência para a concentração empresarial e para a expansão macroeconômica da empresa; a prática da subscrição de ações com a distribuição que daí deriva do capital entre inumerável e anônima massa de investidores da poupança. A presença de tais condições e sua interação dão lugar a uma importante modificação nas relações entre setores empresariais e instrumentos de produção. A tecnologia aparece no Brasil, com alguma sistematização, no final do século XIX, nas três primeiras escolas de Engenharia: Politécnica do Rio de Janeiro (1874); Escola de Minas de Ouro Preto (1876); Politécnica de São Paulo (1894), no ensino de disciplinas voltadas aos processos e materiais utilizados na engenharia, mineração, indústria e agronomia.

No início do século XX, na década de 1920, a tecnologia passa a contar com a instalação de laboratórios, estações experimentais, institutos, escolas técnicas paramilitares, como: Escola de Engenharia (1934 - depois Escola Técnica do Exército e por fim Instituto Militar de Engenharia, 1960); o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (1947); Laboratório de Ensaios de Materiais (1926); vários cursos com abordagem tecnológica em diversas áreas, setores e locais do país.

Numa sucessão cronológica dos fatos que impactaram a tecnologia têm-se: em 1933, a criação do Instituto Nacional de Tecnologia (INT); em 1934, a criação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT); em 1940, a criação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); em 1961, a criação do Instituto Nacional de Pesos e Medidas (INPM); em 1972, da Secretaria de Tecnologia Industrial do então Ministério da Indústria e do Comércio, e em 1979, a implantação do Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO).

Uma grande mudança aconteceu no ensino da Engenharia, como fonte supridora da tecnologia necessária ao País, com a estruturação dos cursos de pós-graduação nas universidades, como a COPPE na UFRJ, em 1968. Antecipando-se à demanda, é criado o Senai (1943) na Federação das Indústrias de São Paulo. Na esfera empresarial, aparecem várias companhias e empresas que tanto demandam como realizam a pesquisa científica e tecnológica, como a Cimento Portland, a Petrobrás, a Embrapa, a Ceplac e tantos outros.

Com relação à tecnologia industrial básica vários programas/projetos foram criados: - PEGQ: Projeto de Especialização em Gestão da Qualidade, em 1987;

- PBQP: Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade, em 1991;

- Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o apoio à Inovação (Fundo Verde-Amarelo), em 2000;

- Programa de Tecnologia Industrial Básica e Serviços Tecnológicos para a Inovação e Competitividade (Programa TIB), em 2001.

A ciência e a tecnologia têm atingido intensidade e ritmo sem precedentes. As mudanças experimentadas de forma extraordinariamente rápida pelo conhecimento científico e tecnológico têm provocado transformações profundas nas relações sociais, nas relações de produção e nas relações de poder existentes nas sociedades contemporâneas, como pode ser observado nos impactos que a Embrapa, a Embraer, a Petrobrás têm tanto na exportação como na competição global.

Com relação às áreas fundamentais ao desenvolvimento da tecnologia,

o Brasil foi o primeiro, e é um dos poucos, a possuir um sistema integrado que trata da core área de TIB (Metrologia, Normalização e Avaliação da Conformidade) dentro de uma mesma estrutura, o SINMETRO, orientado por um colegiado de nível ministerial, o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO), tendo o INMETRO como entidade central do sistema executado por diversas entidades que respondem por papéis específicos, vários deles objeto de acreditação pelo Instituto, como são os Organismos de Certificação (produtos, sistemas e pessoal), os Organismos de Inspeção e os Laboratórios de Calibração (Rede Brasileira de Calibração) e de Ensaios (Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaios). Nessas áreas o INMETRO

cumpre a função de single voice accreditation de acordo com a lógica seguida pela maioria dos países e consagrada nos fóruns internacionais que tratam da matéria, conforme Ferraz (2005, p. 73). Na década de 1980, a Secretaria Especial de Informática (SEI) coordenava a política de informática e estimulou, por meio de incentivos fiscais, o desenvolvimento de grandes empresas (Elebra, Itaucom e Sid Microletrônica) da área. A abertura comercial, em 1990, foi desastrosa para a engenharia de equipamentos, para a microeletrônica. Como afirma Ripper Filho (2005, p. 76)

ao privilegiar a tecnologia importada, a decisão de compra de componentes foi transferida para o exterior. [...] Todas as empresas transnacionais transferiram, imediatamente, para o exterior suas operações. As nacionais ainda procuram, sem muito sucesso, sobreviver por algum tempo. Hoje só restam a Itaucom, apenas montando memórias, e a Aegis, fabricando componentes de potência e exportando, mas não tendo acesso a maior parte do próprio mercado brasileiro.

A indústria de software, a partir da década de 1990, com as exigências da sociedade, desenvolveu-se no mundo globalizado, contando atualmente com mecanismos de outsourcing, offshoring, para atender as demandas por software e de outras tecnologias da informação e comunicação, com reconhecimento internacional, como das votações eletrônicas, sistemas bancários, comércio eletrônico.

Um dos maiores desafios para o futuro da humanidade passa a se constituir o desenvolvimento da tecnologia de informação e comunicação, eliminando a distância entre os povos e levando à massificação da informação; a complexidade crescente da tecnologia industrial, alterando a estrutura das empresas; os efeitos da automação sobre a estrutura de classes; o estabelecimento de uma nova fonte de poder representada pela posse do conhecimento científico e tecnológico especializado, de caráter restrito ou confidencial; o caráter definitivo e destruidor da tecnologia de guerra.

Por outro lado, a solução de grande parte dos problemas das sociedades modernas exige que as decisões econômicas e políticas sejam tomadas por indivíduos capacitados, com conhecimentos especializados, qualificados para elaborar uma

análise e síntese correta das questões existentes e encontrar soluções adequadas e os meios disponíveis para resolvê-los. Isso requer que esses especialistas estejam incluídos na estrutura de poder político e econômico, pois os políticos e os empresários não podem mais prescindir dessa participação.

É visível a interferência da tecnologia e dos técnicos nas empresas, no governo, no cotidiano do cidadão, na sociedade como um todo, interferindo em todos os níveis da vida social, econômica, cultural, como produto e resultado das profundas transformações advindas do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Cada vez mais é preciso inovar.

Benzer Belgeler