Pode-se classificar os tipos de políticas em dois grupos22 segundo a forma como seu mecanismo de incentivo opera:
‐ Políticas que apresentam mecanismos de mercado: são aquelas que dependem de mecanismos de mercado para atingir seus objetivos apesar de serem determinadas e desenhadas pelo governo. O governo atua de maneira menos ativa apenas regulando e fiscalizando o cumprimento da policy enquanto a execução dos mecanismos de incentivo é feita pelo mercado. Exemplos: políticas que determinam um preço para a ER como as tarifas feed-in, políticas que garantam um mercado de certificados comercializáveis para determinados produtos verdes, etc.
‐ Políticas que apresentam mecanismos públicos: políticas em que o governo é mais ativo sendo ele quem executa de fato os incentivos da política pública. Exemplos: investimento direto do governo em projetos de ER, aporte de verbas para P&D, incentivos fiscais, etc. As políticas públicas para ER podem apresentar as características mais variadas. No Quadro 1, são apresentados os diferentes tipos de políticas e a explicação de seu funcionamento23.
Quadro 1 - Tipos de políticas públicas para incentivo de projetos verdes
Tipo de Política Descrição da política
Mecan ismos d e me rcad o regu lad os p or govern o Políticas feed-in para ER
Feed-in tariff (FIT)
ou feed-in premiuns
O feed-in é um mecanismo que garante que o produtor de ER possa vender a energia por ele produzida a um preço fixo garantido por contrato por um período de tempo determinado (geralmente 5, 10, 15 ou 20 anos). O preço pode se diferenciar de acordo com a tecnologia de ER, o tamanho do projeto, além de diversas outras variáveis. Existem diversos tipos de tarifas
feed-in, uns mais simples outros mais complexos.
As tarifas feed-in definem o preço de venda da ER de maneira a viabilizar economicamente esses projetos. Assim, este tipo de policy garante uma demanda pela energia produzida mesmo que seu custo final seja maior do que o custo das fontes não-renováveis. O preço pago para o produtor de ER pode ser independente ou dependente do preço praticado no mercado de energia elétrica convencional.
No caso de ser independente fala-se em políticas de preço fixo ou simplesmente tarifas feed-in. No caso do preço oferecido ao produtor de ER depender de alguma forma do preço praticado no mercado fala-se em tarifas
feed-in premiuns.
O nome deriva do fato de que se está colocando um “prêmio” sobre o valor praticado no mercado de fontes convencionais de energia para que se produza ER. A vantagem do feed-in, é que ele viabiliza economicamente e reduz os riscos de projetos de ER ao garantir que o preço da energia vendida reflita os custos de produzi-la. O mecanismo de feed-in é cada vez mais considerado um dos tipos de políticas mais efetivas para promoção de ER24.Atualmente, cerca de 50 países possuem algum tipo de tarifa feed-in.25
Quota mínima de ER produzida Renewable Portfolio Standards (RPS) ou Renewable obligations
Esta política exige que parte da energia produzida venha de fontes renováveis.
Geralmente se dá na forma de um percentual mínimo obrigatório que dada empresa produtora de energia deve produzir advindo de fontes renováveis. Esta política é bastante utilizada na Europa e Estados-Unidos.
Certificados comercializáveis de
energia renovável consumida
Estes certificados são entregues a produtores de energia que produziram ER. O certificado é um instrumento legal que geralmente pode ser trocado e comercializado em um mercado de energia.
Os certificados facilitam o cumprimento de metas Renewable Portfolio
Standards em regiões que possuem este tipo de exigências. Uma empresa
que produziu mais ER do que o exigido pela meta RPS pode vender seu certificado para empresas que não tenham cumprido suas metas. Esse instrumento facilita o cumprimento de metas RPS.
Net metering
O net metering é um mecanismo utilizado para que instalações (residências, prédios corporativos, etc.) que possuam algum tipo de geração de ER (como painéis solares instalados no teto de uma casa) possam vender a ER gerada que exceda o seu consumo de energia.
Certificados Comercializáveis de
emissões de GEEs
Estes certificados são entregues para empresas que conseguirem cumprir certos padrões de EE exigidos por lei. Geralmente se estabelece um teto máximo de emissões de GEE por empresa.
Cap and Trade As empresas que conseguirem emitir menos GEE do que o estabelecido no
nível de teto recebem um certificado que pode ser comercializado com outras empresas que não tenham conseguido cumprir suas metas.
Mecanismos públicos
Empréstimos ou financiamento
público
Quando o governo concede empréstimos e financiamentos a projetos ligados a ER.
Os empréstimos geralmente possuem taxas de juros mais atrativas do que as normalmente praticadas nos mercados.
Incentivo Fiscal para produtos verdes, ER
e projetos de EE
Possibilita que projetos relacionados à economia verde recebam uma redução total ou parcial de impostos cobrados o que reduz o custo do projeto e o torna mais atraente economicamente. Existem incentivos para projetos em ER, em EE e incentivos para aquisição de produtos verdes.
O incentivo fiscal, às vezes pode vir sob a forma de um “crédito fiscal”, onde o governo concede uma dedução fiscal igual a um percentual do custo do produto ou projeto relacionado. Esse crédito poderá ser deduzido do imposto de renda devido do indivíduo ou organização que arcaram com os custos do projeto ou produto verde em questão.
Leilões públicos para ER
O governo organiza leilões públicos para comprar energia elétrica renovável por um prazo de tempo pré-determinado. O leilão concede garantia ao produtor de poder vender a energia produzida a um preço já conhecido, por um prazo determinado.
Dessa maneira, o leilão consegue reduzir garantir um lucro compatível com o custo da obra para o investidor, da mesma maneira que reduz o risco do projeto ao fixar variáveis como preço e prazo de contrato.
Pagamento por produção de ER
O produtor de ER recebe um pagamento proporcional a quantidade de ER gerada. Muitas vezes esse pagamento está se dará sob a forma de um crédito fiscal ao produtor de ER.
Subsídios de custo de capital
O governo subsidia parte ou todo custo de um projeto de ER ou melhoria de EE. Dessa forma o governo pode entrar com investidor direto da obra em esquemas de parcerias público-privadas, os subsídios podem também ser um pagamento direto sem o governo ter de entrar como sócio da obra.
Subsídio e outros incentivos para P&D
e capital humano
O governo pode oferecer verbas para financiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e demonstração de tecnologias e produtos verdes.
Também podem ser criadas bolsas de pesquisa especiais para tecnologias verdes. O governo também pode buscar incentivar o ensino e qualificação de mão de obra para a economia verde.
Metas e/ou padrões de eficiência
energética
O governo estabelece normas regulatórias que exigem padrões mínimos de eco-eficiência. Podem ser aplicadas as instalações do próprio governo, as instalações do setor privado e em domicílios e residências.
As metas podem estar acompanhadas de incentivos que reduzem o custo da aquisição de equipamentos mais eficientes no consumo de energia para o cumprimento da meta. Às vezes os padrões não são obrigatórios e somente facultativos, nesse caso oferece-se algum tipo de recompensa para as organizações ou indivíduos que seguirem esses padrões.
3.3. Adequação das políticas públicas aos diferentes estágios de maturidade das