Bomfim, integrava o eanteão dos homens de mentalidade "ilus
trada" , que viam na educação a chave eara a salvação nacional.
O livro que escreveram juntos, Através
doBrasil, mencionado
no caeítulo VI, eermite que façamos esta aeroximação entre os
Não desenvolveremos aqui a análise da vertente nacionalista que se propa ga no Exército. principalmente nas páginas da revista A Defesa Nacional. fundada em 1913.o NACIONALISMO MILIUANUE 147
dois. A qtsestão da salvação nacional através da educação no
pós-Primeira Guerra foi seminal para o movimento de reformas
educacionais implantadas nos anos
20,
que nos anos30
ficariaconhecido como Escola Nova.
O
nacionalismo, enquanto bandeira a guiar os intelectuaispreocupados em consnuir um projeto de salvação nacional, teve de lidar com a questão econômica ligada à industrialização e com sua companheira, a questão operária. Foi também neste qua dro que o discurso de Alberto Torres - que tinha por base a
idéia de que o abandono db terra era o principal responsável pe
lo atraso do Brasil - ganhou adeptos.
O
novo momento era de crítica. Criticavam-se as elites políticas e intelectuais por sua falta ·de consciência nacional, por
sua postura diletante, por sua francofilia. A questão que se coloca va era: como o Brasil podia ser tão pobre e atrasado se seu ter
ritório era tão rico? Se a culpa de tal situação não era mais
atribuída às raças e à mestiçagem - ainda que tal interpretação
persistisse -, qtsem então poeeria ser responsabilizado e o qudb
teria que ser mudado?
As respostas a essas indagações podem ser percebidas nos programas de diferentes movimentos nacionalistas que se organi zaram durante e após a Primeira Guerra.
A Liga de Defesa Nacional, fundada em
7
de setembro de1916,
tinba como linha mestra o patriotismo de Bilac e centrava se na questão do serviço militar obrigatório e na educação cívi� co-patriótica. Educação e defesa nacional seriam o lema-síntese deste movimento. "Estabelecidas as dtsas coordenadas básicas do movimento - o serviço militar, para fazer frente ao perigo externo, e a insnução, para combater o perigo interno - a pre gação nacionalista centralizar -se-á na formação da consciêncianacional" (Nagle,
1974,
p.46).
A Liga Nacionalista de São Paulo, criada em
1917,
foium dos movimentos que se originaram da Liga de Defesa Na cional. Ao ideário já consagrado foram acrescentados objetivos de ordem política. A verdade eleitoral, o combate à abstenção e à fraude, e demanda do voto legítimo levaram a Liga Naciona lista de São Paulo a promover campanhas de alfabetização. Se
ria através da alfabetização que a maior parte da população bra
sileira poderia participar do jogo político e corrigir suas distor
ções.
"O
exercício do voto é de fato o remédio único e eficaz148 LÚCIA LIPPI OLIVEIRA
afligem o país, e de que a inércia popular foi a causa incons
ciente" (cilado por Nagle,
1974,
p.49).
A Liga Nacionalista de São Paulo se envolveu na revolta te
nentista de
1924,
o Segundo5
de Julho, e foi fechada. Foi umdos movimentos precursores do Partido Democrático, criado em
1926
(Bandecchi,1980).
Constatamos assim a existência de duas orientações: uma,
mais ligada ao serviço militar e à construção de uma consciên
cia cívico-patriótica, configurada na Liga de Defesa Nacional, e outra, mais preocupada com questões políticas, particularmente com a verdade do voto, exemplificada pela Liga Nacionalista
de São Paulo. Havia ainda uma terceira tendência, que tinha raí
zes no Rio de Janeiro e que se expressou através de dois mo vimen!Os: a Propaganda Nativista e a Ação Social Nacionalista.
Alvaro Bomilcar foi figura de proa tanto da Propaganda Nativista quanto da Ação Social Nacionalista. Seu pensamen
to,
a
pre
sent
ado nolivro
A política no Brasil ou o nacionalismo
radical (1920), já
foi analisado no capítulo anterior. Importa agora destacar as medidas propostas pelos movimentos nacionalistas organizados por ele.
Em
1917,
juntamente com Arnaldo Damasceno Vieira, BomiJear fundou uma
revista de propaganda nacionalista chamada
Brazflea.
Sua popularidade, ainda que reduzida, vinha da publicação do livro,
O preconceito de
raça no Bmsi}. Através destelivro nos chegam referências a seu respeito:
Sou dos que acreditam que a figura central, no .movi mento nacionalista dessa época, era o escritor Alvaro
Bomilcar, que
já
em1916
publicava um livro,O precon
ceito
de
raça no Brnsil, que ele não admitia comO fator deinferioridade do povo brasileiro" (Lima Sobrinho,
1968,
pp
.
477-8)
.Álvaro Bomí!car pode ser considerado como um pioneiro
da nova concepção das
relações
étnicas no Brasil. Em 1911escreveu uma série de
artigos,
na imprensa da capital daRepública, depois reunidos em livro, O
preconceito de
raçano
Brnsil (1916),
em que põe à mostra o c'!lto da brancura vigente nas classes dominantes do Brasil. Alvaro Bomilcarorganizou mesmo um movimento social e político, em cujo pro
grama se delimítava com clareza a tarefa de liquidar os cons
o
NACIONALISMO MILITANTE
149Dirigida por BomiJcar e Arnaldo Damasceno Vieira, BrazJ1ea contava entre seus colaboradores com Jackson de Figuei redo, responsável pela seção bibliogrãfica, e com Afonso Cel so. A IÔnica da campanha nacionalista da revista é a luta con tra os portugueses e a valorização da mestiçagem na constru ção do povo brasileiro (Velloso, 1978a).
Em seu primeiro número, BrazJ1ea é apresentada como
uma publicação destinada a defender o "brasileirismo puoo
e
integral" . A religião e a moral são vistas como os verdadeiros alicerces da pátria. A revista conclama os intelectuais a cola booarem com ela e censura os que oeduzem o Boasil ao Rio de Janeiro, cidade cosmopolita, estrangeira e comercial, voltada para fins essencialmente materiais.
BrazJ1ea publica em
seu
tegundo número um artigo deJackson de Figueiredo em apoio
à
Carta Pastoral de D. Sebastião Leme, de 1916. Jackson denuncia a situação preeãria da Igreja, causada pela indiferença do clero e dos fiéis, e defende a criação de um partido católico. Ainda neste número, Álvaro Bomilcar lamenta a morte de Farias Boito, atribuindo-lhe a au toria da "maior construção filosófica da mentalidade brasilei ra", e propõe propagandear sua obra.
Em seu teoceioo númeoo, BrazJ1ea transcoeve da oevista Flo
real
o prefácio da obra IsaíasCaminha,
de Lima Barreto, no qual este autoo critica os preconceitos contra os mestiços, queos impedem de superar a posição de inferioridade na qual a
sociedade os tinha colocado.
A morte de Alberto Torres mereceu espaço na revista. Embora enalteça a figura do sociólogo fluminense e as qualida
des da sua obra,
BrazJ1ea
de certa fonna critica Alberto Toooespor ele acreditao que a regeneração dos nossos costumes pode ria se dar através da adoção de medidas legais, sem perceber a "depressão moral" em que se �fundava o país.
Nas páginas de BrazJ1ea, Alvaro Bomilcar defende a Repú blica como a única solução política paoa a "causa do povo", já que a Monarquia nunca tivera raízes populares. Os males da sociedade não deveriam ser atribuídos ao regime republicano - melhor escola para a preparação do povo - e sim ao "vício de origem" .
Criada em plena Primeira Guerra Mundial, a revista de fendia a neutralidade brasileira frente ao conflito, observando seo esta posição a que melhoo coorespondia aos oeais inteoesses