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(B.) microplus ao banho carrapaticida

Neste estudo, os estádios de desenvolvimento de R. (B.) microplus apresentaram diferentes níveis de sensibilidade ao tratamento carrapaticida. O teste de aderência de qui-quadrado, para as curvas de eficiência dos tratamentos, foi altamente significativo (p<0,01), demonstrando que o efeito ocorreu de

forma semelhante, independente da técnica de banho utilizada (Figura 13.).

Os menores valores de mortalidade observados para os dias um e oito após o banho (p<0,001) correspondem ao momento em que predominavam os estádios de partenóginas e metaninfas, demonstrando, em condições de campo, a maior resistência desses estádios a banhos carrapaticidas (Tabela 9.). 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 1 6 8 13 15 20 22 M o rt a li d a d e d e c a rr a p a to s

Dias após tratamento carrapaticida

Grupo Usual Grupo Pulverizador Costal Manual Grupo Câmara Atomizadora Grupo Pulverizador Estacionário Motorizado

Figura 13. Gráfico de eficiência de tratamento carrapaticida para diferentes técnicas de banho por aspersão, até 22 dias após o tratamento. * Teste de aderência x² p<0,01.

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Tabela 9. Eficiência média de banhos carrapaticidas aplicados por meio de diferentes técnicas de aspersão, avaliada até 22 dias após o tratamento.

Dias após tratamento

total

1 6 8 13 15 20 22

Mortalidade de

carrapatos 18%a 61%bc 23%a 47%b 58%bc 74%c 69%bc 52% * Letras diferentes na mesma linha indicam diferença significativa por meio de análise de variância ANOVA p<0,001.

Historicamente, os estádios de metaninfa e metalarva foram considerados como formas de resistência em função da presença da camada dupla de cutícula decorrente do processo fisiológico de muda (Souza, 1979). O que está de acordo, em parte, com os dados obtidos neste estudo, já que os valores de mortalidade observados para metalarvas não foram diferentes dos valores para os estádios iniciais de larvas

Entretanto, Grillo-Torrado (1971) refutou completamente essa hipótese, e a partir de então foram observados poucos registros sobre assunto. No estudo por ele conduzido, foram realizadas infestações artificiais controladas nos animais experimentais e banhos carrapaticidas após 12, 17 e 21 dias. A eficiência, em todos os casos, ficou próxima a 100%. Em laboratório, observou ainda que, após imersão em acaricidas, nenhuma metaninfa sobreviveu. Porém, a maioria completava o processo de muda e morria rapidamente na forma de neógina ou neandro, interrompendo o ciclo biológico. Esse comportamento é semelhante ao observado para partenóginas e teleóginas, que muitas vezes completam o ingurgitamento antes de manifestarem os efeitos adversos do produto (Roulston et al., 1958; Mansingh e Rawlins, 1979).

Ao contrário de Grillo-Torrado (1971), outros autores também perceberam uma maior resistência de ninfas ingurgitadas, metaninfas e também de partenóginas e teleóginas, a diversas classes de produtos. As divergências podem estar relacionadas a uma elevada sensibilidade da estirpe com a qual trabalhou, não permitindo a observação de diferenças de eficiências sobre os estádios avaliados.

Roulston et al (1958), ao comparar a eficiência de duas formulações de DDT em banhos de imersão, observaram que fêmeas continuaram a ingurgitar e produzir teleóginas viáveis nos primeiros dias após o banho, apresentando uma diminuição progressiva até não serem mais observadas a partir do quinto ou sexto dia. A partir do nono dia, foi observado o que chamaram de uma "segunda onda" de desprendimento de teleóginas viáveis, com valores máximos observados por volta do décimo segundo dia. Segundo os autores, a baixa eficiência do organoclorado sobre fêmeas parcialmente ingurgitadas e ninfas em estado adiantado de ingurgitamento era comumente observada.

Drummond et al. (1966a), em um estudo em que foram comparadas as eficiências de banhos de imersão e aspersão utilizando dois produtos organofosforados diferentes, relataram que o estádio de metaninfa foi o menos afetado pelos produtos, seguido pelo de partenóginas. Observaram ainda, que não houve sobrevivência de machos, nem de ninfas não ingurgitadas, em nenhuma das situações avaliadas.

Roulston et. al., (1968), ao avaliarem a eficiência de 29 produtos carrapaticidas diferentes em laboratório e em animais estabulados, observaram que as baixas eficiências contra as estirpes resistentes ocorreram principalmente devido às altas taxas de sobrevivência dos estádios de ninfa.

Souza (1979) realizou um estudo específico sobre o assunto e demonstrou diferenças de sensibilidade para diversos estádios de desenvolvimento e princípios ativos utilizado. No estudo, foram avaliados o

51 ethion (0,12% p.a.), o amitraz (0,025%

p.a.) e o arsenito de sódio (0,125% p.a.). Para os tratamentos com ethion e amitraz, foram observadas menores mortalidades para metaninfas, partenóginas e teleóginas, e não foram observadas diferenças de mortalidade para metaninfas entre os indivíduos tratados e os do grupo controle. O estádio de metaninfa foi considerado como forma de resistência ao amitraz e ao organofosforado. Para esse último, entretanto, o autor considerou que a já diagnosticada resistência da estirpe, também contribuiu com o efeito. O arsenito de sódio não apresentou efeito sobre larvas infestantes e apresentou efeito semelhante para todos os outros estádios.

O conhecimento acerca da diferença de sensibilidade entre os diversos estádios de desenvolvimento possui uma potencial utilização na definição dos intervalos entre banhos, em algumas situações. A maior parte das ninfas ingurgitadas e metaninfas que sobrevivem a um tratamento carrapaticida por meio de banho de aspersão, dentro de um a cinco dias serão obrigatoriamente neóginas e neandros, indivíduos comprovadamente mais sensíveis e que poderiam ser atingidos nesse momento por um segundo tratamento (Hitchcock, 1955; Nuñez et al, 1972). A princípio, em situações de explosão populacional quando a redução da carga parasitária é considerada urgente, essa alternativa pode ser considerada.

Sabe-se dos inconvenientes relacionados à exposição dos operadores e dos animais aos produtos acaricidas, as dificuldades operacionais para se adotar tal medida, além do risco em aumentar a pressão de seleção da população de carrapatos e com isso, acelerar o desenvolvimento de resistência aos princípios ativos existentes (Hernandes et al, 2009; Guerrero et al., 2012). No entanto, a maior parte dos problemas atribuídos ao controle químico, indispensável ao combate ao R. (B.) microplus, são decorrentes do uso inadequado da tecnologia disponível. O uso

racional proporciona benefícios econômicos e a redução da contaminação do leite, da carne, do operador e do ambiente (Labruna, 2008).

6. CONCLUSÕES

. Entre as técnicas de banho carrapaticida avaliadas, a aspersão manual por meio de pulverizador estacionário motorizado, associado a corredor de cordoalha para contenção dos animais, é a mais adequada para uso na rotina de produção de leite com bovinos.

. A técnica de aspersão manual por meio de pulverizador motorizado estacionário, associado a corredor de cordoalha para contenção dos animais, é mais eficiente na redução da carga parasitária que a câmara atomizadora e que a técnica usual, mas não apresenta diferença para o banho carrapaticida por meio de pulverizador costal manual realizado de forma adequada. . Entre os estádios de desenvolvimento de Rhipicephalus (Boophilus) microplus, os de metaninfas e partenóginas são os que apresentam maior resistência ao banho carrapaticida por aspersão com o produto comercial utilizado, composto de associação entre clorpirifós 50% e cipermertrina high-cis 6%.

7. REFERÊNCIAS

Benzer Belgeler