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de negócios do que uma tecnologia ou produto (POTTER et al, 2005). Porém, a Tecnologia da Informação (TI) é fundamental para o sucesso da GC, oferecendo a arquitetura empresarial na qual é suportada.

Na última década, a evolução e a disseminação da internet e das intranets propiciou a concentração das principais aplicações da TI para a GC. Essa evolução trouxe novos recursos, o que facilitou sua interatividade tanto para uso individual quanto em grupo. Exemplos dessa integração são as ferramentas de apoio de trabalho em grupo, suportadas por mecanismos de Gerenciamento Eletrônico de

Documentos (GED), ferramentas de navegação inteligente na internet (ferramentas de busca), ferramentas de colaboração (blogs e wikis), etc.

Os recursos de TI facilitam o trabalho em rede, podendo manter os conhecimentos descentralizados, juntos aos locais em que são mais gerados e/ou utilizados, melhorando o grau e a interatividade do usuário com os registros de conhecimentos.

Modelos de Gestão do Conhecimento

Para Angeloni (2008, p.2), que analisou os trabalhos de Donald Schon (1971) e de Jean Yves Prax (1997), afirma que todo o sistema social é constituído por uma estrutura, uma tecnologia e uma teoria:

- A estrutura consiste nas relações estabelecidas entre os indivíduos, na organização dos atributos básicos e dos papéis a serem desempenhados tanto do ponto de vista burocrático-legal quanto do informal

- A tecnologia é o conjunto de normas, ferramentas e técnicas consistentes que visam otimizar atividades e alcançar metas.

- A teoria exprime-se pelo conjunto de regras por meio das quais se interpretam a realidade interna e externa ao ambiente organizacional.

Nesse contexto, Angeloni (2008), ao definir as organizações do conhecimento como aquelas voltadas para a criação, o armazenamento e compartilhamento do conhecimento, por meio de um processo catalisador cíclico, parte de um modelo baseado em três dimensões: infraestrutura organizacional, pessoas e tecnologia. O modelo foi construído sob a forma de átomo (Figura 8), buscando compreender a organização de conhecimento como um conjunto de variáveis dinâmicas que interagem constantemente, de forma cíclica, dinâmica e interativa. Contrariamente ao paradigma cartesiano, ele não tem como objetivo abordar as variáveis e os fatores do ambiente externo.

A primeira dimensão está relacionada à Infraestrutura Organizacional, referindo-se à construção de um ambiente favorável ao objetivo da organização do

conhecimento. Dentre as dimensões que compõem as organizações do conhecimento, a Infraestrutura Organizacional é a que contém os elementos responsáveis pela existência e pela manutenção da totalidade e da continuidade da organização, e é responsável pela criação de um ambiente organizacional propício ao gerenciamento do conhecimento (ANGELONI, 2008).

A segunda dimensão refere-se às Pessoas que, nas organizações do conhecimento, são profissionais qualificados, como afirmam Sveiby (1997), Stewart (2002) e Davenport e Prusak (1998), estando elas relacionadas às características necessárias às atividades do conhecimento. A criação de um ambiente organizacional propício ao gerenciamento do conhecimento por si só não é suficiente, a organização precisa de pessoas com um perfil condizente com a nova realidade organizacional.

FIGURA 8 – Modelo de Organização do Conhecimento

Fonte: Angeloni (2008).

A terceira dimensão diz respeito à Tecnologia, que funciona como um suporte para a criação, disseminação e armazenamento do conhecimento. Os avanços ocorridos no setor tecnológico, mais especificamente na tecnologia de informação, comprovam o surgimento de um novo desafio para as organizações: captar, acessar e distribuir informações e conhecimentos a todos os limites organizacionais com rapidez, eficiência e flexibilidade. É importante considerar que a simples aplicação

da tecnologia não pode garantir o sucesso de um programa de gestão do conhecimento. A tecnologia deve ser aplicada de forma conjunta e sistêmica à organização, buscando sempre a integração com os indivíduos e suas expertises, com a visão e propósitos organizacionais e sua adaptação à infraestrutura organizacional. Essa dimensão é constituída das seguintes tecnologias:

1. Redes: a ligação da empresa em redes (intranets, extranets e internet) facilita a integração, o compartilhamento, o armazenamento, a disseminação e a facilidade de acesso ao conhecimento.

2. Data Warehouse: conjunto de dados baseados em um determinado assunto, não voláteis, variáveis, utilizados para tomada de decisões. Tem como objetivo armazenar em bases multidimensionais o conhecimento tácito e explícito da organização, proporcionando um acesso a esses conhecimentos também de maneira não linear.

3. Groupware: base de apoio para o trabalho em grupo de pessoas, separadas ou unidas pelo tempo e espaço, sendo uma interface da passagem do conhecimento.

4. Workflow: software que facilita o trabalho em grupo de forma integrada interativa e ativa, permitindo às organizações a automatização dos relacionamentos entre os usuários, informações e processos e o compartilhamento de experiências e especialização dos colaboradores da organização. Essa ferramenta tecnológica possibilita a captação da “inteligência” de um determinado processo por meio da geração, do controle e da automatização.

5. Gestão Eletrônica de Documentos (GED): a gestão eletrônica de dados e a sua edição eletrônica reagrupam informações facilitando seu arquivamento, acesso, consulta e difusão, tanto em nível interno como externo. O GED possui importante papel na seleção das informações e conhecimentos estratégicos da organização e no acesso rápido e fácil a essas informações e conhecimentos

O modelo de Gestão do Conhecimento proposto por Terra (2001), em sua estrutura essencial, compõe-se de sete dimensões: 1. Fatores Estratégicos e o Papel da Alta Administração; 2. Cultura e Valores Organizacionais; 3. Estrutura Organizacional; 4. Administração de Recursos Humanos; 5. Sistemas de Informação; 6. Mensuração de Resultados; 7. Aprendizado com o Ambiente. A criação desse modelo teve como objetivo uma investigação de campo, cujos resultados demonstraram as diferenças existentes entre empresas nacionais, multinacionais e estrangeiras, em seus respectivos setores de atuação no mercado.

Dentre as dimensões citadas, Terra (2001) chama atenção para os sistemas de informações. Segundo o autor, a TI deve ser apenas mais um elemento para facilitar o compartilhamento do conhecimento, sendo que outros fatores são destacados como tão ou mais importantes. Entre eles, estão os sistemas de avaliação, o reconhecimento e a recompensa e a integração da gestão do conhecimento aos principais processos da organização.

Os modelos aqui referenciados não esgotam a discussão sobre o tema em questão, mas nos elementos citados e desenvolvidos por Angeloni (2008) e Terra (2001), verifica-se que ambos apresentam a informação e o conhecimento como foco principal, podendo ser suportado pela TI e por sistemas de informação. Portanto, o modelo ideal para GC é aquele que melhor se adapta à realidade das organizações, levando-se em consideração que se deve, inicialmente, avaliar qual ou quais processos de GC são prioritários para, posteriormente, identificar e analisar a tecnologia que irão suportá-los.

Benzer Belgeler