H 2 O 2 + 2GSH → GSSG + 2 O
4. BULGULAR 1 Biyokimyasal Bulgular
O profissional sui-generis no qual veio a se constituir o ACS aparentemente pouco se incorporou de fato em ações de Saúde Mental. O pequeno registro de experiências apresentado anteriormente neste trabalho reforça esta percepção.
Empiricamente poder-se-ia supor que os ACS não estão hoje, nem preparados, nem motivados (não são normalmente orientados) para atuar em Saúde Mental. Mas os poucos casos encontrados na literatura chamam nossa atenção. Pesquisando estas experiências buscaremos verificar quais ações desenvolvidas efetivamente por ACS poderiam ser consideradas do campo da Saúde Mental.
Poderíamos afirmar que dos ACS se espera17 comumente que realizem três ações em Saúde Mental: identificação de casos novos, supervisão de casos conhecidos (uso da medicação e flutuações dos quadros) e encaminhamento aos profissionais de nível superior da equipe daqueles não tratados ou desestabilizados. Os ACS, agindo assim, dedicariam aos casos do campo da Saúde Mental a mesma atenção a qual são treinados para dedicar para qualquer outro doente (ou em vias de adoecimento) em sua área de atuação: identificação, encaminhamento e acompanhamento, através das visitas domiciliares.
Diversos dos (poucos) autores que abordam o trabalho dos ACS em Saúde Mental fazem referência a estas categorias de ações.
Com relação à função de identificação de casos nos falam Souza: “A atuação do ACS na atenção à Saúde Mental tem início na identificação de situações em que há suspeita de sofrimento
mental (...)” (2007, p.75) e Pereira & Andrade: “(…) estabelecer quais seriam as primeiras ações dos ACS no âmbito da Saúde Mental: identificar os casos suspeitos de transtornos mentais (...).” (s.d., p. 195).
Modesto & Santos abordam a identificação e o encaminhamento: “Constatou-se a importância da atuação dos agentes comunitários de saúde detectando precocemente os casos e encaminhando-os para a psiquiatra.” (2007, p.19).
Pereira, uma agente comunitária de saúde, em seu texto faz também referência a identificação e ao encaminhamento de casos: “Na primeira visita ao paciente, sobre o qual irei relatar o caso, sua mãe me informou toda a situação (…) Sai dali muito preocupada e fui logo ao Centro de Saúde conversar com o médico de minha equipe. No mesmo dia ele fez uma visita domiciliar (…).” (2008, p. 67).
Pereira, profissional da Saúde Mental, faz referência específica à função de encaminhamento: “Os casos chegam de formas diversas formas. O modo convencional e esperado é por intermédio dos ACS (...)” (s.d., p.98) e Barros et al citam ação de encaminhamento ao comentarem sobre a função de acompanhamento: “Algumas ações centradas na doença, tais como a supervisão do tratamento medicamentoso e o agendamento de consultas clínicas, foram relatadas pelos ACS em sua prática junto às pessoas com transtorno mental.” (2009, p.231).
Já Gomes (2006) descreve o modo de acompanhamento das pessoas com transtorno mental, através de entrevistas com ACS:
“Todos os entrevistados acompanham portadores de transtorno mental em sua área e utilizam a visita domiciliar já que é uma atividade que faz parte da rotina do ACS. Podemos observar nas seguintes falas:
“ Levo a equipe do PSF para visitar e depois encaminho para o CAPS e fico sempre visitando pra saber se ta tomando a medicação ou se tem um problema clinico” (Tiago).
“ Vou sempre na casa pra saber se ta tomando o remédio, se ta fazendo o tratamento direito” (Renato).
“ Visitando, orientando a medicação” (Tereza).
“ Faço a visita, a gente procura saber se ta tomando o remédio, se ta tomando banho, se ta se alimentando direitinho” (Graça).
“ Fazendo as visitas pra saber como ta a melhora, se ta tomando os remédios” (Levi).” (2006, p. 30).
Nunes et al. (2007) também fazem referência ao acompanhamento através de entrevistas com ACS:
“Eu acompanho, porque é mais a função do ACS (...). Às vezes a médica pergunta ‘Como está?’, mas não volta lá pra fazer uma visita, não está ali rente com o paciente; agora eu acompanho e acredito que os colegas também acompanham ali, está atento se internou, se saiu, se fugiu... (agente comunitário de saúde).” (2007, p.2378).
Finalmente Furlan (2005) tece críticas ao fato das ações dos ACS ficarem limitadas à realização destes papeis:
“O trabalho em equipe é valorizado por parte dos ACS, que vê com a ajuda dos outros profissionais certo auxílio para realização do seu trabalho. Porém, o que percebe-se é que os outros profissionais entram em ação para resolver o “problema” encontrado pelo ACS, sendo esse muito mais um “encaminhador” das demandas espontâneas.” (2005, p.7).
Ainda que concordemos com as críticas de Furlan, podemos afirmar os ACS com razoável freqüência são também convocados (ou mesmo convocam – aqueles com maior autonomia) por profissionais da Saúde Mental para a realização de visitas domiciliares conjuntas. O contato constante do ACS com os usuários em suas residências facilitaria a abordagem.
Mattos, uma ACS do Projeto Qualis, em seu texto nos descreve uma situação assim:
“Foi quando decidimos levar o caso para o doutor Walter (psiquiatra), que também foi ao quarto dele. Ele não gostava que as pessoas entrassem em seu quarto, mesmo assim permitiu a visita do Walter, da equipe (eu, doutora Saron, enfermeira Jane, agente comunitária de saúde Jovane) e de sua mãe.” (s.d., p.55).
Lancetti também faz referências a visitas domiciliares em conjunto com ACS: “Uma tarde, fomos à casa de João com a agente comunitária e uma psicóloga da equipe” (s.d., p.25); assim como Santa Cruz, outra profissional da Saúde Mental: “Acompanhada pela agente comunitária, fui até a casa de Leandro (...)” (s.d., p.61) e assim como Pereira: “Em diversas ocasiões, em virtude da gravidade e urgência dos casos (violência, risco de suicídio, internação psiquiátrica, uso pesado de drogas, etc.) a equipe de Saúde Mental intervém diretamente nos casos. A aproximação é feita junto com os agentes comunitários (...).” (s.d., p.99).
dificuldades dos ACS quanto à aproximação e compreensão dos casos: “Quando as visitas domiciliares são insuficientes para aproximação e caracterizações das situações, outras estratégias são utilizadas, como o agendamento de consultas na UBS com outros integrantes da ESF ou Saúde Mental ou a realização de visitas domiciliares com estes”. (2007, p.76).