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7. Koagülasyon+flokülasyon ve dual flokülasyon deneyleri

4.8. Bulguların Tartışılması

Ao adentrar o ano de 2006, o município de Parnamirim, alcança o nível de gestão plena e já se encontra demograficamente composto por uma população de 170.058 (cento e setenta mil e cinquenta e oito) habitantes, dos quais 87.497 (oitenta e sete mil quatrocentos e noventa e sete) são mulheres e 82.561 (oitenta e dois mil, quinhentos e sessenta e um) são homens – DATA/200757. Esses dados evidenciam que o segmento feminino constitui o maior percentual populacional, demandando necessidades especiais e respostas do Poder Público.

Necessidades e respostas estas que não foram geradas por acaso nem pontualmente, uma vez que, em Parnamirim, observam-se localmente as consequências do fenômeno da violência contra a mulher ocorrida em âmbitos nacional e estadual, tendo em vista que mesmo com as intervenções do poder público já em execução para amenizar tal fenômeno, as estatísticas advindas dos dados parciais da Secretaria Especial de Políticas Para as Mulheres (SPM) revelam que, durante os oito primeiros meses de vigência da Lei Maria da Penha no Brasil, foram instaurados 32.630 (trinta e dois mil, seiscentos e trinta) inquéritos policiais, 10.450 (dez mil quatrocentos e cinquenta) processos criminais, 864 (oitocentos e sessenta e quatro) prisões em flagrante, 77 (setenta e sete) preventivas e mais de 5 (cinco mil) medidas de proteção emergencial foram aplicadas.

Esse fato é traduzido na realidade a partir do seguinte dado: 94,1% (noventa e quatro vírgula um por cento) dos registros totais de violência são casos de infrações no âmbito doméstico contra as mulheres. E desses, 63% (sessenta e três por cento) têm o marido como agressor.

Em Natal, as estatísticas da DEAM, que compreendem os bairros das Zonas Sul, Leste e Oeste, nesse mesmo período, registraram 3.258 (três mil duzentos e cinquenta e oito) boletins de ocorrência. Em Parnamirim, conforme dados estatísticos da própria DEAM, foram registrados neste ínterim: 1.200 (um mil e duzentos) Boletins de Ocorrência.

Desta feita não só pelo contexto cultural que envolve e acentua o

fenômeno da violência contra a mulher, mas também em função do crescente número de mulheres que passaram a compor a cidade de Parnamirim, como também as mudanças estruturais implementadas pelos governos federais, estaduais e municipais em busca da efetivação da concessão de direitos de cidadania e inclusão social é que destacamos a transformação necessária pela qual passou a instituição objeto desta investigação, o CIAM.

A referida instituição como já destacamos, iniciou o seu atendimento como CIAM no ano de 2004, desenvolvendo um único Serviço que era o de Atendimento à Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, tendo a sua sede localizada na Rua Suboficial Farias, Conjunto Monte Castelo – Parnamirim/RN e, em 2006, motivado pelos fatores externos e internos aqui já discorridos, esta instituição, chega a contabilizar um número de 780 (setecentos e oitenta) atendimentos, tendo, portanto que passar por uma mudança para constituir-se em um CREAS, desenvolvendo especificamente o serviço especial de média complexidade conforme, apregoa o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Para garantir a assistência às mulheres/famílias vítimas de violência e/ou em situação de risco pessoal e social, bem como o atendimento e o fortalecimento dos direitos do público referenciado (criança, adolescente, jovens, idosos e famílias), o CIAM, agora CREAS, teve que mudar a sua localização para abrigar os diversos serviços que a partir de então seriam executados.

Desta feita, O CREAS de Parnamirim58 foi criado em maio de 2006, fazendo parte da hierarquia dos serviços prestados pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Habitação – SEDES, compondo assim, o organograma desta secretaria (quadro 1).

O referido Centro em conformidade com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) faz parte dos 933 (novecentos e trinta e três) municípios brasileiros que recebem o cofinanciamento federal, objetivando melhorar os serviços prestados, em cumprimento da legislação em vigor, a fim de potencializar as atividades desenvolvidas em seu âmbito institucional.

QUADRO 1 Organograma correspondente ao CREAS do município de Parnamirim/RN.

58 Atualmente, como já assinalamos, o CREAS localiza-se na Rua Capitão Martinho Machado, 138 -

Fonte: CREAS/2008.

Com base em tal entendimento, os Centros de Referências têm a missão de prestar serviços especializados a indivíduos e famílias com seus direitos violados, sendo assim, o CREAS do município de Parnamirim em conformidade ao que é recomendado pelo Guia de Orientação elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), por intermédio da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), possui uma equipe multiprofissional (quadro 2) integralizada e em permanente capacitação com vistas a ofertar um atendimento de qualidade aos usuários.

Tal equipe participa de oficinas e capacitações, cujos conteúdos visam permitir a compreensão dos fenômenos sociais existentes no município. Dentre estes se destacam temas e aspectos, tais como: a compreensão e mapeamento das situações de pobreza e riscos sociais do território; os fundamentos éticos, legais, teóricos e metodológicos do trabalho social com famílias, seus membros e indivíduos; o trabalho em rede e com grupos de indivíduos e famílias; a utilização de metodologias participativas no trabalho social com famílias, grupos e indivíduos; as características e mapeamento da rede prestadora de serviços do município e da região; e as atribuições dos Órgãos de Defesa de Direitos e legislações.

QUADRO 2 Atual equipe do CREAS de Parnamirim/RN.

Equipe Multiprofissional do CREAS do Município de Parnamirim/RN (Município em Gestão Plena) Coordenadora 1 Psicólogos 2 Assistentes Sociais 5 Pedagogas 2 Advogada 1 Técnico Administrativo 1 Vigia 1 ASG 2 Recepcionistas 1 Estagiárias de Psicologia 2

Estagiárias de Serviço Social 2

Estagiário de Direito 1 Arteterapeuta 1 Assessores 2 Mobilizador Social 1 Total: 25 Fonte:CREAS 2009.

Ainda no que se refere à construção da Assistência Social no Brasil, vale destacarmos que o quantitativo de 25 (vinte e cinco) pessoas se torna pouco para dar conta das inúmeras e variadas demandas que chegam a este Centro, constituindo assim, um dos itens que Silva e Yasbeck (2009) assinalam como fragilidade no quadro de Recursos Humanos da Assistência Social. Além disso, as condições de trabalho não oportunizam aos profissionais poderem realizar ações de acompanhamento sistemático aos casos atendidos, o que justifica algumas ações que a equipe do CREAS pontuou como necessárias a serem investigadas nesta pesquisa. A principal angústia da equipe técnica se refere a indagações acerca de por que a mulher retornou a convivência com o agressor e como é esta convivência hoje.

Apesar de não conseguir ampliar o leque das ações sistemáticas de acompanhamento, conforme já pontuado, a referida equipe do CREAS de Parnamirim atende atualmente ao público referenciado composto por: crianças e adolescentes em situação de violência física ou psicológica bem como suas famílias, mulheres em situação de violência doméstica, idosos, jovens e adultos dependentes químicos e seus familiares, assim como, adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e crianças ou adolescentes em processo de adoção, guarda ou tutela; que chega espontaneamente ou é encaminhado para esse serviço.

pelo CREAS através dos grupos e oficinas temáticas, palestras e capacitações – tanto para os profissionais do CREAS local, como para a comunidade – e grupos de autoajuda como o Amor Exigente59. Esses atendimentos voltam-se para a prevenção ao abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes; a orientação, acompanhamento e apoio especializados a crianças, adolescentes e famílias e ainda ao adolescente em cumprimento de medidas socioeducativas de liberdade assistida (LA) e de prestação de serviços à comunidade (PSC), bem como ao apoio especializado às mulheres vítimas de violência e de atendimento aos idosos vítimas de violência. Em relação à amplitude de tais atendimentos é importante assinalar que a demanda atendida no CREAS de Parnamirim entre maio de 2006 a setembro de 2008, foi de 13.881 (treze mil, oitocentos e oitenta e um) atendimentos dos quais 6.899 (seis mil, oitocentos e noventa e nove) foram destinados a mulher vítima de violência60. Cabe ainda, ressaltar que no universo de todos esses atendimentos, estão presentes as ações de cada profissional que atua nesse centro com suas especificidades, a saber: Serviço Social, Pedagogia, Psicologia e de Direito. Este efetivado através do Setor Jurídico - prestados no âmbito do CREAS/Parnamirim faz com que esse centro traga em si um diferencial, conforme foi pontuado pela revista CREAS/2008, - cujo tema é: Política Pública que Garante Proteção Social- como sendo uma mudança de perspectiva, tendo em vista que o profissional formado em Direito, desempenha um papel indispensável no apoio e esclarecimentos legais dos direitos da mulher e da responsabilização do agressor.

Ciente da importância de mais esse técnico especializado no CREAS e do contexto de vida em que vivem as mulheres por este Centro atendidas, um dos Técnicos Sociais explica: “O trabalho tem surtido efeito e evitado reincidência e evolução de agressões” (entrevista realizada em 26/09/2008).

Após detalharmos os serviços prestados e a demanda atendida por esse centro, particularizaremos agora o serviço que é oferecido à Mulher em Situação de Violência Doméstica Familiar que conforme o seu Projeto Pedagógico –

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O Amor Exigente é um grupo de ajuda mútua, humanitário e ecumênico, que tem uma proposta de educação. O trabalho é realizado com famílias e jovens que se envolvem com drogas. O movimento chega até a comunidade por meio de reuniões semanais, apresentando-se como uma solução amorosa para pais que lutam pela recuperação de filhos dependentes químicos ou qualquer outro comportamento inaceitável. (Fonte: http://www.adroga.casadia.org/grupos/amor-exigente. Acessado em 12/10/2009).

terapêutico61 tem como objetivo geral: “Garantir assistência às mulheres/família

vítimas de violência doméstica e familiar, visando o fortalecimento dos seus direitos e o resgate de sua autoestima, possibilitando assim, o exercício efetivo de sua cidadania”. Tal serviço busca ainda, ajudar às mulheres na tomada de Consciência

de seus direitos; no rompimento com o Ciclo da Violência e retomada de vida pelas mulheres.

Consoante com tal perspectiva cabe ressaltar que desde o início do desenvolvimento dessas ações de assistência e combate a violência contra a mulher no município de Parnamirim (2004) até os dias atuais são contabilizados cerca de 1.724 (um mil setecentos e vinte e quatro) atendimentos interdisciplinares realizados ao ano. Conforme o trabalho monográfico para fins de especialização, realizado por um dos técnicos sociais deste centro a partir de observações, escutas, atendimentos e análise de 357 (trezentos e cinquenta e sete) fichas de entrevistas (atendimento individual do CREAS), realizadas no período de maio de 2006 a maio de 2007 o perfil da mulher parnamirinense em situação de violência é o seguinte:

 A mulher sofre violência em qualquer faixa etária de sua vida. Evidenciam-se as idades entre 22 a 35 anos com 50% (cinquenta por cento) do universo analisado, sendo, portanto, mulheres novas, em idade reprodutiva e produtiva;

 Mais da metade das mulheres atendidas no CREAS encontra-se em união estável de cinco a oito anos aproximadamente, evidenciando que o estado civil, em alguns casos, influencia na atitude de violência do homem – “sou solteiro” e postura da mulher – “eu não tenho direito a nada”. (falas de relato das vítimas transcrito das fichas de Atendimento Individual do CREAS);

 A maioria das mulheres atendidas pelo Serviço especializado do CREAS apresenta baixa escolaridade, tendo apenas o ensino fundamental;

 O Universo das mulheres que se encontram sem trabalhar ou que não trabalham corresponde a 60% (sessenta por cento) das mulheres atendidas em contraposição a 40% (quarenta por cento) de mulheres que possuem algum tipo de remuneração (na maioria das vezes não chega a um salário mínimo). Esse dado revela a dependência financeira em relação ao agressor;

 Cerca de 76% (setenta e seis por cento) dos agressores são ou foram

pessoas com quem a mulher mantém ou manteve laços de afetividade íntima. Destacam-se também outros: pai, cunhado, parente, vizinho, pessoas próximas da vítima;

 A violência psicológica aparece como a de maior incidência com 49%, (quarenta e nove por cento) seguida pela violência física com 43,1% (quarenta e três vírgula um por cento) do universo. Sabe-se que as formas de violência psicológica contra a mulher e o baixo percentual para a violência sexual, apenas 0,6% (zero vírgula seis por cento) são devido a não compreensão do sexo forçado entre marido e esposa como estupro;

 Dentre os motivos que levam os companheiros a agredir, destaca-se que 78% (setenta e oito por cento) do universo analisado relataram dependência química por parte do agressor. É relevante destacar que 20,8% (vinte vírgula oito por cento) dos agressores agridem sem estar sob o efeito de drogas (legais ou ilegais). Ou seja, no segundo caso, não há desculpa de embriaguês ou drogadição, quando cometem atos violentos (XAVIER, 2007);

 Concernente ao atendimento especializado a mulheres vítimas de violência, este pode ser explicitado particularmente a partir do feminismo que desvendou a dimensão social e histórica das relações de gênero.

A violência de gênero pode ser entendida como sendo um padrão específico da violência fundada na hierarquia e desigualdade de lugares sociais sexuados que subalternizam o gênero feminino, e amplia-se e reatualiza-se na proporção direta em que o poder masculino é ameaçado (SAFFIOTI, 1999, p.35).

Nessa perspectiva a consolidação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres pressupõe e institui a rede de cidadania, já citada, para atuar na prevenção, no atendimento, combate e erradicação da violência contra a mulher.

Apesar de todo este aparato já instituído, sabe-se que a violência contra a mulher no Brasil, e no Rio Grande do Norte e, particularmente, em Parnamirim, apresenta-se ainda como um grande desafio a ser superado especificamente pelas mulheres. Assim esta pesquisa junto ao CREAS/Parnamirim tem também a intenção de observar se existe o cumprimento em especial da diretriz geral de funcionamento

que versa sobre a qualidade do serviço, considerando que é a partir dos direitos da mulher atendida pelo centro que advém os indicadores para esta qualidade.

Destarte, em se tratando dos direitos das mulheres atendidas pelo Centro de Referência, o Guia de Orientação (M.D.S. e S.N.A.S.) estabelece dentre outros, os seguintes direitos:

 Direito a um ambiente de aconselhamento seguro;

 Direito a privacidade e sigilo, com exceção de regras de notificações compulsórias;

 Direito de ser informada sobre os atendimentos e tomar decisões referentes a estes;

 Direito de optar ou não pela denúncia;

 Direito a um atendimento qualificado, não julgador e respeitoso;  Direito a escolher participar ou não de pesquisas;

 Direito de escolher/aceitar ou não serviços de estagiários e/ou profissionais recém-formados;

 Direito de ser informada sobre a natureza e segurança, período de manutenção de arquivos referentes ao seu caso mantidos pelo Centro de Referência;

 Direito a estar acompanhada por pessoa de sua escolha nos atendimentos;

 Direito a intérpretes, se necessário e/ou requisitado;

 Direito a ter seu caso transferido para outros (as) profissionais;  Direito de acesso aos arquivos referentes ao seu caso;

 Direito de recusar o atendimento indicado pelos (as) profissionais do Centro;

 Direito de efetuar queixa sobre o serviço.

Diante do exposto, o CREAS vem enfrentando dificuldades para a consecução de seus objetivos, no que se refere a uma rede de atendimento em efetividade no município, pois, aliada às dificuldades e fragilidades já pontuadas no item anterior, soma-se a isto a dependência química por parte do agressor ou da própria vítima, visto que na nossa pesquisa, identificamos 1 (uma) mulher que sofre de alcoolismo, sendo, neste caso, necessário não só espaço apropriado e vaga para o tratamento, como também, disponibilidade de realizar o tratamento por parte de quem sofre com a doença. Aliado a essa questão, identificamos ainda que, na

maioria das vezes, a mulher quando necessita ser abrigada traz consigo os filhos e, dependendo da idade destes e da quantidade, não podem acompanhar a mãe e algumas vezes nem tendo onde ficar, o que representa para esta mulher mais uma violência.

Fato este que só reafirma que a luta contra a violência de gênero tem tido ao longo do tempo avanços e retrocessos, uma vez que se faz necessário investigar o que falta para que se consigam as mudanças substanciais pretendidas, uma vez que há insuficiência de: casas abrigos, contratação de profissionais, dos serviços de assistência, saúde e educação existentes, além dos centros de referência não disporem de uma estrutura satisfatória. Inegavelmente, porém, há maior visibilidade da violência de gênero e uma tentativa mais insistente de integração entre as várias esferas de poder e de governo, fundamental para a formação de uma rede de atendimento que poderá tornar viável a meta de denunciar e diminuir a violência contra a mulher.

Após duas décadas do despertar do feminismo e do início da luta específica contra a violência de gênero, temos que reconhecer que esse tipo de violência permanece em grau acentuado e muitas vezes coberto em silêncio e omissão. E quanto a denunciante o que percebemos enquanto perfil geral desta mulher que tomou coragem ou foi impelida para tal ação é que a demanda na sua maioria é por um acordo e/ou aconselhamento para o agressor, nesse sentido a fala que se segue nos auxilia em uma maior compreensão do fato: “A maioria delas não se separa do agressor porque não tem como sustentar a família” (Técnico Social do CREAS, entrevista realizada em 10/11/2008).

Fatos como esses corroboravam para que a violência doméstica contra a mulher, fosse considerada como crime de menor potencial ofensivo, anteriormente a implementação a Lei nº 11.340/06 (Maria da Penha) ficando o agressor, muitas vezes, sem ficha policial tendo como penalidade as medidas punitivas apregoadas pela Lei nº 9.099/9562.

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Em 26 de setembro de 1995, foram criados os Juizados Especiais Cíveis e Criminais (JECRIMS), com o objetivo de informatizar a justiça, tornando-a mais célere e eficiente (Lei Nº 9.099/95). Os Juizados Especiais Criminais foram também idealizados para substituir penas repressivas por penas alternativas (compensações pecuniárias, serviços comunitários e conciliações) no caso de “infrações penais de menor potencial ofensivo”. Consideram-se tais infrações os crimes e contravenções com pena inferior a um ano de detenção. Nesses casos, o inquérito policial foi substituído por um “Termo Circunstanciado”, uma espécie de inquérito simplificado com um resumo da ocorrência,

Assim, os Juizados Especiais Criminais contribuíram para a publicização da violência praticada contra a mulher no âmbito doméstico, porém, não lhe conferiu um tratamento diferenciado. Consoante com tal entendimento destaca-se que:

A Lei nº 9.099/95 foi criada para beneficiar o réu, evitando todos os males de um processo penal. (...) sem implicar culpabilidade ou antecedentes criminais. Quanto à vítima ela não existe. Há apenas um momento processual em que a vítima é ouvida: No momento da composição civil, quando ela pode aceitar a composição por danos. No entanto, esta também depende de aceitação do autor do fato (agressor). Se ele não concorda, tal medida não é adotada (CAMPOS, 2003; p.43 e 44).

Em contrapartida a tal realidade, a Lei nº 11.340, aqui já citada, constitui- se em um exemplo de ação afirmativa, uma vez que busca restabelecer a cidadania constitucional feminina através de uma melhor e maior proteção a mulher que se encontra inserida numa relação doméstica e familiar marcada pela violência.

E é na perspectiva de averiguar se de fato algumas dessas mulheres atendidas no CREAS-Parnamirim e que foram marcadas pela violência, conseguiram se perceber enquanto sujeitos de direitos, resgatando assim, a autoestima e cidadania em sua vida cotidiana, que apresentaremos o próximo item.

4.3 A Busca pelas mulheres sujeitos da pesquisa: A Condução Teórico-

Benzer Belgeler