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Buhar Vakum Kırıcı Bağlantısı

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2.4. Buhar Vakum Kırıcı Bağlantısı

Nas sociedades primitivas, onde campeava a não-vinculação do homem à terra, decorrente do nomadismo característico dos primórdios da evolução humana, de início não existia a noção de propriedade privada do solo, somente havia domínio individual para coisas móveis, objetos de uso pessoal, como vestes, armas, utensílios de caça e pesca etc.

Quando se esgotava os recursos extraídos de determinado local, o homem seguia em busca de outro apto a atender suas necessidades vitais. No entanto, com o surgimento de novas técnicas que possibilitaram o domínio do homem sobre a natureza, impulsionando-o a realizar novas atividades, como a agricultura e o pastoreio, o ser humano passa a ligar-se cada vez mais ao solo, em virtude de o mesmo povo, tribo ou família usar e habitar a mesma terra, daí se originando a concepção de propriedade coletiva, a qual, paulatinamente, cede lugar a individual.

Valendo-se da descrição das condições de vida do corpo social dessa época, Venosa procura explicar o porquê do predomínio do uso comum da terra:

Enquanto os homens vivem exclusivamente da caça, da pesca e de frutos silvestres, não aflora a questão acerca da apropriação do solo. Admite-se a utilização em comum da terra pela família ou tribo. Não se concebe a utilização individual e exclusiva. Tanto a cultura do solo como a criação de animais são feitas em comum. Desaparecendo ou diminuindo os recursos naturais da caça, pesca e agricultura no território, o grupo social deslocava- se para outras terras. Não estava o homem preso ao solo, porque essa constante movimentação não o permitia. Destarte, não havia noção de utilização da mesma terra pelo mesmo povo. 28

No direito romano, inicialmente, vigia a tradição de o Estado ceder aos cidadãos um pedaço de terra para que fosse cultivada individualmente, voltando, após a colheita, a predominar o caráter coletivista da propriedade. Ao longo do

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tempo, entretanto, fixa-se o costume de conceder sempre às mesmas pessoas a mesma porção de terra ano após ano, onde passam a se estabelecer as famílias, esta é a origem da propriedade quiritaria, de caráter eminentemente individual, pleno e absoluto, podendo o proprietário usar, gozar e dispor da coisa como quisesse, inclusive de forma abusiva.

Já a essa época, observa-se a má distribuição de terras, o que invariavelmente desemboca em desigualdade social, estabelecendo um abismo entre as classes antagônicas, no caso, os patrícios, cidadãos romanos, agraciados com a posse das terras; e os plebeus, privados desse direito e, portanto, submetidos a um estado latente de necessidade e opressão, situação infelizmente ainda presente em nossa sociedade.

Nos primeiros séculos da história romana, a quiritaria era a única espécie de propriedade reconhecida e dotada de garantia eficaz, a qual exigia uma série de requisitos para a sua configuração, só o cidadão romano poderia exercê-la e tão- somente sobre coisa idônea (res mancipi), devendo adquiri-la conforme o jus civile, possuindo ainda eficaz ação de reivindicação (rei vindicatio).

Com o tempo, outra espécie de propriedade, a bonitária, típica do jus

gentium, ganhou importância, acarretando, posteriormente, a fundição das duas em

uma única modalidade.

Na Idade Média, a propriedade era a base sob a qual se constituía o sistema feudal, representando status social, poder econômico e político, instituindo uma clara distinção entre os proprietários de terras, no alto da escala social, e vassalos, semi-livres e servos, totalmente desamparados e sujeitos à força potestativa dos senhores feudais.

A propriedade perde o caráter unitário e exclusivista, ocorre a separação entre o domínio útil, pertencente ao suserano (senhor feudal) e o domínio direto, de posse do vassalo, economicamente dependente, submetido ao poder do seu senhor e lhe devendo obrigações.

Machado, citando Clóvis Beviláqua, caracteriza de forma muito clara esse período:

A terra pertencia ao senhor; a terra era o fundamento do poder, da autoridade. O senhor, concedendo terras, obtinha homens, que lhe deviam prestações e, conseqüentemente, eram seus vassalos, continuando sempre vinculado às obrigações que lhe impusera o susserano. 29

Somente com a Revolução Francesa foram extintos os privilégios e regalias desfrutadas pelos nobres e clérigos, cancelados os direitos perpétuos e suprimida a condição de servo, iniciando-se a supremacia burguesa. Foi, assim, restaurada a unidade do direito de propriedade, voltando ao proprietário a posse direta da terra.

A classe burguesa do final do Século XVIII buscava traçar limites muito claros à ação estatal, primando, sobretudo, pela proteção da liberdade dos indivíduos. Sobre o direito de propriedade, prepondera, mais do que nunca, uma tendência marcadamente individualista, fruto da concepção de ser a propriedade algo imanente à própria natureza humana, estando o homem legitimado a adquirir bens como forma de expressar sua liberdade individual.

O direito de propriedade era tido como algo inviolável e sagrado, donde se percebe claramente o caráter eminentemente individualista e absolutista vigente a essa época, o que se infere pela redação de dispositivos de dois importantes instrumentos normativos desse tempo – a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e o Código de Napoleão:

Art. 17 – A propriedade, sendo um direito inviolável e sagrado, ninguém pode dela ser privado, a não ser quando o exigir evidentemente a necessidade pública legalmente acertada e sob condição de justa e prévia indenização. (Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão)

Art. 544. A propriedade é o direito de gozar e dispor das coisas do modo mais absoluto, desde que não se faça uso proibido pelas leis ou regulamentos. (Código de Napoleão)

Sintetizando a situação que perdurava nesse tempo, Machado assim dispõe:

O absolutismo da propriedade exercitada no estado liberal deve ser entendido como a expressão máxima do individualismo e o mais amplo dos poderes concedidos ao proprietário. A exclusividade faculta ao proprietário servir-se da coisa sozinho e afasta por completo qualquer ato de terceiro que vise aquela propriedade. 30

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MACHADO, Lunas da Silva. Fundamentos da Função Social da Propriedade e da Reforma Agrária na Constituição

Federal de 1988. 2002. 157 fl. Dissertação de mestrado em Direito – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2002, f. 14.

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Idéia esta propagada por todos os ordenamentos espelhados no Código Civil Francês, a exemplo da maioria dos códigos latino-americanos, inclusive nosso Código Civil de 1916.

No entanto, esse excessivo individualismo cede lugar, ao longo do tempo, a um sentido mais social, buscando-se não apenas a satisfação da vontade inata do ser humano de possuir algo para si, mas almejando também solucionar, ou pelo menos mitigar, as gritantes desigualdades econômico-sociais afloradas principalmente após a Revolução Industrial.

Delineando este quadro Carvalho Filho dispõe que:

No curso evolutivo da sociedade, o Estado do século XIX não tinha esse tipo de preocupação. A doutrina do laissez faire assegurava ampla liberdade aos indivíduos e considerava intangíveis os seus direitos, mas, ao mesmo tempo, permitia que os abismos sociais se tornassem mais profundos, deixando à mostra os inevitáveis conflitos surgidos da desigualdade entre as várias camadas da sociedade. Esse Estado-polícia não conseguiu sobreviver aos novos fatores de ordem política, econômica e social que o mundo contemporâneo passou a enfrentar. 31

Reclamando uma crescente ação interventiva do Estado, com o objetivo de impedir, ou pelo menos minorar, a dominação do indivíduo por seus semelhantes, ganham espaço as doutrinas socialistas e o pensamento cristão, culminado no surgimento do conceito de função social da propriedade.

Os socialistas pregam a supressão do direito de propriedade dos particulares, os religiosos, entretanto, mais moderados, consagrando a visão da propriedade como direito natural de todos os homens, buscam tão-somente a imposição de limites mais estreitos ao seu exercício, de forma a assegurar o bem- estar da coletividade, concepção amplamente predominante em nossos dias.

Jivago Petrucci, no artigo A função social da propriedade como princípio jurídico, cita Junia Verna Ferreira de Souza, a qual declarada a moderna concepção dos direitos individuais, atribuindo-se, a alguns deles, funções sociais, a exemplo do direito de propriedade. Consagra-se não mais o seu gozo ilimitado, mas leva em consideração sempre uma finalidade social voltada para o bem-estar da

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CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 13. ed., Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2005, p. 589.

coletividade, sendo dever do Estado impedir o seu uso de forma arbitrária e desmedida pelos detentores destes direitos:

Enquanto a consagração dos ''direitos individuais'' substancia uma defesa do indivíduo perante o Estado, a estatuição dos ''direitos sociais'' traduz uma defesa do indivíduo perante a dominação econômica de outros indivíduos. Passaram, assim, a ser limitados os direitos individuais, atribuindo-se a alguns, ''funções sociais''. Foi o que se verificou com o direito de propriedade, cuja expressão, agora, já não mais se cinge a um simples direito, mas a um ''direito-dever'' 32

Esse é o modo como é vista a propriedade nos dias de hoje: direito que engloba a faculdade de o proprietário usar, gozar e dispor da coisa, aliada ao direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha (art. 1228, caput do Código Civil Brasileiro de 2002), sempre tendo em vista o atendimento de sua função social, princípio estampado no art. 5º, inciso XXIII da Constituição Federal de 1988 e direito-dever que deve ser respeitado, sob pena de desconfigurar o próprio conceito de direito de propriedade.

A função social da propriedade já foi vista como mera limitação ao direito de propriedade, posicionamento este superado, passando a ser considerada como parte integrante deste direito, impondo-lhe um novo conceito, de maneira a resguardar o conjunto de faculdades do proprietário dentro da delimitada esfera que a disciplina constitucional lhe traça. Este é o entendimento de José Afonso da Silva, para o qual “[...] a função social é elemento da estrutura e do regime jurídico da propriedade; é, pois, princípio ordenador da propriedade privada; incide no conteúdo

do direito de propriedade; impõe-lhe novo conceito.” 33

Neste mesmo sentido explana Ismael Marinho Falcão, acrescentando ainda a possibilidade de intervenção estatal ante o descumprimento da função social da propriedade. O autor destaca ainda o:

conceito da função social como norma pragmática caracterizadora do direito de propriedade, sem o que o titular fica desnaturado e o Estado ganha forças para intervir e fazer sobrepor ao interesse privado o interesse público. 34

32

PETRUCCI, Jivago. A função social da propriedade como princípio jurídico. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 229, 22 fev. 2004. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4868>. Acesso em 04 de março de 2007.

33

SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 23. ed., São Paulo: Malheiros Editores, 2004, p. 272.

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