7.10. Teknik Altyapı
7.10.3. Bu alanlar planda önerilen amacı dışında kullanılamaz
No parágrafo final da sua dissertação de mestrado, Elias (2001), lança-nos uma pergunta:
A Dor Espiritual, principalmente relacionada ao medo da morte e do pós - morte, estaria também presente nas muitas mortes e pós – mortes que sofremos na vida, desde que nascemos? Se presente ao longo da vida, qual o seu grau de prevalência e relevância no sofrimento humano? Qual o método para sua re-significação? (ELIAS, 2001, p. 258).
Sentindo-me impelida a dar continuidade ao seu arrojado trabalho, pensei em como poderia ser re-significada a Dor Espiritual da Perda por Morte. Na presente pesquisa, a dor manifestada é a do jovem enlutado. Daquele que fica em desalento por ter olhos, mas não enxergar o outro; ter ouvidos, mas não ouvi-lo; ter um corpo físico que o permita tocar e ser tocado e, ainda assim, não sentir o outro de uma maneira física. É a dor da perda de um desenlace que o deixa solto, sem chão, flutuando desequilibradamente no vácuo, em virtude de um laço laboriosamente construído e supostamente firme que resolveu desatar sem sequer lhe consultar.
Foi a partir dessa perspectiva que pretendi utilizar a RIME. Todavia, ao estender sua aplicabilidade para jovens enlutados por perdas de uma figura de afeto por morte, vi o delineamento de um campo de vivências, em certa medida, distinto do constituído por pessoas diante de suas mortes físicas, para outro eivado de inúmeras possibilidades ainda no plano físico. Nesse sentido, a perspectiva da existência de um mundo espiritual na presente pesquisa com jovens enlutados, oportunizou-me o trabalho com a Dor Espiritual da Perda por Morte a partir de duas diretrizes bases. Quais sejam: a dor da ausência do outro (morte real) e a de si junto ao outro (morte simbólica).
Essas diretrizes se delinearam a partir de uma inquirição: como o medo da morte e do pós-morte, comprovadamente considerados elementos prevalentes na Dor Espiritual da Morte, se manifestariam na Dor Espiritual da Perda de jovens enlutados?
Pude supor, como um simples ponto de partida, que a perda de um ente querido configuraria pelo menos duas dimensões da morte: a morte física do Outro, daquela figura com quem se mantinha um vínculo afetivo importante; e a morte simbólica de uma parte de si mesmo, em virtude de um “fim” da sua história com o outro. Seria a morte da sua vivência como amigo de uma determinada pessoa, como filho daquele pai ou daquela mãe, como o irmão, o neto ou o namorado, com todos os investimentos e características peculiares a esse envolvimento afetivo.
Imaginei, então, que talvez esses jovens enlutados pudessem se perguntar: se morre uma parte de mim, como refazer-me dessa ausência do que até bem pouco tempo constituía parte do meu existir? Como assegurar a continuidade da minha atual existência sem parte do que já me constituiu, e que era fonte nutridora de um lugar em mim que agora é só lacuna? Do que me alimentar a partir de agora? Que significados passarei a portar dessa parte
de mim ainda em vida? São dois sentidos tênues de mortes que se interpenetram e ecoam naqueles que gritam clamando por novos sentidos para viver.
Foi essa dor da ausência concreta do outro e da ausência de si com o outro, “um nós” ao qual atribui a condição de inexistência, que me fez aportar na intervenção RIME por presumir que ela traz elementos que amainam a dor da separação do outro e da privação da relação vivenciada nesse plano físico, auxiliando o enlutado em um processo de elaboração de novos sentidos para viver. Essa re-significação da dor da perda e a geração de sentidos outros para viver se deu através do encontro do consciente com o inconsciente, sendo esse último acessado através da visualização de imagens arquetípicas. E assim, a partir do universo de representações conscientes do enlutado, foram apresentados símbolos de transformação, a exemplo do ser de luz, que ativam a insurgência do material arquetípico que, ao integrar-se com a consciência, adquirem grande potencial transformador.
A estrutura teórica para aplicação da intervenção terapêutica RIME (Relaxamento Mental, Imagens Mentais e Espiritualidade) proposta por Elias (2001), foi concebida de maneira que outros profissionais na área da saúde, não somente psicólogos e psicoterapeutas pudessem aplicá-la. Sendo a psicopedagogia clínica uma interface da educação com a saúde, delineando-se como um campo de atividade que atua por meio de práticas interventivas que consideram a saúde e a educação inseparáveis, reputou-se de considerável valor acadêmico a utilização da intervenção terapêutica RIME como componente de um dispositivo psicopedagógico a ser aplicado em jovens passando pelo processo de luto.
Tendo em vista esse aspecto, a referida intervenção foi estruturada teoricamente nas definições de uma Terapia Breve de Apoio, utilizando como aporte conceitual Fiorini (1991). De acordo o autor, a Psicoterapia Breve pode ser categorizada a partir de duas vertentes: a de apoio, e a de esclarecimento. A Intervenção Terapêutica RIME, cujo objetivo é re-significar a Dor Espiritual da Perda, enquadra-se nos objetivos da Psicoterapia Breve de Apoio, visto que seu objetivo é minimizar angústias, e fortalecer aspectos autocurativos geradores do alívio dos sintomas responsáveis pela recuperação do equilíbrio homeostático. Nesse sentido, os sintomas por mim observados como constituintes da Dor Espiritual da Perda nos jovens enlutados foram: medo da morte por conta da ruptura do vínculo; medo do pós- morte relacionado ao receio da descontinuidade da vida do que se foi e do término da relação construída com quem aqui ficou; e ideias e concepções negativas acerca do sentido da vida, geradora de vazio existencial e sentimentos de culpa e arrependimento.
Dessa maneira, o objetivo da Intervenção RIME é desfocar o pensamento do experiente dos medos, das angústias e das culpas específicas à situação do luto, focando-o em serenidade, aceitação e paz, com o objetivo final de recuperar a homeostase espiritual. Reportando-nos à psicologia analítica, podemos pensar esse processo de re-significação por intermédio da Intervenção Terapêutica RIME como oriundo de um encontro entre o ego consciente dos jovens sujeitos enlutados com as suas essencialidades transcendentes, possibilitando a realização do si-mesmo.
A intervenção RIME aplicada na Azul, na Lilás, na Vermelha e no Amarelo foi elaborada não somente utilizando os possíveis símbolos arquetípicos de transformação propostos por Elias (2012), mas também os propostos por mim, a partir do que extrai dos seus relatos no processo de feitio da mandala. Desta feita, debrucei-me sobre a aplicabilidade da RIME enquanto facilitadora do processo alquímico e, para tal, fez-se imprescindível que eu dialogasse com alguns conceitos chave da psicologia analítica, com vistas a uma compreensão mais ampla de como esse processo se efetivaria.
Jung, em entrevista de Eliade para “combat”, explicou que para ele a questão da integração dos opostos, ou seja, a interação do consciente com o inconsciente, era a grande questão da psicologia, e facilmente era encontrada através de representações simbólicas em variadas religiões, crenças, seitas e atividades humanas que tinham como finalidade o burilamento da alma humana. No entanto, foi através do que é chamado em alquimia de “conjunção dos dois princípios” que o estudioso visualizou uma dinâmica idêntica ao processo psicológico de individuação, deixando cair por terra qualquer defesa em relação à veracidade das operações alquímicas. Todavia, esclarecia que apesar dos alquimistas buscarem a transformação de um metal vil em ouro, através de operações químicas, sua realidade não era física, e sim psicológica, representando “a projeção de um drama cósmico e espiritual em termos de laboratório”.
Eu sou e continuo sendo um psicólogo. Não estou interessado em qualquer coisa que transcenda o conteúdo psicológico da experiência humana. Nem sequer pergunto a mim mesmo se tal transcendência é possível, visto que, em qualquer caso, o transpsicológico tampouco é de interesse para o psicólogo. Mas, no nível psicológico, tenho que ocupar-me das experiências religiosas que possuem uma estrutura e um simbolismo que pode ser interpretado. Para mim, a experiência religiosa é real, é verdadeira. Apurei que, através de tais experiências psicológicas, a alma pode ser “salva”, a sua integração acelerada, e estabelecido o equilíbrio espiritual. Para mim, como psicólogo, o estado de graça existe: é a perfeita serenidade da alma em equilíbrio criativo, a fonte de energia espiritual.
O que para Jung era a “perfeita serenidade da alma em equilíbrio criativo”, para os alquimistas era o corpus glorificationis com sua dupla tarefa de resgatar a alma humana e salvar o cosmo. Enquanto para os alquimistas a prima matéria, sendo um elemento real, deveria ser transformado em pedra filosofal, Jung, ao realizar um paralelo com o processo de individuação, concebia a prima matéria como a vida psíquica do próprio alquimista que estava a manipulá-la, com vistas a libertá-la, salvando-a. Tal processo, chamado de opus alquímico, era desafiante e apresentava uma série de desafios que obstaculizavam a conclusão do processo, tornando o empreendimento ainda mais instigante. Jung (2011) relata que, logo no início, o alquimista se deparava com os espíritos ctónicos, ou seja, deuses inferiores moradores do mundo subterrâneo, da terra, que eram por eles chamados de nigredo, em referência à sua cor escura, portadora de sofrimento. Sendo para Jung o mistério central da alquimia a coniunctio ou conjunção, fazia-se necessária a integração dos opostos, onde a escuridade seria assimilada e transformada. Há que se salientar que o processo de desaparecimento da escuridade era laborioso, provocando o sofrimento da matéria até o seu momento final, quando, então, tornava-se clara. Em termos psíquicos, podemos transpor essa prática para a experiência humana da individuação, na qual a alma encontra-se muitas vezes aniquilada em meio à melancolia, ao medo e toda uma gama de sentimentos e emoções opressivas que emergem no seu duro combate com sua própria sombra.
Como já mencionado, para os alquimistas, a matéria permanece em sofrimento até o momento em que a aurora é anunciada pela cauda do pavão, fazendo nascer um novo dia. Neste momento, o estágio nigredo desaparece, dando espaço para o estágio albedo, com sua claridade. No entanto, sendo o estado de brancura do albedo considerado para os alquimistas uma condição ideal abstrata, afastando-se da realidade concreta, surge o rubedo, considerado a vermelhidão da vida, responsável por trazer vitalidade ao novo estado de consciência. Dando-se o mesmo no processo de individuação à luz da psicologia analítica, Jung (2011, p. 210) fala:
Só a experiência total da vida pode transformar esse estado ideal do albedo num modo de existência plenamente humano. Só o sangue pode reanimar o glorioso estado de consciência em que o derradeiro vestígio de escuridade é dissolvido, em que o diabo deixa de ter uma existência autônoma e se junta à profunda unidade da psique. Então, o opuns Magnun está concluído: a alma humana está completamente integrada.
Na aplicação da RIME, realizada com os jovens enlutados, visando facilitar o processo alquímico de transformação psico-espiritual, segui o proposto por Elias (2012) e,
após ter definido os aspectos a serem trabalhados na re-significação da dor espiritual, iniciei a preparação concernente às aplicações da referida intervenção terapêutica. Dessa maneira, escolhi sessenta e cinco imagens (anexos A e B) divididas em dois álbuns. Um deles, nomeado de Flores e Campos (anexo A), continha imagens de jardins e campos com vegetação variada. O outro, chamado Águas (anexo B), continha o elemento água nas mais variadas condições: rios, mares, cachoeiras, sempre em meio a uma natureza abundante e de imensa beleza. A escolha das imagens feita por mim deu-se de maneira a contemplar algumas preferências dos quatro jovens que eu já havia identificado ao longo do Ateliê biográfico de projetos. Tendo em vista este aspecto, pensando no quanto Azul e Lilás gostavam do mar, escolhi imagens variadas de praias. Sabendo que o Amarelo apreciava a cor amarela e também a cultura oriental, busquei imagens que trouxessem essas referências, e, pensando na Vermelha, escolhi algumas imagens de árvores, especialmente de cerejeiras que tanto a agradavam.
A escolha das imagens foi feita através do aplicativo Pinterest e não posso omitir o prazer que senti ao realizar esta atividade. Ficava a imaginar quais das sessenta e cinco imagens seriam por eles escolhidas e a cada escolha, ainda que obedecesse as determinações indicadas por Elias (2012) para a seleção, obviamente elegia aquelas que mais tocavam o meu coração, tornando a simples visualização uma tarefa contemplativa de imenso valor.
Posteriormente, abri uma página no Facebook, mantendo o nome proposto pela Lilás – Projeto da Paz – convidando os quatro jovens para dela participarem, e compartilhei as sessenta e cinco imagens, tendo como intuito apresentá-las, a fim de serem utilizadas na intervenção RIME. Com a abertura da página, seguiu-se este texto explicativo.
Queridos Amarelo, Vermelha, Lilás e Azul...
Essas são as imagens selecionadas por mim para que nós possamos utilizá-las na Intervenção RIME (Relaxamento, Imagens Mentais e Espiritualidade). Imagino que algumas dúvidas surgirão e, por isso, elencarei alguns pontos que os ajudarão a entender a proposta deste grupo.
1. Vocês terão uma semana para visualizarem estas imagens, escolhendo apenas uma que tocará seus corações. A paisagem escolhida deve ser aquela na qual vocês se sintam aconchegados, protegidos e acarinhados. Aquela na qual sua beleza tire o fôlego e lhes façam pensar que poderiam passar horas dentro dela.
2. Após esse tempo de observação e escolha, vocês me dirão via Whatsapp (não no grupo) qual a eleita para que eu possa revelá-la e deixá-la na diretoria do colégio.
3. Após o recebimento da fotografia, procurem, sempre que der, imaginarem-se transitando por ela, extraindo todas as energias benéficas que elas potencialmente possuem.
4. Também enviarei, dentro em breve, algumas músicas para relaxamento e vocês também terão a possibilidade de escolher a que mais lhes agrada. Essa música escolhida por vocês será escutada quando eu estiver aplicando a RIME.
5. Nós teremos três encontros para a aplicação da RIME que serão individualizados. Ficarei com vocês por uma hora apenas. Pretendo atender duas pessoas em um dia e duas em outro. Se cumprirmos os prazos direitinho, teremos um encontro de apenas uma hora quinzenalmente e em apenas três semanas concluiremos o trabalho.
Beijos e um abraço afetuoso! Raíssa
Em um momento posterior, enviei as músicas que haviam sido sugeridas por Elias, sendo elas: Antares, Azul, os anjos, Santiago, Shedagon, Verde, Uma prece. Diante das escolhas feitas, levei as fotografias à escola como combinado anteriormente, iniciando os encontros na semana seguinte.
Dessa forma, o processo alquímico de transformação psico-espiritual, através da RIME, junto aos jovens enlutados seguiu o percurso proposto por Edinger (2006) no qual a prima matéria corresponde à identificação do conteúdo a ser trabalhado na psicoterapia. A discussão sobre a prima matéria remonta aos filósofos pré-socráticos que imaginavam que a mesma, sendo a responsável pela criação de todos os objetos físicos do mundo, era composta pelos quatro elementos: terra, ar, água e fogo, que ao serem diferenciados e unidos em proporções diferentes, formavam os demais objetos, incluindo o próprio homem.
Analisando essa ideia pela perspectiva psíquica (EDINGER, 2006), podemos visualizar a prima matéria como um elemento ubíquo, encontrado, inclusive, nas atuações humanas mais corriqueiras; localiza-se na sombra, espaço destinado na nossa psique para os aspectos mais dolorosos da nossa personalidade, iluminados ao serem trazidos para a consciência; habitualmente chegam à consciência na forma de conteúdos múltiplos e fragmentados, sendo identificados como partes conflitantes de um único objeto, gradualmente, ao longo do processo psicoterápico; e, por fim, não tendo fronteiras ou formas definidas e sendo oriundos da instância inconsciente, mais especificamente da sombra rechaçada pelo ego, podem provocar no último o temor da dissolução e das possibilidades que sua ampliação, ao integrá-los, pode gerar.
Nestas condições mencionadas, a prima matéria se encontra no estágio nigredo que, no caso específico dos jovens enlutados, é representado pela Dor Espiritual da Perda. Dor esta que, muitas vezes, mantendo-se na sombra, permanecendo desconhecida, inviabiliza uma elaboração adequada. Em função disso, a matéria no estágio nigredo, ou seja, a Dor Espiritual da Perda, deve passar pela sua primeira operação alquímica.
Para Edinger (2006, p.34), cada uma das operações alquímicas é:
[...] o centro de um elaborado sistema de símbolos. Esses símbolos centrais da transformação compõem o principal conteúdo de todos os principais produtos culturais. Eles fornecem a categoria básica para a compreensão da vida da psique, ilustrando praticamente toda a gama de experiência que constituem a individuação.
A operação alquímica aqui processada inicialmente é a solutio, tencionando que a prima materia passe do estágio nigredo para o estágio albedo. Sendo considerada um dos principais procedimentos da alquimia, a solutio tem como característica básica a transformação do sólido em líquido. Neste sentido, os alquimistas a concebem como o retorno da prima matéria ao espaço aquoso do útero objetivando um novo nascer, um renascimento, através da extinção de uma forma, dando origem a uma nova forma restaurada.
Na psicologia analítica, a solutio promove o diálogo nem sempre amistoso entre o ego e o inconsciente, unificando-os através da condução ao centro transpessoal da psique, o si-mesmo. Assim, para que tal operação se processe, faz-se necessário que os conteúdos sombrios do inconsciente emerjam, a fim de serem analisados, confrontando-o com as atitudes até então empreendidas pelo ego. Edinger (2006, p. 77) menciona como equivalentes simbólicos da solutio ações geradoras de interação com o elemento água, por relacionarem-se “[...] com o simbolismo do batismo, que significa uma purificadora e rejuvenescedora imersão numa energia e num ponto de vista que transcendem o ego”.
Na aplicação da RIME com os jovens enlutados, inseri a água e o simbolismo do batismo na visualização das imagens mentais através do banho de mar, do banho de cachoeira, e do banho de chuva. Dessa maneira, ao propor que os jovens enlutados se banhassem nas águas, tencionei que neste momento todos os seus sofrimentos, dores, culpas, arrependimentos e crenças na falta de perspectivas fossem lavadas, resultando na transformação dos pensamentos, sentimentos e crenças limitantes.
Após essa primeira operação, a prima matéria, antes negra, evolui para o estágio albedo, passando por um processo de embranquecimento. Todavia, este embraquecimento não ocorre por inteiro e nem rapidamente, evoluindo de maneira gradual. Dessa maneira, o
nigredo desaparece, dando passagem para o albedo com sua claridade, quando a aurora é anunciada pela cauda do pavão. Na aplicação da RIME com os jovens enlutados, o Ser Espiritual de Luz oferece túnicas para serem vestidas. Uma é escolhida e será usada durante todo o trajeto da visualização. As túnicas, sendo nas cores dos sete principais chacras estudados pela medicina chinesa, têm como intuito equilibrar seus corpos espirituais.
Até agora, a prima matéria passou por dois estágios alquímicos, o nigredo e o albedo, e por uma operação alquímica, a solutio. Nessa fase do processo alquímico, sendo o estado de brancura do albedo considerado pelos alquimistas uma condição ideal abstrata, afastando-se da realidade concreta, almeja-se chegar ao rubedo, considerado a vermelhidão da vida. Em termos psíquicos podemos pensar nele como o responsável por trazer vitalidade ao novo estado de consciência. No entanto, para que este estágio seja atingido, precisa-se passar por uma nova operação alquímica, a coagulatio.
Edinger (2006, 101) explica que a coagulatio pertence ao simbolismo do elemento terra:
[...] em termos essenciais, a coagulatio é o processo que transforma as coisas em terra. ‘Terra’, por conseguinte, é um dos sinônimos para coagulatio. Pesada e permanente, a terra tem forma e posição fixas. Não desaparece no ar por meio da volatilização, nem se adapta facilmente à forma de qualquer recipiente, ao contrário da água. Sua forma e localização são fixas; assim, para um conteúdo psíquico tornar-se terra precisa concretizar-se numa forma localizada particular, isto é, tornar- se ligada a um ego.
Dessa maneira, podemos afirmar que a operação coagulatio ocorre quando o ego se desenvolve, ampliando-se e assimilando o conteúdo inconsciente que vem sendo trabalhado no processo terapêutico. O desenvolvimento do ego delineia-se como um processo