5. SONUÇLAR 121
5.1 Bu Alanda Yapılabilecek Diğer Çalışmalar ve Öneriler 127
Após a fundação de várias federações, ligas e confederações nacionais e internacionais há uma corrente dos que querem sua inserção no Comitê Olímpico Brasileiro, possivelmente pleiteando uma participação nos jogos olímpicos. Em contra partida há aqueles que querem sua isenção em federações e competições. Entendem estes mestres, mais “conservadores”, que a capoeira é componente fundamental da cultura brasileira, devendo-se preservar suas características primitivas. Continua assim uma batalha que teve origem na sua adaptação para o esporte no início do séc. XX. Segundo matéria da revista “Praticando Capoeira” (ano III nº37 de 2006). Conde Bernardo entende que a capoeira é ampla demais e não pode apenas ser enquadrada num esquema desportivo, restrita como atividade física e esporte. Pois muito mais que isso, é uma manifestação do povo brasileiro. Portanto não deveria ser submetida ao sistema de fiscalização ligada à Educação Física.
Nessa perspectiva, entende-se que a capoeira veio antes de tudo isso, como uma forma do povo se expressar e posicionar politicamente, em entrevista na revista Praticando Capoeira (2006), o mestre Mão Branca, responsável por um dos maiores
36 grupos de capoeira da atualidade, com alunos ministrando aulas na América do Sul, Europa, Canadá e Estados Unidos, com a regulamentação e inclusão da capoeira no sistema educacional brasileiro, favorece-se a expansão deste esporte, pois tem- se acesso a um nicho da população até então menosprezada que é representada pela faixa etária de 3 a 14 anos de idade, que era minoria nas academias. Já, no exterior tem-se um público que vai dos 15 aos 35 anos.
Para Nestor Capoeira, “A capoeira está passando por um período de ouro com possibilidades que não existiam para os que se foram antes de nós” (CREDRIAK, 2006). Vamos nos preparar também no corpo, na cabeça e no espírito, afirma.
Nestor Capoeira aponta os meios de comunicações como principais responsáveis pela valorização atual da capoeira. A visibilidade que a modalidade alcançou atualmente deixa mais evidente a necessidade dos debates sobre a legitimidade de quem pode ou não dar aula de capoeira.
Do lado dos “velhos capoeiristas” fica o inconformismo pela condição à qual a capoeira foi jogada. Do outro lado, os burocratas, a espreita de brechas nas leis, tentando a qualquer custo apropriar-se dos bens culturais da humanidade em todas as esferas.
Para Luiz Renato Vieira – o capoeirista precisa adaptar-se à nova condição social da capoeira.
(...) partindo-se do principio de que as oportunidades que surgem com a descoberta do potencial pedagógico, esportivo, cultural e lúdico da capoeira, as possibilidades não estão adequadamente aproveitadas, o amadorismo e a informalidade, que durante muitos anos pautaram a conduta do capoeirista (afinal, não podia ser diferente, pela condição da capoeira à época). Precisam dar lugar a uma nova atitude (...) Entretanto, ainda vigora em muitos círculos capoeirísticos o que podemos chamar de “discurso da vitimização”, em que damos ênfase à nossa história de perseguição e lutas de resistência do que às oportunidades que se abrem no mercado de trabalho. (21)
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21 – Revista Praticando Capoeira, ano III, n° 37- 2006, 32, 33- Luiz Renato Vieira, é Doutor em sociologia da cultura. Mestre de Capoeira e Consultor Legislativo do Senado Federal.
37 Com as observações citadas acima, podemos apontar entre os capoeiristas e federações, ligas e confederações uma disputa jurídica que tramita no âmbito político, envolvendo os capoeiristas em todas suas esferas. Enquanto federações se apegam nos artigos legais esportivos, tentando alguma forma de manter o controle dos corpos, controle esse que outrora era feito pelo Estado, agora é feito pelo próprio capoeirista mais politicamente esclarecido e passam a representar a classe junto aos governos, sem o respaldo da maioria dos praticantes da modalidade em questão.
Do outro lado, os capoeiristas que não se sentem motivados a participarem das federações; apóiam-se no direito adquirido pela transmissão ancestral da cultura, que é passada entre as gerações familiares. Além do estado de direito reclamados pelos herdeiros de parte da cultura e dos “bens” culturais brasileiros, também se apóiam nas Leis como a Lei Zico que foi revogada, entrando em vigor a Lei n°9.615, de 24 de março de 1998, conhecida como Lei Pelé.
A nova lei institui normas gerais sobre o desporto no Brasil, estando inserida no seu contexto a capoeira. De acordo com a Lei Pelé, não existe obrigatoriedade de nenhuma entidade desportiva, que pratica e faz capoeira, de filiar-se às Associações, Federações, Confederações e Ligas. Os grupos de capoeira são autônomos para legalmente instituírem os seus princípios e identidade. Não sendo, portanto, obrigados a vincular-se ao modelo hoje existente. Sendo reconhecida á legitimação dos negros e seus descendentes em deter o controle institucional da capoeira ou sendo a mesma controlada pelo Estado, não se pode esquecer que a capoeira é uma modalidade esportiva já praticada pelos africanos e afro- descendentes, antes mesmo do Estado brasileiro entender a real importância da prática do esporte como controle do bem estar social para a higiene e saúde. Portanto, uma modalidade com características particulares e com seus ritos próprios da sua condição negra de origem.
Paralelo a esta visão, procura-se nesta pesquisa, as conotações culturais e as características religiosas nas práticas voluntárias e educativas da capoeira. Por meio destas observações aprofundaremos nossos conhecimentos acerca dessa
38 modalidade de autocontrole dos corpos, e do conjunto de ritos contidos no contexto social desta modalidade esportiva.
Numa análise feita a partir da sociologia e antropologia do corpo e do esporte, podemos elucidar (preenchendo algumas lacunas da cultura corporal afro- descendente) e desmistificar o universo simbólico que estrutura e envolve as redes de relações sociais que se estabelecem na capoeira enquanto esporte e manifestação cultural. Elementos religiosos construídos pela população a partir de seu cotidiano suburbano convergem para um novo entendimento da capoeira no âmbito religioso, subentendendo um novo paradigma num velho fundamento, aparentemente estruturado no pilar da religiosidade africana, surgindo desta mesma vertente o oposto, o gospel afro na capoeira (22).
Como mencionamos, a capoeira primitiva surgiu e se propagou livre em corpos cativos, e, pela imitação das expressões corporais se enraízam nas tradições familiares, sendo reproduzida e transmitida pela força da ancestralidade. Como toda visão do corpo, a capoeira está exposta a servir como mecanismo social de prestigio.
E é precisamente na noção de prestígio da pessoa que torna o ato autorizado em relação ao indivíduo imitador, que se encontra todo o elemento social das técnicas corporais. É possível afirmar que o culto ao corpo, com todos os rituais de embelezamento, rejuvenescimento e modelagem das formas a ele associados, deve grande parte de sua propagação a uma imitação, baseada no prestígio conferido àquelas (e àqueles) que ostentam um físico dentro de determinado padrão estético. (GOLDEMBERG, 2001)
Com isso, ela desponta neste milênio como uma forma de doutrina dos corpos e das almas de seus adeptos, emergindo rapidamente no mundo sob a denominação de capoeira evangélica ou capoeira gospel.
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22 – Um novo conceito para a capoeira que é praticada nos templos Evangélicos, parecendo tomar novo formato nos seus fundamentos.
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CAPÍTULO II