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2. KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.3. Brassica nigra L. (Hardal) Bitkisi, Polenleri ve Diyabet ile İlişkisi

Segundo Bulea, a figura de ação ocorrência constitui uma compreensão do

agir-referente32 como próximo à sua textualização e, por isso, caracteriza-se “por um fortíssimo grau de contextualização” (BULEA, 2010, p.123) no sentido de mobilizar intensamente os elementos disponíveis no contexto imediato do actante.

32 Referente a um agir geral das pessoas quando se realiza ou será realizada uma determinada ação.

Para a autora, essa contextualização é alicerçada na identificação e na designação dos elementos do agir sob o ângulo de seu caráter particular. Essa figura de ação ocorrência se apresenta “essencialmente sob a forma de junção de elementos diversos e heterogêneos relacionados ao agir em curso” (BULEA, 2010, p. 123). O autor fala sobre:

 gestos e atos do próprio actante realizados ou a serem realizados:

“Eu apenas desinfeto/ reponho um saco limpo/ vou talvez lhe falar de seus filhos...” (BULEA, 2010, p. 125).

 gestos e atos que incumbem outras pessoas de algo:

“Eles fazem seu controle pelo dreno.” (BULEA, 2010, p. 125).

 prescrições do métier no momento da interação:

“Não é preciso mobilizá-la por enquanto chamei o chefe de clínica.” (BULEA, 2010, p. 125).

 atos anteriores realizados pelo actante ou por outros interactantes:

“Ela tem uma lâmina/ ondulada na bolsa...” (BULEA, 2010, p.125).

 acontecimentos atuais ou anteriores ligados à pessoa a quem o actante faz referência:

“Ela teve uma colecistectomia, então nesse caso o fato de que seu filho tenha visto.” (BULEA, 2010, p. 125).

 conhecimentos do actante a respeito da pessoa citada na interação e de seu estado:

“Ela tem dores importantes/ ele passou uma boa tarde.” (BULEA, 2010, p. 125-126).

 apreciações, avaliações ou hipóteses:

“Eu não sei o que há debaixo hum/ isso pode ser stéristrips presilhas ou fios.” (BULEA, 2010, p. 126).

 objetos, materiais ou instrumentos que podem ser utilizados pelo actante ou pelos interactantes:

 regras ou obrigações aplicadas ao contexto em questão:

“Ela tem um dreno de Kehr que é para deixar de qualquer maneira, durante dez – doze dias porque depois eles fazem seu controle pelo dreno.” (BULEA, 2010, p. 126).

Bulea ressalta que o aparecimento desses elementos nem sempre seguem uma ordem cronológica ou lógica. Entretanto, esses elementos revelam certa ordem ou, nas palavras da autora, “uma solidariedade de conjunto”, que procede, em particular, do fato de que eles são “duplamente situados: de um lado são compreendidos de maneira correlativa por meio de relacionamentos sucessivos, sendo dessa forma mutuamente situados” (BULEA, 2010, p.126); de outro lado são situados simultaneamente em relação ao contexto de produção textual.

Segundo Bulea (2010), quanto à organização discursiva, essa figura de ação ocorrência aparece quase que exclusivamente nos segmentos de discurso interativo. Podem surgir formas de discurso indireto nesses segmentos33. Como essa figura depende do discurso interativo, seu conteúdo temático está intimamente ligado aos parâmetros físicos e aos actantes da situação de produção em que ocorre a interação conforme uma dada referência temporal (começo e fim). Essa referência temporal pode ser identificada pelas formas verbais a seguir:

 localizações de posterioridade, mobilizando formas do futuro, como os futur proche / futur simple, que correspondem ao nosso futuro do presente:

“[...] Eu só vou ter essa resposta a partir dos primeiros contatos com a sala, procurando conhecer a história tanto acadêmica quanto de leitura de cada um dos alunos [...]” (Turno 15 – Profº Ronaldo – 1ª entrevista).

 localizações de simultaneidade, mobilizando o presente do indicativo, forma que marca, nesse caso, a inclusão dos processos codificados pelo verbo na duração da interação em curso:

“Eu vejo, por exemplo, que a democratização do ensino superior que acontece agora, nesse milênio... ela é benéfica em alguns aspectos...” (turno 09 – Profº Ronaldo – 1ª entrevista).

Além dessas três localizações realizadas em razão da temporalidade no momento da interação, a autora constatou o surgimento e a mobilização de eixos de

referências locais (delimitados e ilimitados). Esses eixos, em sua maioria, são

delimitados. Nesse caso, retomam o momento da realização da tarefa sob a forma do tempo verbal presente com valor psicológico:

“[...] A primeira pergunta que faço para eles é: ‘Quais os conhecimentos que você tem que estruturam uma oração? ’ (Primeira entrevista – Professor – turno 13).// Eu pergunto: ‘Vocês não leem nem jornal do metrô que é distribuído gratuitamente? ’ [...]” (turno 15 – Profº Ronaldo – 1ª entrevista).

Os eixos ilimitados, extremamente raros, aparecem sob a forma do tempo presente genérico, constituindo-se objeto de uma localização neutra:

“É... (o termo)... é do ensino como transmissão... é passar conhecimento ao aluno... o aluno é um recipiente no qual você deposita conhecimento... é uma concepção bancária da educação como feito... e... o que... que acontece... com isso... o aluno fica no papel passivo [...]” (Turno 191 – Profº Ronaldo – 2ª entrevista).

A autora ressalta que a presença dessa figura de ação ocorrência pode indicar conhecimentos teóricos profissionais do actante ou da pessoa a quem ele se refere no momento da interação. Quanto aos dêiticos temporais existentes nessa figura de ação ocorrência, Bulea (2007; 2010) ressalta que é muito difícil decidir se certas expressões temporais (logo mais, logo, essa manhã, agora) referem-se realmente ao tempo verbal marcado no momento da interação. Entretanto, elas marcam um eixo de referência temporal, antecipando a situação em curso e, portanto, “uma origem temporal que atrai um relato, ou essas expressões temporais uma constituem eixos de referência locais no interior do discurso interativo” (BULEA, 2010, p. 129):

“Tem alunos que respondem para mim: ‘Ah, professor, eu nunca li um livro inteiro’ – ‘ Nunca, no primeiro semestre do ensino superior’. Nunca leu um livro inteiro – ‘O que você lê? ’... ‘Eu pergunto: - Vocês não leem nem jornal do metrô que é distribuído gratuitamente’... ‘Uns leem, outros não leem’ [...]” (Turno 15 – Profº Ronaldo – 1ª entrevista).

Segundo Bulea, esse fenômeno de hesitação quanto à tomada do eixo de referência temporal é uma característica da figura de ação ocorrência. Esse fenômeno revela que há uma dificuldade dos actantes durante o momento de interação (discurso interativo) em vislumbrar o “conteúdo evocado” em um “mundo discursivo disjuntivo das coordenadas do mundo ordinário dependendo do relato propriamente dito” (BULEA, 2010, p.129). Assim,

o relato implicaria notadamente operar o distanciamento dos fatos relativos ao cuidado realizado em relação ao contexto da produção verbal em curso, em seguida em operar psicologicamente uma delimitação temporal do agir que permitiria situá-lo globalmente antecipando-se à situação de entrevista (BULEA, 2010, p.129-130).

Para a autora, essa hesitação ou resistência discursiva comprova a “real manutenção do agir-referente” em uma situação de proximidade, de continuidade com relação à situação de interação verbal, isto é, “num mundo sempre diretamente acessível (compreendido sob a forma de discurso interativo), ainda que potencialmente dissociável deste, e reconhecido como sendo da ordem do narrar – (e então compreensível sob forma de relato)” - (BULEA, 2010, p.130).

Quanto às marcas de agentividade na figura de ação ocorrência, Bulea (2010, p. 130) ressalta que a forte ocorrência do uso do pronome eu marca a equivalência entre a “instância emissora do texto e o autor dos processos evocados”, assinalando, assim, uma forte implicação nos atos constitutivos do agir. O pronome tu, que para nós corresponde ao você com valor genérico, é totalmente ausente nessa figura e corresponde à pessoa do discurso em interação com o enunciador (exemplo: pesquisador e participante da pesquisa). Há, ainda, o pronome nós ou a gente, que identifica também os participantes da interação em curso e pode aparecer de forma genérica para identificar o próprio coletivo de trabalho (nós vamos trabalhar ou a gente vai trabalhar).

Quanto aos interlocutores envolvidos na interação, estes podem ser chamados pelos próprios nomes ou diretamente pelos pronomes pessoais correspondentes (ele, ela, lhe), unidades que Bulea considera como anafóricas. Em relação a esses dêiticos de pessoa, a autora esclarece que o “funcionamento deles não tem nenhuma antecidade na entrevista, portanto considera que sejam compartilhados entre entrevistador e entrevistado” (BULEA, 2010, p.131).

Quanto aos modalizadores que podem aparecer nessa figura de ação, encontramos os pragmáticos: querer fazer, tentar fazer, buscar fazer, querer tentar fazer; alguns com valores psicológicos: tentar pensar; os lógicos: talvez, é verdade, é certo; e os deônticos: é preciso, é necessário (BULEA, 2010).

Benzer Belgeler