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necessário abordar a informação veiculada pelos meios de comunicação de massa.

Os meios de comunicação são vistos, segundo SOUSA (1995, p.35), não apenas como veículo, mas como expressão que questiona e reconhece, os espaços de construção de valores, ainda que sejam valores grupais. Os espaços aos quais o autor se refere são ao mesmo tempo de negociação e de debates, já que valores, longe de serem expressão de sentido dado apenas pelo produtor ou pelo receptor são, segundo ele, o que exprime o processo no mesmo local no qual eles ocorrem.

Algumas pesquisas de recepção recentemente realizadas têm confirmado, segundo BORELLI (1995), o pressuposto teórico da existência de um contrato de leitura, ou melhor, de um pacto de recepção que prevê que os leitores/espectadores possam se situar como sujeitos ativos, constitutivos e constituintes dos processos de comunicação.

Mediados por suas experiências cotidianas e por repertórios que resultam de suas posições de classe, gênero, geração, etnia e formas de subjetivação, os receptores mergulham no fascínio das narrativas, histórias, enredos e personagens, reconhecendo os territórios de ficcionalidade, dialogando com as dimensões da videotécnica, estabelecendo conexões de projeção e identificação e construindo uma competência textual narrativa. (BORELLI, 1995).

A prática de informação é eminentemente situacional. Adquire conotações diferentes de acordo com a posição dos sujeitos nos processos comunicacionais e de acordo com o seu poder maior ou menor sobre o significado e a posse legítima dos meios para absorvê-los e interpretá-los.

Recife.1989.

Absorver e interpretar informações, principalmente as veiculadas pelos meios de comunicação de massa, de certa forma induz a pensar na indústria cultural, numa estrutura comunicacional que é dada a partir da emissão e que “não supõe, em

nenhum momento alguma alteração comunicacional. A única liberdade reservada ao receptor é a de escolher entre diferentes mensagens” (MARTELETO, 1992, p.107), e isso não altera as relações de comunicação que normalmente são orientadas pelo lucro.

Sob esse aspecto a atuação dos meios de comunicação de massa provocam uma situação, por vezes, ambígua, onde ao mesmo tempo que informam lançam uma avalanche de informações irrelevantes, tendenciosas, imprecisas, repetitivas, distorcidas e inadequadas, que acabam por confundir os sujeitos envoltos nessa rede de fontes e canais de informações de acessibilidade fácil. A esse respeito, FIGUEIREDO (1979, p.128) fala de um “princípio do menor esforço” justificado pelo fato de que, habitualmente, uma fonte de informação é escolhida por demandar menor custo em termos de esforço físico e psicológico, não tanto por ser, talvez, a mais indicada para o fornecimento de determinada informação mas sim pela facilidade do acesso.

E assim, a informação chega aos jovens de forma mais direta através do rádio e da televisão. Nesses veículos a ambiguidade se faz presente onde

“convivem num mesmo universo iniciativas de debate

crítico dos problemas sociais, informações consistentes sobre abuso de drogas, prevenção da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis e da AIDS, orientação para educação e a escola profissional com programas de banalização da violência, erotização exacerbada da adolescente com respectiva valorização de comportamentos machistas dos adolescentes”. (UNICEF, 2002b, p.55)

A esse respeito, Agência de Notícias dos Direitos da Infância – ANDI4 acompanha de maneira constante, desde março de 1997 a evolução do comportamento editorial da mídia jovem. Entre os diversos produtos gerados destaca-se a "Pesquisa ANDI - Os Jovens na Mídia". É um projeto dedicado aos suplementos de jornais e revistas. A pesquisa oferece uma mensuração do volume de matérias socialmente significativas, trabalhadas por este segmento da mídia a cada seis meses. Por meio de um sistema de classificação, alguns temas são considerados como de ‘Relevância Social’: Aids & DST; Cultura; Direitos & Justiça; Drogas; Educação; Família; Formação Profissional; Gravidez; Meio Ambiente; Mídia; Portadores de Deficiência; Projetos Sociais; Protagonismo Juvenil; Saúde; Sexualidade e Violência.

As temáticas relacionadas à saúde do jovem e do adolescente vêm registrando tendência de crescimento ao longo das edições da Pesquisa realizada pela ANDI.

“Isso não significa, entretanto, que já tenham alcançado

o patamar ideal. Assuntos prioritários, como a prevenção à Aids e às DST, vêm aos poucos rompendo a resistência, durante muito tempo cristalizada, nas pautas de alguns veículos. A questão da gravidez precoce, porém, ainda encontra sérios limites em um número preocupante de publicações” (VIVARTA, 1999) Neste cenário, a informação assume uma maneira de comunicar as visões de mundo para e entre os jovens, com todas as suas influências, necessidades e urgências.

Diante do exposto fica como ponto reflexivo a possibilidade de pensar o jovem de periferia urbana como um sujeito interativo-informacional-aprendiz.

4 ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância, ONG de Brasília, que vem desenvolvendo uma

série de projetos voltados para apoiar os profissionais de imprensa a realizar uma cobertura das questões relativas à infância e à adolescência, a partir da ótica dos direitos humanos.

A partir do pressuposto de que o sujeito interativo-informacional-aprendiz tem capacidade de interagir com a informação contextualizando-a e construindo sentidos com visão crítica, cabe aqui considerar e analisar a realidade cultural e sócio-econômica dos jovens de periferia urbana e suas habilidades cognitivas e inferenciais. Parece que apenas a maturidade do ponto de vista da idade não é suficiente para que tenham capacidade de produzirem sentidos diante de determinada estrutura informacional, neste caso a competência cognitiva (em formação) e suas vivências pessoais também são fundamentais na dinâmica da produção de sentido.

3. JUVENTUDE E GRAVIDEZ PRECOCE: A INFORMAÇÃO EM

Benzer Belgeler