4.1. Boz Irk Sığırlarda vücut ölçüleri
4.1.5. Boz Irk Sığırlarda Göğüs Derinliği (GD)
Fonte: Dados da pesquisa (2012), autorizada pela APAE de Ubá
A pesquisa de campo revelou ainda que, dos 159 educandos matriculados nas
APAEs Rurais, no período de realização desta pesquisa, de 2010 a 2012, 45 estão trabalhando diretamente nas empresas dos municípios sede das APAEs, sendo 39 com carteira assinada e 6 fazendo estágio remunerado. Na distribuição dos alunos no mercado de trabalho em Viçosa, 14 trabalham com carteira assinada e 2 fazem
99 estágio; em Visconde do Rio Branco, 15 trabalham com carteira assinada e 2 fazem estágio; em Ubá, 10 estão trabalhando com carteira assinada e 2 fazem estágio. Em oficinas abrigadas13, eram 38 educandos.
Observando o quadro abaixo, a colocação seletiva dos educandos no mercado de trabalho no período pesquisado, a APAE Rural de Ubá apresentou menor colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho em relação às demais APAES.
Quadro 3– Colocação seletiva14: Formação para o Trabalho - Empresas
Fonte: Dados da Pesquisa, 2012.
Entretanto, de acordo com as informações obtidas, ao longo do tempo, o volume de colocações são superiores às demais APAES. Analisando o histórico das instituições pesquisadas, principalmente no que se refere ao ano de fundação, constatamos que essa superioridade de colocação de educandos capacitados no mercado de trabalho deve-se ao fato de ser a APAE de Ubá a mais antiga em relação às outras e de, em 2000, esta instituição ter implantado o Projeto de Colocação no Mercado de Trabalho, visando à preparação para o mercado de trabalho em sua outra sede, situada no sítio Boa Esperança, denominada APAE Rural.
13 Refere-se a trabalho produtivo e remunerado em regime especial realizado no espaço da instituição formadora.
14
Processo de contratação regular em conformidade com a legislação trabalhista e previdenciária, que precisa da adoção de procedimentos e apoios especiais para se concretizar.
Colocação Seletiva
Educandos das APAES Viçosa Visconde Rio
Branco Ubá Total
Não trabalham 41 35 0 76
Programa Formação para o
Trabalho (APAE) 0 0 38 38
Trabalho dentro da Empresa 14 15 10 39
Estágio na Empresa 02 02 02 06
100 As oficinas abrigadas compõem este projeto de formação profissional, oferecendo aos educandos com deficiência oportunidade de eles realizarem atividades terapêuticas, mas focando em capacitar esses educandos para exercerem atividades produtivas nessas oficinas e, ainda, em prepará-los para serem inseridos no mercado de trabalho nas empresas parceiras da APAE, com a finalidade de obtenção de renda para os educandos e para melhorarem as condições econômicas das suas famílias.
Em relação à preparação para o trabalho na APAE Rural de Visconde do Rio Branco, parte das atividades é realizada na APAE da cidade, como escolaridade, formação humanística e informática; e outra parte, ligada a oficinas, esportes, lazer, a lidar com agricultura e cuidar de animais, é realizada na APAE Rural.
Na APAE Rural de Viçosa, a preparação para o trabalho acontece em sua sede, onde os educandos realizam atividades escolares, artesanatos e esportes. O curso de Informática é realizado na sede do Centro Tecnológico Vocacional (CTV/UFV); e, ainda, na Casa Experimental, as alunas se qualificam para o mercado de trabalho com cursos específicos voltados para gerenciar o lar, como Culinária, Artesanato, Limpeza Doméstica e Arrumação. Ressalta-se que as APAEs de Visconde do Rio Branco e Viçosa não possuem oficinas abrigadas.
As empresas parceiras que estão empregando as pessoas com deficiência pesquisadas apresentam perfis de atividades produtivas bastante diferenciadas, como: hospital, plano de saúde, ensino e capacitação, posto de gasolina, câmara municipal, grupo de empresas do ramo de alimentos, grupo de empresas do ramo de móveis.
A colocação seletiva é uma forma legal de incluir a pessoa com deficiência no Mundo do Trabalho que está amparada pelo Decreto nº 3298/99, que regulamentou a Lei nº 7853/89, a qual se refere à Política Nacional da Pessoa com Deficiência, no art. 35. Essa política define esta modalidade de contratação na forma regular, sendo necessário, portanto, recorrer a procedimentos especiais para se adequar à legislação trabalhista e previdenciária. Esses procedimentos especiais são as orientações, as supervisões, contribuição técnicas e outros instrumentos que visam compensar as limitações funcionais, motoras, sensoriais ou mentais da pessoa com deficiência, visando superar as barreiras da mobilidade, da
101 comunicação e permitir o aproveitamento pleno de suas potencialidades (SILVA; BEZERRA; DUARTE, 2010).
A pesquisa apontou três modalidades de colocação seletiva nas APAEs Rurais. Na primeira delas, a pessoa com deficiência realiza atividades na própria instituição que está associada relacionada à confecção de artesanatos, brindes e montagem de pregador, sem relação com a atividade fim da empresa, mas gerando renda para essa pessoa e sua família. Essa modalidade tem sido considerada inclusiva, principalmente para deficientes mais comprometidos que dependem de procedimentos de apoios especiais. Na segunda modalidade de colocação seletiva, a pessoa com deficiência realiza atividades produtivas para determinada empresa, também nas dependências da APAE, sendo remunerada por essas atividades. Porém, essa modalidade estando ligada a atividade fim da empresa a exigência de seguir padrões de qualidade dos produtos e serviços são maiores para essas pessoas com deficiência. Em contrapartida, nessas duas modalidades apresentadas de colocação seletiva, apesar de exercerem atividades produtivas nas dependências das APAEs, não caracterizando essa modalidade como inclusiva, as pessoas com deficiência e suas famílias percebem renda, além disso, observa-se os aspectos positivos em que são valorizadas e se valorizam pelo que fazem, elevando sua dignidade e autonomia. Ressalta-se ainda que na segunda modalidade os educandos com deficiência não tem os mesmos benefícios se estivesse trabalhando dentro de uma empresa.
A terceira modalidade é aquela em que a pessoa com deficiência realiza as atividades produtivas na própria empresa, como qualquer trabalhador contratado. Ainda há a forma de colocação no mercado de trabalho por meio do estágio na empresa, onde o aprendiz tem a oportunidade de se qualificar e de ocupar essa vaga.
A APAE de Ubá possui essa modalidade de contratação seletiva, por meio de convênio assinado com o Sindicato Intermunicipal da Indústria de Marcenaria de Ubá (INTERSIND). As empresas que compõem este sindicato utilizam a mão de obra dos alunos da APAE na montagem de kits de ferragens (composto por parafusos, dobradiça e outros componentes usados na montagem dos móveis). Há, no entanto, um dispositivo contrário a essa modalidade de contratação no Ministério do Trabalho e Emprego: em 14/11/2007, por meio da Nota Técnica nº
102 252/RR/DEFIT/SIT/TEM, ficou estabelecido que a contratação seletiva realizada fora da empresa não cumpre meta da empresa em relação à Lei de Cotas e que se constitui em segregação da pessoa com deficiência. Contrários a esse dispositivo da lei supracitada, Silva; Bezerra; Duarte (2010, p. 09), argumentam que “essa diretriz de política pública governamental anula possibilidades ao invés de criá- las” e enfatizam:
“Apesar de a pessoa permanecer na APAE e não trabalhar na
atividade da empresa que a contratou, os participantes da discussão identificaram que este tipo de contratação possibilita a inserção social da pessoa que tem maior grau de comprometimento (aquela que necessita de procedimentos e apoios especiais), uma vez que a empresa contratante fica com a produção do artesanato e paga um
salário a quem o produziu.” (SILVA; BEZERRA; DUARTE, 2010 p.
09)
Segundo Silva; Bezerra; Duarte (2010), apesar de as pessoas com deficiência não trabalharem na empresa que os contratou, o que se percebe é que são valorizadas pelos seus familiares e pela sociedade por serem esses indivíduos considerados capazes ao demonstrarem suas potencialidades.
Quanto ao processo preparação para o trabalho e profissionalização visando à inserção social e no mundo do trabalho da pessoa com deficiência, foi percebido, através da pesquisa, que a própria pessoa com deficiência envolvida nesse processo reconhece sua capacidade e sua habilidade e fica feliz em colocá- las em prática. A seguir, o depoimento de uma Coordenadora do Programa de Educação e Renda:
“Enquanto educadora do Programa de Educação para o Trabalho,
Emprego e Renda, posso ressaltar que a aquisição da autonomia, independência e autogestão pelos alunos é muito satisfatória. Percebemos o quanto é importante o trabalho realizado a partir da potencialidade de cada aluno, e não da deficiência que possui. Atualmente, sentimos no olhar de cada membro da família e também deles próprios a satisfação de produzir algo significativo para sua
qualidade de vida.”(Coordenadora)
Os profissionais entrevistados na pesquisa relataram pontos positivos quanto à autoestima dos deficientes em decorrência do envolvimento que têm nas oficinas terapêuticas e ocupacionais:
103 “Os alunos são bem participativos e colaboradores. Desempenham
bem as atividades, fazendo com que haja um bom resultado. As atividades por eles exercidas contribuem muito para sua autoestima.
Os aprendizes se mostram felizes e realizados.” (Professora)
“A criação de espaços de aprendizagem ultrapassa o aprender formal
para assumir um ambiente rico de um processo mais amplo, dentro da qual se situa a individualidade do aluno, com sua identidade; sendo assim, as oficinas ocupacionais são um espaço de aprendizagem global, onde o aprendiz pode exercer suas habilidades sem nenhuma pressão, demonstrando capacidades que elevam sua autoestima, melhorando seu convívio social e facilitando os relacionamentos
interpessoais.” (Professora)
“Houve um desenvolvimento significativo dos aprendizes, pois
melhorou a autoestima, coordenação motora, movimento de pinça, postura, etc. A participação nas atividades levou à cooperação,
colaboração e coleguismo entre eles.” (Professora)