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2.3. İlköğretim I Kademe 7-12 Yaş Çocuklarının Gelişim Özelliklerine Bakış

2.4.1. Üç Boyutlu Çalışmalarda Kil ve Önemi

Uma das primeiras funções que se associam ao patrimônio é a nossa necessidade psicológica de lembrar. “Preservar a memória de fatos, pessoas ou idéias, por meio de

constructos que as comemoram, narram ou representam, é uma prática que diz respeito a

todas as sociedades humanas” (SANT’ANA, 2003, p. 46). Assim, os objetos e práticas que sobrevivem ao tempo seriam importantes referências vivas para a nossa lembrança e, como tal, seria bom que continuassem sobrevivendo ao tempo. A preservação seria então a proteção da memória coletiva: é neste momento que começam a aparecer as suas contradições e paradoxos, pois ou preservamos tudo – sempre como possibilidade de lembrança – ou temos que selecionar aquilo que consideramos como memória coletiva. Ocorre que a memória, ainda mais do que a História, acontece no terreno vago da subjetividade e é influenciada pelos tons da emoção e das condições momentâneas de quem lembra. Quando a História é apresentada como memória, ela é sempre uma suposição, uma representação: nunca é real. Quem lembra, lembra dos fatos segundo a ótica de quem os viveu e segundo o ponto de vista que possuía naquele momento: em uma situação de contenda, com a razão de um dos contendores, em uma situação de estresse coletivo, com toda a tensão provocada por aquele momento. Já vimos anteriormente como a memória individual interfere e “muda” a História (BOSI, E. 1983). Seria possível, portanto, uma memória única coletiva, uma memória “universal”? Assim, embora os artefatos continuem preservados, volta o problema central que procuramos marcar neste ensaio: diferentes objetos da memória levam a diferentes apreensões e valorações quando relacionados a diferentes grupos e diferentes valores da contemporaneidade, pois a memória coletiva é instável, o presente condiciona a memória. Na realidade, quando assumida por grupos, a memória configura um imaginário coletivo que colore com os tons do presente as supostas ocorrências do passado, pois “A memória só pode ser social se puder ser transmitida e, para ser transmitida, tem que ser primeiramente articulada. A memória social é memória articulada” (FENTRESS, J. & WICKHAM, C. conf. CHAGAS, 2003, p. 164). São, entretanto, diversas as maneiras de se articular a memória:

• como memória da cultura ela se misturaria com a tradição e com a dinâmica que a transforma22. “A memória é o centro vivo da tradição, é o pressuposto de cultura no sentido de trabalho produzido, acumulado e refeito através da história” (BOSI, A. s/d, p. 53). O fazer e refazer, embora tragam a sensação da imutabilidade, acrescentam, a cada geração uma novidade, sofrem uma influência transformadora, ainda que sutil ou imperceptível em um primeiro momento, mas que, somadas ao longo do tempo, se distanciam muito das suas origens. Mesmo quando falamos hoje da preservação do saber tradicional, como é classificado pela legislação do patrimônio imaterial, temos de ter a clareza que não estamos preservando as técnicas originárias, mas suas sucedâneas, as quais têm valor pelo seu lastro no passado, é claro, mas nunca com a ilusão de que estas seriam as mesmas do momento de seu surgimento e seus momentos iniciais;

• como “memória de todos”, onde na tentativa de universalização e criação de um termo comum, ganha-se em compartilhamento de coletividade, mas se perde o

singelo23;

• como instrumento de dominação política, dirigida a uma determinada de lembrar ou a uma versão oficial, conforme vimos anteriormente.No cenário contemporâneo, a intermediação da mídia torna ainda mais frágil a memória coletiva, pois as mídias distanciam a realidade e tendem a criar uma versão “editada” dos fatos, influindo na maneira como eles serão coletivamente relembrados24;

• como contraponto à rapidez do mundo moderno e à veloz obsolescência dos fatos, na forma de um culto ao passado (HUYSSEN, 2000, p. 15). Curiosamente, como as coisas muitas vezes se manifestam em seus pares de opostos, a velocidade do

22 A Família Alcântara, grupo mineiro que preserva as tradições e as canções negras congas, canta hoje

muitas músicas sem conhecer o significado das suas letras, por não saber traduzi-las. Assim, muitas palavras são transmitidas apenas pela sua sonoridade, a qual se distancia muitas vezes da palavra original pelas sucessivas interpretações e pequenas mudanças que se produzem ao longo do tempo.

23 “As contrastantes e cada vez mais fragmentadas memórias políticas de grupos sociais e étnicos específicos

permitem perguntar se ainda é possível, nos dias de hoje, a existência de memória consensual coletiva e, em caso negativo, se e de que forma a coesão social e cultural pode ser garantida sem ela.” (HUYSSEN, 2000, p. 19).

24 “Enquanto o patrimônio dizia respeito à história tradicional das igrejas e castelos, ele deixava a memória

totalmente livre de seus recortes e de seus retornos. A partir do momento em que incluiu a vida social em seu conjunto, passou a impor um arcabouço semântico prévio às manifestações da memória individual. E, sobretudo, parece ter realmente liquidado a conivência implícita que animava e fundava a memória coletiva. Esse arranjo era necessário? Dentro da perspectiva do dever de não esquecer, uma tal necessidade obteve força de lei. É preciso de fato admitir que a organização patrimonial coincide com ‘uma regulação ética’ do tratamento reflexivo das memórias coletivas.” (JEUDY, 2005, p. 31).

mundo contemporâneo traz a necessidade da memória como âncora, como redenção, e nesse momento ela pode se tornar ainda mais susceptível ao seu uso político ao sabor do poder vigente e das estratégias da mídia25.

Benzer Belgeler