• Sonuç bulunamadı

28% 998 35% 875 32% 36 1% 53 2% 44 2% suspensão

conversa com direção, pais ou responsáveis advertências

castigo ou algum trabalho na escola

outros (ameaça, bronca, agressão verbal, expulsão) brancos

O recurso da escola a procedimentos de castigo e humilhação precisa ser repensado, sob pena de o sujeito ter a sua estrutura afetiva abalada, o que pode ter como resultado a perda da auto-estima, a timidez, a revolta ou a falta de vergonha, o que significa, na perspectiva aristotélica, que o indivíduo despreza a opinião dos outros, ou seja, não desenvolve o respeito pela autonomia moral do outro, ou mesmo pela sua diferença (Zaluar e Leal, 2001, p. 1081).

Além das conseqüências apontadas, enfatiza-se a concepção da escola como o espaço público a ser democratizado pela ação cidadã e no qual a construção de relações democráticas deve ser aprendida. Neste sentido, manter a punição como estratégia para evitar violência torna-se uma contradição, além do que, os recursos punitivos fogem cada vez mais às compreensões e aplicações pedagógicas e buscam formas mais rigorosas de manter as situações de violência - que, por sua vez, são cada vez mais presentes e preocupantes.

Os alunos foram questionados sobre quais os sentimentos mais fortes quando eles passaram ou assistiram a situações de violência. No gráfico, a seguir, é possível verificar que sentimentos tais como raiva/ódio, vingança, prazer e outros similares (“vitória”, “matar”, “tesão”) chegam a somar mil citações, o que representa 35% do total. Já os sentimentos de medo e insegurança são assinalados 881 vezes, correspondendo a 32% das respostas totais. Os sentimentos de inferioridade, vergonha e solidão, somam o total de 550 marcações, ou seja, 20% do total. O desejo de abandonar a escola, devido a essas situações é citado por 164 alunos, ou seja, 11% deles já tiveram vontade de abandonar a escola por causa das situações de violência.

Outros sentimentos relacionados ao medo, à humilhação e à incapacidade pessoal, foram apresentados como, “remorso”, “dó”, “tristeza”, “vontade de denunciar” e “medo que aconteça comigo”. A soma desses sentimentos aos outros categorizados como medo, insegurança, inferioridade, vergonha, solidão e vontade de abandonar a escola, alcança a prevalência com 64% do total de respostas assinaladas. Ou seja, são estes os sentimentos que a maioria dos alunos possuem ao passarem ou assitirem uma cena de violência.

Gráfico 6 - Sentimentos presentes após terem passado ou assistido uma cena de violência

612 22% 548 19% 363 13% 316 11% 296 11% 166 6% 164 6% 151 5% 88 3% 81 3% 34 1% raiva/ódio medo insegurança vingança vergonha inferioridade

vontade de abandonar a escola brancos

solidão outros

prazer

Numa determinada oficina, um subgrupo de alunos dramatizou uma situação de violência vivenciada por um dos alunos do grupo81. O aluno a descreveu desta forma:

Aluno vai armado para a escola

Um tempo atrás, numa escola em São Carlos, foi encontrado um aluno armado na escola. Ele tinha o objetivo de mostrar que era bandido e que comandava a mesma. Depois de três dias, felizmente, ele foi denunciado. No dia em que isso aconteceu, a polícia invadiu a sala junto com a diretora e, a partir daí, começou a procurar a arma. Revistaram todos os alunos e suas bolsas e, então, encontraram um revólver calibre 32, juntamente com munições, mas notaram que faltava uma bala. Por isso, pegaram os três alunos mais próximos do aluno suspeito e os levaram para a sala ao lado, afim de realizarem uma investigação mais profunda e completa, no entanto não encontraram nada. O aluno que levou a arma foi para o NAI e,

81 Essa situação foi vivenciada por um aluno que, nas Oficinas de Atividades, relatou com detalhes a experiência.

Em diferentes propostas de atividades, esta história foi recorrente, na matéria do jornal, em encenação e dramatização realizada pelo aluno com seu subgrupo.

Gráfico 9

Gráfico 7 - A quem os alunos recorrem quando sofrem ou assistem uma cena de violência

433 19% 422 19% 406 18% 399 18% 160 7% 113 5% 55 2% 121 5% 154 7%

família ninguém direção colegas inspetor

professores segurança brancos outro

posteriormente, foi encaminhado para Liberdade Assitida – LA. Ele recebeu a pena por um período de seis meses.

Alunos do 1˚ ano, Escola Vênus

Neste caso, um dos alunos suspeitos é o relator do texto que alegava que, após esta situação, desconfiava de qualquer amigo ou colega de sua turma e, em razão disso, entendia que poderia ter sido acusado por algo que nem sabia que acontecera. É importante ressaltar que, embora não recebesse nenhuma punição ou sanção injustamente, a iminência desta afirmativa o tornava, tal qual, uma vítima - para ele, ainda que racionalmente soubesse quem fosse o culpado, seu medo e seu comportamento, a partir dessa experiência, era real, como se seu receio tivesse materialidade. Comentava que foi uma experiência muito marcante e que, após essa situação, preferiu mudar de escola.

As pessoas procuradas pelos alunos, como apoio, quando estes sofreram ou assistiram uma cena de violência estão elencadas no próximo gráfico. É possível observar que a maioria dos alunos ora procuram a família, ora não procuram ninguém, e tentam resolver o problema sozinhos. A soma do total de alunos que procuram outras pessoas, exceto os profissinais escolares, chega a 63% dos casos. Logo, há uma alta probabilidade de violências estarem acontecendo entre/com os alunos e a informação não chegar aos responsáveis da escola.

Em relação aos profissionais na escola, nestes casos, a direção é muito mais requisitada que os professores e os inspetores. Os colegas aparecem em terceira posição, logo acima da direção. Na categoria “outros”, são descritos personagens tais como: namorados(as), “trutas” - ou seja, camaradas -, amigos mais próximos e Deus. As questões não assinaladas, em branco, correspondem a 5% do total.

Em relação à freqüência das situações de violência82, conforme a representação gráfica subseqüente, verifica-se que a maioria dos alunos - 51% - descreve nunca ter passado por uma situação de violência, ao passo que 31% afirmam ter passado uma ou duas vezes por situações de violência, seja como agentes ativos ou passivos. Outros 14% citam ter passado por estas situações mais de três vezes - sendo que, destes, 51 alunos passaram mais de dez vezes por situações de violência na escola. As questões não assinaladas somam apenas 4 % do total de questionários válidos.

Gráfico 8 - Frequência das situações de violência entre

Benzer Belgeler