6 Dietrich Boyler Montaj Talimatı
6.2 Boylerin Montajı
A necessidade de responsabilizar especificamente quem comete um dano ambiental, diferenciando da responsabilidade civil normal, vem a ser que o meio ambiente saudável é um bem público indisponível, de toda a sociedade e nã o de apenas uma pessoa ou grupo de pessoas. O meio ambiente nã o é propriedade privada e nem muito menos, propriedade do poder público. O meio ambiente é propriedade da comunidade, em que todos podem usufruir.
Uma vez que já conceituamos, no âmbito do nosso trabalho, no capítulo 2 D a R esponsabilidade C ivil, com os pormenores deste importante instituto de reparaçã o dos danos privados, em uma relaçã o de autonomia entre os particulares. E ssa relaçã o é vinculada a um fator externo de controle e limitações, que é a norma jurídica.
D e forma semelhante, fizemos a conceituaçã o, no capítulo 4 D o Meio A mbiente. Neste importante tema, em que o ser humano é inserido dentro da lógica de amplitude espacial, integrando-o ao sistema que o cerca e as suas interações com a natureza, de forma a sermos apenas um elo entre a natureza e o artificial, criado pelo homem. O meio ambiente vem a fomentar essa integraçã o e tornar o todo em um só, de forma que o impacto de uma açã o humana pode desencadear um ciclo de modificações em todo o sistema.
A responsabilidade civil ambiental vem desta concepçã o de integraçã o e o dano provocado por um sistema poluidor pode alterar a harmonia da natureza e afetar o bem-estar de toda a sociedade. Na lógica da reparaçã o ambiental, nã o estamos a tratar da proteçã o do interesse particular, estritamente na esfera da autonomia do privado como um espaço de proteçã o do individuo. E stamos trabalhando na esfera do direito de todos, na esfera do direito da comunidade.
Neste sentido já cita Guilherme C outo de C astro: “Mesmo diante de açã o proposta individualmente pelo interessado, postulando reparaçã o de seu prejuízo particular, é obrigatória a intervençã o do Ministério Publico.” (C A S T R O, 2005, p. 111) . A qui vemos que a guarda do direito indisponível, a cargo do E stado, é obrigatória, mesma que afete somente o particular.
Neste contexto da responsabilizaçã o pelo dano causado ao meio ambiente, a própria C onstituiçã o F ederal separou as sanções penais, administrativas e de reparaçã o, como especifica o artigo 225, § 3º : “A s condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarã o os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigaçã o de reparar os danos causados”. (B R A S IL , 1988).
A constitucionalizaçã o do meio ambiente mostra a seriedade com que a questã o ambiental é tratada e a necessidade de normas que protejam, previnam e punam as ocorrê ncias de problemas ambientais e que prevejam a reparaçã o civil do dano ambiental. A responsabilidade para com o meio ambiente é objetiva, pois nã o há de se falar em culpa, mas apenas no fato da ocorrê ncia do dano ambiental, como na explicaçã o de Paulo A ffonso L eme Machado, que diz que a responsabilidade objetiva ambiental tem como significado o dever jurídico de reparaçã o para quem danificar o ambiente. E stando presente o binômio dano/reparaçã o, nã o se pergunta a razã o da degradaçã o, mas simplesmente há o dever de reparar. (MA C HA D O, 2000).
A C onstituiçã o nã o se remete a noçã o de culpa, nã o havendo a necessidade de se aferir que o poluidor causou o dano com uma das trê s vertentes da culpa, a negligê ncia, a imperícia ou a imprudê ncia. A norma afere que para a determinaçã o da sançã o relativa ao dano ambiental basta à existê ncia do nexo de causalidade e o agente ativo poluidor, caracterizando a responsabilidade objetiva ambiental.
A responsabilidade civil objetiva ambiental está baseada no fato de que ao exercer uma determinada atividade que pode, de maneira potencial, causar um dano ao meio ambiente, de forma direta o agente se obriga a indenizaçã o em caso de eventos danosos ao meio ambiente. A ligaçã o do fato danoso, seja de maneira direta ou indireta, à atividade do agente poluidor enseja a obrigaçã o de indenizar, pois o agente é sujeito passivo nesta relaçã o de responsabilidade. A ssim determina a L ei da Política Nacional do Meio A mbiente, no artigo 3º . “(...) IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradaçã o ambiental;” (BR A S IL , 1981).
O agente ativo que desenvolve uma atividade que possa causar danos ao meio ambiente, além da necessidade de executar todas as rotinas existentes acerca da prevençã o a desastres ambientais, tem que arcar com qualquer dano ao meio ambiente que simplesmente seja em decorrê ncia da sua atividade. Mesmo que o acontecimento seja superveniente ou provocado por terceiro alheio ao fato, mas que desencadeou um ato que se ligou, direta ou
indiretamente, à sua atividade, surge a obrigaçã o. A responsabilidade objetiva está totalmente caracterizada na L ei da Política Nacional do Meio A mbiente, como aduz o seguinte:
“artigo 14 ( ...) § 1º - S em obstar a aplicaçã o das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existê ncia de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da Uniã o e dos E stados terá legitimidade para propor açã o de responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.” ( B R A SIL , 1981) .
A responsabilidade objetiva ambiental se caracteriza pela comprovaçã o da lesã o ao ambiente, de forma clara, sendo indispensável que seja estabelecida a relaçã o entre a fonte causadora do dano e o efeito do dano no meio ambiente. A li gaçã o entre o comportamento do agente ativo poluidor e a lesã o causada ao ambiente. S uperveniente frisar que nã o há necessidade de demonstrar a ocorrê ncia de um ato ilícito por parte do agente. Pode ter o agente atuado de forma legal, lícita e responsável, mas a própria atividade desenvolvida gera o impacto ambiental. O exercício de atividade perigosa gera o dever de indenizar, sendo, pois, um ônus inerente à própria existê ncia da atividade.
A responsabilidade civil ambiental objetiva tenta adaptar alguns danos relacionados aos interesses difusos em relaçã o aos anseios sociais. A responsabilidade civil comum nã o consegue realizar a proteçã o ao meio ambiente a contento, pois a simples ameaça de açã o de indenizaçã o nã o inibe o agente poluidor. A açã o individual ou mesmo iniciada pelo E stado em proveito da sociedade, nã o consegue abranger todos os aspectos da poluiçã o do meio ambiente, pois afeta somente alguns indivíduos, separadamente, enquanto que o estrago ao meio ambiente é universal, relacionando toda a sociedade.
A responsabilidade objetiva ambiental, de forma oposta, abrange toda a sociedade, seja em nível local ou em nível global, levando a socializaçã o do lucro em decorrê ncia da atividade poluidora. A proteçã o ao meio ambiente se torna uma necessidade por parte do agente poluidor, tendo em vista a ligaçã o direta e objetiva entre a atividade e o dano causado. Nã o existe a vítima individual, mas simplesmente a comunidade atingida nos seus direitos ao meio ambiente saudável e limpo.
A responsabilidade civil objetiva ambiental, relacionada com o princípio do poluidor-pagador e com o princípio da reparaçã o, imputa ao agente causador do dano a obrigaçã o da reparaçã o e, sempre que possível, o retorno ao status quo ante. A qui a discussã o acerca de como se deu o ato prejudicial é irrelevante, pois a consideraçã o sobre a atividade desenvolvida ser ou nã o perigosa é insignificante. O enriquecimento ou o lucro à custa da
degradaçã o ambiental deve ser evitado. A facilidade para a obtençã o das provas, sem a necessidade de comprovar a intençã o, a culpa, a negligê ncia, a imprudê ncia ou a imperícia do agente, para que seja tutelado adequadamente um bem indisponível, como o meio ambiente, que ao ser afetado, implica em prejuízo para toda a sociedade. A exploraçã o de atividade econômica com a utilizaçã o de recursos ambientais deve ser garantida com o equilíbrio ecológico. C omo explica Maria Helena D iniz, em que a responsabilidade objetiva é fundada no princípio de equidade, existente desde o direito romano: aquele que lucra com uma situaçã o deve responder pelos riscos ou pelas desvantagens dela resultantes (ubi emolimentum, ibi ônus; ubi commoda, ibi incommoda). (D INIZ , 2010).
A proteçã o do meio ambiente é um assunto secular, embora, inicialmente, a natureza fosse apenas um bem de consumo e riqueza que precisava de regras para exploraçã o, de forma a nã o eliminar todo o potencial econômico. S omente no século passado começou a utilizaçã o do conceito de equilíbrio e preservaçã o dos recursos naturais para a melhoria da qualidade de vida do homem no meio em que vive. Neste contexto, a responsabilidade civil ambiental surgiu como forma de resguardar o meio ambiente do incremento e do desenvolvimento da exploraçã o humana. S omente com a conscientizaçã o da sociedade acerca dos impactos causados pela sobrecarga exploratória da natureza foi possível a criaçã o de normas que minimizassem a destruiçã o efetuada pelo ser humano no meio ambiente.