2. TEKSTİL ELYAFI VE BOYARMADDELERİN GENEL ÖZELLİKLERİ
2.3. Boyarmaddelerin Sınıflandırılması
2.3.2. Boyarmaddelerin kimyasal yapılarına göre sınıflandırılması
Segundo Reboul (1998), retórica é a arte de persuadir pelo discurso, considerado como toda produção verbal, escrita ou oral, constituída por uma frase ou por uma sequência de frases que apresente certa unidade de sentido. Persuadir, por sua vez, é o ato de levar alguém a crer em alguma coisa (REBOUL, 2004).
No teatro, a retórica também tem seu papel, pois constitui um conjunto de discursos destinados a transmitir ao expectador a mensagem textual e cênica, da melhor maneira possível. Nos tratados de retórica de Quintiliano, a arte do orador é comparada com a do ator. Coloca-se que a doutrina da apresentação e a eloquência corporal está diretamente aplicada na arte persuasiva do ator (Institutio Oratoria de Quintiliano). As vozes do orador e do ator estão ligadas aos princípios de clareza e expressividade, guardadas como sua composição pela arte do ator.
O discurso aparece no teatro, tanto no discurso da encenação como no discurso das personagens. Em sua origem, o discurso é oral, mas para Benveniste:
[...] é também a massa dos escritos que reproduzem discursos orais ou que deles empresta o contorno e os fins: correspondências, memórias, teatro, obras didáticas – em resumo, todos os gêneros nos quais alguém se dirige a alguém, se enuncia como locutor e organiza aquilo que diz na categoria da pessoa (BENVENISTE,1966, p. 242).
A fala com os discursos que produz, é uma utilização da língua, assim como o discurso teatral (textual e cênico) é uma tomada de conhecimento dos sistemas cênicos, uma utilização individual de potencialidades cênicas, (mesmo que o indivíduo – o sujeito do discurso – seja constituído de fato por toda a equipe de realização). Assim, a enunciação no teatro é assumida em dois níveis essenciais: o dos discursos individuais das personagens e o nível do discurso globalizador do autor e da equipe de encenação (PAVIS, 1947).
No teatro, considerando que a fala é multiplicada quando os outros elementos como o cenário, a gestualidade, a mímica, a entonação, falam tanto quanto o texto, a encenação insere todos os sujeitos do discurso e estabelece entre eles um diálogo.
Pavis (1978) expõe que o discurso teatral é local de produção significante, por isso, ele não tem como único objetivo representar a cena, porém contribuir para representar-se a si mesmo como mecanismo de construção da personagem e do texto. Nessas reflexões, a argumentação é fundamental, pois ela tem a função de orientar a sequência do discurso e, portanto, representar uma maneira de agir sobre o outro, levando em conta o contexto e os sujeitos da comunicação. De acordo com Carraher (1983, p. 5), “o argumento é um conjunto de afirmações que inclui pelo menos uma conclusão, usando premissas para defender ou fundamentar sua conclusão.”
Aristóteles (1356 a.C. apud REBOUL, 2004) iniciou um estudo mais sistemático sobre o pensamento argumentativo formal, deslocado das atividades práticas e com o objetivo de aprender a capacidade de raciocínio lógico. Para isso, Aristóteles define três tipos de instrumentos para persuadir: etos e patos, que são da ordem afetiva, e logos, que é racional.
Etos é um termo que define como é o caráter moral que o orador deve demonstrar (orador). Patos é o conjunto de emoções, paixões e sentimentos, que o orador deve suscitar no auditório com seu discurso (auditório). Logos diz respeito à argumentação propriamente dita do discurso. Para Aristóteles, distinguem-se dois tipos de argumentos: entimema, que é um silogismo baseado em premissas
prováveis (pensamento dedutivo); e exemplo, capacidade de concluir fatos futuros a partir de fatos passados (pensamento indutivo) (REBOUL,1998).
Perelman e Olbrechts-Tyteca (1977), em seus estudos sobre argumentação, concebem a Nova Retórica, colocando seus esforços na busca de técnicas discursivas que provoquem a adesão da audiência às ideias propostas, mediante o estabelecimento inicial de acordos (concordância acerca das premissas), sem os quais qualquer argumentação torna-se impossível.
Nessa concepção, as técnicas argumentativas são divididas em dois grupos principais de processamento argumentativo: os de ligação, que visam à aproximação de elementos distintos, estabelecendo laços de solidariedade (argumentos quase- lógicos, argumentos baseados na estrutura do real, as ligações que fundamentam a estrutura do real); e os de dissociação, que visam às técnicas de ruptura que se almeja dissociar, separar ou desunir. Os estudos realizados por Perelman e Olbrechts-Tyteca concebem a argumentação como uma atividade discursiva.
O percurso histórico proposto evidencia o ato da linguagem como um complexo fenômeno de comunicação, uma atividade que se desenvolve no teatro da vida de cada indivíduo e cuja colocação em cena resulta de vários componentes linguísticos e situacionais. Nesta pesquisa, o argumentar terá papel relevante, principalmente, nos diferentes modos de organização do discurso das relações estabelecidas nas aulas de teatro.
Charaudeau (2009) utiliza determinadas categorias de língua para ordená-las em função das finalidades discursivas do ato de comunicação, agrupando-as em quatro modos de organização: o enunciativo, o descritivo, o narrativo e o argumentativo. Serão apresentados, de forma breve, todos os modos de organização, dando ênfase ao argumentativo, conforme os objetivos deste estudo.
Para o autor, o modo enunciativo tem a função particular de organização do discurso e, por isso, comanda os outros, considerando a posição do locutor com relação ao interlocutor, a si mesmo e aos outros. O descritivo possibilita descobrir um mundo que se presume existir, sendo mostrado. O narrativo, por sua vez, organiza o mundo de maneira sucessiva e contínua. Por fim, o modo argumentativo de um discurso não se limita a uma sequência de frases ou de proposições ligadas por conectores lógicos, mas se encontra no que está implícito.
Segundo Charaudeau (2009, p. 205), para que haja argumentação, é necessário que exista: uma proposta sobre o mundo, que provoque um questionamento em alguém, quanto à sua legitimidade; um sujeito que se engaje em relação a esse questionamento e desenvolva um raciocínio para tentar estabelecer uma verdade quanto a essa proposta; um outro sujeito que, relacionado com a mesma proposta, questionamento e verdade, constitua-se no alvo da argumentação, compartilhando da mesma verdade, que pode aceitar ou refutar a argumentação colocada.
Figura 2: Relação triangular da argumentação (CHARAUDEAU, 2009)
Considerando o esquema acima, Charaudeau define:
Argumentar, como atividade discursiva, busca pela racionalidade, que tende a um ideal de verdade quanto à explicação de fenômenos do universo, ou seja a busca pelo mais verdadeiro (verossímil) que depende das representações sócio-culturais compartilhadas pelos membros de um determinado grupo, em nome da experiência ou do conhecimento. Busca também pela influência, que tende a um ideal de persuasão, o qual consiste em compartilhar com o outro um certo universo de discurso até o ponto em que este último seja levado a ter as mesmas propostas. (CHARAUDEAU, 2009, p.206)
Dessa forma, a argumentação gerencia por meio da linguagem os sentidos que se tem, age a serviço da colaboração no que diz respeito a transformar o contexto escolar, que está entre a aceitação passiva e a discordância sem sentido, trazendo um olhar mais crítico do trabalho do professor. A colaboração na atividade é um processo que implica a discussão de ideias, valores, práticas arraigadas, teorias e condições reais de ação.
Uma pesquisa crítica de colaboração é compreendida na construção de contextos colaborativos mediados pela linguagem, em que os participantes envolvidos não sejam meros ouvintes, mas que, por meio da argumentação, eles se responsabilizem e se insiram na produção e na reconstrução do conhecimento que está se desenvolvendo nas aulas.