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6. MATERYAL VE METOD

7.4 Bor Tabakası Kalınlıklarının Ġnceleme Sonuçları

Uma explicação geral se faz necessária para que se entenda a dinâmica do processo global de produção dos nossos livros, desde a primeira reescritura da cena I do primeiro ato até a elaboração da capa e a impressão do livro. Primeiramente, eu escrevia uma ou mais cenas em inglês e as enviava a JM por e-mail. Ele corrigia possíveis erros de língua, sugeria cortes ou alterações em algumas frases, (sempre em uma cor diferente da que eu tinha utilizado) e me devolvia o texto revisado. Então eu salvava esse novo texto, porém descartava os erros e mantinha a correção de JM na mesma cor que ele havia usado de modo a enfatizar que aquele texto havia sido corrigido, e não era o texto inicial. Novo título era dado a esse trabalho e geralmente uma outra data era assinalada para evitar equívocos. Uma vez mais eu enviava o texto para JM, que fazia outras correções quando julgava necessário. Essa dinâmica aconteceu principalmente em Hamlet. Nas adaptações dos outros livros eu já estava mais auto-confiante, e não foi necessário enviar-lhe os textos nessa fase.

Muitas vezes, JM comentava, sempre via e-mail, que certa frase ou fala não tinha total clareza. Caso eu não conseguisse adaptá-la, eu lhe enviava o texto original referente àquele trecho e solicitava seu auxílio. A sugestão era-me enviada e essa parte do texto era reescrita. Sempre utilizava os dois textos, o da edição da “Arden” e o do “No Fear”. Algumas vezes, o original não estava totalmente claro para mim, outras vezes, não concordava com o texto do “No Fear” por não considerá-lo fiel em dados momentos. Então apresentava a dúvida a JM, que respondia sugerindo uma opção mais adequada. Se eu não

concordasse com a sugestão dele, enviava-lhe um e-mail com meus argumentos. Novamente, ele enviava outra sugestão.

Uma vez acordados sobre o texto em inglês, geralmente após a escrita e a revisão de um ato completo, eu começava a traduzi-lo para o português. A tradução era feita fala a fala, e as frases vinham logo abaixo da fala correspondente em inglês. Depois de executar minha tradução, consultava as traduções de Millôr Fernandes e Fernando Nuno, no caso de Hamlet, as de Barbara Heliodora e Fernando Nuno quando adaptava Romeo and Juliet / Romeu e Julieta, e as de Barbara Heliodora e Beatriz Viégas-Faria ao adaptar Othello / Otelo. Algumas vezes alterava meu próprio texto, quando julgava que as traduções acima referidas, em alguma fala específica, estavam mais apropriadas - isso se dava quando minha adaptação se aproximava muito da tradução. Uma vez traduzida a adaptação, eu a enviava a JM, juntamente com minhas dúvidas. Ele sugeria alterações e, quando eu concordava com elas - o que acontecia via de regra - eu as aplicava. Caso contrário, enviava-lhe outro e-mail discordando, explicando os motivos e solicitando novas sugestões, ou escrevia uma outra fala. Esse extenso e minucioso processo seguiu até o final da produção do texto teatral.

Após o término da adaptação da primeira peça, Hamlet, JM escreveu o Prefácio em português, enviou-o para mim, e eu sugeri umas poucas correções no texto. Redigi então a Introdução, e JM propôs alterações, principalmente na estrutura do texto. Elaborei a relação das referências bibliográficas, bem como os Agradecimentos, e escrevi o texto das orelhas do livro - exceto em Hamlet, cuja orelha de abertura, à esquerda, foi redigida pelo redator do editor. Essa orelha sempre discorria sobre Shakespeare e a peça em questão, e a da direita trazia sucintas biografias minha e de JM. Contudo, nos demais livros eu as escrevi. Uma vez tendo elaborado tudo, enviava o material para JM primeiramente e depois para um revisor bilíngue, que conhecia bem o texto shakespeariano, para conferir o texto em português. Ele revisava a peça, o Prefácio, a Introdução etc., fazia alterações quando necessário e apresentava sugestões. A maior parte delas foi aceita. Terminada essa fase, uma vez mais eu enviava o texto completo revisado para JM, que emitia seu parecer sobre a revisão e solucionava eventuais dúvidas. Finda essa etapa, JM e eu revisávamos o texto novamente, ele mais focado no texto em inglês, em que novas alterações eram feitas, e eu no texto em português. Tendo feito a última revisão, eu separava o texto completo em inglês do texto completo em português para facilitar o trabalho do editor. Após essa etapa, enviava todo o

material para o editor, que lia o texto e me devolvia por e-mail. Eu encaminhava o texto a JM e nós dois revisávamos o texto uma vez mais, cada um em seu espaço; depois de conferir tudo novamente, enviávamos o texto completo para o editor.

A capa e o título também eram conferidos, assim como o pedido feito ao editor que inserisse na capa, abaixo do nome da peça, os dizeres “Edição adaptada bilíngue”, e, logo abaixo, “Adaptação e Tradução” – o termo adaptação deveria obrigatoriamente vir antes de tradução, uma vez que acreditamos serem práticas diferentes, e que a adaptação aconteceu antes de qualquer coisa, quando produzimos um novo texto em inglês. A tradução para o português se deu após o término da adaptação. Em Romeo and Juliet e Othello, sugeri que o título ficasse em inglês e português porque o livro era bilíngue. Mais uma vez, enviava a capa para o editor, que a revisava e me devolvia por e-mail. Eu conferia o texto uma vez mais, e o encaminhava a JM, que sugeria alterações, quando havia necessidade. Pronta a capa, eu a retornava para o editor, que providenciava a impressão do livro.

O texto acima explica o longo caminho percorrido na produção de todas as nossas adaptações. A etapa seguinte deste tópico irá demonstrar, por meio de alguns dos vários textos produzidos, exemplos concretos desse processo trabalhoso, meticuloso, que me proporcionou um aprendizado incomum e um sentimento de realização imenso. Cabe ressaltar que, para fins de comparação entre o(s) texto(s) inicia(is) e o final, transcrevo o texto final após cada trecho e o nomeio “trecho final”. Note-se que o texto shakespeariano é escrito em verso branco ou é rimado, ao passo que o nosso texto é escrito em prosa.

Hamlet

Primeiro trecho

Act I. Scene I. – Elsinore. A Platform before the Castle. Francisco on guard. Bernardo enters.

Bernardo

(Who’s there?) Who goes there?

Francisco

No, you answer. Stop and identify yourself. Bernardo

Long live the king! Francisco

You’ve come right on time. Bernardo

The clock’s just struck twelve. Go to bed, Francisco.

Benzer Belgeler