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A imigração alemã para o Brasil é um fenômeno não situado isoladamente no tempo e no espaço. Ele é decorrente de vários fatores que, interligados, conduzem as pessoas a deixar sua pátria para tentarem melhor sorte em outra. No caso da imigração de alemães para o Brasil, destaca-se o fato de o contexto histórico da época na Alemanha onde havia uma sucessão de problemas, entre eles: enfrentavam séries consecutivas de guerras, períodos de fomes, colheitas desastrosas, crises político- administrativas envolvendo a saída do império, crise da indústria de lapidação e tecelões, questões religiosas e o temor do serviço militar, a atuação dos Schaefer e dos armadores alemães (HUNSCHE,2004; BRAUN, 2010).

[...] Quanto às dinastias, na Boêmia houve cerca de quarenta reis, ela era ao norte da República Tcheca. A República Tcheca existe desde a queda do Muro de Berlim, antes era Tcheco- Eslováquia, que pertencia ao império Austro-Húngaro, que antes pertencia ao Sacro Império Romano-Germânico. Este império Sacro Romano- Germânico é da família dos Hasburgo com origem e raízes na Áustria. Eles se tornaram tão poderosos que quase dominavam toda Europa. Os reis antigamente construíam palácios catedrais. O império Austro-Húngaro também morreu, por causas de dívidas. Sobrevive aí a Confederação dos Estados Alemães, com presidência da Áustria. Os Boêmios de lá passaram horrores na Primeira Guerra.

Nos anos de 1816 a 1818, às dificuldades gerais são acrescidas a fome por colheitas desastrosas, o inverno da fome, guerras. Em termos de questão religiosa não há fatos de perseguição relatados, apenas certos eventos demonstram que, se não houvesse uma perseguição religiosa, houve subjetividade, o medo de perseguição (HUNSCHE,2004). Hilda elucida que em 26 de abril de 2014,

[...] Faziam muitas guerras em nome de Deus, guerras de conquistas para expandir em nome de cristo, se fez muita coisa em nome de Deus. Entraram os protestantes, os mulçumanos, um perde outro ganha, entra uma dinastia sai outra, na Boêmia houve duas guerras religiosas: a Guerra do Ócitas e Dejaros Ele era para se retratar não se retratou e foi queimado vivo. E depois a Guerra dos 30 Anos que atingiu a Europa toda. A primeira das 4 fases foi na Boêmia sacrificada, mutilada, briga religiosa. Depois se expande. Após estas duas guerras vieram dois grandes

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incêndios pavorosos de Glabson45 depois dos incêndios vem a peste, vem fome vem miséria. Depois, em 1500, depois das guerras, dos incêndios, da peste vem a reconstrução com o vidro que chamam de cristal. A guerra terminou com tudo, somente não terminou com a vontade de sobreviver. Uma vez sobraram 10 casas e eles construíram tudo de novo.

Foram muitos os motivos para abandonar sua terra, ainda de acordo com Vogt (2004), em razão de fome, crise industrial, desemprego e medo de serem convocados para guerras. Nessa perspectiva Flores relata:

[...] Bom, agora temos o século XIX, a República, a revolução industrial que deu um impacto e um impulso muito grande para estas riquezas. Contraditoriamente, neste período de êxito de colocação mundial do cristal da Boêmia é que ocorre a imigração. Por que, na década de 1870 houve duas grandes crises. Todas elas crises econômicas 1850, 1851, começo de 1860, todas estas crises profissionais eram produzidas por causa de guerras. Então, a família fica em desamparo, a sugestão...Vamos produzir, produzir, produzir porque a guerra ao terminar vira nova encomenda e estará pronta para entregar... No fim, com a revolução industrial vem o socialismo, desde 1800, trazendo uma mentalidade e uma consciência de cidadania, tanto para os Boêmios como pra os Tchecos... Então veio a guerra de 1848 e isto vai continuando durante a segunda metade do século XIX. Eu tive acesso a uma carta do meu ancestral que estava na Europa naquele período e relatou a dificuldade, nesta carta. Lá ele dizia que fazia 6 anos que não tinha trabalho. Ele havia recebido um lote rural de 3hectares onde eles tinham que plantar batata, coisas para eles comerem e além de fazer de pasto para a vaquinha que todos tinham naquela época na Europa...Se eram ricos uma vaquinha, se pobres uma cabra, pois servia para dar o leite que alimentava as crianças e idosos, principalmente no inverno. Eles compravam mantimentos, madeira para não morrer de frio, pasto para o animal. Para isso tinham que ter dinheiro. O conserto de uma casa lá, naqueles tempos, era equivalente a fazer uma casa... Imagina a inflação. Tipo, a inflação neste período era... Um exemplo: A fatiota era 30 epassou a 600, de repente ... Quando eles vieram na década de 1870, uma década de progressos, mas de guerras houve a guerra Franco-Prussiana, houve a guerra Otomana, a guerra com a Hungria... Me parece que foram estas três. Um parente escrevia que o início da primeira guerra, que para nós foi leve, lá na Europa foi terrível morreram 9 a 10 milhões de pessoas, tombadas por sequela de guerra, por fome. Daí as famílias ficaram desfalcadas, sem o chefe da família para trabalhar.... Se passou muita fome ,muitos morreram de fome. Não tinha supermercado na época, não tinham o que plantar, não tinham sementes na época. O manejo da terra era somente de meio ano onde dois meses ainda descongelava a neve. E, além disso, o manejo era de dois hectares o que não ocupava a família grande. Eles, em pleno verão, continuavam a fazer o artesanato, cada família tinha o seu. Eles eram especializados em uma coisa e registravam na prefeitura... Eu vou produzir este tipo de copo, este tipo de botão, de vazo, estava lá o desenho. Então aquela família era autorizada a produzir. No inverno com casa fechada a fabriqueta no lado, porque nestas fabriquetas, muitas vezes, não tinha nem chaminé. Conforme a especialidade, Umann escreve, tinha fogo no meio da fábrica e ficava aquele ambiente horrível, cheio de pó de vidro ou de fumaça, por falta de chaminé, em uma insalubridade onde Umann diz que 40 anos era velho, a média de vida era de vinte e poucos anos. A criança com 8 anos ou menos já começava a trabalhar...Ele próprio começou a trabalhar com menos idade, com 5 anos, ele narra. A minha tarefa era, com menos de 5 anos, trazer as hastes de lenha para dentro de casa para minha mãe fazer o fogo. Não é que minha mãe precisava, mas era ensinar desde pequeno que o trabalho é uma coisa boa e se acostumar a trabalhar.

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Além disso, havia as dificuldades impostas pela guerra, pela crise industrial em razão do desenvolvimento da industrialização da Europa, deixando uma leva de trabalhadores desempregados, as condições insalubres de trabalho e má distribuição de renda. No entanto, Braum (2010), salienta que alguns estados alemães incentivaram a imigração, pois diminuía a pressão demográfica. Enquanto outros estados foram contra a imigração, pois perdiam mão de obra.

O certo é que, impulsionados pelo coração aventureiro ou pelo desejo de se tornarem proprietários de terras na América, África ou Oceania, saíram da sua pátria em busca da terra das novas esperanças.

Para ilustrar um pouco o sentimento destes imigrantes que chegaram ao Brasil o poema de Josef Umann, que saiu do antigo império da Áustria–Hungria, atuais Sudetos Tchecos, foi transcrito na sequencia como um documento bastante representativo:

Quem deve emigrar?

Aquele a quem o futuro abanar sem esperança, E nenhuma manhã alegre lhe sorri,

Para quem nenhuma estrela de esperança brilhar, E a velhice tristemente o espreita.

Aquele que apesar da dura e difícil luta Não venceu o seu destino,

Aquele a quem nunca deu certo A luta pela obtenção do próprio lar.

Aquele que, apesar de todo o esforço e preocupação, Vê os seus sem teto,

A ele ninguém pode desdizer, Quando emigrar para o desconhecido. Lá onde ventos mais suaves sopram E onde azula o céu merídio,

Onde existem gigantes árvores na floresta virgem, Mesmo no inverno cobertas de folhas verdes. Onde em incontáveis pastagens

Cavalos e bovinos pastam calmamente, Pode existir também uma gleba para ele, Asilo para sua velhice.

Se o início há muitas dificuldades, Consola-se com a esperança De que no futuro tudo será melhor,

E a bênção se esparrama. (FLORES,1983, p. 110).

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Benzer Belgeler