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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.3. Edebi Eserlerde Kültürel Hayatın Çözümlenmesi/Salah Bey

4.3.1. Mekanlar

4.3.1.7. Boğazda Çiçek ve Meyve Bahçeleri

Para que o êxito fosse alcançado, a AFOR/Varginha optou por criar condições para que os tutores, em primeira mão, vivenciassem todas as situações relacionadas acima, em que se envolveriam como facilitadores e avaliadores do processo de cada cursista, então:

- A elaboração de um Portfólio40 que constasse e contasse os projetos que as cursistas sob sua responsabilidade estavam executando. A construção desse Portfólio era opcional mas, pode-se garantir que o tutoreducador que o construiu pode avaliar concretamente as mudanças provocadas pelas orientações da equipe Veredas.

40 Norma 06/2002: Acompanhamento da Prática Pedagógica - O procedimento para realização dessa prática deve observar os

seguintes passos: Cada cursista deverá organizar um portfólio (uma pasta para receber os documentos de sua prática pedagógica) com o projeto desenvolvido em cada semestre, planos de atividades desenvolvidas, registro de presença dos alunos, avaliação de cada aluno e outros documentos que o cursista julgar importantes. Esse portfólio deverá ser apresentado ao Tutor durante suas visitas e a outras pessoas que desejem acompanhar sua prática (equipe da SRE ou da Coordenação do Veredas). A coordenação do Projeto Veredas na Afor/Varginha decidiu que todos os tutores deveriam manter atualizado um portfólio como suas próprias observações sobre os projetos de seus cursistas, assim como uma cópia dos mesmos. (Informação obtida de documento interno para uso da AFOR-Varginha).

- o trabalho com Memoriais todos os tutores em formação deveriam construir o seu próprio memorial e mostrá-lo para um colega ou outra pessoa escolhida por ele próprio, como meio de trocar experiências nesse caminho de revisão de vida.

- a elaboração de Monografia processo árduo e difícil para a maioria dos docentes, considerando que nunca tinham orientado a elaboração de uma monografia, conforme pode ser confirmado, a seguir através dos dados de uma pesquisa realizada durante o processo de implantação, com o objetivo de equalização dos procedimentos, para a avaliação das monografias.

Por solicitação da Coordenadora Geral do Projeto Veredas, AFOR/Varginha, Profª Dione Penha Duarte, desenvolvemos uma proposta de trabalho que apresentou, como objetivo, equalizar os procedimentos de avaliação de monografias. No decorrer do trabalho, entretanto, fez-se mister uma ampliação do objetivo inicial em decorrência das necessidades apresentadas por tutores e cursistas. Assim como estes, que realizam, pela primeira vez, a construção de um trabalho monográfico, tutores e tutores de referência da AFOR/Varginha, em sua maioria, nunca haviam orientado trabalhos desta natureza.

Assim, o roteiro de trabalho que apresentamos constitui uma tentativa de fazer com que professores que nunca dialogaram com discursos científicos pudessem, através da significação e ressignificação de seus “próprios” discursos, desenvolver uma pesquisa monográfica, visto que isso constitui uma exigência do Projeto Veredas para a obtenção do diploma de graduação.

DIFICULDADES ENCONTRADAS

Como mencionado anteriormente, poucos tutores da AFOR/Varginha havia, então, orientado pesquisas monográficas. Num primeiro momento, atribuímos a isso a dificuldade apresentada por muitos no decorrer desse trabalho. Na busca por possíveis respostas a essa questão, apresentamos, nas cinco tabelas a seguir, alguns dados relevantes a partir dos quais acreditamos ser possível traçar algumas inferências.

Tabela 1- TITULAÇÃO DOS TUTORES POR PÓLO41

Setor Graduado Especialista Mestre

PÓLO 27 4% 79% 17%

PÓLO 28 - 85% 15%

Tabela 2 - TITULAÇÃO DOS TUTORES NA AFOR Graduado Especialista Mestre

3,5% 86% 10,5%

Conforme demonstra a tabela 1, 4% dos tutores do pólo 27 são apenas graduados e nunca fizeram uma pesquisa monográfica; dos tutores especialistas, parte significativa realizou o curso de pós-graduação há mais de dez anos e, desses, muitos, além de não defenderem suas monografias em bancas, sequer receberam os resultados das avaliações realizadas. Isto pode nos apontar para o fato de que muitas dificuldades apresentadas têm aqui sua causa maior. Entretanto, os tutores do pólo 28, embora “titulados”, apresentaram muita insegurança na orientação dos projetos pelos quais se responsabilizam.

Nos mestres, uma minoria (10,5%, verif. Tab. 2), houve, também, insegurança porque, apesar das leituras já construídas bem como a experiência na área da pesquisa, quase nenhum - como já dissemos – havia realizado algum trabalho de orientação. Além disso, foram muitas as resistências ao esquema que vínhamos propondo uma vez que tutores já haviam introjetado, como padrão para o desenvolvimento de textos científicos, modelos positivistas, o que lhes atribuía uma constante postura negativa em relação às novas propostas apresentadas.

As maiores resistências se referem:

- ao não atendimento às nossas solicitações para a verificação dos projetos - à tendência de transferir à tutoria de referência a responsabilidade pela orientação das monografias

- à crença na tradição “tudo se ajeita no final” e, enfim,

- à dificuldade de assumir e aceitar suas próprias dificuldades e limitações. Não foram raras as ocasiões em que deparamos com posturas paternalistas, o que acabou por nos sugerir uma distorção – pelo tutor – do conceito de tutoria. Resistências no sentido de superproteger o cursista, ou

41 O Polo é uma subdivisão, a título de facilitar a coordenação da AFOR/Varginha, que está relacionado ao número de

até mesmo acobertar supostas irregularidades desrespeitando as orientações da equipe coordenadora da SEE/MG.

Importante ressaltar que, ao considerarmos as dificuldades dos que conosco convivem não estamos, em absoluto, banalizando a produção do conhecimento, mas apenas lançando, para este conhecimento, novas óticas de observação/construção (CASTRO; TREZZA, 2005, p. 11-15).42

Na AFOR/Varginha, todas as reclamações e/ou dúvidas eram registradas por escrito e algumas lançadas no Portal VEREDAS, para serem esclarecidas por outros integrantes da rede. Outras, ainda, eram esclarecidas no próprio grupo de tutores da AFOR/Varginha com a ajuda dos tutores de referência. Uma forma que a AFOR/Varginha encontrou para incrementar a percepção do tutor como pesquisador e autor, foi solicitar-lhes artigos e palestras que enriquecessem os conteúdos dos guias de estudo. Assim, um número determinado de tutores ficava responsável por estudar cada guia de estudo, com antecedência, para apresentá-lo, mais enriquecido, aos colegas. Também na preparação para a realização das semanas presenciais muito estudo e pesquisa foram feitos, cito como exemplo o roteiro da 5ª Semana Presencial43 em que, seguindo as orientações da coordenadora da

AFOR/Varginha, foi “sugerido” o estudo de Gaston Bachelard. É necessário explicar que a organização da semana presencial era entregue aos tutores, que formavam grupos pequenos. Eles ficavam responsáveis por estruturar oficinas de trabalho que deveriam ser desenvolvidas durante as quarenta horas de atividades da semana presencial. A coordenação da AFOR/Varginha, além de estimular a liberação da criatividade, oferecia condições para a execução das oficinas. Tomava o cuidado de, para cada semana presencial, organizar grupos diferentes, visando a promover o desenvolvimento e o fortalecimento do aprender a conviver e trabalhar em equipe, para também aprender a ser e a fazer.

A título demonstrativo, segue abaixo, a parte inicial do relatório final44 da 5ª Semana Presencial elaborado por um grupo de tutores que se responsabilizaram pela elaboração do mesmo.

42 Documento interno produzido por Maria Vitória Falabella de Castro e Miguel Angel Trezza, Tutores de Referência, em

atendimento à solicitação da coordenação AFOR/Varginha.

43 A programamção integral da 5ª Semana Presencial da AFOR/Varginha, poderá ser conferida no anexo 2 44 Dados retirados do documento enviado pela AFOR/Varginha para a SEE/MG-2004.

Tema: “A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO FELIZ”. - Por que propor a construção de espaços felizes?

- De que forma vemos e pensamos a construção dos espaços felizes? - A construção dos espaços felizes se faz no compromisso com o outro. Na responsabilidade e no entendimento de que, no espaço profissional, a especificidade de cada tarefa se cumpre na convicção de que é na escola, espaço de formação contínua, que a educação – produto do trabalho de seres humanos - se apresenta em toda sua complexidade e riqueza formando pessoas críticas e reflexivas que acreditam que a cidadania se constrói nas marcas que deixamos no nosso caminhar.

[...] A procura para a construção da felicidade própria deve contribuir para a construção coletiva de espaços felizes que se faz no respeito às diferenças, na aceitação dos limites próprios e alheios, na crença de que a justiça é para todos – amigos e inimigos – e na convicção de que a igualdade se faz na oferta de iguais condições.

A construção de espaços felizes implica luta individual contra os egoísmos. É batalha aguerrida, é trabalho constante contra a exclusão, quer do corpo quer da alma, provocada pelas misérias várias que se identificam nos focos e na proliferação devastadora, das fomes, das angústias, das dores, das carências e das ignorâncias.

Além do exercício responsável de nossa função, nós, professores do Veredas, ao permitirmos espaços de criação de sonhos e de esperança de nossas crianças, estamos permitindo que novas utopias sejam criadas. Apesar dos dissabores e das dificuldades, construímos espaços felizes ao criarmos esperanças. Um novo mundo se faz, também, com novos sonhos. Enquanto processo, este também se faz através das nossas ações que são negadas e afirmadas dialeticamente, permitindo que o projeto Veredas seja saboreado e vivenciado como um trabalho coletivo confeccionado pelos talentos e comprometimentos individuais. Assumir projetos coletivos de mudança garantindo a justiça social sem violação dos direitos humanos. (...)

5ª SEMANA PRESENCIAL 1 - TEMA: A Construção do Espaço Feliz

2 - INSPIRAÇÃO

Gaston Bachelard, com a sua “Poética do Espaço”, nos remete a uma visão sensível do humano em dois sentidos – o interno e externo – em diálogo e complementaridade de movimento, crescimento, construção...O universo interior do ser se entrelaça com o universo social exterior, artística e poeticamente, como escultor e matéria prima, cuja feitura da obra refaz a

ambos – sendo que, ao compor a sua expressão, o ser faz a si mesmo em nível profundo de significação.

Se somos o espaço que criamos, que o façamos poeticamente em nos resgatando poetas, a poesia que somos, mas que nós esquecemos.

3 – JUSTIFICATIVA

1. A análise dos componentes do Módulo 4 e dos previstos para o Módulo 5 ensejou-nos a articulação de patamares mais totalizantes de análise: ESPAÇOS E RELAÇÕES. Ao escolhermos centralizar esses dois enfoques dialeticamente, buscamos desvelar como os espaços constituem relações, como as relações se fazem espaços, espaços internos e externos ao ser, relações que também configuram o humano nessas duas direções: o dentro e o fora.

2. O universo interior do homem e o universo exterior que o contém se interpenetram , marcando esse ser de relações, fruto da Terra, Terra que ele reconfigura e que o configura – ser humano e meio físico-social. E os conteúdos que o Veredas desenvolve se encontram, se misturam, buscando atender à complexidade das relações-espaços humanos, quando Sociologia e Psicologia se encontram, Geografia Humana e Gestão Democrática também, Arte e sala de aula, comunidade e desejos, sentimentos, coração. 3. Tanto ser e fazer buscando a utopia de um mundo melhor, mais feliz. Educar é significar os espaços, dentro e fora, elucidá-los, subvertê-los, emancipá-los, clareando suas relações, suas redes, suas interdeterminações.Educar é buscar construir, em todas as dimensões, em todas as direções, O ESPAÇO FELIZ.

4. E qualquer espaço só é feliz com poesia... eis o porquê de Gaston Bachelard como inspiração com “A POÉTICA DO ESPAÇO”, em que a casa-morada do ser está nele, interna e poeticamente abrigada.

5. CONHECIMENTO, CIÊNCIA, RAZÃO em significação com SENSIBILIDADE, SENTIMENTO, EMOÇÃO – um ser humano total, integrado, FELIZ. Este, pois, é o nosso tema para a 5ª Semana Presencial do Veredas: “A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO FELIZ”.

4 – OBJETIVOS Objetivo Geral:

Repensar, sensível e liricamente, os espaços que somos e que criamos, as “moradas humanas”, em suas múltiplas dimensões, unindo o universo interno da sensibilidade poética, da imaginação, do devaneio, da criatividade, com o universo exterior, abrigo cósmico, desde o teto primeiro, o espaço casa-família, percorrendo a escola e seus meandros, a sala de aula e seus conteúdos, a comunidade, a cidade, o estado, o país, a Terra,

os tantos matizes desse tudo que nos contém e que, ao mesmo tempo, inteiro está no dentro de nós.

5 - A COLMÉIA QUE NOS UNE: Estrutura e Funcionamento

A

AMMUUIITTAASSMMÃÃOOSSOOMMEELLSSEEFFAAZZSSAAGGRRAADDOO...

Partindo da metáfora da colméia, em que tantas unidades se integram em criação conjunta, colhemos em “A Poética do Espaço” de Bachelard 24 temas-salas, espaços de relações, para abrigar poeticamente, dentro e fora, nossos 1015 alunos universitários do VEREDAS-UNIS.

Os tutores formaram duplas e criaram seus projetos específicos, de acordo com seu tema-sala, um espaço de construção de relações que se busca FELIZ...

Toda a colméia se constitui, portanto, de 24 específicas construções, a partir de uma mesma proposta central temática comum:

1- PSICOLOGIA – “Quem sou eu?” 2- LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO. 3- A TERRA, O HOMEM, A ALMA. 4- AS ARTES PLÁSTICAS.

Esta estrutura múltipla, de peças autônomas, mas articuladas, integradas, formando um corpo maior, permite relações mais diretas, mais profundas, mais significativas, dando maior espaço ao encontro das subjetividades, às relações, portanto às falas, aos sentidos, às significações, às conjuntas criações.

Repartir, ao reforçar a autonomia, o compromisso que, pelo sensível engajamento, far-se-á comprometimento com a proposta, com a causa –- da colméia, - de todas as suas 24 unidades, do Veredas na versão UNIS para esta 5ª Semana Presencial e a Construção do Espaço Feliz.

Ensaiamos uma nova articulação, estratégica quanto a seus resultados, uma vez que com ela estamos inaugurando uma dinâmica que rompe com a tradicional estrutura de palestras e oficinas, problemática pela dificuldade de se encontrar um espaço adequado para abrigar 1015 (mil e quinze) pessoas e estabelecer relações significativas, efetivas.

Maior integração, maior participação, maior aprofundamento e criação pela multiplicação dos espaços de relação – esta é a proposta e a razão desta nossa Colméia e sua estrutura de funcionamento. (grifo nosso)

Confirmando que viver o antes, o durante e a finalização de uma semana presencial constituiu-se em fato marcante e determinante para otimizar transformações. Segue o relato da tutora Heleni (2005):

fazendo uma retrospectiva quanto aos preparativos para as Semanas Presenciais, contávamos com a parceria dos colegas tutores, num clima fahsion, como as formigas indo e vindo, nos esmerando para apresentar o melhor trabalho.

Na hora do espetáculo, recebíamos aqueles para os quais a festa estava posta. Vinham beber na fonte! Exauridos, recebiam o bálsamo que fora preparado nas mais diversas modalidades: teatros, danças, cinemas, palestras, oficinas, etc. (informação verbal)45

Importa reconhecer que transformar-se em pesquisador, para entender o percurso que as cursistas deveriam trilhar envolveu “sangue e suor”, numa trilha de quebra de paradigmas e renovação da práxis pedagógica, que para alguns foi sentido com muito prazer e alegria mas, para outros, trouxe dor e dificuldades de acompanhamento. As dificuldades que surgiam iam sendo superadas com o espírito de partilha e companheirismo que se instalou nessa equipe de tutores em formação e em serviço, conforme relata a tutora Glauce (2003):

estou muito contente com o desenvolvimento das cursistas. Problemas sempre teremos que enfrentá-los, mas acredito que as situações difíceis serão facilmente resolvidas a partir do momento em que estamos – eu, meus colegas, e coordenação – tentando solucioná-las com bastante critério e atenção. Tenho notado um desenvolvimento muito grande no grupo, cada um a seu tempo e lugar está desenvolvendo trabalhos maravilhosos. (informação verbal)46