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BM Çevre Konferanslarında Sürdürülebilir Kalkınma Kavramının Ortaya Çıkışı

4.2. BM ÇEVRE KONFERANSLARINDA SÜRDÜRÜLEBİLİR KALKINMA KAVRAMI

4.2.1. BM Çevre Konferanslarında Sürdürülebilir Kalkınma Kavramının Ortaya Çıkışı

Para Kant, julgar é construir uma unidade entre dois termos heterogêneos, “[...] que relacionam um sujeito a um predicado, de maneira tal que estabelece um enlace entre ambos pese o fato de serem entre si completamente estranhos” (BARCO, 1988, p. 33). Conforme a “Introdução” da CRP (B 10 a B 14), os juízos, do ponto de vista da relação sujeito-predicado, podem existir de duas formas: a) analíticos: são juízos em que o predicado nada acrescenta de conteúdo ao sujeito (por exemplo, “todos os corpos são extensos”). Os juízos analíticos seguem o princípio da não-contradição e são pensados segundo a identidade: o que se diz do sujeito é apenas uma explicitação de algo que já estava nele. Por isso, podem ser chamados também de “juízos explicativos”. Em juízos desse tipo a negação só é possível à custa de contradição; b)

sintéticos: são juízos extensivos, nos quais o predicado amplia as informações sobre o

sujeito (por exemplo, “alguns corpos são pesados”). Um juízo sintético remete a outro juízo, nunca a si mesmo. Nestes, a negação do predicado, em relação ao sujeito, não produz contradição.

Além dessa primeira classificação, ainda na “Introdução” da CRP, Kant realiza outra, sobre a relação do juízo com a experiência. Nesse sentido, os juízos podem ser: a) a priori: são independentes da experiência; trata-se de uma independência lógica, ou seja, são independentes de todo juízo que descreva experiências ou impressões sensíveis; b) a posteriori: dependem da experiência ou de juízos que descrevam experiências.

A classificação kantiana dos juízos traz duas implicações: que todo juízo analítico deve ser a priori – o que os faz equivaler às proposições analíticas da lógica e da matemática – e que todos os juízos a posteriori são sintéticos – o que os faz equivaler às proposições descritivo-científicas. Entretanto, é bem sabido que existe uma terceira modalidade de juízos, exatamente a que ocupa um status central no sustento do sistema kantiano: os juízos sintéticos a priori. São juízos que, paradoxalmente, independem da experiência, cujos predicados acrescentam informações novas ao

sujeito e cuja negação não supõe contradição. Kant estabelece, dessa forma, uma diferença importante entre o a priori sintético (suporta negação sem contradição) e o a priori analítico (não suporta negação sem contradição). Isso só pode ser compreendido na medida em que admitimos uma ampliação do conceito de necessidade. Os juízos sintéticos a priori são necessários, mas não necessários no sentido analítico-formal (lógico). A aprioridade caracteriza-se pela necessidade e pela universalidade, ou seja, pela validade objetiva. A necessidade fica definida pela função que tais juízos exercem em nosso pensamento quanto às questões de fato. Os juízos sintéticos a priori são traços permanentes do pensamento e operam tanto no uso teórico quanto no uso prático da razão:

No caso das proposições sintéticas a priori, que são teóricas, consiste em seu estar sendo condições de nosso pensamento sobre assuntos de fato e, como mostrou a Crítica da razão pura, da experiência dos objetos. No caso do imperativo categórico, a necessidade consiste em sua aplicabilidade a diferentes âmbitos da experiência e do pensamento – ou seja, a experiência moral e o juízo moral -. É prático porque pode determinar a vontade. (KÖRNER, 1987, p. 131).

A base da lógica clássica eram os juízos analíticos e seu pressuposto era que o pensamento e suas concatenações eram cópias da realidade (ser). No horizonte do projeto kantiano essa lógica é reconfigurada, transformando-se em transcendental: o pensamento é construtor da realidade fenomênica e suas formas estruturais (ou estruturantes) encontram-se nos juízos sintéticos a priori. São, no mínimo, três as implicações disso: em primeiro lugar, os juízos sintéticos devem constituir a especificidade dos juízos cognitivamente válidos, ao passo que os juízos analíticos funcionariam apenas como meio para obtenção de outros juízos. Para a metafísica (tradicional - dogmática) isso significa a inviabilidade enquanto ciência objetiva. Em segundo lugar, porém, uma tal força dos juízos sintéticos a priori permite à metafísica o exercício de uma nova função: estabelecer a análise da mente (ânimo – Gemüt) e o inventário de suas categorias – tarefa realizada na CRP. Em terceiro lugar, a tarefa da razão (como tratada na Dialética transcendental) abre-se à metafísica: “[...] o propósito final a que visa, em última análise, a especulação da razão no uso transcendental, diz respeito a três objetos; a liberdade da vontade, a imortalidade da

alma e a existência de Deus”. (CRP, B 826). A função última da metafísica seria a de postular a unidade transcendental absoluta (o incondicionado), tornando-se uma atividade vinculada à razão pura prática (metafísica moral). A busca de um princípio moral e sua fundamentação também deve apontar para uma estrutura sintética a priori que determina a vontade; trata-se do imperativo categórico, o juízo sintético a priori do uso prático da razão. Delineia-se, assim, a tarefa da CRPr: provar a objetividade do imperativo categórico, o que equivale a provar o seu caráter sintético a piori, justificando a noção de que a vontade de todo ser racional está submetida a ele, independentemente dos seus desejos e, inclusive, em oposição a eles:

[...] dado que a razão prática não tem a ver com os objetos para os conhecer, mas com a sua própria faculdade de tornar reais aqueles (segundo o conhecimento dos mesmos objetos), isto é, com uma vontade, que é uma causalidade, enquanto a razão contém o seu princípio determinante; uma vez que, por conseqüência, ela não tem de indicar objecto algum da intuição, mas (porque o conceito da causalidade contém sempre a relação de uma lei que determina a existência do diverso na sua relação recíproca), enquanto razão prática, somente uma lei da mesma: assim, uma crítica da analítica desta razão, na medida em que deve ser prática (o que se constitui o verdadeiro problema da analítica), tem de começar pela possibilidade de princípios práticos a priori. (CRPr, p. 105).

Na CFJ o território legítimo da metafísica é alargado e atinge também o gosto, na medida em que se demonstra o que há de a priori na experiência da beleza. Os juízos estéticos não são simplesmente analíticos: atribuir o predicado “belo” a um objeto determinado não significa explicitar algo que já estava subentendido no conceito do objeto. Pelo contrário, os juízos estéticos devem ser tomados como sintéticos, pois unem à intuição do objeto um sentimento de prazer ou desprazer: “O fato de que os juízos de gosto são sintéticos pode-se descortinar facilmente, porque eles ultrapassam o conceito e mesmo a intuição do objeto e acrescentam a esta, como predicado, algo que absolutamente jamais é conhecimento, a saber, o sentimento de prazer (ou desprazer)”. (CFJ, § 36, B 148, p. 135).

Entretanto, essa união não se dá mediante conceitos (como no uso teórico) ou mediante um princípio (como no uso prático). A união no juízo de gosto também não é a posteriori, pois, se fosse, dependeria da existência do objeto e tornar-se-ia

meramente particular e privada (o objeto não deveria ser denominado “belo”, mas apenas “agradável”). Por isso, tal união deve ser pensada como a priori e como reflexiva, ou seja, transcendentalmente, mediante a presença de um universal subjetivo a ser construído25 (estado de ânimo), pelo jogo livre das faculdades do conhecimento em geral, não de um universal dado (conceito ou princípio). Dessa forma, os juízos estéticos podem ser definidos como “[...] juízos sintéticos reflexionantes cuja unidade não se estabelece por meio de conceitos, e que referem a representação não ao objeto, mas ao sentimento de prazer ou dor do sujeito”. (BARCO, 1988, p. 34).

Benzer Belgeler