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Os coordenadores das instituições de alto investimento afirmam que suas instituições privilegiam a contratação de doutores para os seus quadros de docentes. Um deles admitiu que o seu quadro de professores é composto majoritariamente por mestres. São pouquíssimos os especialistas nessas instituições.

Os coordenadores das instituições de baixo investimento relatam a dificuldade de captar e manter doutores nos seus quadros, por isso o corpo docente dessas instituições é composto, primordialmente, por mestres, tendo, também, poucos especialistas, em geral professores mais antigos. Entre as causas apontadas para dificuldade que essas instituições têm de conseguir doutores para os seus quadros estão o fato de que o doutor começa a adquirir um perfil mais de pesquisador do que de sala de aula, que é a necessidade da imensa maioria

dessas instituições, e, além disso, alguns prestam concursos e vão para instituições públicas. Foi relatado também, por uma coordenadora desse grupo, que a instituição na qual ela trabalha está investindo na capacitação de todo o seu corpo de gestores:

A instituição agora está capacitando todo o corpo de gestores daqui, seja coordenador de curso, seja gestor de unidade, seja pessoal da supervisão acadêmica, eles estão pagando uma pós em gestão universitária pra gente fazer que fica in company. Isso não é qualquer instituição que faz. (E1).

Os coordenadores das instituições públicas demonstram que também essas instituições buscam, prioritariamente, doutores para os seus quadros. Há instituições que não abrem mais concursos para mestres, só havendo exceções quando não há procura ou se trata de uma especificidade muito grande.

Entre os professores das instituições de baixo investimento, houve reclamação no sentido da falta de estabilidade oferecida por instituições privadas de modo geral, talvez as instituições privadas devessem investir mais nesse sentido:

Isso é uma característica de qualquer universidade particular. Você depende de quantas turmas você vai ter todo semestre, se você perde turma você fica sem dinheiro mesmo. Há uma instabilidade, mas é uma instabilidade própria do mercado de trabalho de faculdade particular. (E46).

Os professores de instituições públicas, por sua vez, reclamam das dificuldades que as instituições públicas impõem aos pesquisadores:

Eu acho que a universidade pública dá pouco respaldo ao pesquisador. Nós temos dificuldades com financiamentos, com despesas para realização de eventos, tudo é muito demorado, custoso, reduzido... (E64).

Esses professores apontam dificuldades para conseguirem verbas, por exemplo, para viajar para um congresso, reclamam de falta de incentivos à publicação e relatam também a dificuldade de se conseguir uma licença para fazer doutorado no exterior.

Os alunos das instituições de alto investimento elogiam a estrutura física das suas instituições. Foram lembrados a disponibilidade dos livros, as bibliotecas, os computadores para fazer pesquisa, as salas de aulas equipadas, e até a monitoria oferecida pelos melhores alunos. Apesar de elogios à estrutura houve quem dissesse também que essa estrutura poderia melhorar porque o sinal do wi-fi, por exemplo, era ruim. Quando questionados sobre em que eles gostariam que suas instituições investissem, as respostas foram relacionadas a intercâmbio, bolsas e parcerias com faculdades do exterior, e até a estímulos à pesquisa por meio de bons projetos de iniciação científica, como foi o caso de um aluno que havia participado de um projeto desses e se decepcionado:

Deveria oferecer mais vagas de iniciação científica, (...) o professor até te orientar de alguma forma, eu sinto falta disso. O trabalho de iniciação científica que e ofereceram aqui foi o de pegar um papel e passar dado para o computador. (...). Falta um estímulo maior a pesquisa. (E44).

Os alunos das instituições de baixo investimento por sua vez, manifestaram o desejo de que as suas instituições oferecessem mais cursos extracurriculares e de extensão, mais incentivo à implantação da empresa júnior, varias melhorias estruturais incluindo bibliotecas, salas de aula e informatização, aumento no número de bolsas de estudos para os melhores estudantes, e houve até quem pedisse um nivelamento em língua portuguesa. Alguns estudantes relataram que houve interesse em montar uma empresa júnior na sua instituição, mas a ideia ainda não avançou:

Aqui não tem (empresa júnior). Eu queria fazer e falei com o (...) na época que ele era o coordenador e ele tentou levar o projeto adiante. (E62).

Nós não temos aqui empresa júnior e eu acho que nós deveríamos desenvolver um projeto, acho que nós iremos. (E63).

Com relação à estrutura, houve relato também de uma turma que, devido ao seu tamanho, tinha aula no auditório. Outros aspectos estruturais também foram lembrados na lista de desejos dos alunos das instituições de baixo investimento, tais como espaço para estudar e melhoria das bibliotecas. Um dos alunos falou sobre uma reportagem que ele havia assistido sobre o ensino na Coréia do Sul para falar da necessidade de se informatizar a instituição na qual ele estuda:

Mais de 90% dos alunos (na Coréia do Sul) já usam material tecnológico na sala de aula, bem mais avançado do que aqui no Brasil. Ai você vem para uma faculdade como a (...), e vê professor que ainda escreve com giz. Eu acho que é um retrocesso. (E75).

Outro aluno desse grupo defendeu o investimento em bolsas de estudos como estratégia para melhorar a nota no ENADE e, consequentemente, a imagem da instituição:

Acho que se você consegue premiar os alunos que vão bem no pré-vestibular da própria faculdade com bolsas, isso vai acabar melhorando a qualidade do ensino, do aprendizado do aluno e cai diretamente no ENADE. (...) as notas acabam sendo altas e isso contribui para a imagem da faculdade lá fora. (E79).

Com relação aos alunos das instituições públicas, eles também gostariam que suas instituições incentivassem mais a implantação de empresas júnior, em cursos de extensão voltados para a comunidade, em melhorias estruturais, especialmente no que diz respeito às ferramentas de informática. Além disso, gostariam que houvesse mais palestras e parcerias com empresas para incentivar o estágio. No que diz respeito às ferramentas de informática, houve relatos de precariedade nesse sentido, e houve também quem desejasse um investimento em softwares que são utilizados nas empresas para tornar o curso mais realista:

Nós temos um laboratório de informática muito precário, Datashow também muito precário, (...) e hoje em dia essas ferramentas são de bastante utilidade para você ter um ensino mais dinâmico e mais eficaz. (E82).

Podermos pegar os programas que são utilizados nas empresas (...), dar uma visão bem mais (...) realista, do que você ficar divagando sobre teorias que foram escritas há cem anos que não tem uma aplicação muito prática no teu dia a dia. (E83).

Entre esses alunos também houve relato de falta de apoio à empresa júnior:

Eu vi que estava muito desestruturada a (empresa júnior) daqui, porque tinha que começar do zero, tinha correr atrás de papelada, ir ao cartório etc... E os professores não apoiavam muito, nenhum professor queria contribuir, ai eu desestimulei. (E27).

As críticas desse grupo de alunos à estrutura de suas instituições passam, às vezes, por questões básicas:

Eu acho que o mínimo, quando nós falamos de curso não é só sala de aula, tem um banheiro, tem um refeitório, era para ter porque aqui não tem, tem o espaço, mas não estão oferecendo a refeição, e acho que é tudo um complemento isso ai banheiro, limpeza e refeição. (E26).

Eu acho que o curso deveria oferecer uma biblioteca melhor, a nossa biblioteca é muito fraca (...) não tem ar condicionado funcionando direito e não tem muitas cadeiras e mesas. (E69).

Outro grande desejo dos alunos das instituições públicas é que suas instituições investissem em programas que ajudassem o aluno a ser encaminhado para uma oportunidade de estágio. Foi sugerido que suas instituições buscassem parcerias com empresas com esse intuito. Enfim, eles gostariam que a instituição pudesse investir em algo que pudesse ajudá-los nesse processo.

O que está faltando aqui é essa questão de oferta de estágio, que deixa o aluno se virar a própria sorte, não dá um encaminhamento. (E30).

Benzer Belgeler