A empresa E pertencia à empresa D até janeiro de 2015, foi recém-adquirida por um grupo alemão, fundado por um inventor que trabalhou nos EUA com Thomas Edson, antes de fundar sua oficina de mecânica de precisão e engenharia elétrica na Alemanha, sua terra natal. Em 1887,a empresa produziu o primeiro dispositivo de ignição automotivo e em 1905, inaugurou a primeira planta fora da Alemanha. No ano de 1913, passou a produzir o sistema elétrico completo para a indústria automotiva. Em 1954, inaugurou o primeiro escritório da empresa Eno Brasil e em 1959, começou a construção da primeira unidade fabril no país. De acordo com o site, a história da empresa E é caracterizada por um impulso inovador e compromisso social, a empresa é líder mundial no fornecimento de tecnologias e serviços.
Atualmente, o grupo possui 440 subsidiárias em 60 países empregando cerca de 370000 funcionários no mundo, na divisão de soluções para mobilidade, na qual se encaixa a unidade pesquisada, uma joint venture fabricante de caixas de direção,
localizada em Sorocaba, são 13000 funcionários no mundo, sendo destes 1400 na unidade pesquisada.
Segundo o site da empresa seus valores são: orientação para o futuro e para resultados, responsabilidade e sustentabilidade, iniciativa e determinação; abertura e
confiança; justiça; confiabilidade, credibilidade e legalidade, diversidade. A missão da empresa é “Otimizar o futuro do mundo móvel com conforto ao dirigir como meta”.
O processo final de fabricação da empresa é a montagem da caixa de direção, para isso são utilizados componentes recebidos prontos de fornecedores e componentes (eixo, válvula, pistão e sem fim) que precisam passar por processo de usinagem, na sequencia alguns destes (eixo e pistão) passam por tratamento térmico e acabamento. Para finalmente, serem montados juntamente com os componentes comprados prontos e com a carcaça.
Para a pesquisa foram entrevistados o supervisor de produção (E1) e o supervisor de qualidade (E2) que trabalham na empresa há nove anos.
De acordo com E1 a empresa é um lugar de negócios, o entrevistado ainda afirma que tem um bom relacionamento com os colegas. Para E2 a empresa é uma extensão da família, ele ressalta que devido ao tempo que se passa na empresa as pessoas acabam formando círculos de amizade, e que na matriz onde trabalhou alguns anos o clima não era tão bom quanto na unidade pesquisada, conforme citação a seguir.
Acho que é uma extensão da família, porque você acaba criando amigos aqui. Uns mais colegas de trabalho, apenas, e outros a gente acaba formando um círculo de amizade. Você está a maior parte do tempo mais aqui do que em casa. Eu acho que tem que ser um ambiente de trabalho agradável. É agradável trabalhar aqui. Eu trabalhei em Campinas, o pessoal lá é mais difícil de lidar, aqui o pessoal é bem aberto (E2).
Sobre os valores da organização, E1 acredita que a transparência e a honestidade são os principais valores da empresa, nas suas palavras:“... tudo é tratado de uma forma muito transparente. Eu acho que a empresa alemã tem essa clareza e o alemão é muito paternalista, ele trata com muito cuidado muitas coisas”. Para E2 o principal valor é o know howe isso pode ser percebido através da liderança de mercado da empresa.
De acordo com os entrevistados não existe nenhum tipo de celebração na organização, diferente da empresa D a quem a empresa E pertencia até pouco tempo, o que causa em E2 um descontentamento, conforme explicitado em sua fala: “eu acho que quando a pessoa faz, sei lá, mais de 15 anos, 20 anos, merecia alguma coisa como existia na empresa D”.
Segundo os entrevistados, quando houve a confirmação da aquisição da empresa D pela empresa E, houve um treinamento, ministrado pelo diretor de operações, sobre a história da empresa, a seguir os comentários de E1 sobre esse treinamento.
Quando a gente foi se aprofundando com a E, surgiu o sentimento de “Não somos mais D, somos E e sou E”, foram feitas várias apresentações da história da E. O nosso diretor de operações, ele trabalhou por 32 anos na E para depois vir para o grupo D onde trabalhou mais 5 anos, antes dessa transição, ele conhece bem a cultura E (E1).
Os dois entrevistados concordam que a figura do fundador é muito importante para a empresa E, durante o treinamento sobre a história da empresa foi falado muito sobre ele, além de distribuídos encartes sobre sua história. A seguir os comentários dos entrevistados sobre o fundador.
A história do senhor E é muito bem falada, isso é muito bem difundido, tem alguns livretos que a gente recebe, tem alguns pequenos encartes, algumas informações bem legais, então assim, foi muito bem tratado, muito bem difundido essa história do senhor E (E1).
O presidente reuniu todo o pessoal no auditório lá, ele fez acho que duas ou três turmas, e aí ele contou a história da E, como que nasceu, como que foi fundada, como o senhor E pensava, lá em 1800 e pouco, ele pensava além do que a gente está hoje (E2).
Para os dois entrevistados a comunicação ocorre na organização de maneira informal. De acordo com E1 a comunicação na organização é facilitada pelo intercâmbio de profissionais entre as diversas unidades e flui muito bem, para ele essa é a “essência da E”. No entanto E2 discorda disso, acredita que o maior problema da empresa esteja na comunicação, “Comunicação é nosso grande problema. Às vezes as informações não fluem, o que foi dito entre duas pessoas deveria ter chegado na terceira e não chega”.
O organograma da empresa é composto pelo diretor operações, seguido pelo gerente, supervisores, coordenadores, preparadores e operadores. Para E1, essa estrutura facilita a comunicação, pois os gerentes são muito presentes na operação e é possível conversar com qualquer nível.
Os dois entrevistados concordam que o poder de decisão é centralizado, o que é visto por ambos como uma desvantagem devido ao tempo de resposta e morosidade para a tomada de decisão.
Ambos entrevistados concordam que a empresa E é muito mais formalizada que a empresa D, pois há normas e procedimentos para tudo, e acham isso bastante positivo, pois sabem seus direitos e deveres.
De acordo com E1 a empresa busca pessoas proativas, para a E2 a empresa busca pessoas abertas. A escolaridade exigida é segundo grau, mas, dão prioridade a candidatos com cursos técnicos. Há na empresa um processo de integração formal e há treinamentos tanto para nível operacional quanto para o administrativo.
E1 e E2 divergem sobre a existência de diferença entre grupos, para E1 não existem diferenças, já para E2 há muita diferença entre os grupos, o que pode ser percebido pelo problema na comunicação e pelo alto grau de protecionismo entre setores. Os dois entrevistados concordam que há transferência de conhecimento e que há um alto senso de colaboração entre as pessoas na empresa.