1. GİRİŞ
1.1. Kuramsal Temeller
1.1.11. İmplant Uygulamalarında Kullanılan Biyomalzemeler
1.1.11.2. Biyomalzeme Olarak Kullanılan Ti Alaşımlarının Mekanik Özellikleri. 43
Ações preferenciais são aquelas que atribuem ao seu titular uma vantagem patrimonial e, em contrapartida, apresentam alguma restrição de direito, geralmente, o direito de voto, em relação às demais ações63. Podem ser de classes diversas, tanto nas sociedades anônimas abertas, como nas fechadas. No Brasil, as ações preferenciais não são de emissão obrigatória, como as ordinárias, e estão limitadas a no máximo 50% (cinquenta por cento) do capital social64. São geralmente usadas por acionistas rendeiros ou especuladores que não se interessam pela administração da companhia, mas enxergam nela uma alternativa de investimento. Do ponto de vista da sociedade, as ações preferenciais são um instrumento de captação de recursos a um custo, em regra, mais baixo do que se conseguiria no mercado financeiro, e sem o risco de perder o poder de controle65.
CARVALHOSA (2009, v. 1, p. 174) esclarece que a LSA não admite ações preferenciais com restrição do direito de voto que atribuam vantagens apenas de ordem pessoal ou política. COELHO (2007, v. 2, p. 101) entende, contudo, que, para as sociedades anônimas fechadas, o artigo 18 da LSA prevê tal possibilidade66.
62 Conforme será esclarecido no item do acionista minoritário, entendemos que não só os acionistas
ordinarialistas que detêm menos da metade das ações ordinárias são classificados como minoritários. Também se enquadram nessa classificação, os acionistas preferencialistas, com e sem direito a voto.
63 BORBA (2003, p. 231) explica que as ações preferenciais podem oferecer aos seus titulares: a) vantagens e
desvantagens, cumulativamente; b) apenas vantagens; c) na companhia fechada, apenas desvantagens.
64 Antes da Lei 10.303/01, as sociedades podiam emitir as ações preferenciais até 2/3 do capital social. BORBA
(2003, p. 230) esclarece que a referida lei assegurou às companhias já existentes a manutenção da proporção de 2/3, até mesmo para as novas emissões. Apenas as companhias fechadas que quisessem abrir o seu capital e as companhias abertas ou fechadas, que voluntariamente quisessem se adaptar a nova regra, além, é claro, das sociedades constituídas após a vigência da lei, é que tinham que obedecer à nova proporção.
65 Uma vez subscrita e integralizada a ação preferencial, o acionista não faz jus a qualquer remuneração pelo
capital investido, ficando apenas a sociedade obrigada a entregar-lhe a sua parcela dos lucros, acaso existentes, de acordo com as vantagens patrimoniais estabelecidas no estatuto. Em não havendo lucro, a sociedade não tem qualquer obrigação patrimonial perante o acionista. Isso não ocorre com o dinheiro captado no mercado financeiro, o qual não está atrelado ao sucesso do negócio e sempre vem associado a uma taxa de juros pela utilização do capital alheio.
66 Conforme art. 18 da LSA, “O estatuto pode assegurar a uma ou mais classes de ações preferenciais o direito
Conforme acentua COELHO (2007, v. 2, p. 103), até 1997, a LSA não trazia proteção efetiva para o preferencialista, pois permitia que o estatuto regulasse livremente as vantagens, as quais, muitas vezes, eram pouco representativas, como, por exemplo, o estabelecimento de uma vantagem que consistia numa simples prioridade no tempo para recebimento de dividendos. Para evitar essas distorções, a Lei 9.457/97 estabeleceu o dividendo preferencial, em, pelo menos, 10% superior ao atribuído às ações ordinárias, na hipótese de a omissão do estatuto ou de a preferência nele estabelecida não se constituir em pagamento de dividendo fixo ou mínimo.
A Lei 10.303/01 modificou significativamente a disciplina das vantagens das ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição desses direitos, criando dois sistemas diferentes para as sociedades anônimas abertas e fechadas. Assim, nas sociedades anônimas fechadas, foram mantidos três dos privilégios mínimos previstos na lei anterior67. São eles: a) recebimento prioritário de dividendos fixos; b) recebimento prioritário de dividendos mínimos; c) prioridade no reembolso do capital, que pode ser cumulado, ou não, com o recebimento prioritário de dividendos mínimos. Em relação aos dividendos fixos, a LSA68 atribui a possibilidade de o estatuto vedar a participação dessas ações preferenciais nos lucros remanescentes e nos aumentos de capital decorrentes da capitalização das reservas de lucros, após atendida a prioridade (CARVALHOSA, 2009, v. 1, p. 200)
Já nas sociedades anônimas abertas, as preferências mínimas para admissão da negociação das ações no mercado de valores mobiliários são, pelo menos, uma das seguintes vantagens: a) direito de participar de parcela de no mínimo 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido do exercício, da qual será garantido dividendo prioritário de pelo menos 3% (três por cento) do valor do patrimônio líquido da ação; b) direito ao recebimento de um dividendo ao menos 10% (dez por cento) maior que o pago às ações ordinárias; c) direito de ser incluída em eventual oferta pública de alienação de controle, tendo assegurado ao menos 80% (oitenta por cento) do valor que for atribuído às ações do bloco de controle.
67 Apenas a vantagem do dividendo diferencial, de pelo menos 10% superior ao pago às ações ordinárias,
introduzida pela LSA, com a edição da Lei 9.457/97, não foi mantida.
68 Art. 17 omissis: § 4º Salvo disposição em contrário no estatuto, o dividendo prioritário não é cumulativo, a
ação com dividendo fixo não participa dos lucros remanescentes e a ação com dividendo mínimo participa dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo. § 5º Salvo no caso de ações com dividendo fixo, o estatuto não pode excluir ou restringir o direito das ações preferenciais de participar dos aumentos de capital decorrentes da capitalização de reservas ou lucros (art. 169).
CARVALHOSA (2009, v. 1, p. 201) assevera que os privilégios previstos na lei são mínimos, podendo o estatuto atribuir outras vantagens adicionais, desde que devidamente especificadas. Em relação às vantagens das ações preferenciais negociadas no mercado de valores mobiliários, a única vantagem efetiva é a que atribui à ação preferencial dividendos diferenciais de 10% sobre o valor das ordinárias, pois confere dividendos sempre superiores a essas últimas, evitando abusos do bloco de controle. Em relação à vantagem de dividendos prioritários de pelo menos 3% do patrimônio líquido, ela somente é efetiva, se a companhia possuir patrimônio líquido alto, o que nem sempre ocorre, como nas companhias da “nova economia”. Ainda, no que tange à vantagem de ser incluída em eventual oferta pública do bloco de controle, ela se revela de pouca efetividade, já que confere uma vantagem vinculada a um acontecimento futuro e incerto que poderá nunca se concretizar.
BORBA (2003, p. 28) acentua que, após a edição da Lei 10.303/2001, o dividendo diferencial, de pelo menos 10% (dez por cento) superior ao atribuído às ações ordinárias, deixou de ser uma garantia de toda e qualquer ação preferencial para ser apenas uma das possíveis vantagens estabelecidas para as ações preferenciais negociadas no mercado de valores mobiliários69. Assim, entende o autor que o artigo 17 da LSA, para as sociedades fechadas, é apenas exemplificativo, podendo, portanto, a ação preferencial não possuir nenhuma vantagem e, ainda assim, sofrer restrições.
O estatuto pode estabelecer que os dividendos prioritários, fixos, mínimos ou diferenciais, das ações preferenciais sejam cumulativos, ou seja, na hipótese de não pagamento em um exercício, eles se acumulam para o exercício seguinte. Esses dividendos, ainda que cumulativos, atribuídos como vantagens para as ações preferenciais, não podem ser distribuídos em prejuízo do capital social, salvo na hipótese de liquidação da companhia e se tal vantagem foi expressamente assegurada. Contudo, nos exercícios em que o lucro for insuficiente para distribuir dividendo prioritário cumulativo atribuído como vantagem de ação preferencial, o estatuto poderá autorizar a sua distribuição à conta de reserva de capital. Nesse sentido, VERÇOSA (2008, v. 3, p. 152) afirma que, na hipótese de não haver disposição expressa em contrário no estatuto, a lei impõe as seguintes regras gerais para as
69 Conforme asseverado, a edição da Lei 9.457/97 estabeleceu uma vantagem compulsória para todas as ações
preferenciais, qual seja: na omissão do estatuto ou estabelecimento no estatuto de vantagem para ações preferenciais diferente de dividendo mínimo ou fixo, há obrigatoriedade do pagamento de dividendos diferenciais, pelo menos, 10% superiores aos atribuídos às ações ordinárias.
ações preferenciais: a) o dividendo prioritário não é cumulativo; b) a ação com dividendo fixo não participa dos lucros remanescentes; c) a ação com dividendo mínimo participa dos lucros remanescentes, após assegurado o mesmo dividendo às ordinárias.
As vantagens estabelecidas às ações preferenciais pelo estatuto somente podem ser modificadas ou suprimidas com a concordância dos titulares de, no mínimo, metade da classe atingida, se quorum maior não for estabelecido para as ações preferenciais das sociedades abertas, em assembléia geral especial, cabendo direito de recesso aos acionistas dissidentes70.
A vedação ou restrição do direito de voto às ações preferenciais não é absoluta. Há matérias em que, mesmo havendo vedação ou restrição no estatuto, os titulares das ações preferenciais mantêm direito de voto. São elas: a) eleição em separado de membro do conselho fiscal; b) constituição da companhia em assembléia geral; c) alteração das vantagens estabelecidas para as ações preferenciais; d) resgate de ações preferenciais.
A LSA prevê ainda a ação preferencial de classe especial - golden share71-, que é atribuída exclusivamente ao ente desestatizante, nas companhias que tenham sido objeto de desestatização. Essa ação terá os poderes que o estatuto definir, inclusive o de veto das deliberações assembleares que especificar. CARVALHOSA (2009, v. 1, p. 234) aponta que essas ações, na medida em que possuem o direito de veto de deliberações da assembléia geral, subvertem o princípio fundamental do direito societário de que a deliberação deve ser aprovada pela maioria do capital social.