2.8. Ekstraintestinal Bulgular
2.9.8. Biyolojik Ajanlar
Por certo, quem lê as colunas de opinião é também formador de opinião. Alguns poderão objetar ainda que todos que lêem constantemente jornais, mesmo que não os editoriais e as colunas de opinião, são formadores de opinião, da mesma forma que Antonio Gramsci definiu que:
[...] todos são filósofos, ainda que a seu modo, inconscientemente – já que, até mesmo na mais simples manifestação de uma atividade intelectual qualquer, na ‘linguagem’ esta contida uma determinada concepção de mundo. (GRAMSCI, 1932-1933, p. 93).
No entanto, não é demasiado supor que o público alvo dos articulistas, editorialistas e colunistas são aqueles e aquelas, formadores e formadoras de opinião que buscam melhor qualificar sua
intervenção no contexto em que estão inseridos, concordando, discordando ou simplesmente agregando juízos novos, aos que já possuíam advindos destes espaços de opinião.
Na mesma direção, significa dizer que alguns dos leitores e leitoras de jornal se preocupam em se informar para que tenham eles mesmos uma opinião sobre os assuntos do momento, ou porque há audiência para esta atividade ou porque lhes é conferida esta função.
Não pretendo estudar a incidência do Jornal Folha de S. Paulo sobre a opinião pública, nem seria possível. Neste trabalho, meu objeto de estudo está focado no que determinados formadores de opinião, ao se utilizarem de espaço jornalístico de forma freqüente, comunicam a estes leitores ou a determinada “opinião pública”. Em especial, o que pensam sobre determinadas categorias de análise que apresentarei logo à frente. Para tanto, busquei pesquisar artigos publicados em um jornal de circulação nacional, assinados por colunistas efetivos.
Os principais jornais de circulação nacional - O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de São
Paulo – possuem caderno de opinião e colunistas que escrevem por longo período de tempo, na sua maioria políticos, artistas, intelectuais, personalidades e profissionais de comunicação.
Como não pretendo fazer análise comparativa entre os colunistas de diversos jornais, busquei definir qual dos veículos de circulação nacional utilizaria para coletar o material necessário à análise. O critério de escolha utilizado foi a maior média de circulação diária no período analisado, entre 2003 e 2006. Conforme dados auditados pelo IVC (Instituto de Verificação de Circulação) e divulgados pela Folha de S. Paulo, este veículo circulou com a maior media diária no período, conforme quadro 1 anexo 1, e anexos 2 e 3).15
Entre 1º de jan. 2003 e 31 de dez. 2006, a Folha de S. Paulo publicou 1.462 edições do jornal Folha de S. Paulo. O Caderno Opinião é um caderno diário, publicado em todas as edições nas páginas A-2 e A3.
Constam na página A2: dois a três editoriais ao lado esquerdo da página, uma charge central no topo da página, três colunas centrais assinadas por articulistas profissionalizados pelo jornal, uma
coluna semanal, ao lado direito da página, de artigo de um colunista convidado, além de um Box com frases da semana.
Já na página A3 constam: artigos encomendados na coluna “Tendências e Debates”, que ocupa dois terços da página ao lado esquerdo, as opiniões de leitores ao lado direito e um Box de “erramos”, logo abaixo da coluna de leitores.
Na Folha de S. Paulo, quase todos os cadernos contam com articulistas e colunistas. No entanto, o Caderno Opinião ocupa um espaço privilegiado no conjunto do jornal, sendo as páginas A2 e A3. Analisei os artigos situados ao lado direito da página A2, onde assinam colunistas convidados a escrevem uma vez por semana num dia fixo, ordinariamente, de domingo a domingo. Quando o colunista por algum motivo não pode publicar sua coluna, repórteres ou editores do jornal o substituem naquela edição. Para se ter uma idéia de quais são os colunistas efetivos e quem os substituiu em cada período, apresento algumas informações acrescidas ilustradas nos anexos.
Em correio eletrônico encaminhado a Sra. Eleonora de Lucena, Diretora Executiva do jornal Folha de S. Paulo, fiz alguns questionamentos sobre a escolha e remuneração dos colunistas, perguntei como os colunistas eram escolhidos para aquela coluna especifica. A resposta me veio da seguinte forma:
A Folha busca reunir um grupo de colunistas que expresse diferentes formas de pensar. Ser plural é o objetivo da Folha e é isso que norteia a escolha dos colunistas. Os colunistas que não fazem parte o corpo de profissionais do jornal recebem uma remuneração específica pela sua contribuição. É natural que, no transcorrer do tempo, ocorram mudanças. Elas podem ser provocadas pela iniciativa do colunista ou do jornal. O importante a ressaltar é a multiplicidade de visões de mundo que o conjunto dos colunistas (em todos os cadernos do jornal) representa. Reunido empresários, intelectuais, artistas, políticos e personalidades de várias tendências ideológicas a Folha tenta levar ao seu leitor diferentes interpretações e análises sobre os fatos.16
Não consegui obter a resposta sobre o que significava “remuneração especifica”, no caso dos colunistas estudados já que estes notoriamente não fazem parte dos quadros de funcionários da
16 Resposta do grupo folha enviada por e-mail no dia 3 de agosto de 2009, às perguntas elaboradas pelo autor no dia 13 de julho
Folha de S. Paulo. Pela resposta, veremos como se configuraram estas escolhas e de que forma representam “diferentes formas de análise” ou de “visões de mundo” ali expressas.
No ano de 2003, os colunistas efetivos foram respectivamente, Antonio Delfim Netto, Antonio Ermírio de Moraes, Boris Fausto, José Sarney, Dom Luciano Mendes de Almeida, Otavio Frias Filho e Roberto Mangabeira Unger [anexo V]. Os demais artigos assinados substituíram aqueles colunistas efetivos que porventura não puderam publicar seus artigos semanais. A substituição nestes casos foi publicar artigos de diretores e diretoras que ocupavam cargos executivos, jornalistas e editores, mas na imensa maioria das vezes a substituição das colunas foi assinada pelo mesmo profissional.
Como exemplos temos o caso de Valdo Cruz, diretor-executivo da Sucursal de Brasília, que no ano de 2003 substituiu Antonio Delfim Netto nas edições de 01/jan, 03/out e 24/dez e ainda o caso de Fernando de Barros e Silva editora de Brasil da Folha, que no mesmo ano, substituiu os artigos que deveriam ser publicados por Otavio Frias Filho nas edições de 23/jan, 03/abr, 04/set e 18/set. Ao todo, 28 colunistas assinaram a coluna localizada ao lado direito da pagina A-2, no ano de 2003, sendo que sete destes eram colunistas efetivos.
No ano de 2004, os colunistas efetivos foram Antonio Delfim Netto, Antonio Ermírio de Moraes, José Serra, José Sarney, Dom Luciano Mendes de Almeida, Otavio Frias Filho e Roberto Mangabeira Unger [anexo VI].
Otavio Frias deixa de escrever nas quintas-feiras com uma nota de rodapé ao final de seu último artigo:
Depois de dez anos escrevendo esta coluna semanal, desde junho de 1994, creio que chegou a hora de uma pausa para renovar idéias e opiniões: minhas e dos eventuais leitores. Agradeço os estímulos, críticas e comentários recebidos ao longo desse tempo. Devo continuar a escrever de forma esporádica em outras seções do jornal. (FRIAS, Otávio. Recurso ao nacional Folha de S. Paulo, São Paulo, 02/09/2004, Opinião, p. A2)
Demetrio Magnoli substitui Otavio Frias Filho. O ex-ministro da saúde na gestão de Fernando Henrique Cardoso e candidato derrotado em 2002 à Presidência da República, José Serra (PSDB)
passa a escrever nas segundas-feiras no lugar de Boris Fausto. Apesar de escrever por vinte e quatro semanas entre 12 de janeiro de 2004 a 21 de junho do mesmo ano, no seu primeiro artigo revela já ser um assíduo colunista do Jornal Folha de S. Paulo: “reassumo pela terceira vez esta coluna. Desde 1987, dela estive ausente apenas quando ocupei cargos no Executivo ou em razão de campanhas eleitorais. Devo ter publicado neste espaço mais de quatro centenas de artigos.” (SERRA, José. Folha de S. Paulo, São Paulo, 12/01/2004, Opinião, p. A2).
No último artigo que encerra sua seqüência, Serra declara que a coluna que escreve e escreveu no jornal Folha de S. Paulo tem singular importância em sua trajetória, e que em suas palavras “é o principal veículo de expressão de meu pensamento e de minha visão sobre o Brasil.” (SERRA, José. Folha de S. Paulo, São Paulo, 21/06/2004, Opinião, p. A2).
A coluna de artigo do caderno Opinião, nas segundas-feiras foi a menos constante do ano de 2004, apesar de ter um substituto à José Serra, o colunista João Sayad, que escreveu nas segundas-feiras de 23/ago a 27/dez. Entre os dois, mais de um colunista se revezou para a manutenção deste espaço.
O ano de 2005 teve como colunistas efetivos Antonio Delfim Netto, Antonio Ermírio de Moraes, João Sayad, José Sarney, Dom Luciano Mendes de Almeida, Demetrio Magnoli e Roberto Mangabeira Unger [anexo VII].
As segundas-feiras continuaram sendo o dia de menor regularidade entre os colunistas. João Sayad deixou de escrever duas edições no mês de abril e duas no mês de maio. Não publicou nenhuma coluna entre os meses de junho e julho, retornou somente no mês de agosto, a partir do qual escreveu até o final do ano com certa regularidade.
Nos períodos em que deixou de publicar suas colunas ordinárias, João Sayad foi substituído por mais de uma dezena de profissionais da Folha de S. Paulo, entre eles, Renata Lo Prete, editora do "Painel" (18/04), Rogério Gentile, editor de Cotidiano (23/05), Mario César Carvalho, repórter especial da Folha (13/06) e Sérgio Dávila, também repórter especial da Folha (11/07). Nos períodos que deixou de publicar, não há nenhuma justificativa registrada.
No último período da pesquisa, o ano de 2006, os colunistas efetivos que iniciam o ano foram os mesmos do ano anterior; Antonio Delfim Netto, Antonio Ermírio de Moraes, João Sayad, José
Sarney, Dom Luciano Mendes de Almeida, Demetrio Magnoli e Roberto Mangabeira Unger [anexo VIII]. No entanto duas alterações ocorreram no período:
Demetrio Magnoli se despediu depois de 108 edições e foi substituído por Maria Silvia Carvalho Franco, única mulher a assumir uma coluna efetiva no período analisado, e Dom Luciano Mendes de Almeida, faleceu aos 75 anos, no dia 27 de agosto de 2008, ao lado da família e dos amigos, por falência múltipla de órgãos, em São Paulo, conseqüência de um câncer no fígado, após ficar internado por 40 dias no Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina de São Paulo.
Dom Luciano escrevia todas as semanas no Jornal Folha de S. Paulo, deixando pronto vários artigos para serem publicados durante sua internação hospitalar, de maneira que no dia anterior de sua morte foi publicado ordinariamente, seu último artigo naquele jornal. A coluna publicada no caderno Opinião nos sábados, que fora reservada para colunista efetivo, não encontrou um substituto/a até o final do período estudado sendo assinada por vários profissionais do referido jornal.
Ao todo, assinaram a coluna à direita da página A-2 do caderno Opinião da Folha de S. Paulo 49 pessoas, entre os colunistas efetivos e profissionais de comunicação, do dia 1º de janeiro de 2003 e 31 de dezembro de 2006. Não pretendo analisar todos os artigos publicados no espaço reservado pelo jornal na seção indicada e, consequentemente, não farei a análise de todos os colunistas.