2. GEREÇ VE YÖNTEM
2.2. Yöntem
2.2.5. Kan Parametrelerinin Belirlenmesi
2.2.5.3. Biyokimyasal Parametrelerin Tespiti (Glikoz, Total Kolesterol, HDL-
Se todos os seres humanos merecem respeito, independentemente de quaisquer contextos sociais, estes não podem ser utilizados como instrumentos da felicidade de outras pessoas. Assim, a filosofia kantiana está preocupada em afastar a moralidade de qualquer ato capaz de tratar pessoas não como um fim em si mesmas, mas como instrumentos para a consecução de outros fins.
Enquanto as teorias da justiça estão preocupadas com as ações humanas e suas consequências ou com as escolhas políticas adotadas, a filosofia moral kantiana opera na dimensão da consciência, mais preocupada em avaliar os motivos que a fundamentaram – o que se faz através do imperativo categórico.
Como consequência, sob o olhar kantiano, em uma análise moral, de nada vale fazer o bem sem que os motivos da ação sejam pautados no respeito aos indivíduos como um fim em si mesmos. Certamente, Kant não negaria que uma celebridade que, em busca de publicidade positiva perante seu público, doasse um valor considerável em suprimentos às vítimas de uma catástrofe climática, estaria tomando uma atitude com boas repercussões práticas. Entretanto, Kant não questionaria sua atitude, mas sim seus motivos.
19 Ibidem. P. 36.
O imperativo categórico kantiano determina: “Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer sempre como princípio de uma legislação universal”20. Portanto, na análise da moralidade de uma ação, é necessário que seus motivos sejam bons em qualquer circunstância. Tal convicção leva a diversos dilemas morais.
Suponha que um determinado indivíduo esteja com problemas financeiros e precise com certa urgência de um empréstimo21. Entretanto, este pede dinheiro a um amigo e lhe falta com a verdade ao afirmar que lhe pagará dentro do prazo acordado (já que ele sabe que não terá condições de pagar). Pergunta-se: sua ação é moral?
Não se sabe ao certo o porquê este indivíduo precisará desse empréstimo com certa urgência, entretanto, a possibilidade de universalização de uma máxima que permita ao indivíduo mentir para a obtenção de uma vantagem levaria a um absurdo.
Mas imagine que este indivíduo procurara o empréstimo para custear uma cirurgia de urgência que, caso não realizada, levaria sua mãe a óbito. Seria possível argumentar que essa mentira é justificável, posto que possivelmente falar a verdade resultaria na morte de sua mãe.
Entretanto, visto sob outro ângulo, é possível concluir que o indivíduo do exemplo, ao iludir seu amigo, não o deu a possibilidade de, por sua consciência, decidir o que fazer com o seu próprio dinheiro. Talvez, uma conclusão possível diante disso seja a de que essa mentira é censurável porque através dela se está utilizando outra pessoa para a obtenção de uma vantagem.
Ao faltar com a verdade, o sujeito não estaria reconhecendo em seu amigo um ser moral, mas sim um meio para a consecução de seu objetivo. Perante o imperativo categórico, seria necessária a seguinte indagação: É possível universalizar uma máxima segundo a qual um indivíduo poderá ser utilizado como um meio para a obtenção de uma vantagem? Certamente uma resposta positiva ocasionaria impensáveis absurdos.
O filme de ficção científica “The Island” (2005), dirigido por Michael Bay, traz uma situação interessante: as pessoas podem encomendar clones de si mesmas para o caso de um dia precisarem de um transplante de órgãos. Esses clones são considerados como uma espécie de seguro, vivendo em locais isolados sem saber realmente qual a sua finalidade. A reflexão proposta é: Tal situação não seria legitimada pela universalização de uma máxima segundo a qual um indivíduo pode ser um meio para a obtenção de uma vantagem? Em qual
20 KANT, Immanuel. Crítica da razão prática. São Paulo: Martin Claret, 2003. P. 43.
21 Exemplo inspirado em: SANDEL. Michael J. JUSTIÇA: O que é fazer a coisa certa? Trad. Heloísa Matias e
dos exemplos se está objetificando seres humanos?
O exemplo ilustra a razão de ser do primeiro e fundamental princípio universal extraído desse imperativo: o ser humano jamais pode ser utilizado como um meio, mas sempre como um fim em si mesmo.
Voltando ao exemplo da celebridade filantropa, na esfera da moral, sua atitude não merece ser considerada adequada pelo mesmo motivo: a constatação de que o ser humano jamais seja utilizado como um meio, mas sempre como um fim em si mesmo. No caso em tela, o auxílio às vítimas da catástrofe climática não fora fundado no dever intrínseco de todo ser humano de socorrer aqueles que estão em situação de vulnerabilidade, garantindo sua dignidade enquanto pessoas. Na verdade, a celebridade altruísta nada mais fizera senão usar as vítimas como um meio para a obtenção de publicidade.
O raciocínio que envolve a celebridade filantropa talvez não cause estranheza. Já parece natural às pessoas desconfiar das reais intenções umas das outras. Mas, pergunta-se: E quando os motivos por trás das ações forem bons? A celebridade altruísta poderia ter praticado tal ato por uma infinidade de motivos tidos como louváveis: 1) por ter sentido pena das pessoas e o ato ter lhe feito sentir melhor consigo mesma; 2) por a doação ter-lhe feito se sentir uma pessoa melhor; 3) por entender que com essa ação seria melhor vista perante a justiça divina.
Kant é radical ao afirmar que é imperativo que as pessoas sejam tratadas como um fim em si mesmas, não sendo moralmente relevante sequer os atos motivados por bons sentimentos ou por bons interesses. O ser moral, ainda que tenha bons sentimentos, deve agir em virtude de um dever racional de assegurar dignidade aos outros indivíduos. Portanto, ainda que motivado pelos mais divinos sentimentos, sua atitude não é moral se tratar outros seres humanos como um instrumento para a obtenção de qualquer fim. Para entender melhor essa ideia, faz-se necessário trabalhar também com o conceito de “imperativos hipotéticos”.
Imperativos Hipotéticos pautam-se na razão instrumental, estabelecendo a tomada de decisões com base em seus efeitos. Seguem a simplificação: “se você deseja X, então faça Y”. Se a ação for somente um meio (ou instrumento) para atingir outra finalidade, tratar-se-á de um imperativo hipotético. Caso a ação represente algo bom em si mesma, tratar-se-á de um imperativo categórico (incondicional)22.
A ação da celebridade filantropa pode facilmente ser demonstrada através da simplificação acima: “Se você deseja obter publicidade, então faça uma boa ação”. Talvez os
22 SANDEL. Michael J. JUSTIÇA: O que é fazer a coisa certa? Trad. Heloísa Matias e Maria Alice Máximo.
três exemplos dados tragam maior dificuldade em um primeiro momento, mas também preenchem claramente a simplificação: “Se você deseja se sentir melhor consigo mesmo, faça uma boa ação”; “se você deseja se sentir uma pessoa melhor, faça uma boa ação”; “se você deseja ser melhor visto perante a justiça divina, faça uma boa ação”.
Note-se que, por melhor que seja a finalidade, todos esses exemplos colocam os beneficiados pela boa ação como um instrumento (ou um meio) para a obtenção de um resultado desejado. Ao ser tratado como um meio, o indivíduo é objetificado, não recebendo a dignidade que lhe é devida por sua condição enquanto ser humano.
Uma consequência imediata do imperativo categórico é o de que, diante de uma ameaça à dignidade de qualquer indivíduo, é um dever do ser moral agir em seu socorro, pelo simples fato de que aquele indivíduo em situação degradante é portador de dignidade e merece ser tratado como um fim em si mesmo. O dever de agir moralmente não pode ser confundindo com uma simples inclinação decorrente de imperativos hipotéticos.