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MATERYAL VE METOT

4.10. Biyokimyasal Bulgular

Iniciaremos nossa discussão teórica apresentando uma discussão, de cunho sociológico e filosófico, sobre o que é tecnologia. Essa discussão nos servirá como um importante instrumento para analisar o estudo empírico realizado nessa pesquisa. Não somente: através dessa discussão, perceberemos que os atores sociais do nosso caso possuem uma determinada concepção sobre a tecnologia que pode ser enquadrada segundo os termos da investigação filosófica que apresentaremos. Também perceberemos, ao longo do estudo, o modo como esses posicionamentos se mantiveram ou foram transformados diante dos acontecimentos inesperados na planta industrial brasileira pesquisada.

I i ial e te,à olta osà à pe gu ta:à oà ueà à te ologia ?à “eria ela um instrumento passivo nas mãos de seus usuários? Ou seria ela determinadora de ações, relações e até mesmo a principal responsável pelo sucesso (ou pelo fracasso) de um sistema de produção? Pa O filósofo Andrew Feenberg, ao discutir as concepções sobre tecnologia presentes em obras de outros pensadores, demarcou dois13 posicionamentos distintos. Os balizadores dessa demarcação seriam: 1) a crença de que a tecnologia é totalmente controlada por seus usuários; 2) a crença em sua soberania, de tal modo que ela determina as ações e relações ao seu redor. Os posicionamentos resultantes de cada resposta estão situados no quadro abaixo (FEENBERG, 2010, p. 56):

13

Estamos, sobre esse ponto, realizando uma simplificação. O autor realizou uma classificação com quatro posicionamentos, originalmente. Contudo, dois deles não nos auxiliariam à compreensão do caso que analisamos e, portanto, não serão mencionados. Para uma discussão mais aprofundada, ver Feenberg, 2010. 56.

Tabela 3 – Quadro de perspectivas sobre a tecnologia

O que é tecnologia?

Resposta: É autônoma É hu a a e te

controlada

Posicionamento: Determinista Instrumentalista

Fonte: (alterada pelo autor) (FEENBERG, 2010, p. 56).

Cada resposta para a pergunta resulta em um posicionamento distinto. É possível enquadrar, em cada um dos dois posicionamentos, filósofos e pensadores célebres como Martin Heidegger, Karl Marx e Max Weber. Contudo, o debate filosófico entre tais personalidades sobre o que é a tecnologia não nos interessa. O que nos interessa é notar que, independentemente dos debates teóricos que essa questão tem levantado ao longo de décadas entre filósofos, o quadro apresentado também serve para classificar posicionamentos daqueles que, distantes do debate teórico, lidam com a tecnologia em seu dia a dia, dentro de suas respectivas práticas14.

Desse modo, as perspectivas instrumentalista e determinista serão centrais nesse estudo, pois tornam possível uma melhor compreensão dos posicionamentos dos grupos analisados neste trabalho. Nos focaremos, portanto, no entendimento de ambas.

Para Feenberg, a perspectiva instrumentalista é:

Essa é a visão-padrão moderna, segundo a qual a tecnologia é simplesmente uma ferramenta ou instrumento com que a espécie humana satisfaz suas necessidades. (...) essa visão corresponde à (...) uma característica preponderante da tendência que dominou o pensamento ocidental até bastante recentemente. (FEENBERG, 2010, p.57).

O instrumentalismo é a visão daqueles que acreditam que a tecnologia seja um instrumento nas mãos dos humanos. Ela, por si mesma, não poderia influenciar ou determinar

14 áà oç oà deà p ti a à adotadaà esteà estudoà se à a alisadaà aisà detalhada e teà asà seç esà

de alguma forma as ações e relações ao seu redor. A tecnologia, nessa perspectiva, é tomada como uma ferramenta que é usada passivamente. Ela é neutra e humanamente controlada.

Essa posição torna-se interessante quando contrastada com o determinismo. Para Feenberg

:

Na caixa subsequente do quadro, (...) lê-se o vocábulo determinismo, que traduz uma visão amplamente mantida nas ciências sociais desde Marx, segundo a qual a força motriz da história é o avanço tecnológico. Os deterministas acreditam que a tecnologia não é controlada humanamente, mas que, pelo contrário, controla os seres humanos, isto é, molda a sociedade às exigências de eficiência e progresso. Os deterministas tecnológicos usualmente argumentam que a tecnologia emprega o avanço do conhecimento do mundo natural para servir às características universais da natureza humana, tais como as necessidades e faculdades básicas.

(FEENBERG, 2010, p. 57-58)

O determinismo considera os artefatos tecnológicos como capazes de transformar as relações a sua volta. Portanto, o determinismo percebe a tecnologia como a p otago ista ,à por exemplo, dentro de um sistema produtivo. Ao passo que instrumentalistas creditam o sucesso de um sistema de produção à engenhosidade humana, entendendo os usuários como protagonistas, os deterministas consideram ueàaàte ologiaà àoà eloàfo te àdeàtodaàaà adeiaà produtiva e os usuários devem, portanto, atuar como um suporte que permite o pleno funcionamento tecnológico.

Um bom exemplo das diferenças radicais que podem existir entre essas duas perspectivas é o debate sobre legalização da venda de armas nos EUA, citado por Bruno Latour (2001). Ele diz:

"Armas matam pessoas" é o slogan daqueles que procuram controlar a venda livre de armas de fogo. A isso replica a National Rifle Association com outro slogan: "Armas não matam pessoas; pessoas matam pessoas". O primeiro é materialista[determinista]: a arma age em virtude de componentes materiais irredutíveis às qualidades sociais do atirador. Por causa da arma o cidadão ordeiro, bom camarada, torna-se perigoso. A NRA, por seu turno, oferece (o que é muito divertido, dadas as suas convicções políticas) uma versão sociológica[instrumentalista] que costuma ser associada à Esquerda: a arma não faz nada sozinha ou em consequência de seus componentes materiais. A arma é urna ferramenta, um meio, um veículo neutro à vontade humana15. (LATOUR, 2001, p. 204)

15 LATOUR, Bruno. A Esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru, SP:

Nesse trecho percebemos, em outros termos, a separação entre instrumentalistas e deterministas em um debate atual e controverso. A NRA apresenta uma perspectiva instrumentalista ao considerar que as armas são ferramentas, tão somente, e que não influenciam em nada nas taxas de homicídios e na criminalidade. Por outro lado, temos um argumento determinista, que vai na direção contrária: a existência das armas gera, de algum modo, um aumento nas taxas de homicídio. Afinal, elas foram criadas para serem usadas e sua existência atua sobre seus portadores de modo a desviá-los da conduta que adotariam se não estivessem armados. Contudo, trata-se de uma perspectiva determinista – que considera a tecnologia como protagonista da ação.

Sob esse ponto, precisamos reter nossa atenção: ambas as perspectivas conferem papeis diferenciados ao usuário e à tecnologia. Essa diferença será útil para entender o caso que narraremos no próximo capítulo. Nesse momento, cientes da discussão sobre diferentes perspectivas sobre o que é a tecnologia, nos voltaremos para os estudos da ergonomia relacionados ao processo de desenvolvimento dessas tecnologias.

Benzer Belgeler