• Sonuç bulunamadı

Çizim 4.2. Kontrol grubuna ait H&E mikrografları A, 10X B, 20X C, 40X A

4.2. Biyokimya Bulguları

Já que procuramos explanar e discutir as aproximações e os dis- tanciamentos entre aspectos da filosofia de Nietzsche e da teoria da seleção natural de Darwin sem o intento de categorizar o filósofo como darwinista ou não darwinista, algumas considerações podem ser obtidas a partir de um trecho de Genealogia da moral: “Todos os conceitos, nos quais se colige semioticamente um processo inteiro, esquivam -se à definição: definível é somente aquilo que não tem história” (Nietzsche, 1998, p.68, apud Frezzatti Junior, 2009, p.66).

Essa questão remonta ao início do século XX, momento em que trabalhos a respeito das relações entre Nietzsche e Darwin co- meçam a aflorar. Dentre estes, podemos citar Nietzsche et les theo-

ries biologiques contemporaines, de Claire Richter, que, segundo

Moore (2006) e Frezzatti Junior (2010), foi a pioneira em abordar tal temática. Entretanto, se Richter foi a primeira a tratar de ma- neira sistematizada as possíveis aproximações entre o filósofo e o naturalista, ela também foi a primeira a estigmatizar Nietzsche como lamarckista ou, nas palavras da autora, como lamarckista- -inconsciente (Moore, 2006; Frezzatti Junior, 2010).

Em seu trabalho, Richter (1911), citada por Frezzatti Junior (2010, p.71), conclui: “as numerosas passagens em que se mani- festa o evolucionismo de Nietzsche nos autorizam a considerá -lo discípulo, embora semi -inconsciente, de Lamarck” e “estamos, portanto, autorizados a considerar Nietzsche como partidário da teoria da hereditariedade dos caracteres adquiridos e a declará -lo devido a isso discípulo de Lamarck”. Todavia, como nos lembra Frezzatti Junior (2010), as conclusões apresentadas por Richter evidenciam o esforço da autora em classificar Nietzsche como la- marckista, visto que essa categorização do filósofo permite enquadrá -lo como um dos defensores da eugenia. Voltamos a rea- firmar que essa imposição de valores e de qualificações acaba por gerar, na grande maioria das vezes, conflitos e controvérsias entre os diversos autores. Desse modo,

Se quisermos afirmar o caráter darwinista de um filósofo ou de um pensador, devemos designar exatamente quais os aspectos envol- vidos nessa afirmação e considerá -los como resultado de processos históricos ainda em andamento. É inadequado o uso de categorias generalistas no estudo do pensamento humano. Ao invés de inves- tigarmos esses temas através das classificações gerais das persona- gens, devemos trabalhar com a trama conceitual específica de cada um deles. (Frezzatti, 2009, p.66)

Assim, nosso intuito neste trabalho não é terminá -lo con- cluindo se Nietzsche foi ou não darwinista, mas sim tentar clari- ficar pontos de convergência e de distanciamento entre eles, tendo cautela para não fundir ou dicotomizar aspectos complexos das obras de ambos. Acreditamos que o ponto de partida da oposição reiterada pela literatura entre o filósofo e o naturalista inglês advém da forma de interpretação que muitos leitores atribuem aos pensamentos e colocações nietzschianas. A contundência, a complexidade e as próprias provocações de sua obra, fizeram com que a mesma se tornasse vulnerável a mal -entendidos e apropria- ções indevidas (Frezzatti, 2004a).

Isso fica claro quando nos deparamos com a sua associação a al- gumas ideias incompatíveis com seus próprios textos. Quero dizer da identificação da filosofia nietzschiana com a eugenia, com o dar winismo e, mais recentemente, com a fundamentação da demo- cracia. (Frezzatti, 2004a, p.222)

Vale ressaltar que o dissenso presente na literatura não advém somente da complexidade do legado nietzschiano, mas também da própria compreensão do termo “darwinismo”. Tal conceito tem se mostrado problemático desde o século XX, visto que pode abarcar uma multiplicidade de significados dependendo do contexto em que é expresso e dos ideais de quem o expressa (Botha, 2001). Assim, essa polissemia do termo “darwinismo” pode envolver desde o próprio conceito de evolução por seleção natural proposta por Darwin assim como pode assumir as várias distorções impostas à teoria darwiniana:

Greene indica seis maneiras pelas quais o darwinismo foi definido: teoria da evolução; teoria da evolução orgânica através de variação aleatória, luta pela existência e seleção natural; teoria da seleção na- tural versus teorias rivais; filosofia da ciência; darwinismo social e visão de mundo (cf. Bizzo, 1991, p.41). Mayr aponta nove sentidos para o darwinismo: teoria da evolução de Darwin, evolucionismo, anti -criacionismo, anti -ideologia, selecionismo, evolução varia- cional, credo dos darwinistas, visão de mundo e metodologia (cf. Mayr, 1991, p.92 -105). (Frezzatti Junior, 2009, p.56)

Assim, toda fundamentação que buscamos para desenvolver este trabalho construiu -se com o intuito de nos armarmos com ar- gumentos suficientes para elucidar os leitores de que tanto Nie- tzsche quanto Darwin representam marcos históricos na Filosofia e na Biologia respectivamente, e devem ser “tratados” com a com- plexidade exigida pelos seus pensamentos. Gostaríamos de evitar aproximações forçadas porque, através das mesmas, busca -se, ne- cessariamente, a fundamentação de inferências pontuais. Devemos

olhar para as obras nietzschiana e darwiniana de maneira sistêmica, evitando a apropriação de trechos destacados de seus contextos, tratando -os como axiomas únicos de suas obras.

Contudo, Nietzsche não pode ser personificado como lamar- ckista porque trabalhou um conceito de sua obra aproximando -se dos pressupostos lamarckianos. Isso, a nosso ver, desprestigia a complexidade do trabalho do filósofo, uma vez que o mesmo é fragmentado para sustentar uma analogia e/ou categorização, mui- tas vezes de cunho pessoal. Assim, faz -se necessário com preender os pensamentos tanto de Nietzsche quanto de Darwin através de um olhar sistêmico, complexo e epistemológico, considerando as múltiplas perspectivas a que uma interpretação pode subjazer.

Referências bibliográficas

BIRX, H. J. Nietzsche, Darwin and evolution. In: HAWAII INTER- NATIONAL CONFERENCE ON ARTS AND HUMANI- TIES. Honolulu, 2003. Anais… Honolulu: Sheraton Waikiki Hotel, 2003. p.1 -9. Disponível em <http://www.hichumanities. org/AHProceedings/JamesBirx.pdf>. Acesso em 11/1/2011. BORGES, M. A. Nietzsche e a noção de corpo. Trilhas Filosóficas

(Caicó), v.1, n.2, p.114 -26, jul. -dez. 2008.

BOTHA, C. F. Nietzsche and evolutionary theory. Phronimon (Pre-

toria), v.3, n.1, p.1 -27, 2001.

CAPONI, G. História del ojo: Nietzsche para darwinianos, Darwin para nietzscheanos. Temas & Matizes (Cascavel), n.15, p.10 -26, 2009.

DARWIN, C. A origem das espécies. São Paulo: Martin Claret, 2004. 639 p.

FREZZATTI JUNIOR, W. A. A superação da dualidade cultura/ biologia na filosofia de Nietzsche. Tempo da Ciência (Toledo), v.11, n.22, p.115 -35, set. 2004a

_____. Equívocos a respeito de Nietzsche: o darwinismo, a eugenia e a democracia pós -moderna. Ethica (Rio de Janeiro), v.11, n.1, p.221- -37, 2004b.

FREZZATTI JUNIOR, W. A. A relação entre Filosofia e Biologia na Alemanha do século XIX: a interpretação nietzschiana da se- leção natural de Darwin a partir das teorias neo -lamarckistas alemãs.

Filosofia e História da Biologia (São Paulo), v.2, n.4, p.457 -65, 2007.

_____. Os sentidos do darwinismo. Temas & Matizes (Cascavel), n.15, p.55 -68, 2009.

_____. A construção da oposição entre Lamarck e Darwin: o caso de um estudo de 1911 sobre a relação de Nietzsche com as teorias bio- lógicas de sua época. In: IV SEMINÁRIO DE HISTÓRIA E FI- LOSOFIA DA CIÊNCIA. Ilhéus, 2010. Anais... Ilhéus: UESC, 2010. p.1 -11.

MENEGAT, C. Os pensadores que influenciaram a política da eu- genia do nazismo. A MARgem (Uberlândia), v.1, n.2, p.66 -73. jul.- -dez. 2008.

MOORE, G. Nietzsche and evolutionary theory. In: PEARSON, K. A. (Org.). A companion to Nietzsche. Oxford: Blackwell Pu- blishing, 2006. cap.28, p.517 -31.

NIETZSCHE, F. W. Crepúsculo dos ídolos ou como filosofar com o martelo. In: NIETZSCHE, F. W. Obras incompletas. Seleção Gé- rard Lebrun. Trad. e notas Rubens Rodrigues Torres Filho. 2.ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p.335 -52. (Coleção Os Pensa- dores, 31).

NIETZSCHE, F. W. Ecce Homo. São Paulo: Martin Claret, 2007. 125p.

INTERAÇÕES DISCURSIVAS

Benzer Belgeler