5. MÜZİKTE ELEŞTİRİ YAKLAŞIMLARI
5.1.1. Biyografik Eleştiri
Victor Cousin (1792-1867) representante do ecletismo filósofo e político francês, nasceu em Paris. Estudou na Universidade de Paris e na Escola Normal Superior. Nesta passou a ser professor, depois mestre de conferências e diretor. Na Sorbonne, foi professor em 1815, inicialmente como suplente de Royer-Collard, depois como titular. Suspenso em 1821, a pretexto de ser liberal, foi restituído posteriormente. Esteve duas vezes na Alemanha, em 1817, quando contatou a Hegel e Schelling, e em 1824. Cresceu em influência política, ocupando diversos cargos, como diretor da Escola Normal, reitor da Universidade, e, em 1840, Ministro da Instrução Pública da França. No golpe de Estado de 1852 perdeu a Cátedra na Sorbonne (Cf. REALE, 1991, p. 260).
Para as convicções de Cousin os sistemas filosóficos podem ser vistos como aspectos da mesma grande e única verdade. No seu pensamento ocorrem elementos que procedem de Descartes, Escola Escocesa, Kant, Hegel, e ainda pelo voluntarismo de Maine de Biran. Seu ecletismo não é uma dialética de contraditórios, mas um equilíbrio progressivo dos sistemas na descoberta da verdade. O erro puro é impossível nos sistemas filosóficos e o espiritualismo182
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Com efeito, o espiritualismo "ensina a espiritualidade da alma, a liberdade e a responsabilidade das ações humanas, as obrigações morais, a virtude desinteressada, a dignidade da justiça, a beleza da caridade". Ademais, o espiritualismo ensina também que "além dos limites deste mundo há um Deus", que cria a
eclético de Cousin é a base de sua filosofia, na qual rejeita igualmente a demagogia e a tirania, ensinando todos os homens a respeitarem-se e a amarem-se, o que levaria pouco a pouco as sociedades humanas à verdadeira república. Em 1828 se afasta do idealismo alemão para acentuar a visão cartesiana e da escola escocesa.
Não podemos deixar de apontar o que Cousin pensava de Reid. Nossa pesquisa mostra que na vasta obra de Cousin existe o espaço para uma em especial: “A Filosofia Escocesa”, que teve quatro edições. Reid foi apresentado para Cousin por meio do filósofo escocês discípulo de Thomas Reid, William Hamilton que produziu uma catalogação das obras de Reid, e dedicou este material a Victor Cousin. Nele temos todo o Pensamento de Thomas Reid, a obra se chama “As Palavras de Thomas Reid”, de 1848. Cousin então se ateve à Filosofia Escocesa e esta passou a ter uma forte influência em seus escritos. Ressalto alguns dos trechos destas obras:
Cousin chama o trabalho de Reid como memorável, suas aplicações são chamadas de método de filosofia original e suas implicações são consideradas imortais (COUSIN, 1864, p. 5). Cousin acredita que Reid dá um golpe definitivo e destruidor na teoria das ideias e representações de Hume, e restaura a percepção natural do espírito humano (1864, p. 6).
Para nós pouca honra está se dando a Reid, pois ele conseguiu ajuntar elementos para triunfar sobre o ceticismo, um passo importante para ele que foi um discípulo do idealismo de Locke. Sua obra representa um enaltecimento do homem e da democracia ao mostrar que tal homem pode compreender o mundo exterior, valorizando seus sentidos, sem elementos intermediários que representem o mundo, pois suas faculdades que lhe dão segurança. Reid é corajoso em tomar um caminho diferente de Locke, Berkeley e Hume, pois enquanto estes diminuíram a ação natural de Deus dada ao homem para interpretar a natureza, Reid pelo contrário a enalteceu (COUSIN, 1864, p. 8).
humanidade, que lhe confia fim nobre e que "não a abandonará no curso do misterioso desenvolvimento do seu destino". Mas não é só isso, pois o espiritualismo é a filosofia que "sustenta o sentimento religioso" e que "favorece a verdadeira arte (...) (Cf. REALE/ANTISERI, 1986, p. 261).
Segundo Cousin, Reid é incontestavelmente um dos grandes comissionários da natureza humana e, depois de Kant, o primeiro metafísico do último século. Depois de ler suas obras ele entendeu o quanto elas são incomparáveis, suas doutrinas são diferentemente sensíveis e infinitamente profundas. Há grande relevância em ler sua obra sobre o senso comum e creio que isso o ajuda a fundamentar o método psicológico (Cf. Cousin, 1864, p. 9).
Para Cousin, Kant e Reid estão em pé de igualdade:
Kant e Reid atacaram as leituras trágicas, de forma nobre e respeitosa de seu tempo, eles reivindicaram contra um modo de filosofia que não dava dignidade a humanidade, um caminho aberto por muitos empiristas, mas que foi evidenciado por um forte argumento que poderia fazer deste século o século do ceticismo pela vontade de Hume (COUSIN, 1864, p. 8).
Para Cousin, Reid foi um filósofo inovador que deu voz à filosofia escocesa no mundo, e isso lhe dá também um grande valor no presente (Cousin, 1864, p. 11). Para ele a importante filosofia do senso comum agracia e deve ser valorizada na eminente filosofia contemporânea (Ibidem, p. 12).
Cousin escreveu os trechos acima em 1857, no auge no espiritualismo eclético e por isso podemos entender que todos que admiravam esta escola filosófica, minimamente entenderam o valor dado por Cousin a Reid. Isso chama a atenção para entender que mesmo despercebidos os intelectuais brasileiros estavam atentos à escrita do senso comum por meio de sua referência maior, ou seja, Victor Cousin.
Na obra máxima de Thomas Reid,183 o filósofo do Senso Comum, Victor Cousin encontrou muito de sua inspiração (Cf.BROADIE, 2002, p. 210) fazendo do Senso Comum escocês o material básico nas escolas francesas. A filosofia de Reid continuou sendo aplicada na escola francesa até 1890 por recomendação do próprio Cousin (Cf.BROADIE, 2002, p. 211).
183 Falo do trabalho que reúne todas as obras de Thomas Reid: The Works of Thomas Reid. 5ªed., Endiburg: Maclachlan and Stewart, 1858. 914 p.
Desta forma, a filosofia de Reid foi muito usada pelo contexto filosófico francês. Maine de Biran (1776-1824) abraçou a filosofia de Condillac (1715-1780), mas com muitos pressupostos de Reid. Biran se tornou um moderador entre os ideais da Revolução Francesa e os ditames de Bonaparte. Biran trabalhou como Cônsul e foi um dos responsáveis pelas implantações de fundações intelectuais para um novo sistema de ensino e da Lei (Cf.BROADIE, 2002, p. 212-213).
Outro fato histórico: em 1832, Victor Cousin foi apontado como conselheiro da Universidade de Sorbonne e, no seu planejamento curricular para as escolas, encontra-se o espírito da Filosofia Escocesa integrado com o das tradições francesas. Deus é o fundamento das verdades eternas, dos princípios e valores absolutos. Basta ao homem seguir a razão para atingir a verdade e a moral perfeitas. Teve Cousin a oposição dos positivistas. Liberal, defendeu a laicização do ensino. Dada a integração de Cousin no poder, sua filosofia teve aspecto oficial desde a revolução de julho de 1830 até 1848, fim da monarquia constitucional de Luiz Filipe de Orléans.
Por enquanto em minha pesquisa não entro na questão sobre o Positivismo. Ao que me parece, pelo o que pude pesquisar, revela muito sobre embates envolvendo fé e razão. Creio que neste campo, tanto católicos como protestantes demonstram a importância do sentimento religioso mesmo antes do desastre científico de duas grandes guerras.
Por hora, esta pesquisa nos coloca em sintonia com o ambiente do protestantismo brasileiro em seu início e estruturação. Esse início nos mostra que tanto na política como no meio intelectual houve espaço para tolerância em meio àquilo que o protestantismo pode oferecer como elemento agregador para os interesses dos políticos e da classe intelectual.
Nota interessante repassada por Paim aponta que os pensadores brasileiros de filosofia da época estão interessados no contexto europeu por meio do entendimento de Victor Cousin: os pontos abordados acreditavam que o espírito humano jamais chegaria a uma situação de plenitude e, simultaneamente, apostavam na possibilidade infinita de seu aprimoramento. Entendiam ainda que a filosofia estava vinculada a um determinado tempo histórico, achando-se,
portanto as convicções que nutriam condenadas à inevitável superação (Cf. PAIM, 1986, p. 3-4).
Estes fatos terão grande influência na vida cultural brasileira. Os políticos da Constituinte argumentavam com ideias típicas iluministas:
Joaquim Manuel Carneiro da Cunha, Deputado da Paraíba do Norte, na sessão de 05/11/1823, defendendo a liberdade religiosa, argumentou: “...doe-me, Sr Presidente, que no Século das Luzes, no Século 19, e no meio desta Assembleia, ainda haja quem pretenda combatê-lo, quem nos queira reduzir ao tempo em que até era sacrilégio falar no Diabo! (A sua palavra foi logo após o longo discurso de Silva Lisboa, que combatia a liberdade religiosa) (COSTA, 2004, p. 341-342).
Sobre isso cometa Ribeiro:
Entre os constituintes evidencia-se a presença de ideias relativas à liberdade de culto como direito inerente ao ser humano; ao Estado cabe proteger esse direito. Essas ideias partilhadas por membros do clero e por leigos, indicam a influência e penetração do iluminismo, na formação dos próceres políticos e religiosos brasileiros. Embora ‘essencialmente cristão e católico’ [...](RIBEIRO, 1973, p. 30).
A próxima fala registra a admiração pragmática e preocupada com desatenção tecnológica de outros países por meio de intolerância religiosa. Observe que há um vínculo entre fé protestante e progresso:
A História nos ensina quantos males se tem seguido da intolerância, e quantos bens tem produzido a política abservância (sic) de se tolerarem diversos Cultos. Um mal entendido selo da Religião Católica levou os nossos maiores talar com ferro e fogo todos os miseráveis que não professam esta Religião. A Ásia, a África, e a América foram o teatro de tão sanguinolenta devoção; e mesmo em Portugal, a exemplo dos espanhóis, o celebre e sábio Rei D. Manoel fez lançar fora vinte mil famílias de Judeus, que, segundo o grande historiador Damião de Góes, por não quererem mudar da crença de seus pais. Levaram para diversas partes da Europa as artes, indústria, comércio, e avultadíssimos cabedais, que foram enriquecer diversos países. A revogação do Edito de Nantes produziu iguais males à França; e os huguenotes, que pela
sabedoria do grande Henrique IV, se desafrontaram das profiosas perseguições, e da memória horrível do dia de S. Bartolomeu, viram-se forçados a deixar o pátrio solo, vindo em grande parte povoar e agricultar os países da América do Norte...
Convém, portanto, Sr. Presidente, confessar que a tolerância assim regulada não ofende a Religião, e promove os interesses políticos e sociais (COSTA, 2004, p. 341-342).
Diante disso, Mendonça, salienta alguns pontos que já nos dão reposta à questão da moral contra-reformista. Abaixo englobo as teses que ele apresenta em seu livro sobre a Introdução do Protestantismo no Brasil:
• “O segmento liberal da sociedade brasileira, adepto da ideologia do progressismo, ansiava por uma nova educação que substituísse o sistema escolástico dos jesuítas” (MENDONÇA, VELASQUES. 2ª Ed. 2002, p. 73). • “O sistema educacional que os missionários norte-americanos trouxeram
obteve grande êxito junto à elite brasileira” (Ibidem).
• “Embora a elite liberal brasileira não estivesse interessada na ’religião’ protestante como tal, ela escolheu os missionários como arautos do liberalismo e do progresso” (Ibidem).
As teses de Mendonça nos ajudam a verificar que é coerente dizer que a igreja evangélica é a provável fonte de questionamento da moral contra- reformista. Neste caso, é importante ler o próprio Mendonça e verificar sua sensibilidade frente a um conceito reformulador:
O núcleo da mensagem missionária protestante era a conversão do indivíduo de sua vida pecaminosa (modo de vida anterior) à vida regenerada por Jesus Cristo (novo modo de vida expresso numa nova ética). A conversão se constituía numa opção individual e podia romper os mais fortes laços familiares e sociais. Num sentido mais amplo, o indivíduo rompia os “grilhões imutáveis das tradições da antiga sociedade...”. Assim, pode-se entender o que afirmou Ewbank ao descrever o povo brasileiro, sua cultura e sua religião: “As relações sociais e civis seriam rompidas” caso a pregação protestante tivesse êxito. Ora, os liberais sabiam perfeitamente que só uma ruptura de mentalidade da sociedade brasileira abriria caminho para uma nova
sociedade, modernizada e progressista ((MENDONÇA, VELASQUES. 2ª Ed. 2002, p. 74).