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A República Islâmica do Irã tem uma população de 71,5 milhões de habitantes. A extensa área geográfica faz do país o 16º maior do mundo e o segundo maior do Oriente Médio. Faz fronteira com a Turquia, Iraque, Paquistão, Afeganistão, Turcomenistão, Armênia, Rússia (mar Cáspio) e com os países árabes da região do Golfo Pérsico: Omã, Emirados Árabes, Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Kwaite.

Os mais importantes grupos étnicos que vivem no Irã, com sua própria história, cultura e costumes, são os azaris, turcos, curdos, baluchis, árabes turcomanos e lurs.

A história do Irã é milenar e tem início com os medas, povos indo-europeus que vieram para a Ásia Ocidental cerca de mil anos a.C. Os medas criaram um império que pouco durou, pois foram dominados pelos persas, mas lançaram as bases da cultura naquela região, contribuindo com sua língua ariana, o alfabeto de 36 letras, a substituição da argila pelo pergaminho, o uso das colunas na arquitetura, o código moral e uma religião cultuada até hoje no país, o Zoroastro72.

A formação dos persas, por sua vez, deve-se a uma mistura de raças, sendo que a historiografia considera os arianos como etnia fundadora persa. Os arianos, que habitavam as montanhas de Zagros, têm origem nos povos indo-europeus. De pele escura, nasceram na região da Índia. Após passarem pela Anatólia e Armênia, povoaram a Pérsia e a Grécia, espalharam-se por toda a Europa, dando início aos povos germânicos e eslavos, entre outros, e já apresentando a pele clara.

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Zoroastro, também conhecido como Zaratustra, era um profeta que viveu no século VII a.C, na região onde hoje é o Irã e o Afeganistão. Zaratustra teria recebido revelações divinas que formaram os conceitos do zoroastrismo, baseado na dualidade cósmica entre o bem e o mal.

Irã significa “terra de arianos”73 e representa uma retomada às origens do povo. O nome do país era Pérsia até 1935, como veremos mais adiante. Ciro, o Grande (566- 528 aC.), foi o imperador da Pérsia, cuja capital era Passárgada. O domínio persa se estendia do Mediterrâneo à Índia, englobando 31 nações, entre elas o Egito.

Ciro, criador da dinastia dos Aquemênidas, foi sucedido por Dario I, que mudou a capital para um ponto mais alto, denominando-a de Pãrsã, a cidade dos persas. Mais tarde, com o domínio do macedônio Alexandre, o Grande, o nome grego “Persépolis” tomou lugar. Dario é responsável pelas construções imponentes de Persépolis, edificadas há 2.500 anos (atualmente parte delas pode ser vista num sítio arqueológico que se transformou em atração turística), uma legislação que organizava e orientava a vida dos cidadãos e um complexo sistema de comunicações.

Após uma série de dinastias antes de Cristo, damos um salto histórico e vamos encontrar a Pérsia da dinastia Sassânida, que vai de 224 a 651 depois de Cristo. Neste período, é fundamental destacar a invasão árabe, que acontece em 642, e introduz o islamismo no país, cuja religião predominante até então era o zoroastrismo.

Em 1037, a Pérsia sofre a invasão dos turcos seljúcidas, que seguiam sua enorme expansão pelo Oriente Médio. Em 1219, acontece outra invasão, que é fundamental para entender as transformações da cultura persa: Gengis Khan invade a Pérsia e dá início ao governo Mongol, cujo colapso se dá cerca de 200 anos depois.

Sem nunca ter deixado de ser muçulmana desde a invasão árabe, a Pérsia torna- se oficialmente um império xiita, como religião de estado, no período da dinastia Safávida (1502-1736). É desta época também que o rei Abbas I transforma a cidade de Isfahan na capital persa.

Convém notar, que a partir do século XVIII a Europa é seduzida pelos temas que vêm do Oriente. Em 1704, Antoine Galland começa a publicar em francês sua tradução

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A etimologia de “ariano” vem de “airyano/erãn”. Pérsia (Persis) era o nome de uma tribo ariana da época de Ciro.

do clássico As Mil e uma Noites e cresce no imaginário ocidental fantasias sobre um mundo muçulmano povoado por reis déspotas e mulheres extremamente belas. Um universo erotizado passava a compor o clima das histórias dos haréns. Um exemplo deste efeito é o livro de Montesquieu, Cartas Persas, publicado em 1721 na França.

Embora Montesquieu nunca tenha ido à Pérsia ─ ele teria se inspirado em cartas de viagens de Tavernier e Chardin74 ─, narrava com riqueza de detalhes o comportamento persa, alimentando desde então uma imagem de exotismo que permanece até hoje.

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5. A REVOLUÇÃO

Historicamente, o Irã ocupa uma posição geopolítica fundamental no mundo. Em 1979, ocupava o posto de segundo maior exportador de petróleo do mundo, posição que tem oscilado, mas que nunca se mantém abaixo do quarto lugar. É natural que sobre a Revolução Islâmica, que derrubou a dinastia do shah Reza Pahlevi e colocou no poder o clero xiita, exista um grande números de textos publicados.

Muitos dos textos têm como autores conhecidos estudiosos sobre o Oriente Médio, os chamados orientalistas. Outros pertencem a “scholars” de última hora, e vários outros provém de iranianos que vivem no exílio, principalmente Estados Unidos e Europa. Neste último grupo, há desde professores universitários que já atuavam como acadêmicos (Annabelle SREBERNY-MOHAMMADI e Ali MOHAMMADI. Small

Media, Big Revolution: Communication, culture, and the Iranian Revolution.

Minneapolis:University of Minnesota, 1994), até pessoas que nunca pensaram em escrever um livro, como a ex-funcionária de uma companhia aérea, que resolveu contar os episódios da Revolução do ponto de vista de sua família (Rouhi SHAFII. Scent of

Saffron-Three Generation of a Iranian Family. Londres: Scarlet Press, 1997). Apesar –

ou graças – a diferentes perspectivas, o tema é apresentado com farta documentação, o que nos permite uma análise rica em detalhes, sempre com o objetivo de compreendermos as manifestações direcionadas à produção de cartazes que divulgam e legitimam a Revolução.

Comparada em grau de importância e impacto às revoluções francesa e russa, a Revolução Islâmica do Irã também ficou conhecida como a que resultou na “maior explosão popular na história da humanidade”75. De todos os acontecimentos do mundo contemporâneo, a Revolução Islâmica foi a que mais recebeu espaço na mídia, até hoje, passados 28 anos, repercute os fatos na tentativa de explicar/entender o fenômeno.

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Richard W. Cottam, “Inside Revolutionary Iran”, The Middle East Journal 43:2 (Spring 1989), p. 168, citado por John L. ESPOSITO e John O. VOLL , in: Islam and Democracy. New York: Oxford University Press, 1996, p. 52.

Benzer Belgeler